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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

maio 2026
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:: ‘jornal A Regiao’

ACM, Manuel Leal e o cheque com data retroativa

Daniel Thame

 

Inicio da década de 90. A pretexto de inaugurar novas salas de aula numa escola da rede estadual, Antonio Carlos Magalhães, na época o todo poderoso governador da Bahia, fez um ato público na praça Adami, centro de Itabuna.

Era só pretexto mesmo. O que ACM fez foi desancar, com a verborragia habitual, seu ex-aliado Manuel Leal, dono do jornal A Região, que lhe fazia ferrenha oposição.

Embora fosse o jornal de maior circulação no Sul da Bahia, A Região era tratada, bem ao estilo ACM, sem pão nem água pelo Governo do Estado. Publicidade zero.

Mas o caudilho queria mais. Depois de atacar Leal, que assistia tudo da sede do jornal, bem ao lado da praça, ACM falou sem rodeios:

-Quem for meu aliado, meu amigo, não anuncia nesse jornal de merda…

Dias depois, apareceu na sede do jornal um empresário com veleidades de entrar na política, para pagar um anuncio de sua loja.

E, para não deixar dúvidas, preencheu o cheque com data anterior ao discurso-ordem de ACM.

Manuel Leal, que não era Manuel Leal por acaso, não descontou o cheque. Durante muito tempo exibiu-o, aos risos, aos amigos, como exemplo da “coragem” de alguns de nossos concidadãos.

O jornal, apesar das bravatas de ACM, sobreviveu.

O velho capo não teve a mesma sorte.

 

Manoel Leal, 28 anos de um crime sem castigo


A capa histórica de A Região: a mais triste das capas

Daniel Thame

Neste 14 de janeiro de 2026, completaram-se 28 anos da morte do jornalista e diretor do jornal A Região, Manoel Leal, brutalmente assassinado com cinco tiros à queima roupa num início de noite,  típico crime de mando.

 

A exceção da condenação do ex-policial Mozart  Brasil, até hoje impera a impunidade, já que as investigações, propositalmente capengas, nunca chegaram nem perto dos mandantes. Foi uma investigação claramente feita para não investigar nada ou pelo menos garantir que quem deu a ordem de atirar nunca fosse sequer chamado a depor.

 

A data passa quase despercebida, mas não deveria. Leal deve ser sempre lembrado como símbolo de um tempo em que o jornalismo independente e sem medo de enfrentar os poderosos de plantão poderia  e não raro era, calado à bala.

 

É verdade que a Bahia daqueles tempos trágicos em que a imprensa era silenciada a tiros não existe mais.

 

Não é menos verdade, entretanto, que enquanto a impunidade permanecer e não houver justiça, Manoel Leal será uma amarga lembrança para os que, como este blogueiro, tiveram a oportunidade de conviver com alguém demasiadamente humano, nas virtudes e nos defeitos.

 

Leal, o maior jornalista, no sentido literal na palavra, que essa terra (adubada com sangue, by Jorge Amado), já produziu.

 

De Manoel Leal, meu velho capo, com quem compartilhei alguns de meus melhores anos nessa trajetória sul-baiana que chega aos 40 anos de caminhada, só se pode dizer o que igualmente tanto já foi dito: permanece um imenso vazio, uma incontornável saudade de alguém que com sua alma grapiúna,  fez do jornal A Região, um símbolo da imprensa grapiúna..

 

Manoel Leal, Eterno!

 

De Manoel a Marcel, um jornal que tem alma

Daniel Thame

 

AR 1Lá se vão 35 anos. Manoel Leal ainda está sentado naquela mesa da redação onde, como diria Nelson, o Gonçalves, está faltando ele. Memória, apenas memória. Manoel Leal, `el viejo Capo`, agora está num local chamado eternidade, como diria, Eduardo, o Anunciação. Citações, anunciações e memórias, passado e presente. História, num jornal feito de histórias.

O jornal  A Região pode ser definido mais ou menos assim:  Hélio Pólvora, escritor e jornalista de renome nacional,  era o arco. Manoel Leal era a flecha, tantas vezes letal, um homem que estava longe de ser santo, mas, isso tem que ser dito e repetido, tinha infinitamente mais virtudes do que defeitos. E que não fazia tipo, não posava de vestal, não bancava um personagem. Era ele mesmo e ponto final.

manoel 2Um ano depois da fundação do jornal, Hélio foi gastar seu monumental talento em outras paragens. E lá fui eu, paulista recém-chegado de São Paulo, mochileiro das estradas de nuestra America, sendo devidamente arraigado neste chão que fisga e fixa, fazer a dupla improvável com Leal, duas flechas disparando sem arco, em que muitas vezes me peguei pensando se aquilo tudo era coragem ou loucura mesmo. Opção B.

Denuncias de fraude no Vestibular da Uesc, tráfico de crianças para a Itália, falcatruas no recebimento de recursos para a lavoura cacaueira, máfia dos cartões de crédito, esquema de venda da Emasa, superfaturamento de obras públicas, tentativa de fraude nas eleições para deputado estadual e federal, vendas de sentenças judiciais, irregularidades na concessão de alvarás de taxis, etc.,  etc., etc. e coloca ainda uma infinidade de eteceteras, tantas foram as manchetes devidamente documentadas, produzidas ao longo dessas quase três décadas.

Digna de figurar em qualquer antologia da imprensa grapiúna no século XX, é a manchete “ACABOU!”, em letras garrafais e com direito a exclamação, determinando o que ninguém queria admitir, o cacau como riqueza inesgotável e imune a crises estava entrando para a categoria papai noel, cegonha, saci pererê e quetais.

Manoel Leal era implacável, mas não menos bem humorado. Os leitores mais antigos devem se lembrar do impagável colunista social Dick Emery, que despontou em meio aos consagrados e então semi-deuses Charles Henry, Diego Caldas, Joseph Marie, Serafim Reis, Dikas e Pedro Ivo Bacelar.

De Dick Emery, sucesso instantâneo no então resplandecente high society dos derradeiros tempos áureos do cacau, dizia-se que era por demais  tímido, visto que não aparecia nos regabofes. Tímido e virtual, mesmo em tempos pré-internet, já que o tal Dick era ninguém menos que o próprio Leal, num de seus típicos acessos de ironia. Dick sumiu tão misteriosamente como surgiu. O high society, como se denota, ainda finge-se de vivo, mortinho que esteja vitimado por uma bruxa vassourenta. Aparências nada mais, diria Marcio, o Greik.

Numa noite de janeiro de 1997, um divisor de águas num Mar Vermelho de sangue e vergonha. Manoel Leal era covardemente assassinado, crime de mando que até hoje surfa nas tranquilas ondas da impunidade.

marcelCalaram uma voz, mas ao contrário do que esperavam seus covardes algozes, não calaram o jornal. E Marcel Leal, filho de Manoel, teve que deixar a zona de conforto da Rádio Morena FM para assumir o jornal, num momento que era mais cômodo recuar do que seguir no combate.

Recuo não houve e, mesmo sem o espírito intrépido e indomável, no limite da irresponsabilidade, do pai, Marcel vem tocando o jornal com a mesma coragem de enfrentar  poderosos e denunciar maracutaias  em pequena e larga escala. O jornal não perdeu a sua essência. Denuncia sem medo, incomoda.

A Região, atualmente mais digital do que impresso e com uma assustador  guinada à direita (e bota direita nisso) o que democraticamente respeito embora discorde,   continua combativa e combatente, fugindo da mesmice e do oba-oba reinantes.

Resistir edição após edição, semana após semana, mês após mês, ano após ano. Esse é certamente o grande trunfo, a conquista a ser comemorada. Vitória de pirro, dirão os despeitados. Vitória de ´hombres`, direi eu paulista-baiano-cubano das terras do cacau por obra e graça de Manoel Leal.

Marcel Leal resiste. Desafia a lógica de parar com essa aventura insana e seguir sua vida. A Região caminha  para os 40 anos, rumo a um futuro que hoje é apenas a edição seguinte, de vez em quando impressa,   parida a ferro e fogo na entranha de dificuldades imensas.

capas-aregiaoDiscordo (se fosse apenas para ficar no confete essas bem ou mal traçadas linhas se tornariam ponto fora da curva num jornal contestador por excelência) de seu antipetismo visceral, como ele certamente discorda do meu petismo-lulismo visceral. Algumas de suas Cartas ao Leitor poderiam figurar com louvor nas abomináveis vejas, folhas e globos da vida. Mas respeito, porque ambos sabemos como dói perder alguém tão querido pelo simples fato de exercer a liberdade de expressão.

Assim como o glorioso Barcelona é ´más que un club`, porque representa a insubmissão catalã à Espanha, A Região é mais  que um jornal, embora seja uma exceção de inconformismo e coragem numa região que invariavelmente se dobra de joelhos ao mandatário de plantão.

Antonio Lopes, Rose Marie Galvão, Vilma Medina, Rosi Barreto, Domingos Matos, Davidson Samuel, Ailton Silva, Luiz Conceição, Walmir Rosário, Neandra Pina, Carlos Barbosa, Jorge Wilton, Vera Rabelo, Kleber Torres, Flávio Monteiro Lopes, Marcos Maurício, Mauricio Maron, Valério Magalhães. Balseros nessa travessia de muitas tormentas, mas inegavelmente gratificante, de fazer um jornal com alma.

E nem se diga que Manoel Leal é apenas um retrato amarelado na parede ou uma placa de metal na praça que leva seu nome. É ele essa tal alma que não deixa a chama se apagar.

Fogo aceso, segue o jogo, Marcel Leal…

JORNAL A REGIÃO, CARTA AO LEITOR

A gente já sabia

Marcel Leal

            Até o jornal Valor Econômico suspeita do que a gente tem certeza.

            As ações contra o Porto Sul são financiadas pelos altos capitalistas de interesse próprio como Natura e Globo, empresas que tem enormes áreas para especulação no sul da Bahia.

            Segundo o jornal, o ativista Rui Rocha tem R$ 10 milhões para combater o projeto na imprensa.

            Já contratou assessoria de imprensa de São Paulo, que inclusive enviou material para A Região. Não custa barato.

            Pelo jeito, o incentivo do grupo em lutar contra progresso para Ilhéus envolve o próprio bolso e não apenas filosofia de vida. Aliás, esse grupo nunca combateu os outro inúmeros crimes ambientais da região.

            De sua parte, a Rede Globo continua fazendo matérias mentirosas, abrindo mais espaço para os contra e quase nada para a maioria a favor do Porto Sul.

            Quer passar a ideia que a maioria é contra, que não quer o Complexo Sul. A realidade é justamente o oposto.

            No domingo, disse que “apenas parte da população apoia o projeto”. Esqueceu de explicar que esta “parte” é mais de 80%, é quase todo mundo.

            No dia da audiência, o repórter enviado pela Globo, José Raymundo, almoçava com o “contra financiado” Rui Rocha antes de fazer a matéria, que já saiu do Rio de Janeiro pronta, com o viés contrário.

            Não veio fazer uma reportagem. Veio fazer uma matéria confirmando o que a emissora quer transmitir.

            O que a Bahia enfrenta,em especial Ilhéus, são os interesses do sul, que sabe o que vai acontecer quando o Porto Sul estiverem funcionamento.   Vaitirar muita carga dos portos de Santos (SP), Vitória (ES), Paranaguá (PR) e do de Suape, em Pernambuco.

            A carga de todo o centro-oeste e da própria Bahia, que hoje sai por estes portos, serão exportadas por Ilhéus.

            Estou falando de bilhões de dólares que estes portos, estados e empresas ligadas a eles vão perder. Outro medo é da importação de máquinas e equipamentos.

            Se tudo isso entrar pelo Porto Sul, indústrias terão uma alternativa para se instalar em Ilhéus, importando o que precisar por ele.

            É uma possibilidade de migração de fábricas para o sul da Bahia, onde a mão-de-obra e os serviços são mais baratos.

            Some a isso as terras da Natura e da Globo, o lobby das indústrias sulistas na emissora, massa de manobra barulhenta, muito bem paga para ser contra o porto. E egoísmo.

            No meio, uma região que está no buraco e precisa, desesperadamente, do Porto Sul e das indústrias que virão com ele para recuperar auto-estima, empregos, renda.

            O Complexo Sul é uma realidade, demore o que for, e vai mudar não só o sul da Bahia como o resto do Brasil, girando o eixo do desenvolvimento para cima, para o Nordeste.

            Nada no nosso mundo globalizado pode funcionar sem logística, transporte mundial, e o Porto Sul nos dá uma saída para o exterior.

            Vale mais que fábricas, plantações, capital. Pois sem ele nada disso circula.

nosso futuro.

 





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