:: ‘ACM’
ACM, Manuel Leal e o cheque com data retroativa

Daniel Thame
Inicio da década de 90. A pretexto de inaugurar novas salas de aula numa escola da rede estadual, Antonio Carlos Magalhães, na época o todo poderoso governador da Bahia, fez um ato público na praça Adami, centro de Itabuna.
Era só pretexto mesmo. O que ACM fez foi desancar, com a verborragia habitual, seu ex-aliado Manuel Leal, dono do jornal A Região, que lhe fazia ferrenha oposição.
Embora fosse o jornal de maior circulação no Sul da Bahia, A Região era tratada, bem ao estilo ACM, sem pão nem água pelo Governo do Estado. Publicidade zero.
Mas o caudilho queria mais. Depois de atacar Leal, que assistia tudo da sede do jornal, bem ao lado da praça, ACM falou sem rodeios:
-Quem for meu aliado, meu amigo, não anuncia nesse jornal de merda…

Dias depois, apareceu na sede do jornal um empresário com veleidades de entrar na política, para pagar um anuncio de sua loja.
E, para não deixar dúvidas, preencheu o cheque com data anterior ao discurso-ordem de ACM.
Manuel Leal, que não era Manuel Leal por acaso, não descontou o cheque. Durante muito tempo exibiu-o, aos risos, aos amigos, como exemplo da “coragem” de alguns de nossos concidadãos.
O jornal, apesar das bravatas de ACM, sobreviveu.
O velho capo não teve a mesma sorte.
Manuel Leal, ACM e o cheque pré-datado

Daniel Thame
Inicio da década de 90. A pretexto de inaugurar novas salas de aula numa escola da rede estadual, Antonio Carlos Magalhães, então o todo poderoso governador da Bahia, fez um ato público na praça Adami, centro de Itabuna.
Era só pretexto mesmo. O que ACM fez foi desancar, com a verborragia habitual, seu ex-aliado Manuel Leal, dono do jornal A Região, que lhe fazia ferrenha oposição.
Embora fosse à época o jornal de maior circulação no Sul da Bahia, A Região era tratada, bem ao estilo ACM, sem pão nem água pelo Governo do Estado. Publicidade zero.
Mas o caudilho queria mais. Depois de atacar Leal, que assistia tudo da sede do jornal, bem ao lado da praça que hoje leva seu nome, ACM falou sem rodeios:
-Quem for meu aliado, meu amigo, não anuncia nesse jornal de merda…
Dias depois, apareceu na sede do jornal um empresário com veleidades de entrar na política, para pagar um anuncio de sua loja.
E, para não deixar dúvidas, preencheu o cheque com data anterior ao discurso-ordem de ACM.
Manuel Leal, que não era Manuel Leal por acaso, não descontou o cheque.
Durante muito tempo exibiu-o, aos risos, aos amigos, como exemplo da “coragem” de alguns de nossos concidadãos.
O jornal, apesar das bravatas de ACM, sobreviveu e hoje, apenas em versão online, trocou o vermelho pelo azul, tudo a ver com a guinada que deu.
O velho capo não teve a mesma sorte.
‘ Diálogos’ com ACM

Porto Seguro, 22 de abril de 2000. 500 anos do Descobrimento do Brasil. Enquanto autoridades e convidados vips participam de uma celebração no Hotel Vela Branca, o povaréu é isolado por barreiras e um forte contingente policial nas ruas.
Festa correndo solta no hotel e ao mesmo tempo a Polícia Militar baixando o cacete em índios, sem-terras, negros e quem mais se atrevesse a protestar contra o que consideravam uma invasão/exploração e não um descobrimento.
Uma violência policial tão desmedida que no dia seguinte ganharia as manchetes da imprensa mundial.
Gravador em punho, aproximo-me de Antônio Carlos Magalhães, então o Rei da Bahia e fiador daquela festança toda e, per supuesto, também daquela pancadaria toda.
Certo de que vai receber uma pergunta elogiosa, ACM exibe o melhor dos sorrisos, exala simpatia.
E eu transpiro jornalismo:
-Senador, como o senhor avalia o fato de que enquanto as autoridades festejam aqui no hotel, pessoas simples estão sendo agredidas pela polícia e impedidas de protestar pacificamente?
O sorriso some, mas ACM permanece impassível, olha para o crachá para ver em qual veículo de comunicação eu trabalhava (na época, a TV Cabrália), uma atitude típica dele, e quando providencialmente começa a tocar o Hino Nacional, responde entre os dentes:
-Você não vê que estou ouvindo o Hino Nacional?
E completou baixinho, dando um leve chute na minha canela, antes de me dar as costas com o desprezo de quem se achava acima do bem e do mal:
-Seu moleque, filho da puta…
A resposta que ACM não me deu, o povo baiano, força indomável da liberdade, lhe daria seis anos depois e continua dando até hoje nos seus herdeiros políticos….
Profissão Repórter-Memórias de um 22 de abril…
Daniel Thame
Entre as várias reportagens que diz ao longo desses mais de 46 anos de estrada, 37 deles no Sul da Bahia, nenhuma foi mais estressante do que a cobertura dos 500 anos do Brasil em Porto Seguro. O que seria uma comemoração, organizada a caráter para incensar Fernando Henrique Cardoso e ACM, se transformou num festival de pancadaria, perpetrada pela polícia baiana contra índios, negros, sem-terras e estudantes.
Na véspera do fatídico 22 de abril, tive que optar entre ficar em Porto Seguro, onde a festa estava preparada, ou seguir para Coroa Vermelha, onde o clima estava pesado porque os movimentos sociais não se contentavam em fazer figuração no teatrinho armado pelo governo.
Não tive dúvidas: fui a Coroa Vermelha e ao lado da equipe da TV Cabrália, testemunhei uma demonstração de truculência e insanidade que repercutiu em todo mundo. Não perdi nenhuma festa, até porque festa não houve, para desalento do então Rei da Bahia, que ali viu desmoronar o seu sonho de se tornar o Rei do Brasil.
A reportagem foi publicada no jornal A Região. A foto é de Lula Marques.
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Polícia barra povo e FHC
faz festa vip dos 500 anos
Dois episódios ocorridos na tarde-noite de sexta-feira, dia 21 de abril de 2000, ajudam a entender o festival de selvageria em que se transformou a festa dos 500 anos do Brasil, exaustivamente preparada para coroar o Governo da Bahia e, principalmente, catapultar o senador Antonio Carlos Magalhães para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso.
Por volta das 16 horas, policiais militares fortemente armados bloquearam a rodovia que liga Eunápolis a Porto Seguro. Eles alegavam cumprir ordens da Defesa Civil, já que a cidade não comportava mais ninguém. Tudo perfeito, à exceção de um mero detalhe: Porto Seguro não possui Defesa Civil. O objetivo era evitar que os sem-terra, acampados em Eunápolis, entrassem em Porto. O bloqueio foi estendido a turistas e até aos moradores das duas cidades. Um turista que veio de João Pessoa, na Paraíba, exibiu as reservas de hotel e afirmou que seu direito de ir e vir, garantido pela Constituição, estava sendo desrespeitado.
A resposta do policial merece entrar para os anais da história do Brasil:
-Aqui na Bahia quem manda é o Antonio Carlos Magalhães.
Ou seja, pega a Constituição e…
ACM, Leal e o cheque pré-datado
Inicio da década de 90. A pretexto de inaugurar novas salas de aula numa escola da rede estadual, Antonio Carlos Magalhães, o todo poderoso governador da Bahia, fez um ato público na praça Adami, centro de Itabuna.
Era só pretexto mesmo. O que ACM fez foi desancar, com a verborragia habitual, seu ex-aliado Manuel Leal, dono do jornal A Região, que lhe fazia ferrenha oposição.
Embora fosse à época o jornal de maior circulação no Sul da Bahia, A Região era tratada, bem ao estilo ACM, sem pão nem água pelo Governo do Estado. Publicidade zero.
Mas o caudilho queria mais. Depois de atacar Leal, que assistia tudo da sede do jornal, bem ao lado da praça, ACM falou sem rodeios:
-Quem for meu aliado, meu amigo, não anuncia nesse jornal de merda…
Dias depois, apareceu na sede do jornal um empresário com veleidades de entrar na política, para pagar um anuncio de sua loja.
E, para não deixar dúvidas, preencheu o cheque com data anterior ao discurso-ordem de ACM.
Manuel Leal, que não era Manuel Leal por acaso, não descontou o cheque. Durante muito tempo exibiu-o, aos risos, aos amigos, como exemplo da “coragem” de alguns de nossos concidadãos.
O jornal, apesar das bravatas de ACM, sobreviveu. O velho capo não teve a mesma sorte.
De Manoel a Marcel, um jornal que tem alma
Daniel Thame
Lá se vão 35 anos. Manoel Leal ainda está sentado naquela mesa da redação onde, como diria Nelson, o Gonçalves, está faltando ele. Memória, apenas memória. Manoel Leal, `el viejo Capo`, agora está num local chamado eternidade, como diria, Eduardo, o Anunciação. Citações, anunciações e memórias, passado e presente. História, num jornal feito de histórias.
O jornal A Região pode ser definido mais ou menos assim: Hélio Pólvora, escritor e jornalista de renome nacional, era o arco. Manoel Leal era a flecha, tantas vezes letal, um homem que estava longe de ser santo, mas, isso tem que ser dito e repetido, tinha infinitamente mais virtudes do que defeitos. E que não fazia tipo, não posava de vestal, não bancava um personagem. Era ele mesmo e ponto final.
Um ano depois da fundação do jornal, Hélio foi gastar seu monumental talento em outras paragens. E lá fui eu, paulista recém-chegado de São Paulo, mochileiro das estradas de nuestra America, sendo devidamente arraigado neste chão que fisga e fixa, fazer a dupla improvável com Leal, duas flechas disparando sem arco, em que muitas vezes me peguei pensando se aquilo tudo era coragem ou loucura mesmo. Opção B.
Denuncias de fraude no Vestibular da Uesc, tráfico de crianças para a Itália, falcatruas no recebimento de recursos para a lavoura cacaueira, máfia dos cartões de crédito, esquema de venda da Emasa, superfaturamento de obras públicas, tentativa de fraude nas eleições para deputado estadual e federal, vendas de sentenças judiciais, irregularidades na concessão de alvarás de taxis, etc., etc., etc. e coloca ainda uma infinidade de eteceteras, tantas foram as manchetes devidamente documentadas, produzidas ao longo dessas quase três décadas.
Digna de figurar em qualquer antologia da imprensa grapiúna no século XX, é a manchete “ACABOU!”, em letras garrafais e com direito a exclamação, determinando o que ninguém queria admitir, o cacau como riqueza inesgotável e imune a crises estava entrando para a categoria papai noel, cegonha, saci pererê e quetais.
Manoel Leal era implacável, mas não menos bem humorado. Os leitores mais antigos devem se lembrar do impagável colunista social Dick Emery, que despontou em meio aos consagrados e então semi-deuses Charles Henry, Diego Caldas, Joseph Marie, Serafim Reis, Dikas e Pedro Ivo Bacelar.
De Dick Emery, sucesso instantâneo no então resplandecente high society dos derradeiros tempos áureos do cacau, dizia-se que era por demais tímido, visto que não aparecia nos regabofes. Tímido e virtual, mesmo em tempos pré-internet, já que o tal Dick era ninguém menos que o próprio Leal, num de seus típicos acessos de ironia. Dick sumiu tão misteriosamente como surgiu. O high society, como se denota, ainda finge-se de vivo, mortinho que esteja vitimado por uma bruxa vassourenta. Aparências nada mais, diria Marcio, o Greik.
Numa noite de janeiro de 1997, um divisor de águas num Mar Vermelho de sangue e vergonha. Manoel Leal era covardemente assassinado, crime de mando que até hoje surfa nas tranquilas ondas da impunidade.
Calaram uma voz, mas ao contrário do que esperavam seus covardes algozes, não calaram o jornal. E Marcel Leal, filho de Manoel, teve que deixar a zona de conforto da Rádio Morena FM para assumir o jornal, num momento que era mais cômodo recuar do que seguir no combate.
Recuo não houve e, mesmo sem o espírito intrépido e indomável, no limite da irresponsabilidade, do pai, Marcel vem tocando o jornal com a mesma coragem de enfrentar poderosos e denunciar maracutaias em pequena e larga escala. O jornal não perdeu a sua essência. Denuncia sem medo, incomoda.
A Região, atualmente mais digital do que impresso e com uma assustador guinada à direita (e bota direita nisso) o que democraticamente respeito embora discorde, continua combativa e combatente, fugindo da mesmice e do oba-oba reinantes.
Resistir edição após edição, semana após semana, mês após mês, ano após ano. Esse é certamente o grande trunfo, a conquista a ser comemorada. Vitória de pirro, dirão os despeitados. Vitória de ´hombres`, direi eu paulista-baiano-cubano das terras do cacau por obra e graça de Manoel Leal.
Marcel Leal resiste. Desafia a lógica de parar com essa aventura insana e seguir sua vida. A Região caminha para os 40 anos, rumo a um futuro que hoje é apenas a edição seguinte, de vez em quando impressa, parida a ferro e fogo na entranha de dificuldades imensas.
Discordo (se fosse apenas para ficar no confete essas bem ou mal traçadas linhas se tornariam ponto fora da curva num jornal contestador por excelência) de seu antipetismo visceral, como ele certamente discorda do meu petismo-lulismo visceral. Algumas de suas Cartas ao Leitor poderiam figurar com louvor nas abomináveis vejas, folhas e globos da vida. Mas respeito, porque ambos sabemos como dói perder alguém tão querido pelo simples fato de exercer a liberdade de expressão.
Assim como o glorioso Barcelona é ´más que un club`, porque representa a insubmissão catalã à Espanha, A Região é mais que um jornal, embora seja uma exceção de inconformismo e coragem numa região que invariavelmente se dobra de joelhos ao mandatário de plantão.
Antonio Lopes, Rose Marie Galvão, Vilma Medina, Rosi Barreto, Domingos Matos, Davidson Samuel, Ailton Silva, Luiz Conceição, Walmir Rosário, Neandra Pina, Carlos Barbosa, Jorge Wilton, Vera Rabelo, Kleber Torres, Flávio Monteiro Lopes, Marcos Maurício, Mauricio Maron, Valério Magalhães. Balseros nessa travessia de muitas tormentas, mas inegavelmente gratificante, de fazer um jornal com alma.
E nem se diga que Manoel Leal é apenas um retrato amarelado na parede ou uma placa de metal na praça que leva seu nome. É ele essa tal alma que não deixa a chama se apagar.
Fogo aceso, segue o jogo, Marcel Leal…
`Pobre dá ânsia de vômito…`
Rafael Greca, candidato que lidera as pesquisas na eleição para prefeito de Curitiba no Paraná, em surto de absoluta sinceridade:
Greca é o mesmo que, quando ministro de FHC, no ano 2000, pagou 3,5 milhões e meio de reais, uma réplica da nau de Pedro Álvares Cabral para comemorar os 500 anos da descoberta do Brasil e refazer o trajeto entre Salvador e Porto Seguro. A nau afundou ao sair de Salvador e teve que ser rebocada para chegar à festa dos 500 anos, em que a polícia de ACM bateu com pompa, zelo e circunstância nos integrantes de movimentos sociais (negros, sem terras, mulheres, indígenas e estudantes), que ousaram protestar contra o convescote.
Governo de Paulo Souto foi marcado por assassinatos de jornalistas e radialistas

A violência tem sido um dos temas mais explorados na campanha do DEM nas eleições baianas. Violência é algo que os profissionais de comunicação sentiram na pele durante os governos de Paulo Souto e ACM na década de 90. “Foi um período sombrio para os jornalistas e radialistas da Bahia”, lembra o vice-presidente da Associação Baiana de Imprensa, Ernesto Marques.
Na Bahia, onze profissionais de imprensa foram assassinados em dez anos, a maioria deles em crimes de mando, ligados ao exercício da profissão e quando faziam denuncias de corrupção envolvendo políticos ligados ao carlismo.
Os casos mais notórios de assassinatos de profissionais de imprensa envolveram os radialistas Ivan Rocha, em Teixeira de Freitas, Ronaldo Santana, em Eunápolis, e o jornalista Manuel Leal, diretor do jornal A Região, em Itabuna. ”O corpo de Ivan Rocha não foi encontrado até hoje e nos casos de Ronaldo Santana e Manuel Leal investigações mal feitas impediram que se chegassem aos mandantes, porque a regra era a impunidade”, diz Ernesto Marques.
Entidades como o Comitê de Proteção aos Jornalistas (EUA) , Sociedade Interamericana de Imprensa (EUA) e Repórteres Sem Fronteiras (França) cobraram oficialmente a apuração dos crimes, mas o governo carlista ignorou os pedidos. “A liberdade de expressão inexistia e quem se atrevia a denunciar sofria ameaças e em alguns casos pagava com a vida. Não podemos retroceder diante dos avanços que conquistamos com Wagner. Hoje a Bahia tem uma imprensa livre e o direito de opinião é respeitado”, afirma Ernesto Marques.
Patas digitais
Lideranças petistas já identificaram as patas digitais de quem está por trás da armação da ex-revista Veja, para tentar atingir a candidatura de Rui Costa.
Trata-se de um conhecido político a quem ACM, o avô, perpetrou o rótulo de agatunado, um homem de bens.
E que ACM, o neto, num acordo político capaz de fazer o avô se remexer eternamente na tumba, agora se refere a ele como um homem de bem.
A TV da família ACM sai do ar, mas Souto fica no ar

essas coincidencias que só acontecem no carlismo
Um fato, no mínimo estranho, chamou a atenção da população da cidade de Bom Jesus da Lapa, no oeste do estado. Acontece que nos últimos quatro dias, o sinal da TV Oeste, filiada da Rede Globo na região, caiu. Porém, o mais intrigante é que a imagem de fundo usada para sinalizar que a transmissão estava sem sinal era de um comício do candidato do DEM ao governo do estado, Paulo Souto.
O fato foi confirmado pelo prefeito do município, Eures Ribeiro (PV), à coluna Tempo Presente, do Jornal A Tarde.















