:: ‘Mazé Torquato’
Mazé Torquato e o Rubi de Deise Ramos

A escritora brasileira Mazé Torquato, radicada na França, conversa com Deise Ramos, autora do livro Rubi e multiartista.”Rubi” conto que dá título ao livro, reúne algumas das melhores características do estilo da autora: a delicadeza da escritura, a sutileza nas camadas de significação que o texto contém, a escolha de suaves matizes da escritura.

O texto é de Lauro Góes, ator, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e crítico literário que faz a apresentação da obra. Ele chama a atenção do leitor para A poeticidade da escrita de Deise, reforçada por metáforas e por citações de outras obras literárias e fílmicas
Assista:
Valéria Macedo e “A falta que ela faz”

Em Paris, Mazé Torquato conversa com Valéria Macedo sobre seu livro de estreia, “A falta que ela faz”.

Finalista dos Prêmios Literário Voz e AILB 2025, o romance envolvente, poético e de muita emoção, conta com Quatro personagens mulheres: a avô, a mãe (Gloria), ela, a narradora, e a filha (Alma). Conta a relação complicada entre mãe e filha, de ausências, de dores e vontade de se encontrar.

Assista:
Meu velho pai está partindo para as estrelas

Mazé Torquato
Aos 95 anos — ou, oficialmente, 93 —, cansado de tantas jornadas, vai aos poucos se despedindo, no silêncio doloroso dessa travessia.
De longe, penso nele: no coração fatigado, nos órgãos marcados pelo tempo. Recordo os dias em que trabalhávamos juntos no pequeno comércio da minha Glória, a de Dourados. Ele não gostava do balcão, dizia que não tinha “jeito para o comércio”. Talvez fosse uma forma de esconder sua pouca leitura. O que ele amava mesmo era o sítio: levantar-se com o sol, recolher-se ao entardecer, vivendo no compasso da terra.
Era mamãe quem insistia na ida para o vilarejo, sonhando com mais “leitura” para os filhos, uma escola melhor do que a da beira de estrada, onde a professora tinha apenas concluído os quatro anos de primário.
Meu pai, porém, tinha outra inteligência: a das mãos que inventam. Criou, ainda no sítio, uma máquina manual para debulhar milho, outra para fazer garapa etc. No vilarejo, tornei-me seu braço direito: cuidava de contas bancárias, de faturas… até entrei no curso de contabilidade para poder ajudá-lo melhor. Ele queria que eu assumisse as rédeas do comércio, mas, sem perceber, eu já recusava.
A Assembléia Nacional Francesa

Mazé Torquato
Hoje vou mostrar pra vocês alguns aspectos do prédio da Assembleia Nacional Francesa: o Palácio Bourbon (Palais Bourbon). Situado na margem esquerda do rio Sena, de frente para a Place de la Concorde, o palácio teve sua construção iniciada em 1722 para abrigar Louise Françoise de Bourbon, filha legitimada do rei Luís XIV com Madame de Montespan.

Originalmente uma residência aristocrática privada, o prédio foi confiscado como bem nacional durante a Revolução Francesa. Desde 1795, tornou-se oficialmente a sede do Conseil des Cinq-Cents (Conselho dos Quinhentos), uma das câmaras do Diretório — ou seja, desde então, é um local de exercício do poder legislativo.
O projeto arquitetônico inicial foi de Giacomo Garibaldi, sendo posteriormente completado por outros arquitetos. A fachada neoclássica atual foi desejada por Napoleão Bonaparte, para que o edifício tivesse um aspecto mais “romano” e condizente com a dignidade do poder legislativo. Assim, em 1806, o arquiteto Bernard Poyet projetou a famosa fachada com 12 colunas coríntias, inspirada no Panteão de Roma. A escadaria monumental foi concluída em 1830.

Hoje, o palácio abriga os 577 deputados franceses eleitos por sufrágio direto.
Seu patrimônio histórico é de grande importância e pode ser visitado. Basta acessar o site da Assembleia Nacional Francesa e agendar um horário.
“Um menino chamado Vlado”, de Marcia Camargo
Uma biografia para o público infantojuvenil sobre o jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 nos porões da ditadura militar, ganha nova edição.

Editado pela primeira vez em 2017, “Um menino chamado Vlado”, de Marcia Camargo, ganha agora uma edição especial e gratuita, lançada pela ONG “Mais Diferença”, neste ano em que se comemoram os 50 anos da morte do jornalista.
Veja a entrevista de Marcia Camargo a Mazé Torquato, em Paris:
Os modernistas brasileiros em Paris nos ´anos loucos´
O novo livro de Marcia Camargos sobre os modernistas em Paris nos anos 1920 aborda os artistas que passaram pela cidade nessa década, seja de forma esporádica ou por longos períodos, e que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Villa-Lobos, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret.

Fruto das pesquisas de seu segundo pós-doutorado na Sorbonne, Marcia Camargos é escritora e jornalista, com 35 livros publicados, entre ensaios, biografias, romances e obras infantojuvenis. Alguns de seus títulos receberam prêmios literários como o Jabuti, Livro do Ano, APCA e FNLIJ.

Veja a entrevista a Mazé Torquato:
Ela nas curvas do tempo
Mazé Torquato
O ventilador passou a noite ronronando, sem acalmar muito a temperatura. Pequenas gotas finas escorrem entre meus seios e grudam no tecido de algodão do pijama. Penso em uma ducha, mas a noite ainda vive lá fora. Não quero fazer barulho para os da casa nem para os vizinhos. Espero, vendo as mensagens vindas do outro lado do continente. A vida continua em todos os cantos. Mas quantos não desapareceram nessas horas da noite?
Penso nela e nos anos que já viveu. Muitas vezes, tenho a impressão de que tem mais do que sua idade. Outras vezes, menos. Pegou o hábito de tomar caipirinha “para dormir” depois que perdeu dois filhos.
— Olha, são dois dedos de suco de laranja, dois de pinga e mais dois de açúcar — diz, mostrando com os dedos, como se o copo estivesse na frente dela.
Preocupada. Por onde anda sua memória? No nevoeiro do tempo? Tem medo de se perder nas curvas da vida. Não sente mais segurança nas pernas, nos olhos, no espírito… Não quer mais sair sozinha.
Ainda assim, mantém o interesse pela vida dos outros, das pessoas próximas, de seus filhos. Invasiva, às vezes:
— Coloca uma presilha aqui.
— Corta o cabelo…
Vivíssima!
—
Mazé Torquato Chotil – é jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP e vive em Paris desde 1985. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.












Em Paris, na França, Mazé Torquato entrevista Geni Núñez sobre o livro “como descolonizar os afetos, experimentações sobre novas formas de amor”.
A escritora Nara Vidal participou do Festival do Livro de Paris para lançar a versão francesa de seu romance Puro, traduzido como Pur.




