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livros do thame




Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

abril 2026
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:: ‘cronica’

O Sul da Bahia tem que beber conhecimento na origem

Walmir Rosário

 

Rever os conceitos faz um bem danado para quem quer se manter na onda, auferindo resultados positivos. Por mais que façamos certo, sempre tem algo em nossa vida ou nossos negócios que precisa ser acertado. Afinal, como diz a piada, relógio que adianta não atrasa. É o tal de adiantar o passo após as reflexões, já transformadas em ações presentes e futuras.

Num simples apanhado, o Sul da Bahia não vai mal: o cacau se recuperando em genética, sanidade e preço de comercialização; o comércio se mantém estável, passando pelas mudanças de sempre, resistindo bravamente; os serviços a mil por hora, principalmente na área da saúde privada, com profissionais qualificados e equipamentos de ponta.

Não sei se estaria sendo coerente comigo mesmo se afirmasse que estamos apenas a um pontinho acima da mesmice, tendo em vista que grandes investimentos não são direcionados para o Sul da Bahia. Prova disse é a população estável, com índices bem abaixo de outras regiões da Bahia, mesmo possuindo terras férteis, chuvas em abundância e infraestrutura considerável.

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Viajar, sonhar e amar…

 

Gilza Pacheco

Ah, como são simples os ingredientes que precisamos para sermos felizes se levarmos a vida como turistas. Porque sabemos que estamos de passagem.

Assim, quem dera poder viajar pelo teu universo de sentimentos profundos e momentos intensos. Avivar as memórias afetivas. Viajar no teu corpo, enchendo-o de satisfação.

Se deixarmos a imaginação viajar, ela voltará trazendo momentos melhores!

 

Pois, são os momentos que vivemos do ponto de partida ao ponto de chegada que nos proporcionam a felicidade.

 

“…É preciso voltar. E a gente sempre volta.

 

A gente volta, porque voltar não é retroceder, é se reencontrar nas partidas para se descobrir em novos caminhos.

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O processo pecou pelo excesso de juridiquês

Walmir Rosário

Muito se fala sobre o extremo academicismo e o comportamento daqueles que o integram. De forma exagerada, muitos o classificam como um grupo fechado, fora da realidade que o cerca, talvez por seu vocabulário diferenciado, bastante formal, recheado de termos técnicos, e que frequentemente é visto, de forma errônea, como pedantismo, criando ruídos na comunicação.

Cada grupo com sua linguagem falada e escrita: os médicos, conhecidos pelos garranchos postos nas receitas, que muitas das vezes nem os atendentes de farmácias mais experientes conseguem decifrar. Os professores, não são diferentes, com palavras bem ligadas às metodologias, gestões e pedagogia; os engenheiros com os termos técnicos de obras, jargões, siglas e abreviações.

Mas o fato que mais chama a atenção é o juridiquês, com o uso exagerado de linguagem rebuscada, palavras latinas, e termos técnicos que costumam deixar de boca aberta qualquer vivente de outra área. Muitas das vezes dá o desavisado leitor pode morrer acometido por falta de ar ao ler uma petição, recurso, sentença, que só o linguajar do médico pode explicar.

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O cemitério de meu pai

Paloma Amado

Foi nos anos 90, ia ser concedido o Prêmio Camões em Lisboa, onde eu estava com meus pais, hospedados no hotel Tivoli. Havia muito rebuliço no dia da reunião do júri para a premiação. Estavam, vindos do Brasil, três membros da Academia Brasileira de Letras. Vinham com cartas já marcadas, precisavam derrotar Jorge Amado, candidato que os portugueses tinham escolhido. A reunião foi feia, foram os jurados portugueses que contaram o quanto aquela troika (no linguajar deles) fora determinada, a reunião não teria um final feliz, caso insistissem no nome do baiano. Outra pessoa ganhou. Logo depois, estávamos andando pelo saguão do hotel, quando o líder do grupo brasileiro veio em nossa direção de braços abertos, gritando:

— Jorge querido, que prazer encontrá-lo aqui!

Eu, que também o tinha na minha frente, desguiei para a esquerda e subi para o meu quarto, deixando seu Jorge sozinho para acolher a mão estendida do cidadão. Daqui a pouco papai chegou rindo, me perguntou se eu tinha saído de fininho porque ficava feio negar cumprimento. Confirmei e ele riu mais ainda. Virou para mamãe e disse:

— Paloma é igualzinha a mim…

Rebati que não era, eu nunca mais cumprimentaria aquele pulha, que sempre se fizera de tão amigo. Foi então que ele me falou pela primeira vez de seu cemitério. Disse mais ou menos assim:

— Minha filha, quando eu tinha a sua idade também saía de perto e negava cumprimento. Nunca fui de dizer desaforos, pois cada um age por sua cabeça, e se a criatura quer ser um safado sem carácter, é direito dele. Você está assim agora, eu já evolui, criei meu cemitério particular.

— Cemitério, pai?

— Sim, quando o amigo se mostra um filho da puta, injusto, sem carácter, eu simplesmente o enterro no meu cemitério particular e junto com ele todo o rancor, a raiva e os maus sentimentos que um canalha desses pode fazer brotar na gente. Assim fico livre dele e do mal que pensa que me está fazendo. Eu o encontro, vem sorridente, eu o cumprimento, mas ele não sabe que estou falando com um fantasma, alguém que já não existe, que não pode me fazer mais nenhum mal.

Desde então, já se passaram mais de 30 anos, eu tento colocar as pessoas que me ferem, os falsos amigos, num cemitério meu, mas o rancor é maior, e eu fico remoendo as coisas, sofrendo, doída. Fico não, ficava!
Semana passada tive muito aperreio, muita tristeza, via a aproximação de um desfecho triste para mim devido a pessoas a quem já amei com meu sangue. Chorei um dia inteiro, daqueles choros que a gente não controla, as lágrimas pulam longe, depois escorrem, a gente funga e se pergunta porque fizeram aquilo. Dormi. Meu pai veio. Nesses 24 anos de sua ausência física, ele sempre me socorreu nos momentos mais difíceis. Pois ele veio. No sonho sentamos em torno de uma mesa colocada no jardim do Rio Vermelho, bem junto ao muro que separa sua casa da casa que foi de João, meu irmão. De mãos dadas, desabei sobre ele todas as tristezas. Ele me disse em tom sério, de quem vem do lugar em que se consolida a sabedoria da vida:

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Cartas postas na mala

Cyro de Mattos

 

Cyro de Mattos (foto de Jaqueline Alencart)

Com cerca de 65 anos dedicados à literatura como forma de vida, através de atividades constantes e produção de livros pessoais, resolvo cuidar das cartas que me foram endereçadas durante décadas por escritores, poetas, professores doutores e especialistas, com vistas a produzir razoável volume cheio de observações e compreensões sobre a vida.  As cartas são os instrumentos de comunicação achados pelos humanos em certa época de sua evolução para se aproximar de parentes e amigos, usando seu espaço útil para revelar intimidades, levar notícias, informações de momentos alegres e tristes.

Com a expansão da telegrafia prestaram um serviço de muita utilidade à literatura e à cultura. Como gênero epistolar são conhecidas e apreciadas até hoje as cartas românticas de Vitor Hugo, entre Abelardo e Heloísa, as de Proust, Flaubert e de Soror Mariana.  As famosas cartas ao pai e a Milena, de Kafka, reveladoras de relações agudas em família. As Cartas de Inglaterra, de Rui Barbosa, escritas no exílio, mostram um ferino panfletário nas entrelinhas, que preferiu cotejar a monarquia inglesa com a república brasileira, ao invés de relatar a vida ideal londrina.  Para alguns, o epistolário de Machado de Assis mostra um Machado diferente, com destaque a missiva a José de Alencar sobre Castro Alves e à sua esposa Carolina.

Textos do gênero epistolar no Brasil revelam o espírito de seus autores, a singeleza de suas atitudes, o pensamento privilegiado sobre assuntos intricados da arte ou do contexto social e político.  Como uma troca de intimidades e reflexões sobre a vida revelam prazerosos momentos, da experiência e testemunho, afeto e cordialidade, sutilezas do pensamento arguto. Isso é visto com clareza entre as cartas de Fernando Sabino e Clarice Lispector, Godofredo Rangel e Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Alceu Amoroso Lima’, Caio Porfírio Carneiro e João Antônio. Durante décadas esses autores revelaram nas cartas o nascimento e a evolução de uma relação marcada pela cordialidade, discussão coloquial dirigida, compreensão e franqueza respeitosa.

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Fui obrigado a interromper minhas férias

Walmir Rosário

Em plena manhã desta sexta-feira, 8 de agosto, me senti abatido, diria até exausto, em meio a um estudo comparado de rituais com vistas à elaboração de uma peça. A cabeça, os miolos, ou sei lá como explicar, ferviam com o vai-e-vem da leitura, justamente num dia considerado o início do fim de semana nos bares e botequins da vida.

Resolvi dar um tempo e me entreter assistindo ao filme “Meu Vizinho Adolfo”, iniciado na noite passada. De repente, ouço alguém bater à porta se passando por um entregador de uma dessas empresas internacionais de vendas pela internet. Desconfiado, pois não esperava a chegada de encomenda, mesmo assim abro o portão e encontro o amigo e irmão Arenilson.

Após risadas e o costumeiro abraço, me entrega um presente trazido em seu passeio pelas bandas de Bom Jesus da Lapa e Correntina: um litro da preciosa aguardente, ou melhor, cachaça, com o nome de Brejeira. Eu esperava um tijolão de rapadura, conforme promessa feita, mas resolvi não reclamar, haja vista a superioridade do regalo.

Enquanto examino o “precioso líquido”, adjetivo proibido nas boas redações, recebo, via whatsapp, o estímulo do amigo Toncar, direto de Campo Formoso, dando conta que o relógio badalava 11 horas, horário de abrir os trabalhos com o toque de um pequeno sino. Transmiti uma foto da Brejeira pra ele, que fez questão de me garantir que era uma das cachaças de sua predileção.

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Crise? Tire o “S ” e crie

Gilza Pacheco

 

Hoje sinto desejo de criar, de escrever sobre fatos inesquecíveis, uma espécie de momento nostálgico. Antes, porém, mesmo hoje sendo sábado, reporto-me a uma sigla criada em 2011, “TBT” para significar “Throwback Thursday”, uma tendência popular nas redes sociais onde as pessoas compartilham fotos antigas ou memórias nostálgicas às quintas-feiras. Essa prática, que começou no Instagram e se espalhou para outras plataformas, permite que os usuários revivam momentos especiais do passado, como viagens, eventos e conquistas, conectando-se com amigos e familiares ao relembrar bons momentos juntos, além de ser uma forma divertida de observar como pessoas, modas e situações mudam ao longo do tempo. E um fato me veio a mente… Não era um dia comum.

De acordo com as crenças religiosas africanas, no dia 02 de fevereiro é comemorado o dia de Yemanjá. Odoyá, popularmente conhecida pelos brasileiros como Iemanjá, a orixá da religião Yorubá que significa “Rainha das águas, mares e oceanos”. Encontrava-me no lugar certo, Bairro Boêmio de Salvador, Rio Vermelho. Apesar de próxima à praia naquele dia não depositei flores no mar, não ofertei nenhum presente e nem pulei 7 ondas. Sentada em um bar eis que surge Damião, não o personagem da novela, se fosse, e se a minha amiga Eliana estivesse comigo, com certeza iria adorar.

 

Nunca havíamos nos visto antes, mas sabíamos da existência um do outro. Ele veio lindo, memória viva na minha lembrança. Ao colocar meus olhos, acompanhados, com certeza, de um largo sorriso, imaginei…é ele, o meu presente de Iemanjá. Lembro-me do seu andar elegante e ao mesmo tempo despojado e pelo seu sorriso percebi que me identificou. Iemanjá é conhecida por gostar de dar presentes.

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Quem é mesmo esse tal de Doutor?

Walmir Rosário

 

O título de doutor enobrece aos que são distinguidos por essa forma de tratamento, não resta a menor dúvida. Entretanto não há legislação pertinente no Brasil que destine essa honraria aos diplomados (existem dúvidas). Mas no Império, a forma de tratamento de doutor aos advogados, estava na forma da lei, melhor, do Decreto Imperial de 1º de agosto de 1825, de Dom Pedro I.

E para reforçar, dois anos depois, em 11 de agosto de 1827, uma nova Lei Imperial cria os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais em São Paulo e Olinda e introduz regulamento, estatuto para o curso jurídico; dispõe sobre o título (grau) de doutor para o advogado. Vale dizer que até hoje a validade dessa legislação é questionada, embora não haja revogação explícita ou tácita, inclusive no novo Estatuto da OAB, criado por lei.

E durante todo esse tempo as discursões sobre o título de doutor ao advogado dá o que falar, muitas vezes por ser confundido com os títulos de Doutorados Acadêmicos regidos pela Lei nº 9.394/96 (lei de Diretrizes e Bases da Educação). Sem dúvida, além de diplomado em Ciências Jurídicas (Direito), o doutor precisa estar com o registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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O catingueiro esnoba e fala francês com biquinho

Walmir Rosário

Não se assustem, mas é a mais pura verdade. Foi difícil acreditar até eu constatar que não estava a ver visões, quem sabe por culpa do forte sol da caatinga. Fiz questão de apurar tudo direitinho para não perder a credibilidade. Eu não esperava, mas podes crer, o caatingueiro, com sua vestimenta de couro, incluindo o chapéu, falando francês e fazendo biquinho, sem pedantismo.

E esse fato se deu em Campo Formoso, em meados deste março, onde fui visitar parentes e aproveitei para participar de um Dia de Campo promovido pelo Senar e a Prefeitura, por meio da Secretaria da Agricultura do Município. O tema era o “Manejo Sanitário na Caprinovinocultura”, apresentado pela zootecnista Angélica Sampaio, do Senar.

Até então, pensava eu que seria uma hora de conversa a respeito de como alimentar e tratar caprinos e ovinos, animais por demais conhecidos dos caatingueiros e que desde os anos 1500 fazem parte do cenário do semiárido. A minha surpresa foi o grau de sofisticação da criação desses animais, tratados a pão de ló, como se dizia antigamente.

Nada de soltar os animais em enormes áreas e deixá-los se virar em busca de comida e água. Nada disso, hoje eles são tratados com todos os mimos, desde a alimentação balanceada, água de qualidade, medicamentos dos melhores laboratórios. Comem a pasto e nos cochos, nestes, com suplementações balanceadas e nutrientes altamente escolhidas para suprir a falta de macros, micros e sais minerais. Um luxo!

E não é pra menos, estamos falando de caprinos das raças Saanen e Parda Alpina, e ovinos da raça Dorper, que terão a missão de produzir bastante leite para a população, especialmente os alunos da rede municipal da educação de Campo Formoso. Tudo pensado, planejado para oferecer aos alunos uma alimentação de qualidade, de baixa lactose em relação ao leite bovino.

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Ela nas curvas do tempo

 

Mazé Torquato 

O ventilador passou a noite ronronando, sem acalmar muito a temperatura. Pequenas gotas finas escorrem entre meus seios e grudam no tecido de algodão do pijama. Penso em uma ducha, mas a noite ainda vive lá fora. Não quero fazer barulho para os da casa nem para os vizinhos. Espero, vendo as mensagens vindas do outro lado do continente. A vida continua em todos os cantos. Mas quantos não desapareceram nessas horas da noite?

Penso nela e nos anos que já viveu. Muitas vezes, tenho a impressão de que tem mais do que sua idade. Outras vezes, menos. Pegou o hábito de tomar caipirinha “para dormir” depois que perdeu dois filhos.

— Olha, são dois dedos de suco de laranja, dois de pinga e mais dois de açúcar — diz, mostrando com os dedos, como se o copo estivesse na frente dela.

Preocupada. Por onde anda sua memória? No nevoeiro do tempo? Tem medo de se perder nas curvas da vida. Não sente mais segurança nas pernas, nos olhos, no espírito… Não quer mais sair sozinha.

Ainda assim, mantém o interesse pela vida dos outros, das pessoas próximas, de seus filhos. Invasiva, às vezes:

— Coloca uma presilha aqui.
— Corta o cabelo…

Vivíssima!

Mazé Torquato Chotil – é jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP e vive em Paris desde 1985. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.





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