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Bahia é destaque na COP30 com case de sucesso da agricultura familiar sustentável da Caatinga
A força e a inovação da agricultura familiar baiana ganharam destaque no cenário mundial nesta segunda-feira (10), durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA). A Cooperativa Ser do Sertão, de Pintadas, representou a Bahia como exemplo de sustentabilidade, tecnologia social e protagonismo feminino no enfrentamento às mudanças climáticas, um marco que reflete o impacto dos investimentos do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), no fortalecimento da agricultura familiar.

Formada majoritariamente por mulheres negras e jovens, a Cooperativa Ser do Sertão (Coopsertão) apresentou seu modelo inovador de produção de polpas de frutas 100% naturais, elaboradas sem uso de água nem aditivos químicos, aliado à recuperação de áreas degradadas da Caatinga por meio de sistemas agroflorestais.

O case foi selecionado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB Nacional) como uma das experiências mais exitosas do país. Durante a apresentação, a Ser do Sertão dividiu espaço com representantes do Ministério do Meio Ambiente, Natura e outras instituições internacionais, consolidando-se como exemplo de inovação social e ambiental no coração do Semiárido brasileiro.
O catingueiro esnoba e fala francês com biquinho

Walmir Rosário
Não se assustem, mas é a mais pura verdade. Foi difícil acreditar até eu constatar que não estava a ver visões, quem sabe por culpa do forte sol da caatinga. Fiz questão de apurar tudo direitinho para não perder a credibilidade. Eu não esperava, mas podes crer, o caatingueiro, com sua vestimenta de couro, incluindo o chapéu, falando francês e fazendo biquinho, sem pedantismo.
E esse fato se deu em Campo Formoso, em meados deste março, onde fui visitar parentes e aproveitei para participar de um Dia de Campo promovido pelo Senar e a Prefeitura, por meio da Secretaria da Agricultura do Município. O tema era o “Manejo Sanitário na Caprinovinocultura”, apresentado pela zootecnista Angélica Sampaio, do Senar.
Até então, pensava eu que seria uma hora de conversa a respeito de como alimentar e tratar caprinos e ovinos, animais por demais conhecidos dos caatingueiros e que desde os anos 1500 fazem parte do cenário do semiárido. A minha surpresa foi o grau de sofisticação da criação desses animais, tratados a pão de ló, como se dizia antigamente.

Nada de soltar os animais em enormes áreas e deixá-los se virar em busca de comida e água. Nada disso, hoje eles são tratados com todos os mimos, desde a alimentação balanceada, água de qualidade, medicamentos dos melhores laboratórios. Comem a pasto e nos cochos, nestes, com suplementações balanceadas e nutrientes altamente escolhidas para suprir a falta de macros, micros e sais minerais. Um luxo!
E não é pra menos, estamos falando de caprinos das raças Saanen e Parda Alpina, e ovinos da raça Dorper, que terão a missão de produzir bastante leite para a população, especialmente os alunos da rede municipal da educação de Campo Formoso. Tudo pensado, planejado para oferecer aos alunos uma alimentação de qualidade, de baixa lactose em relação ao leite bovino.
Pesquisador baiano utiliza bactérias da caatinga como bioinsumo para combater a seca
Para o pesquisador e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Adailson Feitoza, a água é um elemento cada vez mais escasso no planeta. É que segundo as projeções da ONU e Banco Mundial, a humanidade enfrentará secas mais severas nas próximas décadas e parte disso deve-se ao fato que cerca de 70% do consumo de água potável do mundo é proveniente do segmento agrícola. Pensando em como alterar uma equação que parece imutável, visto que plantações dependem necessariamente de água, o professor buscou uma solução para reduzir o consumo no segmento agropecuário e na proteção das culturas agrícolas contra as secas. A resposta pode estar nas bactérias da caatinga.
Adailson contextualiza que em muitos locais os eventos de secas e veranicos que atingem as plantações podem ser irreversíveis para os produtores que dependem apenas da água da chuva para cultivar. Com tantas prerrogativas, o grupo de pesquisa se questionou onde poderia estar uma solução capaz de economizar água e manter a saúde das plantas. “Acreditamos que a resposta pode estar na natureza”, disse o professor ao explicar que plantas nativas da caatinga conseguem passar por longos períodos de secas devido às adaptações fisiológicas e morfológicas que desenvolveram ao longo da evolução. “O que não sabíamos até estudos recentes é que diversas espécies de microrganismos (bactérias e fungos) estão associadas a estas plantas e podem ser responsáveis também pela resistência à seca.
Ararinhas-azuis retornam à caatinga

Extintas da natureza há 20 anos, 52 aves da espécie Cyanopsitta spixii, as ararinhas-azuis, retornam ao seu habitat de origem, no município de Curaçá, na Bahia. As aves chegaram da Alemanha ontem (3), no Dia Mundial da Vida Selvagem, que tem como objetivo celebrar a fauna e a flora e alertar para os perigos do tráfico de animais selvagens no mundo.
O secretário estadual do Meio Ambiente (Sema), João Carlos Oliveira acompanhou de perto a repatriação das ararinhas-azuis. “O retorno das aves ao bioma caatinga representa o resgate, o sonho e a esperança. A Sema e Inema vão atuar na fiscalização do entorno da Área de Proteção Ambiental, não só por conta das ararinhas, mas para coibir o tráfico de outras aves, como o papagaio”, destaca o secretário.
Também estiveram presentes o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; o presidente do ICMBio, Homero Cerqueira; o presidente da instituição alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), Martin Guth; o coordenador regional do Inema, Anselmo Vital e diversos técnicos dos órgãos ambientais.
Do Aeroporto de Petrolina, as aves foram encaminhadas para o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, construído em Curaçá e que possui aproximadamente 30 mil hectares. As espécies passarão por um processo de adaptação e treinamento para viverem em liberdade na Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul, que conta com 90,6 mil hectares. As unidades de conservação foram criadas pelo Governo Federal e a construção do Centro e o projeto de reintrodução são custeados pela ONG ACTP. A primeira soltura está prevista para 2021.
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