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livros do thame




Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: ‘ditadura militar’

ALBA aprova lei que barra homenagens à ditadura militar na Bahia: “democracia não se negocia”, afirma Robinson Almeida

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) aprovou, em sessão plenária realizada nesta segunda-feira (22), o Projeto de Lei nº 23.596/2019, de autoria do deputado estadual Robinson Almeida (PT), que proíbe a utilização de nomes de pessoas associadas ao regime da ditadura militar (1964–1985) em prédios, obras e equipamentos públicos estaduais. A proposição também veda a realização de eventos oficiais que promovam ou homenageiem o período autoritário, bem como o repasse de recursos públicos para iniciativas com esse objetivo.

Com a aprovação em plenário, a ALBA conclui a tramitação legislativa de uma matéria que estabelece diretrizes para a preservação da memória democrática e o respeito aos direitos humanos no âmbito da administração pública estadual. O texto determina que órgãos e entidades do Estado observem critérios objetivos para a aplicação da norma, com base em registros oficiais das Comissões Nacional e Estadual da Verdade.

Robinson Almeida destacou que o projeto reafirma valores democráticos consolidados pela Constituição Federal de 1988.

“Democracia não se negocia. Essa lei honra a memória de quem lutou pela liberdade e reafirma que o Estado brasileiro não pode prestar homenagens a um período marcado pela repressão e pela violação de direitos”, afirmou o parlamentar.

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Memória, justiça, democracia e direitos humanos: a Verdade Histórica ocupa o seu lugar

João Carlos Haas Sobrinho, o Dr. Juca

Neste 2025 a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), completa 30 anos. Em 2022, os seus trabalhos foram interrompidos pelo desgoverno Bolsonaro e as famílias reviveram a dor da ausência e do silêncio. Em 2024, a verdade voltou a ser uma busca constante.

 

Para comemorar, a CEMDP promove, em Brasília, o II Encontro Nacional de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas. Entre as ações, programadas para os dias 3 e 4 de dezembro, está a entrega de certidões de óbito retificadas, reconhecendo oficialmente que, ao contrário do que a Ditadura divulgou,  foi uma “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro contra os dissidentes políticos durante o regime ditatorial instaurado em 1964”.

João Carlos Haas Sobrinho, brilhante médico natural de São Leopoldo/RS (1941), foi uma das vítimas da Ditadura. Deixou um imenso legado humanitário, salvando centenas de vidas nas regiões de Porto Franco/MA e Xambioá/TO, entre 1967 e 1972, quando foi assassinado, no mês de setembro, na Guerrilha do Araguaia. A certidão de óbito de desaparecidos políticos é regulamentada pela Lei nº 9.140/1995 e pela Resolução nº 601 do CNJ (2024),

Sônia Maria Haas

Sônia Maria Haas, irmã caçula de João Carlos, vai receber a certidão em nome da família.

Pod Gusma revisita história de vereadores perseguidos pela ditadura no sul da Bahia

O 18º episódio do Pod Gusma vai recuperar parte da história de dois vereadores que militavam na política do sul da Bahia em plena ditadura militar, Clodualdo Cardoso, de Itajuípe, e Ida da Silva Rêgo, de Ilhéus.

Clodualdo teve o mandato cassado pelo regime golpista instaurado em 1964, enquanto a parlamentar ilheense, a mais jovem da história da cidade, denunciava o terrorismo de Estado e sofreu com a repressão dos milicos.

Para revisitar os anos de chumbo no sul da Bahia, o podcast recebeu os historiadores Igor Góes e Maíza Ferreira, que têm pesquisas sobre os crimes e abusos de poder da ditadura nas cidades de Itajuípe e Ilhéus.

Fundador de dois jornais, O Paladino e Tribuna de Itajuípe, Clodualdo Cardoso foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e participou das lutas pela emancipação política de Itajuípe, conquistada em 1952.

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Vivi para ver

Frei Betto (foto redes sociais)

Frei Betto

        Eu tinha 19 anos em junho de 1964. Morava no Rio, em uma “república” de estudantes dirigentes da Ação Católica. Na madrugada de 5 para 6 daquele mês, agentes do serviço secreto da Marinha, o Cenimar, invadiram nosso apartamento armados de metralhadoras. Fomos todos levados para o Arsenal da Marinha. Aos socos e pontapés me torturaram, convencidos de que eu era Betinho, líder da Ação Popular, uma organização de esquerda,  e anos depois da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

Entre o cárcere militar e a prisão domiciliar, fiquei retido um mês. Não houve processo ou reparação. Nem sequer o direito a um advogado. Dei-me conta do que é uma ditadura.

Cinco anos depois fui novamente preso em Porto Alegre por favorecer a fuga do Brasil de perseguidos pelo regime militar. Trazido para São Paulo, presenciei torturas, perdi companheiros e companheiras assassinados por militares e policiais civis. Ao longo de quatro anos, transitei entre oito cárceres diferentes. Fiquei dois anos entre presos políticos e mais dois na condição de preso comum com narcotraficantes, assaltantes de bancos, assassinos contumazes, estelionatários e

estupradores.
Ao completar quatro anos de cárcere, o STF reduziu minha pena para dois anos… Manteve, porém, a cassação de meus direitos políticos por 10 anos. Nenhum de meus torturadores, juízes ou carcereiros jamais respondeu à Justiça pelos crimes e abusos praticados. Foram todos beneficiados pela aberração da “anistia recíproca” decretada pelo general Figueiredo.

Tudo que vivi e sofri sob a ditadura está contido em meus livros “Cartas da Prisão” (Companhia das Letras); “Batismo de Sangue” e “Diário de Fernando” (ambos da Rocco).

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Imortais

 

Pedro Laurentino

quem zomba dos nossos mortos
mal sabe que eles não tombam
nem cabem nos funerais

quanto mais cobrem seu corpo
menos cadáver há no morto
mais vivo é o vulto entre nós

há entes que ninguém mata
a história os iça e arrebata
ao templo dos imortais

calai os sorrisos, calai!
curvai as cabeças, curvai!
oh, homens de pouca e de má fé!

a vida é um duelo esquisito
mas nem tudo está escrito
nas tábuas de Maomé

a morte queda e se rende
ao encarar um valente
que morre e fica de pé

PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA!!
PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA!!

Documentário histórico com relato de Eunice Paiva é restaurado 46 anos depois

A versão restaurada de ‘Eunice, Clarice, Thereza’ (1979) estará

disponível gratuitamente no site da plataforma Cinelimite

Eunice Paiva, Clarice Herzog e Thereza Fiel – Reprodução/Instagram/@idfb_cinelimite

A Cinelimite e o diretor Joatan Vilela Berbel uniram forças para apresentar uma nova versão digital restaurada do histórico documentário “Eunice, Clarice, Thereza” (1979). A obra reúne depoimentos marcantes de Eunice Paiva, Clarice Herzog e Thereza Fiel, três viúvas de presos políticos durante a ditadura militar.

‘Eunice, Clarice, Thereza’, gravado durante a ditadura militar, é um documentário de impacto. Ao reunir os relatos marcantes e objetivos de Eunice Paiva, Clarice Herzog e Thereza Fiel, viúvas de presos políticos, o filme traz à tona a memória da repressão sob uma perspectiva íntima e dolorosa.

Exibido em meio à censura, em sindicatos, cineclubes e movimentos sociais, o documentário desempenhou um papel crucial na mobilização contra a ditadura em seus anos finais.

Restauração
A partir de uma cópia combinada preservada no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, o filme foi digitalizado em 2K. A versão original apresentava desbotamento da cor azul e sujeira, que foram minuciosamente corrigidos sob a supervisão do diretor, resultando na atual versão digital de um documento de suma importância.

A Cinelimite disponibilizará o filme gratuitamente em seu site, entre os dias 24 de março e 7 de abril. (do AH)

Estamos em polvorosa, Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”!

 Liniane Brum

Há uma ferida aberta quando o assunto é ditadura, especialmente quando as lentes – ou as palavras – se voltam para as vítimas do regime. No espaço público a atriz honra essa chaga, com seu discurso sóbrio e figurinos que atentam para o luto, – da personagem representada, da Eunice ela mesma, de famílias-vítimas alquebradas, de um país dividido. No filme, Fernanda Torres atua com a alma, dá corpo à memória de Eunice Paiva e ao desaparecimento de Rubens Paiva.

O filme de Walter Salles contribui, como nenhum outro trabalho fílmico de ficção, para a construção de uma cultura da memória sobre a ditadura militar. Ele partilha com um espectro enorme de pessoas a memória da repressão. É bem sucedido em fazer com que o público empatize com a dor da família Paiva, pois faz isso a partir de um ponto de vista palatável. Uma viúva de um ótimo pai de família, um engenheiro, um homem que sequer “pegou em armas”, mas foi desaparecido pela ditadura. Note-se que o filme apenas menciona a atuação de Rubens Paiva como homem público. Diferentemente do livro de Marcelo Rubens Paiva, não traduz no que ela consistiu, nem vislumbra o quão pacíficas foram as atitudes resistentes do deputado.

Mas as escolhas que tornam o filme, como disse, palatável, não passam apenas pelo ponto de vista narrativo – da família, e, em particular, da matriarca. As escolhas dramatúrgicas são muito responsáveis pela larga adesão do público à história. Não faltam cenas clichês que levam o espectador a estados de “ânimo-padrão”. A passagem dos dias de Eunice Paiva na prisão: a contagem dos bastõezinhos, dia a dia, nas paredes da cela, é um exemplo disso. A escolha da linha de atuação da atriz Fernanda Torres, que agora nos põe em polvorosa por ter ganhado o Globo de Ouro, é motor artístico inquestionável.

E há o buraco.

Não um buraco narrativo, mas uma ferida coletiva inseparável do ato de contar essa história. A iniciativa de transformar o trauma em arte, em algo que pudesse transmitir às pessoas não atingidas diretamente pela repressão, a memória da ditadura, durante muitos anos foi serviço dos familiares de vítimas da repressão. Por vítimas eram tomados os torturados, mortos, exilados, desaparecidos, perseguidos. O tempo passou, e hoje se sabe que também são vítimas aqueles que, como Eunice Paiva, passaram toda uma existência convivendo com a dor, os percalços civis e econômicos e o indizível vácuo do desaparecimento, entre outras perpetrações.

O buraco pode ser fechado com esse trabalho? Não sei. Talvez ninguém saiba. (Alguém sabe?) Sobretudo o reconhecimento público, a tentativa de reconciliação no plano coletivo, – eu disse tentativa – por outro lado, dá um passo sem igual a partir do impacto de “Ainda Estou Aqui”. A partir da visibilidade que Fernanda Torres e sua premiação dá, ainda mais, ao filme.

“Ainda Estou Aqui” está a fazer o que governo brasileiro se negou em 2024: celebrar a efeméride dos 60 anos do Golpe de 1964, mobilizar o factual, mas também o simbólico, abrindo espaço para a luz entrar. Propiciar atmosfera para a ferida cicatrizar. Esse bonde que o nosso governo perdeu, a cultura alcançou, – ou alçou. Lamber nós mesmos, por nós – brasileiros – nossas feridas: eis nossa política, mas também nossa arte.

Estamos em polvorosa, Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”!

Liniane Brum é  escritora, sobrinha do desaparecido político Cilon Cunha Brum, morto na Guerrilha do Araguaia.

Ato Político reúne centenas em condenação ao golpismo e contra política de apaziguamento

Mais de 300 pessoas presenciaram o contundente ato Ato Político Nem esquecer, nem apaziguar: condenar o golpe militar ontem e hoje!, realizado pelo grupo A Nova Democracia,  no dia 25 de abril, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ. No YouTube, por transmissão simultânea, centenas de pessoas assistiram, somando mais de 1 mil visualizações. O Ato remarcou a condenação aos golpistas e criminosos de guerra de 1964 e do regime militar que se seguiu, e demarcou contra a política de apaziguamento, exigindo a imediata reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos do regime militar.

O diretor-geral e editor-chefe de AND, Victor C. Bellizia, sintetizou assim o Ato: “Este ato não é apenas uma contundente resposta ao golpismo. É isto também, porém é mais. Pensamos que aqui se demarca um campo político daqueles que se unificam na ideia de que é preciso barrar o crescimento e a ação da extrema-direita e do intervencionismo dos altos oficiais das Forças Armadas na vida política nacional”.

Ao longo de todo o evento, foram recolhidas dezenas de assinaturas de movimentos, entidades e personalidades presentes para a Moção Política Pela Reabertura da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos do regime militar.

Mesas discutiram o golpismo ontem e hoje

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60 anos do golpe de 1964… jamais esquecer!

Diva Santana

 

O Golpe de 1964 teve impactos significativos na história do Brasil, deixando cicatrizes profundas na sociedade e na memória coletiva. É um período que merece reflexão e estudo para compreendermos as complexidades e consequências desse momento crucial na nossa história.

 

O golpe militar que ocorreu em 1º de abril de 1964, não pode ser esquecido; 300 mil pessoas foram monitoradas pelo Serviço Nacional de Informações – SNI;  436 mortos e desaparecidos políticos; 10.034 pessoas submetidas a inquéritos; 7.376 indiciadas por crimes políticos; 130 banidos; 4.862 cassados; 6.952 militares atingidos pela ditadura; 1.196 camponeses e apoiadores mortos; 8.350 indígenas mortos e desaparecidos segundo o Dossiê da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; e o relatório da Comissão Nacional da Verdade, que só conseguiu pesquisar dez etnias. Esses números, embora incompletos, servem para denunciar a violência de um regime fundado por um golpe de Estado e baseado em crimes de lesa-humanidade.

 

Em decorrência da luta dos familiares de desaparecidos políticos, de ex presos pelo regime militar e da sociedade, foi aprovada a Lei 9140/95, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, já reconhecendo que havia no Brasil 136 pessoas desaparecidas e a formação de uma Comissão composta por sete membros, representantes de diversos setores.

 

Em janeiro de 1996, é formada a Comissão especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos com a competência para analisar e investigar as denúncias através dos requerimentos dos familiares. Esta Comissão funcionou por 27 anos, esclarecendo a sociedade e a Comissão Nacional da Verdade, o número 436 pessoas mortas e desaparecidas.

Após o golpe de 2016, foram exonerados quatro representantes, inclusive a presidenta Dra. Eugenia Gonzaga, permanecendo como conselheiros os representantes dos familiares, da sociedade civil e do Ministério Público Federal.  Foram nomeados pelo ex presidente Jair Bolsonaro, quatro representantes:  dois do Ministério da defesa, um da Câmara Federal e, para presidir, o assessor da ex ministra Damares.

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Jornalista baiana e filha lançam livro sobre crimes da ditadura

A jornalista baiana Mariluce Moura e sua filha, Tessa Moura Lacerda, estão lançando dois livros que exploram uma sequência de crimes da ditadura militar brasileira.

Os livros abordam o sequestro, prisão em Salvador (BA), assassinato sob tortura em Recife (PE) e a ocultação do cadáver do militante Gildo Macedo Lacerda, ocorrido em 1973.

O lançamento acontecerá pela Aretê Editora e Comunicação em 18 de março, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a partir das 18h.

O evento incluirá uma mesa de debate com o tema “Os 60 anos do golpe e a impunidade dos crimes da ditadura,” contando com a participação das autoras, Diva Santana, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Lucileide Costa Cardoso, do Grupo de Pesquisa Memórias, Ditaduras e Contemporaneidades da UFBA, e a publicitária Sônia Haas, que teve seu irmão desaparecido e morto durante a ditadura.

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