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livros do thame




Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

maio 2026
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:: ‘Ernesto Marques’

Um enorme passado pela frente

(Foto Antonio Olavo-Portfolium)

Ernesto Marques

 

Em 2023 o IBGE contou apenas 1.484 Planos Municipais Pela Primeira Infância regularmente instituídos. A atualização deste número ainda é aguardada até dezembro, mas em 2026, quando o Marco Legal da Primeira Infância completa 10 anos, desejar uma política formalmente instituída em pelo menos 30% dos 5.570 municípios brasileiros parece querer demais. Mas de eventos, discursos emocionados e boas intenções, a realidade está cheia – e há lugares onde a arte se inspira, quando o cinema ou a televisão pintam um inferno em movimento.

O dado do IBGE sobre a baixa adesão de gestores municipais a mais um programa governamental com pretensões de ganhar escala nacional diz muito sobre a caminhada civilizatória brasileira. A gestão pública reitera a opção pela ignorância em relação a um conjunto diverso e robusto de estudos científicos sobre experiências socialmente transformadoras e com retorno econômico garantido, para cada centavo de orçamento público investido na primeira infância. A história ajuda a entender as estatísticas para além dos números.

 

Roda dos Enjeitados

A sociedade baiana já tolerava o abandono de recém-nascidos aos cuidados das freiras do primeiro convento feminino do Brasil desde 1726. O cilindro de madeira embutido no muro do Convento do Desterro, no Centro de Salvador, com uma abertura suficiente para passar um bebê inovou, ao garantir anonimato quem tinha coragem de abandonar.

Da Roda dos Enjeitados, na Salvador do século XIX, ao lançamento do Plano Integrado da Política Nacional Integrada da Primeira Infância, um salto quântico. Mas a capital baiana que encolheu demograficamente na última década, tem mais de 100 mil crianças cujas chances mínimas de romperem o ciclo ancestral de pobreza extrema, depende de serem alcançadas por serviços municipais. O Estado brasileiro, representado pelo Município de Salvador, provavelmente sabe bastante sobre cada uma delas. Com notáveis 99,6% de cobertura do registro civil, é quase impossível nascer sem passar a existir “de papel passado”, adquirindo todos os direitos constitucionais, começando pelo direito de ser tratado como prioridade absoluta.

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Museu de Imprensa completa um ano de portas fechadas

A Associação Bahiana de Imprensa chega ao fim de 2024 com o marco lastimável de um ano sem poder operar o Museu de Imprensa, localizado no térreo do Edifício Ranulfo Oliveira, no Centro Histórico de Salvador. A ABI se viu obrigada a suspender as atividades do museu, que abrigou exposições como a que homenageou o fotojornalista Anízio Carvalho, após precisar investir quase R$ 1 milhão para modernizar o Ed. Ranulfo Oliveira por solicitação da Prefeitura Municipal de Salvador, locatária de parte do imóvel. Além desse investimento, os contratos referentes à locação pela Prefeitura já completam mais de 9 anos com valores congelados, forçando a ABI a adotar medidas extremas de corte de gastos.

O presidente da ABI, Ernesto Marques, lamentou o aniversário de fechamento do museu, enquanto espera a concretização do último convite do Prefeito Bruno Reis para negociar a regularização do aluguel, feito no dia 2 de dezembro. “[Esse museu] custou muito trabalho, foram quase 350 mil reais que a ABI investiu e agora vem mais uma temporada de verão que vamos estar com o museu fechado. É inadmissível isso, e a ABI continua esperando o convite que o Prefeito disse que faria para resolver o assunto”, frisou.

“A persistir a anomalia contratual que asfixia a quase centenária Associação Bahiana de Imprensa, os prejuízos alcançarão os acervos do Museu e da Biblioteca Jorge Calmon”, adverte o presidente. As rotinas de conservação foram severamente prejudicadas pela adoção do trabalho remoto, explica Marques.

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Debate sobre IA no jornalismo marca lançamento da 6ª Revista Memória da Imprensa

“Decifra-me ou te devoro”. A manchete da 6ª edição da Revista Memória da Imprensa, lançada na tarde deste sábado (14) pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI), desafia o leitor a pensar sobre o futuro do jornalismo e da comunicação em tempos de Inteligência Artificial. Financiamento para o jornalismo local, mercado, modelos de negócio, desinformação e principais tendências foram alguns dos assuntos debatidos pelos especialistas convidados.

Além da discussão sobre os impactos da tecnologia na área, o evento, transmitido ao vivo pelo canal da ABI, celebrou o legado de comunicadores que fizeram história na imprensa da Bahia e do Brasil, em um encontro vibrante e cheio de afeto, ao som do maestro Fred Dantas e banda.

O presidente da Associação, Ernesto Marques, iniciou o lançamento com uma explicação do projeto Memória da Imprensa, que nasceu há 18 anos como uma série de documentários sobre grandes nomes do jornalismo baiano, e transformou-se em revista em 2020. Ernesto também falou sobre o tema da edição, antecipando o debate com um alerta sobre a necessidade de refletir com urgência e criticidade.

“Apenas 2 anos depois do lançamento da Open AI, decifrar este enigma se tornou uma imposição em qualquer área. […] Decifrar o enigma não se resume ao manejo dócil e até servil, de tão acrítico, da ferramenta sedutora que encanta enquanto aprende a superar o usuário”, advertiu ele.

O lançamento reuniu jornalistas, profissionais da educação, da cultura, do mercado publicitário, e diversas outras áreas. Todos juntos, pensando, de forma crítica e urgente, sobre as últimas transformações que afetam diretamente a qualidade da informação consumida pela sociedade.

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ABI-BA elabora guia de orientação para cobertura jornalística de feminicídios

A diretoria da Associação Bahiana de Imprensa recebeu  na sede da entidade, a vice-presidente do Sinjorba, Fernanda Gama e a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, para apresentar o “Protocolo Antifeminicídio: Guia de boas práticas para a cobertura jornalística”.

O documento, produzido pela entidade, tem como objetivo orientar os jornalistas na apuração e produção de notícias relativas a crimes contra a mulher, e tem o apoio institucional do Sinjorba e da Fenaj.

“Essa é uma importante iniciativa para a qualificação do jornalismo baiano e nacional. Para além de apenas apontar as falhas na cobertura da violência fatal contra as mulheres, a publicação se propõe a ser uma fonte de consulta rápida e propositiva para acabarmos com preconceitos e situações que revitimizam as mulheres”, declara Samira de Castro, presidente da Fenaj.

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2 de Julho: nós, por nós mesmos

Ernesto Marques

 

Como há 200 anos, neste 2 de Julho de 2023, a sociedade baiana oferece uma generosa lição de brasilidade ao Brasil. Mais uma vez este país-promessa renasce na terra-mãe de todos nós, onde nasceu, para reescrever a sina que nos ensina a viver Pindorama: onde houver luta, há esperança.

Sobretudo depois do 8 de janeiro de 2023, irmão natimorto do 7 de setembro de 2022, estamos a viver uma experiência histórica que faz deste Bicentenário da Independência do Brasil na Bahia, muito mais do que uma ephemeride.

A data é, sim, argumento definitivo na peleja para se compreender sua importância para viventes de qualquer parte dos mais de 8,5 milhões de km². Território mantido íntegro à custa do sangue mestiço derramado nas batalhas travadas nas temidas províncias do norte. Sim! As províncias do norte… Onde há luta, há esperança, ensina a história.

Uma das belezas deste Bicentenário é isso: enquanto defendemos o valor da data, lembramos também que não foi coisa só da brava gente baiana. Tínhamos um longo histórico de levantes contra todas as desumanidades do colonialismo, começando pela escravidão e o genocídio. Mas veio gente dos quatro cantos para a luta preparada desde antes do Ipiranga. Assim como lembramos e reivindicamos o devido reconhecimento para as batalhas duríssimas ocorridas daqui até o Pará.

Outra luz desta nossa efeméride é a reparação construída e conquistada em honra aos nossos ancestrais e ao legado de coragem de quem oferece sua propriedade mais valiosa, o próprio corpo, em oposição à iniquidade. Às pessoas heroicas de 2 séculos atrás, correspondem descendentes que certamente se sentem bem representados pelo mestre Luis Henrique Dias Tavares. O faro de jornalista comprometido com a precisão, talvez o tenha inspirado no rigor do método científico. O coração comunista talvez o tenha inspirado a enxergar mais lentes a cada primeiro dia de aula, por detrás dos olhares atentos ao professor.

Há pelo menos 2 gerações de discípulos de Luis Henrique, além de remanescentes de sua geração de incríveis na pesquisa histórica, todos com algum protagonismo nas batalhas de hoje. Esta própria edição histórica do Diário Oficial do Estado é parte da luta colaborativa para reescrever a nossa história em ato coletivo de reparação. Como há 200 anos, somos nós por nós mesmos.

Na reescrita, devolve-se o justo protagonismo a quem lutou e venceu, promovendo a precedente, o absurdo da história de uma guerra só agora mais conhecida e mais bem contada pelos efetivos vencedores. A reescrita coletiva mobiliza crias da geração de Tavares, e novas crias se formam a partir da leitura da sua produção acadêmica e literária.

Há uns poucos anos, um novo exército pacificador iniciou a marcha gloriosa, porque em glória a ancestrais que conquistaram a “vitória pelos mares e campos baianos”. Hoje, como 200 anos atrás, o povo estará nas ruas em justíssima auto-reverência. Festa da felicidade cívica, celebração da liberdade, como fazemos desde 1824.

Ainda estamos longe da realização do sonho de justiça que nos conduziu à vitória naquele 2 de Julho. Assim como as marcas da escravidão estão bem presentes. O país parido na luta insiste em ter esperança de fazer-se nação plena, e a reescrita da história da Independência do Brasil na Bahia é mais uma contribuição da nossa brava gente baiana – conceito que alcança quem nasceu e quem escolheu renascer aqui.

No próximo ano, outro bicentenário: o da celebração. Como há 200 anos, somos nós por nós mesmos.

 

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Ernesto Marques é jornalista e radialista

Lawand/Cid: já não se fazem mais oficiais como antigamente…

Por Ernesto Marques

 

“P” da vida com o perigoso Prigozhin e seus 25 mil mercenários do temido Grupo Wagner, até Putin admitiu: são bons soldados. Diga-se o mesmo do coronel Jean Lawand Junior, o dedicado e disciplinado soldado bolsonarista, dadas todas as provas de bravura e lealdade ao seu mito presidente.

Camuflado de civil, depôs na CPMI do 8 de Janeiro. Abusou do direito de produzir provas contra ele mesmo. Seguindo o exemplo do mito, mentiu. Mentiu muito e sem falsos pudores. Negou obviedades escritas, irrefutáveis. Produziu bons cortes de vídeo para alimentar a matilha, mas sem outra serventia.

Perdeu acesso ao generalato e o direito a um pijama com algumas estrelas nos ombros, junto com a oportunidade de ficar calado, garantida pelo garantismo do STF. Ao fim e ao cabo, a autoimolação do soldado, quase ex-candidato a general do Exército de Caxias, resultará inútil até para livrar a cara do destinatário do seu clamor golpista. Muito sacrifício em desonra própria e alheia. Resultado pouco e efêmero. Mais um na fila dos descartados.

A referência de oficiais como Lawand e Mauro Cid é um “mau militar”, no dizer do general Ernesto Geisel, prócer da geração de tenentes de 1922, que deu um golpe armado em 1964, e governou o Brasil com algum norte estratégico e sentido de nação. Um “bunda-suja”, segundo contemporâneos do então tenente Bolsonaro, até ser expulso por planejar atentados a bomba em quartéis do que chamaria de “meu exército”, décadas depois.

A referência de militar para esses oficiais graduados, nos quais o Brasil investiu muito dinheiro em cursos, treinamentos e correspondentes adicionais que lhes engordam os soldos, caiu na política de T-10 – paraquedas militar quase sem navegabilidade. Supostamente, para defender os interesses da família militar. Mas, no tocante a isso daí, das quatro vezes em que não “fraquejou”, nenhum de seus varões seguiu carreira nas Forças Armadas.

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ABC da Grapiunidade

Caboco Alencar

 

Ernesto Marques

Quando começou o confinamento, nas conversas com Daniel Thame, logo me preocupei: e o Caboclo? Quem é papa-jaca não tem dúvidas, mas incautos de outras paragens talvez estejam em dúvida se me refiro àquele em cujos pés, na Bahia, se recomenda que desconsolados chorem suas mazelas no centro da Praça 2 de Julho, vulgo Campo Grande.

 

E, claro, se a preocupação era com a vida, esse Caboclo não é de outro mundo. Não é monumento, como o da praça, mas é uma entidade que se pode resumir em bom baianês como uma autarquia; um patrimônio material e imaterial, também!

Sim, porque tem uma dose de ancestralidade infundida em conhecimento tradicional, personificada numa figura em carne, osso e, sobretudo, alma.

Uma combinação genuinamente baiana, dessas que compõem um personagem idiossincrático, dono de um carisma improvável, capaz de cativar séquitos de seguidos engajados e orgânicos, muito antes das redes sociais.

Muito antes de um tal de Zuckerberg criar o Face, o Caboclo já tinha criado uma rede social poderosa no Planeta Cacau. Aonde! A rede do Caboclo existe é de hooooooje, muito antes até do Orkut! E nunca houve plataforma melhor pra fazer um network em Itabuna.

Eu, forasteiro que venho lá do sertão, na primeira passagem por Itabuna, em 2004, trabalhando numa campanha eleitoral, percebi isso logo na chegada, levado pelo companheiro Rui Correia, o “senador da Bahia livre”, e jamais eleito.

Voltemos a falar da entidade, o Caboclo – a maiúscula, ou caixa alta, como dizem os jornalistas das antigas, não é simples reverência. É respeito à lei que manda grafar substantivos próprios assim. É nome de gente de carne e osso, com nome e sobrenome, também: Caboclo Alencar. Criador e mantenedor do ABC da Noite, uma verdadeira catedral de duas portas estreitas onde se reúnem infiéis de vários credos, partidos, etnias e extratos sociais.

Esse tipo ecumenismo sócio-etílico-religioso só poderia ter como endereço o Beco do Fuxico, logradouro cujo nome oficial nem itabunense conhece. Se você chegar na Avenida Cinquentenário, centro comercial de Itabuna e perguntar onde é a Travessa Adolfo Leite, dificilmente alguém saberá responder. Mas se você estiver em Ilhéus e perguntar onde fica o Beco do Fuxico, com certeza qualquer um vai lhe dizer do Beco, cuja referência certeira é o ABC da Noite, do Caboclo Alencar.

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O que foi e o que precisa ser o 11 de agosto de 2022

Ernesto Marques

ernesto marquesFoi, rigorosamente, como disse o ex-ministro José Carlos Dias, o momento histórico da união entre capital e trabalho em defesa da democracia. Sem dúvida alguma, um fato da maior relevância, sobretudo pelo pacto mínimo e explícito que o documento propõe, desde o seu precedente inspirador.

O capital muito bem representado por mais de uma voz e todas, no essencial, afinadas com os discursos das representações acadêmicas e da sociedade organizada. Sem dúvida, um momento alto e muito representativo de um outro BASTA! Equivalente, em significados, a outros grandes momentos.

Mas isso é pouco, e precisamos deixar isso muito claro. Incondicionalmente, quem assina a Carta se compromete com a defesa da ordem democrática. Isso significa prometer e cumprir aos subversivos de agora, a Constituição, não o pau-de-arara.

Não basta sentir saudades da democracia quando ela está ostensivamente ameaçada. É preciso comprometer-se com ela eternamente, sem que a vida ou a morte das instituições nos separe como limite da convivência naturalmente difícil entre as classes opostas por natureza.

Não se pode discutir a relevância histórica deste 11 de agosto, mas o precedente de 1977 só eterniza a conhecida e surrada máxima que justifica o absurdo. Assim como o golpe de 1964 exigiu anos de preparação, o processo “kaftiano” que levou cavalgaduras ao MEC e nulidades à Justiça, entre tantos itens da vasta coleção de absurdos parvocratas, não começou com aquela bisonha sessão da Câmara dos Deputados, de 17 de abril de 2016.

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O Brasil emparedado

Ernesto Marques

 

ernesto marquesNunca foi o idiota excêntrico subestimado ao longo de 28 anos de vida parlamentar, tendo como um de seus momentos altos, a confissão indecorosa de uso indevido do auxílio-moradia, privilégio de deputado federal, para “comer gente” como prova cabal da sua qualidade ética, como político e pai de família.
Não é o gênio diversionista que desacredita a imprensa e os poderes constituídos, enquanto maneja, sem falsos pudores, todos os recursos da comunicação digital – inclusive qualquer sordidez permitida na chamada deep web, ou internet profunda.

Atavicamente preso a tragédias, o país vive a pior de todas, porque personificada naquela figura hoje investida na faixa presidencial, símbolo do poder da República, delegado soberanamente pelo povo. República demolida a cada sigilo de 100 anos sobre a sequência de crimes ocorridos diante de largo conhecimento público – e quase em tempo real!

Das muitas provas cabais da destruição nacional iniciada no Dia da Confraternização Universal de 2019, o fato de sermos apenas 3% da população mundial e serem brasileiros e brasileiras, 12% dos humanos mortos pela covid-19.

Não é o idiota excêntrico, não é o gênio diversionista. Mas o erro de subestimá-lo enquanto cometia crimes contra o decoro parlamentar ofereceu aos criadores de tempestades perfeitas, uma espécie de “solução final”, diante do risco iminente de Lula e o PT voltarem ao governo em 2018.

A tal democracia burguesa à brasileira é obra muito mais das elites chucras que capturaram o poder político perdido pela monarquia, e que, na prática, vivem em eterna reparação pela perda do trabalho escravo. E mesmo a república torta, nascida do primeiro golpe militar da nossa história e renascida depois de enterrarmos (vivo) o último golpe fardado, já nos faz falta.

Sim, o comunista mais sectário, ativistas sem temor algum, caminhantes de muitas passeatas e manifestações; qualquer destes e destas, sente saudades das liberdades e direitos que se esvaem junto com o tempo perdido no retrocesso a ser interrompido, de preferência pelo caminho das urnas.

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Ainda não foi a tragédia, foi só mais um anuncio

ernestoPor Ernesto Marques

ernesto marquesPosterguei a escrita de um texto com a previsão do óbvio: mais dia, menos dia, teríamos vítimas da intolerância para enterrar. É devastador ser obrigado a admitir que palavras reunidas no texto mais contundente e profundo que se possa escrever sobre o pino da granada puxada em Foz do Iguaçu, são, a esta altura, completamente insuficientes.
Não apenas porque não trarão Marcelo Arruda de volta para a família e para a cidade que o tinha como bom filho. Família…
O mais devastador é saber da possibilidade, quase certeza, de lágrimas em torrentes. Futuras e bem próximas. Basta dar uma espiadinha básica no que se diz nas bolhas da intolerância armada, onde moderados patridiotas, relativizam o absurdo. Os moderados relativizam. Outros, não se sabe se maioria ou minoria, festejam e glorificam a barbárie.

Mas não é necessário visitar as tais bolhas, basta ver as declarações do “mito”. Dispensar o apoio de quem pratica violência contra opositores seria até um avanço, considerando que o inominável já recomendou metralhar petistas. Nas palavras do presidente da República, nenhum respeito a quem morreu.

Pior: o “mito” autoproclamado defensor dos profissionais da segurança mostrou mais uma vez que antes de gostar de armados, ele gosta dos “seus” armados. Depois de assassinado por um insano açulado pelo discurso do ódio, o guarda civil Marcelo Arruda é moralmente morto pela maior autoridade do país, ao ser nivelado ao celerado que o matou diante da filha recém-nascida.
Mas o “mito” vai mais longe. Mente, escarra na história e contamina o sangue derramado com seus perdigotos.

Metade do cinismo asqueroso dissimula o discurso da violência numa condenação tíbia. A outra metade da dose cavalar de cinismo é investida para açular a tribo a subir ainda mais o tom na disposição para o ódio.
Ingenuidade esperar ou pedir que o outro lado, em luto, não lute e simplesmente ofereça a outra face, oferecendo também outros corpos como alvos da disposição permanente para a violência. Nunca foi assim e, sejamos francos, nunca será.

 

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