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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

fevereiro 2026
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:: ‘Paloma Amado’

Crônica de domingo, Carnaval da Brigitte Bardot

Paloma Amado

 

Acordei cedo neste sábado com uma escola de samba paulistana desfilando na televisão. Me dei conta de que adormecera sem desligar o aparelho, e quando me vi no espelho do banheiro, constatei que nem a fantasia eu tinha tirado! A fantasia é de gato e composta de duas orelhinhas presas a grampos, que se coloca no cabelo.

(Um breve parêntesis para explicar que fui à farmácia comprar remédio para pressão e a atendente, muito gentil, me perguntou se eu não tinha interesse em adereços carnavalescos. Me apresentou vários e eu me encantei pelas orelhas de gato, que acrescentei à minha compra. Em casa, uma certa decepção, pois meus gatos não ligaram a mínima…)

Eu me olhei no espelho, toda desgrenhada — com as orelhinhas — e comecei a cantar: “Brigitte Bardot, Bardot. Brigitte beijou, beijou. La dentro do cinema todo mundo se afobou”… Que maluquice… só que não! Cantar a antiga música de carnaval sobre a musa francesa recém-falecida, me olhando descabelada no espelho, para mim fez todo o sentido e eu queria contar essa histórinha.

Tinha uns 6 anos quando o filme de Roger Vadim, E Deus criou a mulher, chegou ao Brasil. Os comentários na minha casa eram muitos, meu tio James bastante entusiasmado com a nova atriz francesa, já vira o filme duas vezes. “Você já viu esse filme, Jorge? A atriz aparece pelada, deitada de lado, uma coisa louca”. Meu avô João, um entusiasmado pelo sexo feminino, animava-se todo, perguntando detalhes. Papai não tinha tempo para ir ao cinema, mas também queria saber mais.

Eu, que brincava ali perto, ouvia Brigitte Bardot pra cá, Brigitte Bardot pra lá, não estava entendendo nada e fiquei muito curiosa. Perguntei à mamãe, que também ouvia e, eu não sei por que, amarrara a cara. Você sabe, mãe, o que é uma brigittebardot? Mamãe relaxou, riu e me respondeu: “É uma mulher de cabelo desgrenhado. ” Fiquei de alguma forma na mesma, não fazia muito sentido, pois era difícil entender o entusiasmo dos homens da minha família por uma mulher desgrenhada. Enfim, achava os adultos bem complicados e deixei prá lá. Mas o termo brigittebardot ficou para sempre como sinônimo de descabelada.

Assim, que hoje, ao som do samba enredo “Ora mi maio Oxum@, da Escola de Samba Barrocas Zona Sul, eu me olhei no espelho e constatei: Pura brigittebardot fantasiada de gato. Imediatamente entoei a música do grande Miguel Gustavo, que o Jorge Veiga cantava. Declarei para mim mesma, me olhando no espelho: Começou meu carnaval! Tirei uma foto para vocês verem e eu guardar de lembrança.

Bom domingo a todos, e bom carnaval para quem gosta da festa! Ora iê iê ô!

Crônica de Domingo, Coleção Milagres que vivi 6: A Jaca

Paloma Amado

A primeira árvore plantada por meus pais na casa do Rio Vermelho foi uma jaqueira, era indispensável garantir a presença na casa da fruta preferida, a das fazendas de cacau, a que não podia faltar no café da manhã do coronel João Amado, meu avô. Hoje é uma grande árvore, sempre deu muitos frutos e neste fevereiro de 2026 está carregada de alto a baixo.
Carybé, meu dindo, ia lá para casa papear. Chegava pedindo: Zelhusca, me dá um bloco de papel. Um bloco inteiro? Mamãe provocava o compadre para se divertir, farta de saber que ele deixaria o bloco cheio de desenhos engraçados. Papai virado em jaca foi um dos que compunha a série Jorge Fruta!

Mamãe se mudara, a casa estava fechada há alguns anos, tentávamos fazer dela um museu, quando veio do México meu amigo Carlos Castro e sua mulher Teresa. Fã de papai, queria conhecer onde morara. Fui com eles. Na porta encontrei duas moças que tentavam convencer o vigia a deixar dar só uma espiadinha. A senhora deu sorte, dona, a filha do homem tá vindo aí, se ela deixar…

Deixei, é claro, e entramos os cinco na casa vazia, triste da falta dos seus donos. O dia estava ensolarado, aproveitamos para caminhar pelo jardim, relembrando histórias. De repente, Carlos me perguntou que árvore era aquela, imensa, com frutos enormes. Tentei explicar a jaqueira e sua jaca, mas empaquei sobre o gosto. Gosto de quê? De jaca, ora, gosto forte, único, a pessoa ou adora ou detesta. E ainda tem os tipos, pode ser dura, pode ser mole… Não parece com nada, só provando.

Saímos para sentar no banco da mangueira, onde as cinzas de papai alimentavam as frutas.

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Crônica de domingo: Caymmi e a conta de coral

Paloma Amado

Foi no ano 1976 que, a convite de meus pais, fizemos uma viagem linda pelo Norte, incluindo o Piauí e o Maranhão. No Pará fomos hóspedes da família Steiner. Foi Ruth, a matriarca, quem nos levou a um antiquário cheio de coisas bonitas. Eu, sem um tostão furado para comprar nada, ganhei do dono da loja uma conta de coral, que eu coloquei em minha carteira. Vai que dá sorte, eu pensei, e na próxima vez posso comprar uma peça bonita. Nosso périplo terminou em Manaus, depois da travessia do Amazonas feita num navio gaiola.

1977, um ano se passara da viagem. Papai e mamãe estavam no Rio, onde eram meus vizinhos na rua Rodolfo Dantas. Cheguei para vê-los de manhã e lá estava Caymmi tomando café com cuscuz de milho, feito por mamãe. Maior alegria, muitos abraços e beijinhos, e o pedido de sempre: Você trouxe uma prendinha para o seu tio, Papá?

Caymmi era divertidíssimo. Andava sempre com uma malinha, onde guardava as mais diversas coisas que ganhava. Adorava ganhar presentes, e os pedia com gosto. Comadre Zélia, não tem nenhum mimo para mim hoje?

Naquele dia, ao ouvir o pedido, lembrei da conta de coral de Belém do Pará. Há um ano vivia na minha carteira, estava na hora de mudar de endereço. Tenho sim, Dodô. Vou em casa rapidinho buscar.

Quando voltei, entreguei a conta com um rápido discurso: Senhor Dorival Caymmi, fiz longa viagem à Amazônia em busca de um regalito para meu tio querido. Todos riam. É pequenino, mas de grande valor, pois traz uma sorte danada… Entreguei a conta e vi Caymmi ficar lívido, o riso se virou em espanto. Mamãe se preocupou. O que foi, compadre?

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Crônica de domingo. Milagres que vivi 3 – O Bruxo

Paloma Amado

 

Uma equipe da televisão alemã chegou à Bahia para fazer um documentário. Um dos pontos altos seria a entrevista com Pierre Verger e Mãe Menininha no Gantois. É claro que fomos todos em comitiva, meus pais, Carybé e também Thomaz Farkas, nosso amigo e meio parente, grande fotógrafo, que estava na cidade. Mamãe levou a Nikon e seu gravadorzinho portátil, anterior à fita cassete, daqueles de rolo de fita. Farkas levou equipamento muito mais sofisticado, grande gravador, máquinas e várias lentes. No quarto de Mãe Menininha, os alemães montaram toda uma parafernália operada por equipe bem preparada.

Começou o diálogo entre Fatumbi e a Oxum mais bonita. O Babalaô e a Mãe de Santo revelavam, além de extraordinários saberes, a cordialidade e a gentileza próprias do culto afro-baiano. Tudo isso, gravado por mamãe e por Farkas.

Em determinado momento, Verger parou de falar, olhou para os dois caronas da entrevista e disse que a partir dali ele continuaria a falar, mas não queria que fosse gravado, que todos desligassem seus gravadores. Mamãe, dona da esperteza, fingiu que desligou e deixou gravando. Viu quando Thomaz mexeu no seu.

Chegando em casa, dona Zélia foi correndo ouvir se tudo saíra como o desejado. Qual não foi sua surpresa quando, em seguida a Verger pedir que desligassem tudo, o gravador começou a emitir um som estranho, como uma língua embolada e desconhecida. Papai e eu fomos chamados como testemunhas e ela confessou a desobediência. Papai sugeriu que ela ligasse para Farkas, vai que ele também não desligou o gravador. Assim foi feito. Thomaz atendeu, estava sem fôlego. Zélia, eu ia mesmo ligar para você. Imagina que eu não desliguei meu equipamento, mas só registrou até a voz de Verger dando a ordem para desligar, depois vem uma fala embolada, não sei de que idioma é. Pensei que você poderia também não ter desligado… Ficou urgente o encontro dos dois gravadores.

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Crônica de domingo: Milagres que vivi 2 – O Bori

Paloma Amado

Ouvi falar em Bori pela primeira vez quando tinha 11 anos. Estávamos de férias em Salvador, meus pais procurando casa para comprar. Combinavam com Carybé de irem, os dois casais, ao Candomblé de Mãe Senhora para fazerem juntos o bori. Achei a palavra engraçada, quis saber o que era. Papai me explicou sobre o ritual de dar de comer à cabeça, isto é, ao orixá. Uma obrigação de candomblé. Obrigação?, me espantei. Meu pai riu. É assim que se chama, meu bem, mas a gente faz de bom grado. Iriam passar a noite toda, a comida preparada para o orixá enrolada na cabeça, dormiriam em quartinhos separados, papai com Carybé, mamãe com Nancy.

Já morando na Bahia, um dia mamãe me disse que não dormiria em casa aquela noite, iria ao Axé do Opô Afonjá fazer o bori. Daquela vez iria sozinha, os outros já tinham feito. Assim, no fim da tarde, dona Zélia partiu para o candomblé.

Mãe Senhora a recebeu, lhe deu saia e bata de uma brancura imaculada, ela vestiu, tirou os sapatos, juntas foram para o quartinho onde tinha apenas uma esteira e uma moringa de água, não vá passar sede, minha filha! Deitada na esteira, a comida de Oxum na cabeça envolta por um ojá, despediu-se da Mãe. Vou deixar a porta aberta, está muito calor. Não tenha medo. Não teve medo, mas como conciliar o sono se sentia emoções tão profundas, que sempre espantavam a materialista que dizia ser. Fechou os olhos, insistiu, mas o sono não veio.

Quando os abriu novamente, viu uma filha de santo de pé na porta. Pensou que Mãe Senhora tinha tido o cuidado de colocar alguém para velar seu sono, ficou com pena. Chamou: Moça… Mas ela não saiu do lugar, apenas a olhou sorrindo. Não precisa ficar aí não, vá dormir. Diga à minha Mãe que não estou com medo. Mas a moça não arredou pé. Certamente, cumpria ordens. Mamãe acabou dormindo, acordou umas vezes, a moça continuava lá. Ao levantar, de manhã, já não havia ninguém. Logo vieram buscá-la, Mãe Senhora a esperava para finalizar a obrigação e tomar café.

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Crônica de domingo, Milagres que vivi: a paulista e o anel africano

Paloma Amado

Tocou a campainha na rua Alagoinhas. Beatriz Costa, a atriz portuguesa que era nossa hóspede, atendeu a porta, estava sozinha em casa. A senhora paulista procurava por Jorge Amado, precisava que ele lhe indicasse onde estava seu anel. Que coisa mais doida essa, pensou Beatrizinha. Me explique melhor, minha senhora. A paulista estava nervosa demais para relatar a história com alguma coerência. Cheguei de São Paulo há uma semana, já volto amanhã, só hoje soube quem era o intelectual importante, preciso saber do anel… Desesperada com a notícia de que ele não estava e só voltaria muito mais tarde, despediu-se de Beatriz com um Eu sou mesmo azarada, minha vida não tem solução, e foi embora.

Soubemos da história dela depois. Com a vida toda atrapalhada, sem dinheiro e problemas familiares, a costureira da periferia de São Paulo tentara de tudo, acabou numa sessão de Umbanda, religião de sua vizinha. No terreiro, logo baixou uma Pomba-Gira que a abraçou e disse para ir imediatamente a Salvador, procurar ali o intelectual mais importante, que ele lhe diria onde encontrar um anel africano que iria abrir seus caminhos, clarear seu tempo. Ela, mesmo sem acreditar muito, vendeu o que ainda restava, inclusive sua máquina de costura – o ganha-pão – comprou uma passagem de ônibus para a Bahia, alugou quarto numa pensão em São Bento.

Voltaria em uma semana, o dinheiro não dava para mais que isso. Nesse meio tempo teria de descobrir quem era esse tal de intelectual, falar com ele, descobrir o paradeiro do anel e tomar posse do seu amuleto. Era uma prebenda difícil.

Naquele mesmo dia, depois de levar cinco para descobrir que o tal intelectual podia ser Jorge Amado, descobrir seu endereço, ir até lá e ele não estar, perdera completamente as esperanças.

Voltou para a pensão, onde os hóspedes, amigos recentes condoídos com sua situação, esperavam ansiosos. E aí? Nada, minha vida é mesmo um desastre. Estavam formando um grupo para ir naquela noite ao Axé do Opô Afonjá assistir à festa de Oxóssi. Tanto fizeram que a convenceram a ir também, cerimônia linda, não vá desperdiçar sua última noite em Salvador.

Ao desembarcar no terreiro, a primeira pessoa que o grupo avistou foi papai. Olha ali o Jorge Amado! Ele é Obá de Xangô e filho de Oxóssi! Só podia estar aqui. A paulista não perdeu um só segundo, partiu para ele. Beatriz viu a cena e disse para papai ser aquela a senhora que estivera em casa. Jorge Amado, cadê o meu anel africano? Ela perguntou na tampa, sem dizer boa noite. Assim como a pergunta, a resposta veio direta: Pergunte a Camafeu de Oxóssi, que está passando aí ao seu lado. Ele sabe.

Ela partiu célere: Camafeu, cadê o meu anel africano? Ela perguntou já puxando da bolsa um desenho que a Pomba-Gira fizera. Camafa olhou o desenho. Está comigo! Recebi uma partida de anéis da África nessa semana e guardei ele para mim. A mulher desabou, amparada pelo grupo de amigos. Combinaram a ida dela ao Mercado Modelo na manhã seguinte, quando Camafeu, que

tinha ali uma barraca de produtos de candomblé, lhe daria a solução de sua vida.
Nunca mais soubemos dela. Quando penso no assunto, imagino que seus problemas se resolveram, ela saiu vitoriosa. Também nunca soube porque papai indicou Camafeu, sem fazer nenhuma pergunta à senhora, nem conhecer sua história. Anel africano, minha filha, é com Camafeu… E ele estava passando do lado bem naquela hora. Arrematava: Milagres do povo da Bahia.

Bom domingo a todos.

Crônica de domingo : Retalhos de poesia

Paloma Amado

 

Perdi a conta das vezes que ouvi dizerem para meus pais, penso que por adulação, o velho e ridículo chavão: Atrás de um grande homem vem sempre uma grande mulher. Papai ficava irritado, coisa rara de acontecer com ele. A resposta não variava: “Zélia nunca andou atrás de mim, sempre esteve ao meu lado e nós dois — dois e não um só — de mãos dadas caminhamos para frente.

O nosso para frente sempre foi à esquerda”. Hoje, pensando nesse ensinamento, começaram a vir à minha cabeça vários poemas e eu resolvi fazer uns recortes e uni-los.

Ficou assim:

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
Num sol de (quase) dezembro, eu vou
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Caminante no hay camino
Se hace el camino al andar
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
Penso ouvir a pulsação atravessada
Do que foi e o que será noutra existência
É assim como se a rocha dilatada
Fosse uma concentração de tempos

Mas o tempo é como um rio
Que caminha para o mar
Passa, como passa o passarinho
Passa o vento e o desespero
Passa como passa a agonia
Passa a noite, passa o dia
Mesmo o dia derradeiro

Meu amor não tenhas mêdo
Me dê a mão e o coração, me dê
Quem vive, luta partindo
Para um tempo de alegria
Que a dor de nosso tempo
é o caminho
Para a manhã que em seus olhos se anuncia
Apesar de tanta sombra
Apesar de tanto medo.

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Crônica de domingo, Seresteiros

Paloma Amado

 

Nunca vou esquecer de meu pai, sentado na varanda aberta, perguntando para minha mãe:
— Zezinho, você que sabe tudo de música, contribui aqui com Vadinho que vai fazer uma seresta para Dona Flor.

Mamãe não se fez de rogada e imediatamente começou a cantar com a sua voz linda e afinada:

Noite alta, céu risonho
a quietude é quase um sonho,
o luar cai sobre a mata
qual uma chuva de prata
de raríssimo esplendor…

Papai quase chorou de emoção, parecia que a seresta feita por mamãe era para ele… E era!

Tirando dona Zélia, o maior seresteiro que já existiu, para mim, se chamou Silvio Caldas. Eu o ouvi cantar pela primeira vez quando era menina em Recife. A minha vida era um palco iluminado… ele cantava e era tão lindo.

Lembranças de velha? Deve ser. Pois eu assisti na televisão esta semana um rapaz que se intitula o Rei da Seresta, cantando uma música chamada Lamour ou L’Amour ou La Mour. As opções são dadas na Internet às várias mensões a uma mesma música que diz assim:

Se eu não voltar pra casa

Eu não posso viver…
(vão desculpando a falta de concordância verbal, mas ele é rei e tudo pode…)

Lamour, deixa eu sentir
você perto de mim

Lamour, que foi rever você

Divana, Matidana, Agamenon

Você entendeu? Parabéns! Eu não. A única conclusão a que cheguei foi que o cidadão é bissexual e ama duas mulheres, Divana e Matidana, e um homem, Agamenon.

E quem é esse Rei da Seresta? Chama-se Silfarley! Isso mesmo! Pessoas da minha idade conheceram o ator Cyll Farney, 41 filmes, 5 novelas, galã de sucesso com longa carreira. A avó do compositor, cantor e rei da seresta também conheceu e foi por causa do entusiasmo que a senhora tinha pelo ator (que ele dizia ter sido cantor), que escolheu o nome, mudando só um tiquinho…

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Na Flicacau, Paloma Amado e Bela Gil recuperam memórias afetivas da cozinha e relação entre os pais

A escritora Paloma Jorge Amado e a nutricionista e chef de cozinha Bela Gil participaram, neste sábado (29), da roda de conversa Narrativas de uma cozinha afetiva, com mediação da professora, escritora e filósofa Elisa Oliveira. O bate-papo foi um dos pontos altos do Espaço Jorge Amado, um dos ambientes da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), que ocupou por três dias o Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna.

Paloma Amado

Filha de Jorge Amado (1912-2001), mestre da literatura universal, Paloma tem dois livros dedicados às comidas que aparecem nas obras do pai: A comida baiana de Jorge Amado (1994) e As frutas de Jorge Amado (1997). Neles, além de compilar receitas, discute o papel dos alimentos na prosa amadiana. “Jorge Amado fez seus personagens comerem a melhor comida, a comida com mais saudade, ou, nos casos de tristeza profunda, a falta da comida e o não comer”.

Bela Gil

O mestre grapiúna, segundo a filha, sempre dizia que a melhor forma de expressar o amor é dar de comer. “É a expressão primária do amor. Você pega seu bebê no colo, leva ao peito e dá de comer. Começam daí as nossas boas memórias do paladar”, disse Paloma.

“Jorge Amado fez seus personagens comerem a melhor comida, a comida com mais saudade, ou, nos casos de tristeza profunda, a falta da comida e o não comer”, acrescentou.

MEMÓRIAS COMUNS

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Arnaldo Antunes, Isabel Fillardis, Raphael Montes e Paloma Amado estão confirmados na Flicacau

A primeira edição da Festa Literária da Região Cacaueira (Flicacau), de 27 a 29 de novembro, em Itabuna, terá programação marcada pela diversidade. Com vários espaços temáticos, o evento povoará o Centro de Cultura Adonias Filho com mesas de discussão e apresentações artísticas, tendo como fio condutor o tema Verde que te quero livro: contando a história da mata que nos sustenta.

Com mais de 40 anos de carreira, o músico e poeta Arnaldo Antunes, ex-Titãs, é um dos convidados especiais do Espaço Jorge Amado, onde participará da roda de conversa A Mãe Terra não para de dar sinais, na quinta-feira (27), às 19h, ao lado do escritor e professor Jorge Araújo e do jornalista e escritor Daniel Thame.

No sábado (29), às 17h, o Espaço Jorge Amado também receberá a atriz, cantora, apresentadora e ativista social Isabel Fillardis. “Terei o prazer de estar na primeira Flicacau para falarmos de assuntos urgentes e importantes. Em volta, um ambiente literário cheio de inspirações e, para mim, em especial, voltar a Itabuna depois de mais de 30 anos. Que alegria voltar assim”, escreveu a convidada em uma rede social. Na mesa, Isabel terá a companhia do professor e produtor Tcharly Briglia e da escritora e professora Luciany Aparecida.

Já o Espaço Estação Juventudes confirmou a presença de um dos principais nomes da nova geração da literatura e teledramaturgia, o escritor Raphael Montes, na sexta-feira (28), às 9h, num bate-papo com Marina Maria. Raphael é o dono da pena por trás de sucessos como a série Bom dia, Verônica (Netflix), baseada no livro homônimo do autor em parceria com a escritora Ilana Casoy; e a novela Beleza Fatal (HBO). Também escreveu o angustiante best-seller Dias Perfeitos, outra obra adaptada para o streaming (Globoplay). Ainda tem na bagagem o Prêmio Jabuti de 2020 pelo romance Uma mulher no escuro.

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