:: ‘cuba’
Daniel `Fagundes` na Bodeguita del Medio

Daniel Thame
2017, Cuba. Em meio à avalanche de críticas (na verdade xenofobia e preconceito mal disfarçados) à presença de profissionais cubanos no Programa Mais Médicos lançado pela então presidenta Dilma Roussef, o governo da Ilha convidou um grupo de jornalistas brasileiros para mostrar que as universidades e o sistema de saúde de lá, apesar de todas as agruras provocadas pelo criminoso embargo imposto pelos EUA, tinham um padrão de excelência inquestionável. Como de fato tinham!
No grupo, este ex-jornalista em atividade e o jornalista José Carlos Teixeira, falecido recentemente.
Entre as visitas a universidades, hospitais e clínicas num roteiro de cinco cidades em sete dias, eu e Teixeira achamos tempo pra degustar um mojito na célebre Bodeguita del Medio, no coração de Havana Velha.
Um mojito é modéstia, posto que ambos, além da paixão pelo jornalismo, éramos mestres na arte do bem beber.
Estávamos nós degustando nosso mojito a 5 euros a dose, quase 20 reais no câmbio a época, quando um dos garcons se dirige pra mim e diz todo entusiasmado;
-Es usted! Es usted!
(É você, é você)
Carta Aberta ao Mundo
DE CUBA, UMA MULHER DO POVO DENUNCIA O CRIME QUE NÃO QUEREM VER

À humanidade inteira, às mães do mundo, aos médicos sem fronteiras, aos jornalistas com dignidade, aos governos que ainda acreditam na justiça:
Meu nome é como o de milhões. Não tenho sobrenomes conhecidos nem cargos importantes. Sou uma cubana do povo. Uma filha, uma irmã, uma patriota. E escrevo isto com a alma dilacerada e as mãos tremendo, porque o que meu povo vive hoje não é uma crise. É um assassinato lento, calculado, friamente executado desde Washington.
E o mundo olha para o outro lado.
DENUNCIO POR MEUS AVÓS:
Denuncio que em Cuba há idosos que morrem antes do tempo porque o bloqueio impede que cheguem medicamentos para o coração, a pressão, a diabetes. Não é falta de recursos. É proibição deliberada. Empresas que querem vender para Cuba são multadas, perseguidas, ameaçadas. Seus governos calam. E enquanto isso, um avô cubano aperta o peito e espera. A morte não avisa. O bloqueio, sim.
DENUNCIO POR MINHAS CRIANÇAS:
Denuncio que houve incubadoras em Cuba que tiveram que ser desligadas por falta de combustível. Que há recém-nascidos lutando pela vida enquanto o governo dos Estados Unidos decide quais países podem nos vender petróleo e quais não. Que há mães cubanas que viram a vida de seus filhos perigar porque uma ordem assinada num escritório em Washington vale mais que o choro de um bebê a 90 milhas de sua costa.
Onde está a comunidade internacional? Onde estão as organizações que tanto defendem a infância? Ou será que as crianças cubanas não merecem viver?
Um paulista grapiúna na Ilha de Fidel

Daniel Thame
Cuba, do mítico Che Guevara e do eterno comandante en jefe Fidel Castro, era um sonho de juventude em Osasco, cidade operária da Grande São Paulo. Sonho impossível, naqueles tempos duros, em que pão com mortadela era filé com fritas e a calça velha azul e desbotada não era apenas um slogan da moda. Era a única que eu tinha mesmo.
Tempos duros, mas também inesquecíveis, do trabalho em pequenos jornais e rádios, de viagens sem rumo pelo Brasil, e incursões pela Bolívia, Paraguai e Peru, na Machu Pichu que era a Meca dos mochileiros e ´fumaceiros´ de todo o planeta.
Cuba só virou realidade em 1995, por obra e graça de Manuel Leal, o meu velho capo do jornal A Região, eu já labutando em Itabuna, na Bahia. Quando soube que um daqueles vôos de solidariedade, tão comuns na época, faria escala em Salvador, não tive dúvidas. Propus a Leal realizar uma reportagem especial sobre Cuba. Não existia lógica para um jornal regional fazer esse tipo de pauta, mais para a Folha, Globo, Veja, Estadão e quetais, mas o fato é que Leal topou na hora.
O jornal bancou a viagem (800 dólares incluindo passagem aérea, hotel e meia pensão, uma barbada numa época em que com 85 centavos de real se comprava um 1 dólar) e fiquei com as despesas extras.
E lá fui eu desbravar Cuba e fazer a primeira cobertura internacional da gloriosa história de A Região, onde produzi uma série de matérias, republicadas pelo Diário de Osasco (afinal meus conterrâneos paulistas tinham que saber que vim, vi e venci).
Cuba vivia o ápice do chamado ´período especial`, com a perda dos recursos injetados pela recém desintegrada União Soviética. Comida racionada, roupa racionada, energia racionada. Mesmo assim, descobri um país fascinante, um povo fascinante. E descobri a paixão pelos charutos que se mantém viva até hoje, apesar dos meus cada vez mais freqüentes e exasperantes ataques de asma.
Na ilha caribenha, produzi algumas de minhas melhores reportagens nestes 50 anos de jornalismo, que brevemente darão motivo para um livro, já em fase de edição pela Via Litterarum.
Preparem os bolsos, que com o dolar na casa dos R$ 5,50, meus Cohibas viraram artigo de luxo…
Governo da Bahia oferece 60 vagas para curso de Medicina em Cuba
O Governo da Bahia abriu 60 vagas para estudantes de baixa renda interessados em cursar Medicina em Cuba. O anúncio foi publicado nesta terça-feira (11), no Diário Oficial do Estado. As inscrições começam em 17 de novembro e seguem até 21 de novembro, exclusivamente no site de editais da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).
O programa é voltado para brasileiros de baixa renda, com prioridade para jovens de áreas rurais da Bahia que atuem ou tenham histórico de participação em movimentos sociais. Após a formação, os selecionados deverão trabalhar por pelo menos dois anos em localidades rurais do estado.
Com duração prevista de seis anos, o curso terá cobertura integral de matrícula, mensalidades, hospedagem, alimentação, seguro-saúde, passagens aéreas de ida e volta, material didático essencial e bolsa mensal para despesas pessoais.
No ato da inscrição, o candidato deve apresentar as notas do Ensino Médio ou o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A seleção será conduzida pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos e a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab).
REQUISITOS
Cuba, Vily Modesto e ´las chicas`

Daniel Thame
Sul da Bahia, 1995. Acabo de voltar de Cuba, onde produzi para os jornais A Região (Itabuna) e Diário de Osasco (SP), uma série de reportagens que estão entre as melhores coisas que já realizei em quase cinquenta anos de jornalismo.
Para ser honesto a viagem à Cuba foi bancada inteiramente pelo jornal A Região, o que só se explica pela generosidade do inesquecível Manoel Leal (um dos anjos que o destino colocou na minha vida guache).
Afinal naquela época, mandar um repórter de um jornal do interior da Bahia fazer uma cobertura em Cuba equivalia a mandar um tabaréu a Marte.
A publicação no Diário de Osasco, onde trabalhei por 10 anos antes de emigrar para as terras do cacau, foi muito mais, reconheço, pela vaidade de mostrar que o menino que o Vrejhi Sanazar (outro anjo na minha vida) achava talentoso mas demasiado aventureiro pro gosto dele, estava se dando bem na vida.
Mas voltemos à Cuba, onde aliás retornei outras três vezes, apaixonado que sou por aquela que considero minha segunda pátria.
Ou melhor voltemos à Itabuna e a Bahia, minha verdadeira pátria.
A série de reportagens repercutiu tanto que mereci a honra de ser chamado para uma entrevista no programa Vily Modesto, na Rádio Jornal de Itabuna, patrocinado pelo Grupo Chaves (a citação é só pra lembrar de outro anjo, Helenilson Chaves) e que tinha como slogan “Durma com Jô e acorde com Vily”, referência mais do que justa ao “Jô Onze e Meia”, então no auge com Jô Soares.

Não dormi com Jô, mas acordei com Vily, feliz por poder falar para todo o Sul da Bahia.
Vily Modesto parecia estar inspirado por uma noite de sonhos calientes. Ou tinha lido Jorge Amado demais.
Após o meu tradicional bom dia aos queridos ouvintes e falar sobre minhas impressões iniciais sobre Cuba, Vily solta o vozeirão:
-Daniel Thame, e ´las chicas´? (as moçoilas, em bom português)
Fiz que não entendi e tasquei:
-Vily, a saúde em Cuba funciona bem, com atendimento de qualidade nos lugares mais distantes, nas capitais de provincia e em Havana e blá blá blá blá blá blá…
Vily engrossa mais a voz:
-E ´las chicas` Daniel?
E eu me finjo de surdo:
-A Educação é prioridade, com ensino gratuito do maternal à universidade e blá blá blá blá blá blá…
Vily parecia um disco travado:
-Eu quero saber com são ´las chicas`…
Eu parecia um surdo empedernido:
-Cuba tem praias maravilhosas, um patrimônio histórico-arquitetônico fantástico, o turismo tem sido a alternativa para minimizar o impacto causado pela queda do Muro de Berlim e blá blá blá blá blá blá…
Vily não queria saber nem de Muro, nem de Berlim:
-Eu quero saber como são ´las chicas`, Daniel.
Aí baixou um Che Guevera em mim.
Vily era uma figura maravilhosa, um ser humano espetacular e afinal eu era o convidado dele. Fui duro, sem perder a ternura, jamás!
-Vily meu amigo, se era pra ir atrás de ´las chicas` não precisava ir a Cuba, bastava ir ao Brega de Sônia.
Onde por sinal ´las chicas´ são (ou eram) muito mais ´hermosas`.
E vamos aos nossos comerciais, porque a entrevista acabou ali.
—
Em tempo: Vily Modesto é umas dessas personalidades extraordinárias que ainda está a merecer o devido reconhecimento numa região que não é dada a reconhecer suas personalidades extraordinárias.
Mas isso já é assunto para outra crônica.
Venezuela doa mais de seis mil toneladas de alimentos a Cuba
Com uma cerimônia oficial na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, foi recebida a carga de 6.100 toneladas de alimentos e outros produtos doados pela República Bolivariana da Venezuela a Cuba. Esta importante entrega chegou a bordo da primeira viagem do navio da ALBA-TCP “Manuel Gual”, que partiu do porto de La Guaira com o objetivo de fortalecer a soberania alimentar e a cooperação solidária entre os países membros.
O evento foi liderado pelo primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero Cruz, e pelo embaixador venezuelano Orlando Maneiro, representante da pátria de Chávez na ilha. A iniciativa faz parte dos compromissos assumidos na XXIV Cúpula da ALBA-TCP e abre uma nova etapa do transporte marítimo regional baseado na complementaridade, no comércio justo e no benefício mútuo.
Esta primeira viagem do “Manuel Gual”, um navio recuperado pela classe trabalhadora venezuelana com capacidade para 15.000 toneladas, simboliza a vontade política e a aliança estratégica que unem os povos da região para avançar no desenvolvimento econômico sustentável e enfrentar o impacto do bloqueio econômico imposto a Cuba.
Cartas habaneras

Emiliano José

Sabem: viajei.
Fui pra Cuba.
Agora.
Entre 1 e 8 de maio deste ano.
Insistiram tanto:
_ Vai pra Cuba, comunista!
Comunistam, fui.
Minha quinta estadia na Ilha.
Então, me perguntam.
Como é Cuba?
As pessoas, digo o comum, o cidadão comum, a cidadã comum, me perguntam.
Conhecem pouco sobre a Ilha.
Quase nada.
Importante dizer isso.
Importante os dirigentes cubanos saberem disso.
Tenho insistido: Cuba é um milagre.
Contraria tudo.
A lógica da política.
A lógica das coisas.
A lógica bem posta.
Até dogmas marxistas.
A colaboração de Cuba na saúde, esperança para muitos no mundo

(Prensa Latina) A colaboração de Cuba na saúde é hoje um feito e um bastião de esperança para muitas pessoas ao redor do mundo, disse Samira Addrey, membro do conselho de administração da organização americana IFCO-Pastors for Peace.
Neste momento de agressão a Cuba, devemos destacar o trabalho daquele país em termos de saúde e colaboração internacional, disse Addrey, também formado pela Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), durante entrevista à Prensa Latina.
“Acredito que o exemplo da ELAM, que depois de 25 anos continua produzindo médicos para o mundo, é uma prova clara de que Cuba exportou saúde, amor e amizade para o mundo, enquanto os Estados Unidos continuam exportando violência”, disse ele.
Infelizmente, vivemos em um país com uma estrutura de saúde quebrada, onde pessoas com baixos recursos econômicos não contam, onde o país não foca no ser humano, explicou o Dr. Addrey.
Nossa tarefa como graduados da ELAM, como Cuba nos treinou, é retornar e nos concentrar aqui, sendo um exemplo de que outro mundo é possível, acrescentou.
Cuba condena a decisão de Trump de voltar a ilha para lista de ‘patrocinadores do terrorismo’

Miguel Díaz-Canel
Sputnik – O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenou na segunda-feira (20) a medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a incluir a nação caribenha na lista de países “patrocinadores do terrorismo”.
“O Presidente Trump, em um ato de arrogância e desprezo pela verdade, acaba de restabelecer a designação fraudulenta de Cuba como Estado patrocinador do terrorismo. Não é surpreendente”, escreveu Díaz-Canel em seu perfil na rede social X.

O líder cubano afirmou que o objetivo do presidente dos Estados Unidos é “continuar fortalecendo a cruel guerra econômica contra Cuba para fins de dominação”.
Na opinião do presidente cubano, essa medida é um “ato de zombaria e abuso” e “confirma o descrédito das listas e dos mecanismos de coerção unilaterais do governo dos EUA”.
O resultado das “medidas extremas do cerco econômico impostas por Trump tem causado escassez ao nosso povo e um aumento significativo do fluxo migratório de Cuba para os Estados Unidos”, considerou.
Brasileiros da arte, cultura e da política exigem o fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

(Prensa Latina)-Um grupo de brasileiros ligados a arte, da cultura e política publicou um manifesto exigindo que os Estados Unidos retirem o bloqueio econômico contra Cuba que ja dura mais de seis décadas e traz imensos sofrimentos à população da ilha caribenha.
Veja o manifesto:
Nós, profissionais brasileiros da arte, da cultura e da política, exigimos que os Estados Unidos retirem Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo e acabem com o bloqueio criminoso contra a Ilha.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou, em 15 de maio deste ano, que incluiu Cuba no seu relatório de 2023 sobre os países que cooperam na luta contra o terrorismo.
No entanto, Washington não retirou Cuba da lista de países suspeitos de patrocinar o terrorismo.
Embora os responsáveis ??da administração Biden estejam cientes dos esforços de Cuba na luta contra o terrorismo e pela paz na América Latina, nas Caraíbas e no mundo, a Casa Branca nada fez para retirar Cuba dessa lista da qual nunca deveria ter sido incluída.
A permanência de Cuba na lista é uma infâmia que dura há muito tempo, assim como o bloqueio que há mais de 60 anos tenta subjugar a heroica ilha caribenha.













