:: ‘Efson Lima’
Adeus, Gumercindo da Rocha Dorea! O editor de Ilhéus para o Brasil

Efson Lima
Nas academias de letras, após o ingresso da pessoa para a confraria, a imortalidade é uma palavra – chave. E o fenômeno vai se confirmando com a morte paulatina de cada um dos participantes, pois, a morte não confere fim a obra. Esta se perpetua. A imortalidade física foi objeto de desejo entre diversas civilizações. Ele impulsionou o surgimento da química, desenvolveu técnicas de preservação de corpos. Se a imortalidade física não pode ser uma constante, a imortalidade simbólica continua a toda prova, ele se confirma com a literatura, a música, o cinema, a arquitetura, a ciência entre tantas outras áreas.
Tenho pesquisado sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) desde 2016. Alguns membros da ALI se notabilizaram no cenário nacional e internacional, outros de feição menos popular mais com enorme contribuição no cenário nacional, por vezes, não recebem o devido tratamento. Alguns por estarem afastados da sua pátria regional, outros por não estarem sob nossos olhares. Não obstante, reza a lenda que santo de casa não faz milagre.
Entre esses que fogem a nossa cabeça, podemos registrar Gumercindo, cuja notícia da morte tomei conhecimento via postagem de Geraldo Lavigne, no Facebook. Gumercindo Dórea faleceu no dia 21 de fevereiro do corrente ano, no domingo passado. Ele era um dos membros mais velhos da Academia de Letras de Ilhéus, tinha 96 anos; ocupava a cadeira de n.º 40. Aparentemente desconhecido em sua terra, foi editor de celebridades nacionais. Talvez, sua postura de viés conservador, como apontou Sérgio Mattos, tenha colocado – o em um patamar de menor prestígio (não somos democráticos): “é um dos mais importantes editores nacionais, apesar de ser relegado e contestado devido às suas ligações com o integralismo”.
Vacina, ciência e Covid
Efson Lima
O Brasil tem um histórico polêmico quando o assunto é vacinação. Talvez, o mais marcante seja a Revolta da Vacina, em 1904, no Rio de Janeiro, quando a vacinação foi proposta de forma obrigatória pelo médico-sanitarista Osvaldo Cruz em favor da modernização do Rio de Janeiro, que era a capital do país. Somente agora diante dos embates para a vacinação massiva em face do coronavírus que o tema é relembrado. E quem diria, uma parte considerável da população mesmo diante do risco de morte e das sequelas da COVID-19 teme em tomar a vacina.
A experiência humana com a vacina é datada do século XVIII, foi o médico inglês Edward Jenner que adotou a técnica da vacina para prevenir a contaminação por varíola. A varíola é considerada a primeira doença infecciosa que teve sua erradicação alcançada por meio da vacinação em massa.
Quiçá, seja justificável, na virada do século XIX para o XX, o receio sobre a vacinação, afinal, o debate sobre cientificismo e a própria afirmação da ciência eram perenes e as dúvidas sobre a produção de vacinas e fármacos eram elevadas. Mas em pleno século XXI, depois de uma longa trajetória das vacinas e os protocolos clínicos, a “explicação” para tamanha resistência esteja pautada na polarização em torno de uma ideologia fundada na pequenez humana. As explicações podem ser várias para a recusa em tomar a vacina, mas nenhuma delas encontra no plano da moralidade justificativa plausível para torcer contra o sucesso das vacinas e muito menos que as autoridades não assegurem com eficiência o acesso ao serviço de humanização e que a vacina não esteja gratuita ao povo. É dever do gestor público e das pessoas públicas sinalizarem a favor da vacinação.
A Festa Literária de Ilhéus e o FLIOS- uma simbiose necessária
Efson Lima
O ano foi pandêmico, talvez, os termos “pandemia” e “COVID” sejam as palavras predominantes de 2020, cujo ano cuidou de oferecer contornos e traçado para a civilização humana. Apesar da triste circunstância deste ano, as instituições e/ou pessoas se mobilizaram em diferentes perspectivas para manterem as chamas acesas da esperança. As experiências ao longo deste ano foram as mais diversas e estiveram pautadas na solidariedade, na criatividade e no cuidado. Essas práticas foram se proliferando ao redor do planeta, consolidando um outro vocábulo entre nós: “ superação”.
No sul da Bahia e no campo da literatura, quando parecia não mais ocorrer a Festa Literária e o Festival Literário de Ilhéus (FLIOS), forças da oportunidade se levantaram e concretizaram um evento espetacular pelas redes sociais da Editora da UESC (Editus) e da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), organizadoras centrais dos eventos. A Festa que estava ocorrendo tradicionalmente em maio, dessa vez, foi realizado neste mês de dezembro, de 07 a 12/12/20, permitindo que as distâncias fossem reduzidas mesmo na pandemia. O poético cuida de explicar.

A Festa Literária de Ilhéus é a junção de dois eventos literários: a Feira do Livro da Uesc e o FLIOS – Festival Literário de Ilhéus, respectivamente, na 8ª e 5ª edições, cujo objetivo foi possibilitar uma programação diversificada e promover uma maior participação e envolvimento da comunidade regional. De fato, a contar pela quantidade de mesas, de tema e de participantes, tivemos uma vasta programação, que mesclaram o literário, às questões sociais, o contexto do ensino superior, a produção de livros e a crítica.

A realização desses eventos no sul da Bahia consolida a região como um celeiro literário. Essas ações ajudam aproximar o leitor do escritor e colaboram para a externalização da produção literária originária desta região e que ganha o mundo seja pelas escritas de Jorge Amado, Adonias Filho, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos e de tantos outros jovens que estão a compor o panteão literário. Ao longo do evento, algumas provocações sugiram entre as quais: literatura do cacau, literatura regional, literatura brasileira? Outras discussões necessárias foram colocadas à baila, tais como: direitos humanos, o acesso das pessoas com deficiência… a própria Festa Literária e o Flios são atos de resistência em face do contexto sanitário e político em face das circunstâncias dadas no Brasil atual e de ontem.
Eleições municipais, literatura e acesso à leitura
Efson Lima
Estamos em um ano eleitoral atípico, é verdade, mas é 2020. Estamos em novembro mesmo e as eleições serão nesse dia 15 de novembro de 2020. Dia da Proclamação da República. Os candidatos se lançaram aos processos eleitorais e elaboraram seus programas de governo, os quais foram submetidos à apreciação do eleitor. Muito bem! Nas democracias representativas os procedimentos são esses.
Muitos devem estar se perguntando, que diacho tem literatura com eleições, acesso à leitura? Tem muito a ver. Primeiro, as vitórias e as derrotas eleitorais são contadas sob as diferentes óticas.

Eusinio Lavigne
Vamos falar muito da pandemia enquanto circunstância que definiu o resultado de muitas eleições em 2020. Certa vez, em outro pequeno artiguete, tive a oportunidade de defender que a literatura nasce na imaginação e movimenta uma cadeia produtiva de uma sociedade ao possibilitar uma “fábrica criativa de escritores” ao serem publicados, tem – se os vídeos, os áudios. Temos também os diagramadores, os revisores, os designers… que vão aumentando o rol de trabalhadores no mundo da produção literária. Literatura é fator de desenvolvimento econômico em um país. Em uma República de Leitores o exercício da cidadania não será de qualquer jeito.
Mas para além do trabalho, literatura também é lazer. É meio civilizacional de uma sociedade, de um grupo. Portanto, a literatura deve ser compreendida como um processo possibilitador de reflexões sobre ontem, hoje e o amanhã. É meio para a libertação de um povo. É caminho para a afirmação de um Estado Democrático de Direito. É “o sonho acordado da civilização” como afirmou Antonio Candido.

Ariston Cardoso
Não é possível pensar uma gestão municipal sem colocar o campo da educação, especialmente, de parte do ensino infantil e fundamental na ordem do dia. O município não alcançará uma qualidade no ensino sem a alfabetização das crianças e da juventude. Infelizmente, o jovem e o idoso precisam ser alfabetizados. O “infelizmente” adotado não é porque são jovens e idosos, mas porque a alfabetização deve ocorrer ainda na infância. E no Brasil continuamos a alfabetizar jovens e adultos, pois, não estamos cumprindo com o nosso dever na infância.
Na segunda semana do mês de setembro deste ano, o Instituto Pró-Livro divulgou a pesquisa sobre leitura no Brasil – “5ª. Edição da Retratos da Leitura no Brasil”. Entre as constatações, sabemos que o número de leitores no Brasil diminuiu, a redução foi de 4.6 milhões de pessoas; temos 29% da população sendo considerada analfabeta funcional no país. Entre os que frequentam as bibliotecas, 17% avaliam como bons os serviços e 43% dizem não encontrar os livros pelos quais estão interessados. Triste sina!
Lançamento de livros, escritores e muita literatura no Sul da Bahia
Efson Lima
Poderíamos dizer que a bruxa está solta. Dessa vez não é a que colocou fim a cacauicultura sul-baiana, mas a que estimula e apresenta novos traçados criativos, especialmente, o literário. Nos últimos dias, mesmo diante da pandemia, a força criativa dos escritores do sul da Bahia tem nos brindado com publicações de livros, inclusive, ampliando o rol de escritores; o mapa de escritores do sul da Bahia vai crescendo, alcançando outras cidades menores e diversificando sua composição. Os seguintes escritores publicaram ou vão publicar livros: Luh Oliveira, Ruy Póvoas, Aurora Souza, Pawlo Cidade, Roger Ferreira e Sheilla Shew. Alguns deles já consagrados com diversas obras e aceitabilidade do público e outras aceitando o desafio de se colocarem no espectro da crítica e dos leitores. Os dois grupos merecem nossa admiração. Eles vão ficando nossa identidade. Afinal, felicidade da nação que possui escritores. A nação grapiúna tem.

Temos tido também diversas lives com escritores da região. São momentos que se revelam verdadeiros cafés culturais. Os participantes refletem seus processos criativos, mas colocam na ordem do dia às questões do contexto cultural, o acesso à educação de qualidade e à leitura. Leitura de mundo tão necessária para nos tirar da vala comum em que o País se meteu.

Não é novidade que o sul da Bahia tem uma força criadora enorme. Não temos dúvida de nossos escritores consagrados. Temos escritores que receberam a premiação do Jabuti, cuja premiação é a mais importante do setor literário brasileiro. Temos editoras na região que estimulam o fazer literário, a publicação científica… São articulações necessárias para manterem acessa a chama da literatura. Há um mês pessoas se juntaram e colocaram literalmente no ar o FLISBA – Festival Literário Sul-Bahia.

Recentemente, a Academia de Letras de Ilhéus prometeu realizar o FLIOS – Festival Literário de Ilhéus, virtualmente. As lives promovidas por Luh Oliveira e Tácio Dê são outras estratégias necessárias para a promoção da literatura, da leitura e da cultura como um todo.

Literatura, acesso à leitura e gestão municipal
Efson Lima
Estamos em um ano eleitoral atípico, é verdade, mas é 2020. Os candidatos se lançam aos processos eleitorais e elaboram seus programas de governo. Muito bem! Nas democracias representativas os procedimentos são esses. O processo pode ser melhorado quando os candidatos dialogam com a sociedade civil organizada e os cidadãos e vão concretizando a soma dos interesses públicos no citado documento.
Muitos devem estar se perguntando, que diacho tem literatura com eleições, acesso à leitura? Tem muito a ver. Primeiro, as vitórias e as derrotas eleitorais são contadas sob as diferentes óticas.
Vamos falar muito da pandemia enquanto circunstância que definiu o resultado de muitas eleições. Anteriormente, em outro pequeno artiguete, tive a oportunidade de defender que a literatura nasce na imaginação e movimenta uma cadeia produtiva de uma sociedade ao possibilitar uma “fábrica criativa de escritores” ao serem publicados, tem -se os vídeos, os áudios. Temos também os diagramadores, os revisores, os designers… que vão aumentando o rol de trabalhadores no mundo da produção literária. Literatura é fator de desenvolvimento econômico em um país.
Mas para além do trabalho, literatura também é lazer. É meio civilizacional de uma sociedade, de um grupo. Portanto, a literatura deve ser compreendida como um processo possibilitador de reflexões sobre ontem, hoje e o amanhã. É meio para a libertação de um povo. É caminho para a afirmação de um Estado Democrático de Direito. É “o sonho acordado da civilização” como afirmou Antonio Candido.
Não é possível pensar uma gestão municipal sem colocar o campo da educação, especialmente, de parte do ensino infantil e fundamental na ordem do dia. Não alcançará uma qualidade no ensino sem a alfabetização das crianças e da juventude. Infelizmente, o jovem e o idoso precisam ser alfabetizados. O “infelizmente” adotado não é porque são jovens e idosos, mas porque a alfabetização deve ocorrer ainda na infância.
FLISBA faz nascer uma Primavera Literária no Sul da Bahia

O Festival Literário Sul – Bahia (FLISBA) ocorreu entre os dias 24 e 26 deste mês e inaugurou a estação das flores e veio promovendo uma “Primavera Literária” como estampou em seu tema. Além das flores que chegaram, o FLISBA apresentou diversas discussões sobre literatura, o acesso ao livro e à leitura, bem como os desafios da produção literária no sul da Bahia. O evento vai se transformando em um movimento em defesa da literatura e do acesso à leitura.
O festival foi realizado por meio das redes sociais, especialmente, do canal do Youtube – Festival Literário Sul-Bahia. Foram seis mesas de discussões, além da mesa de abertura e de outros momentos que estabeleceram uma sintonia com diferentes linguagens artísticas, envolvendo artes plásticas, música, cinema e teatro.
O FLISBA foi organizado em tempo recorde, os preparativos foram iniciados em 31 de julho deste ano e em menos de dois meses o FLISBA estava ocorrendo nas redes sociais. Foi uma semente que rapidamente floresceu dando frutos. Os organizadores são pessoas que moram em diferentes cidades, mas todos e todas com origem no sul da Bahia. Algumas pessoas envolvidas na organização do evento estão morando fora do sul da Bahia, como o escritor Geraldo Lavigne de Lemos e Sophia Sá Barretto, que estão morando, respectivamente, em São Paulo e em Portugal.
A abertura do FLISBA (24/09) reuniu três academias de letras do sul da Bahia: Academia de Letras de Itabuna (ALITA), Academia de Letras de Ilhéus (ALI) e a Academia de Letras e Artes de Canavieiras. A presidente da ALITA, Silmara Oliveira, sintetizou e disse o que representava o evento como “o encontro da literatura em primeiro lugar, proporcionado pelo FLISBA, que representa o pensamento assim de muitas pessoas atenadas na arte, cultura e conhecimento. É vasto o mosaico de poetas, ficcionistas, contistas ensaístas da região sul da Bahia.”.
Ainda na mesa de abertura, a emoção foi marcada pela homenagem do FLISBA ao Teatro Popular de Ilhéus (TPI), representado por Romualdo Lisboa, que foi surpreendido com o aparecimento repetino de Amaurih Oliveira, um dos atores que passaram pelo grupo Teatro Popular de Ilhéus e mora atualmente na cidade do Rio de Janeiro e pelo ator Thiago Carvalho, que mora em Salvador e pertence ao grupo de Teatro Finos Trapos. O representante do grupo Finos Trapos ingressou durante a mesa para registrar a importância do TPI para as artes na Bahia e no Brasil. O Grupo Finos Trapos fez residência na Tenda do TPI em Ilhéus.
Em seguida, teve uma mesa que abordou os centenários de João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector. A mesa foi mediada pelo professor Ramayana Vargens e teve exposições de Aurora Souza, Raquel Rocha e Gideon Rosa. A mesa foi simbólica. Teve-se um encontro de gerações, assim como do encontro do teatro com a literatura e com o cinema. Foram mais de duas horas de análises.
No final da tarde foi realizado o Slam Sul da Bahia, que trouxe o estilo da poesia falada e reuniu jovens de diferentes cidades do sul da Bahia. O vencedor do Slam Sul Bahia foi Daniel Felipe, o “Ladrão de Livros”, que circula nos ônibus declamando poesias no sul da Bahia. A sensação deixada é que os jovens gostam de poesia e a poesia pode ser usada como um instrumento pedagógico para diferentes áreas. O segundo lugar foi ocupado por Marília Martins , de Eunápolis e a terceira posição por Robert Araújo ( MC Roty), de Potiraguá.
O Festival Literário Sul da Bahia – um resposta ao contexto da pandemia e a afirmação da cidadania cultural
Efson Lima
Algumas pessoas desde o dia 31 de julho de 2020, cuja ligação é o nascimento ou ter morado no sul da Bahia, estão articulando a organização do Festival Literário Sul -Bahia ( FLISBA). O FLISBA surge como uma reposta ao contexto da pandemia, mas não só isto, ele nasce com um espírito de ser uma “ Primavera Literária”. O evento vai ocorrer de forma virtual, com transmissão pelas redes sociais, especialmente, pelo Youtube e Facebook, nos dias 24, 25 e 26 de setembro de 2020.
Os organizadores advertem que o Flisba “surge com o cunho literário, mas não se fecha nesse campo, pelo contrário, é espaço que visa congregar as diferentes expressões artísticas sob uma perspectiva inclusiva. É uma primavera literária que possibilita o encontro do passado com o presente e projeta futuro. As gerações se encontraram para fazer a simbiose do bem viver literário, artístico. Idosos e jovens, homens e mulheres sob diferentes orientações e perspectivas veem nas artes a possibilidade de reconfigurar as caminhadas, sendo um espaço para a solidariedade e um fazer coletivo”.
O Festival presta uma homenagem a João Cabral de Melo Neto e a Clarice Lispector, ambos completam 100 anos de nascimento em 2020, respectivamente, janeiro e novembro. O primeiro com sua produção cuja matriz é o nordeste, a segunda tem na instrospectividade uma característica perene. Clarice não é brasileira da gema, mas a acolhemos como se brasileira nata fosse. Ela sempre foi grata, pois, quando perguntada sobre a origem, prontamente respondia: brasileira. O Festival também marca uma reflexão sobre as contribuições de Jorge Amado e Adonias Filho para a literatura. Sabemos que a região tem tantos outros escritores de gabarito elevado. Acreditamos que outros Festivais virão para homenagear nossos imortais conterrâneos.
O Festival será um espaço de intercâmbio para a promoção da literatura e dos processos criativos dos escritores regionais da região sul da Bahia, inclusive, dos novos. O FLISBA visa estimular a leitura e aproximar os agentes culturais, promovendo atividades que exercitem reflexões sobre a cultura, questões ambientais, questões ligadas à diversidade de gênero, uso das redes sociais e tecnologias. Temas que se tornaram emergentes seja pelo contexto da pandemia, seja pelo fenômeno político atual.
Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha – imortais pela poética, construtores de sonhos
Efson Lima
Confesso-lhes que, uma parte significativa dos escritores sul baianos, não tive a oportunidade de conhece-los fisicamente. Mas o destino, sempre ele, reservou algum grau de proximidade com os escritores nascidos no Litoral Sul. Ainda na minha adolescência, os jornais regionais, geralmente em face dos aniversários de Ilhéus e Itabuna, faziam cadernos especiais comemorativos. Neles estavam a história, a economia, os dados sobre a população, traziam também os aspectos sociais, literários…
As prefeituras locais colaboravam. Lembro-me dos 90 anos de Itabuna. Não sei onde conseguiram tantos temas, mais o Jornal Agora estava recheado de cadernos. Ousadia pura de José Adervan. O Diário de Ilhéus com seu caderno de 28 de junho provocava. Era um recado ao Agora para o dia 28 de julho. Não me pergunte qual era o melhor. Não quero confusão. Só sei que havia uma forte valorização da cultura regional, da memória. Aos poucos formos perdendo. Assim, vamos desconhecendo os construtores da nossa gente, os que desbravaram nossas terras… Mas, logo em seguida, exigimos dos jovens que conheçam a nossa História. Eles não vão, pois, a eles negamos a história e o conhecimento de sua realidade.
Os jornais locais possibilitavam leituras sobre Jorge Amado, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos, Odilon Pinto, Valdelice Pinheiro, Telmo Padilha…No meu caso, na escola, fui tendo meu percurso adocicado com os livros… fui saindo da escuridão e, agora, tinha meu imaginário sendo levado às obras. Um namoro à primeira vista, que permanece. Tínhamos também o vestibular da UESC, aquele que nos submetia a dois tipos de provas. Além das objetivas, uma redação e uma prova sobre os livros de literatura, quase sempre no cardápio tinha um escritor regional. Lembro-me de “Vinte Poemas do Rio” de Cyro de Mattos. No Instituto Nossa Senhora da Piedade, o professor Ramayana Vargens nos ensinava a “gabaritar”, dava-nos uma aula magna a cada dia. A Universidade buscava cumprir com o seu papel. Certa vez, a prova discursiva de história questionava-nos sobre o patrimônio regional. Lembrei de Anarleide Menezes, que diuturnamente tem empreendido esforços para preservar o patrimônio da região.
Agora, voltando para Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha, podemos considerar que foram imortalizados pela poética e pelos sonhos que construíam ações. Nesta semana, com o fim das inscrições para o projeto Bardos Baianos – Litoral Sul, sob a organização de Ivan Almeida e publicação pela Cogito Editora, fui forçado a definir qual poeta homenagearíamos na Antologia. Foi difícil a escolha. Fiquei ansioso e joguei para o pleno, fomos na direção de Valdelice Pinheiro. Dois grandes poetas regionais. Valdelice poetisa por excelência, além de filósofa e professora. Telmo Padilha é um poeta com inserção em outros gêneros. Ambos, cada um ao seu modo, guardiões de bons sentimentos e responsáveis por semearem sentidos a uma geração.
A poetisa Valdelice Pinheiro faleceu em 1992, a UESC produziu estudos sobre a professora Universitária, por sinal, uma das responsáveis por colaborar na implantação da Faculdade de Filosofia de Itabuna, que mais tarde se somaria a outras para formar a FESPI e, posteriormente, UESC. Já Telmo Padilha faleceu no ano de 1997 em um acidente de carro. Consolidava ao tempo sua carreira de poeta e com caráter nacional. Foi integrante da Academia de Letras de Ilhéus a convite de Adonias Filho. Telmo Padilha além de escritor foi um ativista cultural, movimentou a produção literária sul baiana. Valdelice Pinheiro estará conosco na Antologia Bardos Baianos – Litoral Sul. Telmo Padilha estará nos meus ensaios sobre a Academia de Letras de Ilhéus. Preservar a memória é um caminho para não sermos colonizados mais uma vez.
Com o processo de construção da Antologia Litoral Sul, fomos observando o quanto as terras sul baianas produzem poetas, escritores. Não é novidade. Adonias Filho já externalizava. Li pela primeira vez essa assertiva no Diário de Ilhéus a partir dos textos da professora Maria Luiza Heine. Mas para isso, precisamos democratizar esses espaços. Precisamos estimular a escrita. Criar concursos literários. As instituições podem fomentar. Há espaços.

Cobramos muito e fazemos pouco. Enredos, imaginações e bons textos não faltam nas cabeças de nossos jovens. Os equipamentos públicos precisam encontrar mecanismos de democratização do fazer literário. Eu consegui furar o bloqueio, mas quantos conseguem? Até quando vamos contar com o destino? Os jovens não conhecem a História, não leem. Verdade. É verdade também que pouco faço para eles conhecerem e lerem as Histórias e suas histórias com estórias. Então, é difícil se apropriar daquilo que nego. Depois reclamo dos políticos que escolhem.
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Efson Lima escreve nas horas não vagas do dia. Doutor em direito/UFBA. Professor universitário.
A pandemia e a indústria 4.0: o desafio das novas relações de trabalho
Efson Lima
As relações de trabalho no Brasil não podem ser analisadas sem considerar o seu curso histórico, cujas marcas do escravagismo estruturaram consideravelmente as relações trabalhistas. Por sinal, o País foi o último a por fim ao escravagismo oficial nas Américas. Essa circunstância foi estruturando as relações de poder e de trabalho no Brasil, inclusive, concorrendo para uma administração pública que calcada na eficiência a partir de 1998, ver sobressaírem os traços do patrimonialismo.
A questão do trabalho, no século XX, esteve albergada nas Constituições da República brasileira e, especialmente, na Constituição de 1988, inclusive, integra os fundamentos da República no tocante aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, sem prejuízo de estar no rol dos direitos sociais, evidenciando o compromisso do Estado e da sociedade com as relações de trabalho.
A Faculdade de Direito da UFBA, recentemente, realizou o “Congresso Internacional de Direito, Justiça e Literatura em Horas de Pandemia Global”, no modo virtual, coordenado pelos professores Antonio Sá da Silva e Wilson Alves de Souza, na ocasião, durante a palestra, registrei que no bojo das Comemorações dos 100 anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma das preocupações centrais estava o processo de automatização da sociedade com a crescente integração dos “mundos físico e virtual” por meio das máquinas, da inteligência artificial e dos robôs.

É nesse sentido que Klaus Schwab, uma das grandes referências mundiais no estudo da denominada Quarta Revolução Industrial, aponta como uma das peculiaridades da transformação social em curso, pois, a fusão e interação entre os domínios físicos, digitais e biológicos é uma constante.













