:: jul/2009
TERRAS DAS MORTES SEM FIM

-Seu babaca, você não sabe nem atirar…
-Vou te mostrar que eu sei…
“Bum”!
Um tiro só.
E Débora Pereira de Jesus, de 27 anos, moradora do bairro Santa Catarina, em Itabuna, descobriu de forma trágica que Luiz Gonzaga Lima, de 18 anos, sabia atirar.
O disparo feito por Luiz foi tão certeiro e fatal que Débora morreu antes mesmo de ser levada ao hospital.
Contando assim, parece uma inocente crônica do cotidiano numa região marcada pela violência.
É sim, uma crônica do cotidiano, mas não tem nada de inocente, muito pelo contrario.
A polícia de Itabuna registra cerca de 2.500 ocorrências por ano, entre elas quase mais de uma centena de assassinatos. Ilhéus tem números idênticos e observem que está se falando aqui apenas das ocorrências registradas, visto que centenas, talvez milhares de ocorrências menores, deixam de ser registradas, já que as vítimas nem se dão ao trabalho de ir à delegacia.
Os homicídios representam 6,4% das ocorrências superando o roubo de veículos com 5,5% e do tráfico de drogas e dos assaltos a ônibus, com 3,9. Se bem que, vale lembrar, o tráfico de drogas está associado a vários outros tipos de ocorrências, daí que esse percentual deve ser relativizado.
Os números, divulgados durante o lançamento do mais do que necessário Pacto Municipal Contra a Violência em Itabuna, servem como retrato de uma situação calamitosa, que já passou de todos os limites suportáveis. Mas, tornam-se até dispensáveis, tão visível é a violência, escancarada em assassinatos, roubos, arrombamentos e agressões.
Assassinatos por motivos banais, como o que vitimou Débora Pereira de Jesus, tornaram-se corriqueiros. Mata-se por qualquer motivo ou mesmo sem nenhum motivo.
A violência é um misto de ausência de perspectivas, desequilíbrio pessoal, serviços públicos precários e um sistema de segurança pública que não consegue proteger o cidadão. É fato que boa parte das ocorrências, incluindo-se aí os assassinatos, poderia ser evitada caso houvesse uma polícia mais atuante e em condições de trabalhar de forma satisfatória.
A implantação de um Pacto Municipal Contra a Violência, envolvendo as policias Civil e Militar, o Poder Judiciário, o Ministério Público, o Governo Municipal e entidades representativas da sociedade civil organizada; é uma boa intenção, mas tem que sair do campo do discurso e passar à ação e articulação no sentido de melhorar a segurança pública.
É preciso dar um basta à violência numa região celebrizada por Jorge Amado em romances de antologia como “Terras do Sem Fim” e que hoje se transformou na “Terra das Mortes Sem Fim”.
DE CABEÇA ERGUIDA

Esqueçam o deputado baiano José Carlos Araujo e seus alegados quilinhos a mais durante os excessos juninos. Isso é coisa menor, ínfima, diante do mais recente e deprimente espetáculo proporcionado pelo Congresso Nacional.
Como era previsível, o deputado Edmar Moreira, aquele do castelo avaliado em 25 milhões de reais não declarado à Receita Federal, que já havia escapado da cassação do mandato, escapou também de qualquer tipo de punição, já que até a sua suspensão temporária foi rejeitada pelo Conselho de Ética (sic).
Na prática, o processo contra ele acabou.
O resultado foi a impunidade.
O encastelado Edmar é acusado de usar a verba de mordomia, perdão verba de representação, de forma irregular, emitindo notas frias para embolsar o dinheiro.
A absolvição de Edmar Moreira não chega a ser uma novidade e nem causa surpresa. O corporativismo costuma ser prática corrente no Congresso Nacional e as cassações só ocorrem em momentos extremos, quando não dá para esconder a sujeira debaixo do colossal tapete onde tantas sujeiras são depositadas.
Moreira escapou da cassação, mas não escapamos de mais um espetáculo de cara de pau, de escárnio e desrespeito, transmitido pelas principais redes de radio e de televisão do país.
Não satisfeito com mais esse conchavo entre compadres que se protegem o deputado Sérgio Moraes, aquele que disse que estava se lixando para a opinião pública, resolveu esculachar.
Disse, em alto e bom som, que o colega Edmar deveria “andar de cabeça erguida” pelo Congresso Nacional e em qualquer lugar que fosse, porque não devia nada para ninguém.
E ainda tripudiou:
-No ano que vem, a gente se reelege e estará de volta em 2011…
Teve mais:
-Eu tenho certeza de que vou me reeleger.
Alguém ai se lembra o que é voto de cabresto?
O que o nobre deputado Sérgio Moraes disse durante o circo da absolvição de Edmar Moreira pode ser traduzido da seguinte maneira: danem-se (a expressão é outra, mas esse é um espaço pudico) a imprensa e a opinião pública, porque na hora da eleição tem um monte de otários que votam na gente e isso é o que importa.
O pior é que Sérgio Moraes está coberto de razão,
Eles podem desviar recursos públicos, embolsar verbas de forma irregular, legislar em causa própria, serem financiados por empreiteiros, industriais, banqueiros, etc., para depois defenderem interesses escusos; e continuarão de cabeça erguida.
Sabem que, além gozarem na plena impunidade, eles sempre voltam.
E voltam porque são eleitos, reeleitos, re-reeleitos
Voltam porque – é forçoso dizer e continuar repetindo porque o tema é recorrente- é o povo (ou seja, nós!) quem os mantêm lá.
É mais ou menos assim: a gente vota de cabeça baixa e eles voltam de cabeça erguida.
Sempre.
OS GORDOS E OS MAGROS
É claro que o deputado federal baiano José Carlos Araujo, que vem a ser presidente do Conselho de Ética, estava fazendo um gracejo quase inocente quando comentou que os trabalhos no Congresso Nacional teriam que ser mais amenos por conta da ressaca dos festejos juninos. “Acho que até engordei uns quilinhos”, brincou o parlamentar, se referindo à profusão de comidas e bebidas típicas que marcam essa festa genuinamente nordestina.
Daí, parece despropositada a reação do jornalista Ricardo Boechat, que durante a programação da Band News, referindo-se ao comentário feito por Araujo, perpetrou ao microfone que os deputados brasileiros são um “bando de cafajestes que se reúnem para fazer cafajestadas”. Fez mais: ao mesmo tempo em que disse que não se referia especificamente contra o Congresso Nacional, comparou de maneira enviesada aquela nobre Casa de Leis (às vezes não tão nobre assim) a uma penitenciária e um prostíbulo.
É de se supor que Boechat tenha visto na afirmação do parlamentar uma espécie de escárnio e reagiu com uma espécie de ira santa, traduzindo um sentimento de indignação que toma conta dos brasileiros, não necessariamente pela barriguinha proeminente do deputado que queria uma afrouxada na agenda parlamentar. Certamente, foi uma reação contra a extrema gula com que políticos de todos os matizes e seus protegidos avançam sobre os cofres públicos e com a voracidade com que assumem cargos apenas pelo parentesco e/ou influência, recebendo salários astronômicos, muitas vezes sem comparecer ao local de trabalho (sic), enquanto a patuléia se equilibra no salário mínimo para pagar as contas.
Quando consegue pagá-las.
Os quilinhos a mais que o deputado ganhou nos festejos juninos, uma comemoração incompreensível para as regiões Sul/Sudoeste/Centro Oeste do Brasil, onde a data não tem nenhum significado especial, são uma coisa menor diante do tamanho e da quantidade de escândalos que brotam diariamente, sempre tendo como atores principais os políticos, essa espécie surgida desde os primórdios da civilização para defender os interesses do povo, mas que, depois de eleita, parece ter uma predileção incontrolável para defender os próprios interesses.
Por conta dessa gula, eles ficam cada vez mais gordinhos, no sentido figurado da palavra, enquanto que milhões e milhões de brasileiros, permanecem magrinhos, no sentido literal da expressão, vitimas que são da fome e da exclusão social.
Afinal, o “Bolsa Saque aos Cofres Públicos” sempre dá um jeito de tirar um naco substancial do “Bolsa Família”, produzindo a elite política gordinha e a plebe magricela.
É a chamada relação de causa e efeito.
Não é bom para a democracia quando começa a imperar o senso comum de que nossos políticos são “bando de cafajestes que se reúnem para fazer cafajestadas”.
Mas é o risco que se corre quando muitos sofrem de barriga vazia e uns poucos reclamam de barriga cheia.
MICHAEL JACKSON VISITA

Depois do show do velório de Michael Jackson, agora começa o circo das teorias conspiratórias.
Primeiro apareceu um “fantasma” de Jackson durante uma transmissão ao vivo da CNN em Neverland, a mansão onde o astro brincava de Peter Pan.
E já tem gente que jura ter visto Michael Jackson vivo, mesmo depois de sua morte.
Ou seja, ele não morreu, é tudo uma armação para vender mais CDs e DVDs e alavancar a carreira em curva descendente.
Então tá!
Este blog revela em absoluta primeira mão que nos próximos dias, Michael Jackson vai se encontrar com outras pessoas que também não morreram: Elvis Presley, John Lennon, Marilyn Monroe, Airton Sena e Ernesto Che Guevara, este último multibilionário depois que trocou aquela coisa arriscada de fazer revoluções para se aventurar no promissor negócio de venda de camisetas.
O local do encontro a gente não revela, para evitar o assédio da mídia.
E, principalmente, dos lunáticos.
SAI O MOSQUITO, ENTRA O PORCO

Depois de alastrar-se por todo o estado, transformar-se em epidemia e fazer de Itabuna a nada honrosa campeã nacional de casos de dengue, a doença finalmente dá sinais de que entra em curva descendente na Bahia.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que na ultima semana de junho ocorreram 320 notificações da doença, contra uma média semanal superior a 5 mil casos em abril.
Em Itabuna, a inflexão na epidemia de dengue pode ser sentida na prática. Hospitais e unidades de pronto atendimento que até o mês de maio viviam superlotados, hoje recebem poucos pacientes com sintomas da doença.
No caso específico de Itabuna, a explosão da dengue ocorreu pela completa ausência de prevenção em anos anteriores, o que criou o campo fértil para a proliferação do mosquito transmissor da doença, que fez mais de uma dezena de vítimas fatais, incluindo crianças.
Uma completa irresponsabilidade, embora muito provavelmente (ou melhor, com certeza) ninguém vá pagar por isso. Nem pelos milhares de casos e nem pelas mortes que poderiam ter sido evitadas.
Na ausência de prevenção, o Governo do Estado, com a valiosa colaboração da Prefeitura de Itabuna, teve que realizar um trabalho que priorizou o atendimento aos pacientes. Para isso, foram liberados recursos e equipamentos, além da reabertura do Hospital São Lucas, especialmente para tratar dos casos de dengue.
Uma verdadeira operação de guerra, numa batalha sem tréguas contra uma doença traiçoeira.
Venceu-se uma batalha importante, o número de casos reduziu-se drasticamente e não tivemos mais vítimas fatais.
Mas, essa é uma guerra a ser travada sem tréguas. É preciso que o poder público mantenha e intensifique as ações de prevenção e que a população faça a sua parte, evitando manter em suas residências, empresas e estabelecimentos comerciais produtos e/ou espaços que permitam a formação de focos do aedes aegypt.
Tudo isso vai permitir que em 2010 não sejam despendidos tantos esforços e recursos no tratamento, quando o foco deve ser sempre na prevenção.
Controlado o mosquito, eis que agora nos deparamos com o porco, embora ao contrário do mosquito, o porco propriamente dito nada tenha a ver com isso.
A Bahia, como era de se esperar, entrou na rota da chamada gripe suína, a Influenza A H1N1. O Ministério da Saúde confirmou oito casos da doença, um deles em Porto Seguro, segundo maior pólo turístico do Estado e que atrai milhares de estrangeiros, entre eles um imenso fluxo da Argentina, país onde o numero de casos pode ser contado aos milhares.
No caso da gripe suína, onde nem a vacina foi criada ainda, a única maneira é a prevenção e, se há um consolo, embora o número de casos não pare de aumentar, seu efeito devastador vem perdendo impacto.
O número de mortes provocadas pela gripe surgida no México e que se espalhou pelo planeta são idênticos à gripe tradicional.
Assim como o verão amplia o risco de dengue, o inverno aumenta a incidência de gripe, a suína incluída.
Como se dizia antigamente, prevenção e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
No caso da dengue e da gripe, bem mais a prevenção do que o caldo de galinha, já que esse é um ditado dos tempos em que a galinácea não tomava conta do galinheiro.
Nem os ratos tomavam conta de outras coisas.
O BISPO DOS POBRES

É impossível escrever a história dos movimentos sociais no Sul da Bahia e também da ascensão de lideranças políticas progressistas sem destacar o papel central de Dom Paulo Lopes de Faria nesse processo.
Bispo da diocese de Itabuna entre 1983 e 1995, Dom Paulo enfrentou os poderosos com o mesmo destemor com que defendeu os excluídos.
Uma das cenas marcantes de Dom Paulo em Itabuna ocorreu no início da década de 90, quando a polícia tentou impedir uma manifestação de sem-terras com a violência costumeira.
Fugindo dos cassetetes e do gás lacrimogêneo, muitos sem-terra encontraram abrigo no único lugar em que a polícia não se atreveria a entrar: a Catedral de São José, cujas portas foram providencialmente abertas por Dom Paulo.
Dom Paulo Lopes de Faria, o bispo dos pobres e dos oprimidos, sem que isso signifique incorrer no lugar comum, visto tratar-se de um ser humano incomum.
Indonésia: isenção de imposto aos pequenos produtores de cacau
Do site Cacau TH Consultoria:
O governo da Indonésia prepara um projeto de lei a
ser apresentado ao Congresso, isentando os pequenos
produtores que tiverem receita anual até o equivalente a
116 mil reais do pagamento do
ICMS sobre suas vendas ao mercado interno.
A medida visa permitir que os pequenos produtores
vendam seu cacau no mercado interno às indústrias
processadoras, em vez de encaminhá-lo para a exportação
que já é isenta do imposto, mas supostamente paga preços menos remunerativos.
Os produtores maiores continuarão estar sujeitos à
tributação. A proposta parece contar com a concordância
dos deputados e deverá ser aprovada.
GORILAS, BANANAS, JAULA ABERTA

Durante pelo menos sete décadas do século passado, países da América Central como Honduras, Nicarágua, El Salvador, Panamá e Guatemala eram uma espécie de fazenda multinacional da célebre United Fruit Company.
Foi daí que surgiu a expressão “República de Bananas”. Pejorativa ela classificava os países que tinham governantes fantoches, patrocinados e defensores dos interesses da companhia ianque produtora de frutas. Quando se elegia um presidente com visão socialista e disposto a combater a exploração dos trabalhadores, eram perpetrados golpes de estado, com dinheiro dos americanos e o proverbial apoio logístico da CIA.
Foi assim em praticamente todos os países na América Central, em que governos democraticamente eleitos eram derrubados por golpes militares e passavam a ser controlados com mão de ferro pelos chamados gorilas, expressão igualmente pejorativa para designar o estilo truculento dos fardados.
Os gorilas cuidavam das repúblicas bananeiras, com as bênçãos dos EUA, especialmente no auge da Guerra Fria, quando a ameaça do comunismo foi convenientemente superdimensionada. A instalação de um governo socialista em Cuba, com sucessivas (e fracassadas) tentativas de golpes engendrados pela CIA com o objetivo de eliminar Fidel Castro; fortaleceu a presença dos gorilas na América Central.
Diga-se de passagem, que o “gorilismo” não se restringiu às repúblicas bananeiras da América Central. O golpismo bancado e financiado pelos EUA se espalhou feito praga pela América do Sul: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Paraguai…
O regime dos gorilas, especialmente no Brasil, Argentina e Chile produziu milhares de assassinatos nos porões da ditadura e a tortura foi institucionalizada. Foram anos de chumbo, terror e a supressão das liberdades democráticas, transformando “nuestra América” numa imensa republiqueta bananeira.
O muro de Berlim desabou, a ameaça do comunismo desapareceu, a Guerra Fria perdeu o sentido e, à custa de lutas e sacrifícios, os ventos da redemocratização varreram o continente, unindo os extremos, do Rio Grande no México ao Rio Prata na Argentina. A maior parte dos gorilas foi mandada de volta aos quartéis e, desse frescor democrático, foram eleitos presidentes forjados na luta incansável contra a ditadura.
Exemplo maior dessa tendência foi a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-retirante nordestino e ex-operário metalúrgico, que apesar de mal ter concluído o ensino médio, está promovendo uma revolução social (não necessariamente socialista) no Brasil, permitindo que milhões de pessoas rompam a barreira da exclusão social.
Mas, quando se pensa que os gorilas caíram em desuso ou viraram peça de museu, nos deparamos com esse absurdo e inaceitável golpe militar que derrubou o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.
Um verdadeiro atentado à democracia, tirando pela força das armas um presidente eleito pelo voto popular.
Em nível mundial, a importância de Honduras é praticamente nula, um país pobre, perdido em meio a uma América Central exaurida após séculos de exploração de suas riquezas naturais.
É preciso, entretanto, que o mundo não feche os olhos para o que está acontecendo por lá e faça valer todos os meios disponíveis para garantir a volta de Manuel Zelaya e a restauração da democracia.
Não é nada, não é nada, mas de jaula que sai um gorila, sai a macacada toda.
E esse filme não vale a pena ver (nem viver) de novo.
ROUBO DE CACAU
O roubo de cacau voltou a se tornar rotina nas fazendas do Sul da Bahia. A última vítima foi o produtor João Amorim, dono de uma fazenda localizada entre Ilhéus e Itabuna.
Oito bandidos entraram na fazenda na noite do último dia 2, dando tiros para assustar os trabalhadores e levaram dez sacas de cacau, com 40 arrobas.
Além da falta de segurança, os produtores se queixam da facilidade com que o cacau roubado é comercializado.















