:: ‘chocolate’
Decreto da “Nova Ceplac” prioriza projetos e parcerias na cadeia produtiva de cacau
Após mais de seis meses de estudos, foi aprovada ontem (2), em forma de decreto presidencial, a configuração da nova estrutura organizacional da Ceplac. A “Nova Ceplac” foi mantida como órgão singular, porém com um viés mais voltado para a pesquisa e extensão por meio de projetos e parcerias. É o que se destaca no no decreto nº 9.667, de 2 de janeiro de 2019 (veja aqui), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Ainda foi mantido o conteúdo da Medida Provisória 870, assinada e publicada dia 01.01.19.
Foram criados ainda cinco novos cargos, vinculados à Diretoria, em Brasília, que vão cuidar exclusivamente dos projetos e parcerias dentro da cadeia produtiva, voltados para a pesquisa e extensão, vocacionados à sustentabilidade, por meio de sistemas agroflorestais em todo o Brasil.
A consultoria contratada pela Ceplac identificou as potencialidades do órgão, bem como suas fragilidades, em um longo estudo, que já começa a apresentar os resultados. Em relação às superintendências, apontou diversas soluções, porém não recomendou o aumento de cargos.
De acordo com o diretor geral da Ceplac, Juvenal Maynart (foto), “os produtores estão na expectativa de um novo momento para o mercado de cacau e chocolate, especialmente a partir da legislação criada em torno da Ceplac, que deve possibilitar a chegada de projetos consistentes para resolver o problema da baixa produtividade em algumas regiões, enquanto tratam da questão das dívidas em outras frentes”.
A invenção do Chocolate da Mata Atlântica
Gerson Marques
Fazer chocolates é uma atividade muito nova para nos do Sul da Bahia, o antigo modelo exportador de matéria prima, com base monocultural, ficou congelado por mais de um século, travando alternativas e oferecendo um certo conforto, que mais tarde se mostraria insustentável.
Neste sentido, existe um fator positivo com a crise da vassoura, como ensina os orientais, as crises são o fim e início ao mesmo tempo, depende de seu ponto de vista, ou como se comporta perante a adversidade.
A busca por alternativas que viabilizasse saídas para um quadro de insustentabilidade econômica da atividade agrícola do cacau, foi sem dúvidas o fator motivador e indutor para o surgimento da chocolataria no Sul da Bahia.
Mas, como se faz chocolates? Está era a pergunta a ser respondida anos noventa, no mundo até então, prevalecia a escola Suíça, com forte tradição no chocolate ao leite, traduzido para o Brasil, em chocolates com baixo teor de cacau, baixa qualidade e muitos aditivos suspeitos, fidelizando consumidores de doces, com o nome chocolate entrando como fantasia.
A falta de tradição e conhecimento sobre a produção de chocolates, era uma dificuldade que parecia intransponível apontando para um mar de desafios pela frente.
Também nos anos noventa, surge na Califórnia-EUA, um movimento de inovação do chocolate, comandado por chefs de culinária que resolveram reinventar o chocolate com base na seleção de amêndoas de alta qualidade e diminuição ou eliminação do leite na fórmula de seus inventos, este movimento ficou logo conhecido como “been tô bar”, foram fundamentais no desenvolvimento de uma linha de máquinas e equipamentos, de pequeno porte que viabilizaria o surgimento da micro e pequena fábrica de chocolate, coisa impensável pouco tempo antes.
Oeste receberá investimento de US$ 54 milhões em produção de chocolate
A empresa MCA Projects Holding FZE, com sede nos Emirados Árabes, pretende produzir 20 mil toneladas de cacau por ano no município de Xique-Xique, no oeste da Bahia, em um investimento previsto de US$ 37 milhões. O fruto também será beneficiado na região, com a fabricação de 2,3 mil toneladas de chocolate por ano, em outro investimento da mesma empresa de mais US$ 17,7 milhões.
Para isso, um memorando de entendimento com a MCA Projects Holding e um protocolo de intenções com a Copixaba Agro Empreendimentos foram assinados pelo governador Rui Costa e representantes das empresas nesta quinta-feira (13), na Governadoria, em Salvador.
A Copixaba será responsável pela implantação do distrito irrigado, onde trabalharão cinco mil baianos na construção do empreendimento. O distrito irrigado será instalado em Xique-Xique, incluindo obras de infraestrutura hídrica, com investimentos estimados de R$ 600 milhões. As obras devem começar no prazo máximo de dois anos, contados a partir da obtenção da licença de instalação junto ao órgão competente.
Segundo a secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Luiza Maia, o investimento é importante para uma região como a de Xique-Xique. “É necessário ter uma atenção com essas regiões secas, onde é preciso investir na geração de emprego e renda. Este é um investimento alto do agronegócio, muito importante e que está dentro da meta proposta pelo governador Rui Costa de promover o desenvolvimento do interior do estado por meio da industrialização”.
Desafios do Chocolate
Alcides Kruschewsky
Grandes desafios podem ser vencidos pela união de talentos e esforços. Com cada um fazendo a sua parte, chega-se aos objetivos. No nosso caso, poderíamos falar só dos problemas e dificuldades do nosso dia a dia. Isso é necessário, mas é também o mais fácil. Estamos estimulados com as perspectivas do turismo rural e com os passos largos do chocolate de origem do sul da Bahia. Esses serão pilares do turismo em Ilhéus, sem dúvida. Hoje já dão grande contribuição para o grau de satisfação dos nossos visitantes.
Quem viu essas propostas embrionárias, pouco acreditava que pudesse acontecer. E já é uma realidade. A “Floresta de Chocolate” parecia apenas um conto de fadas para quem assistia à difusão da ideia na fase de “gestação”. Hoje a sensação de apenas um sonho vai se afastando, ao passo que 70 marcas de chocolate de origem carimbam a nossa identidade, número que continua crescendo.
O Festival do Chocolate é um bom parâmetro dessa evolução em número e qualidade. Produtores oferecem ao mercado uma diversidade de derivados de cacau, cada vez maior e mais inusitada. Por isso, convido-os a imaginar essa mesma iniciativa semeada apenas entre os incrédulos e opacos, que se ocupam mais com as teses dos porquês do não daria certo, realçando sempre o que falta, os óbices e as deficiências.
Certamente Ilhéus e a região não teriam essa quantidade de produtores de chocolate, não teria os prêmios e destaque internacional para o cacau fino e chocolate de origem, nem os empregos e renda que em parte já foram resgatados. Com certeza ainda teríamos somente o Chocolate Caseiro Ilhéus, e isto graças a um visionário que não dava “bolas” para as “vozesinhas” que jogam tudo pra baixo. Se essas vozes prevalecessem não teríamos Mendoá, Sagarana, Yrerê, Haras Ilha Bela, Maltez, Policarpo, Tavares, Badaró, Capela Velha e a nova fábrica ICB, de chocolates finos, aqui no Iguape, alem de estrada e rotas do cacau e do chocolate em implantação, entre outros.
O mundo dos desafios não é para os fracos, para os pessimistas, para os que reclamam muito e trabalham pouco. Nem é para os que se ocupam apenas de se queixar e reclamar. O mundo dos grandes desafios é para aqueles que creem na capacidade de superação, no esforço comum e na criatividade. O mundo dos desafios exige mais foco no “o que cada um pode fazer” para somar, para juntar forças, conhecimento e espírito de nação, patriotismo. Os desafios e os sonhos caminham juntos. Só os que sonham realizam e vencem as dificuldades.
Cafeteria de Piatã e Chocolateria do Sul da Bahia são destaques da Feira da Agricultura Familiar
Um cantinho aconchegante para uma boa prosa? Também temos! Os visitantes da 9ª Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária contam este ano com uma cafeteria e chocolateria, ambiente criado especialmente para os amantes de café e chocolate degustarem um produto de qualidade.
O evento acontece no Parque de Exposições de Salvador, em paralelo à 31ª Feira Internacional da Agropecuária (Fenagro), até o domingo (02/12). No local, os visitantes encontram ainda mais de 2 mil produtos da agricultura familiar, distribuídos em 27 armazéns, representando os territórios de identidade da Bahia, Praça Indígena, Praça Quilombola, Praça de Artesanato, além da Praça Gastronômica, com variados pratos de 22 regiões do estado e uma vasta programação cultural, a partir das 16h.
Festival une cacau, chocolate e plantas alimentícias em Serra Grande
A segunda edição do Festival de Arte e Gastronomia de Serra Grande, que acontece de quinta a sábado (11 a 13 de outubro), sempre das 16h às 22h, na Vila de Serra Grande, no município de Uruçuca, no Sul da Bahia, tem como tema – Cacau, Chocolate e as Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs). Nesta edição serão feitas receitas com base na memória e na cultura que criam a gastronomia localista, tendo como curadora a chef carioca Ciça Roxo, que conduzirá a cozinha show com chefs locais e convidados.

Entre os nomes convidados estão Ro Gouvêa (RJ), Fred Caffarena (SP), De Mendes (PA), Claudemir Barros (PE), Guga Rocha (AL), todos estudiosos e que denominam técnicas e especialidades em áreas diversas da gastronomia, além deles tem os chefs locais: Cris Rosa, Lila Oliveira e Deia Lopes (Serra Grande, André Cabral, Ricco Araújo, Olívia Fernandes (Ilhéus), Clécio Campos, Viviane Silva e Júnior França (Itacaré), dentre outros.

Shows musicais – Além de ocorrer aulas show e degustação de pratos, feira gastronômica e de artesanato, palestra, rodas de bate papo, a grande tônica são as atrações musicais como: o circo da Lua, o forró de Laís Marques e a música popular de Felipe Hauers, além da cantora argentina Nádia Soledad, o samba da Revelação da Serra, ao rock eletrizante da banda Serra Elétrica, ambos os últimos grupos de Serra Grande.
Chocolate e vinho tinto ajudam a combater rugas e manter a pele jovem, dizem cientistas
(do Portal Raizes)-Quem tem o hábito de apreciar uma boa taça de vinho tinto acompanhada de um pedaço de chocolate tem bons motivos para celebrar a combinação de sabores. Um recente estudo realizado pela Universidade de Exeter, Inglaterra, descobriu que o doce e a bebida ajudam a combater rugas e manter a pele jovem.
De acordo com a pesquisa, tanto o vinho tinto quanto o chocolate contribuem para o rejuvenescimento de células antigas, fazendo com que elas se comportem mais como células jovens.
O segredo estaria nos flavonoides, compostos presentes em ambos e conhecidos por seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
Para chegar à conclusão, os cientistas trataram células em laboratório com produtos químicos encontrados naturalmente no vinho tinto, chocolate amargo, uvas vermelhas e mirtilos e descobriram que elas apresentavam mudanças e ficavam mais jovens.
A experiência foi repetida várias vezes e, em cada caso, as células rejuvenesceram, afirmou Eva Latorre, líder do trabalho científico, que ainda acredita que os dados obtidos podem levar a avanços em terapias antienvelhecimento.
Agricultores familiares baianos apresentam experiências no cultivo do cacau cabruca na Itália

O cacau, que já serviu de inspiração para o saudoso poeta Jorge Amado, continua projetando a Bahia para o mundo. Agricultores familiares baianos, dos territórios de identidade Litoral Sul e Baixo Sul, compartilharam a experiência no cultivo do cacau cabruca com os participantes do Terra Madre, maior evento internacional dedicado à cultura alimentar, promovido pelo Slow Food, e que termina nesta segunda-feira (24), em Turim, na Itália.
Os representantes baianos Ozaná Crisóstomo, presidente da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), do município de Ibicaraí, e Luciano da Silva, do Assentamento Dois Riachões, de Ibirapitanga, participaram da mesa de debate A palavra dos produtores – A Fortaleza Slow Food do Cacau Cabruca do Sul de Bahia, Brasil, no coração da floresta. Eles apresentaram aos italianos e representantes de outros países suas experiências, desde o cultivo até o beneficiamento do cacau.

O cacau cabruca é um sistema agroflorestal o qual maneja culturas à sombra das árvores nativas da Mata Atlântica, conservando, desta maneira, da biodiversidade e espécies nativas dos biomas Mata Atlântica e Amazônia.
Juvenal Maynart aponta cenário de um “novo negócio cacau”
(Do Diário Bahia)- Ao longo de sua gestão à frente das duas principais cadeiras da Ceplac – a Superintendência Bahia e a Direção Brasília –, Juvenal Maynart sempre insistiu na mudança de paradigmas na cacauicultura. Como órgão indutor, a Ceplac deveria também transformar-se, para que não fosse atropelada pelos acontecimentos. “Os novos paradigmas são inevitáveis, basta ver o que está a ocorrer no mundo, no Brasil, em todas as áreas”, dizia, citando o pensador Gilles Deleuze.
Pois essa tal pós-modernidade chegou. A Ceplac virou “Centro de Excelência das Políticas para Lavoura Cacaueira”, sob o paradigma dos sistemas agroflorestais (SAFs), hoje em evidência no Ministério da Agricultura. Como cacau e Ceplac remetem à mesma ideia – desenvolvimento sustentável –, o negócio cacau também se renova, a partir de uma nova mentalidade que leva antigos produtores a repensarem a forma bicentenária de produzir amêndoas, e passam – acompanhando o novo paradigma introduzido pela nova geração – a beneficiar a matéria-prima, produzindo chocolates finos e gourmets.
Juvenal comemora o que considera outra de suas previsões: “haverá uma mudança de narrativa”, dizia, nas reuniões e nos corredores da Superintendência, há 5 anos. “A missão provar – por meio da cadeia produtiva – uma meta de duplicar a produção nacional em 10 anos e colocar novamente o Brasil no cenário mundial do cacau é mais que uma nova narrativa, é um atestado de capacidade ao produtor brasileiro. O mundo hoje acredita”.













