Esqueçam o deputado baiano José Carlos Araujo e seus alegados quilinhos a mais durante os excessos juninos. Isso é coisa menor, ínfima, diante do mais recente e deprimente espetáculo proporcionado pelo Congresso Nacional.

Como era previsível, o deputado Edmar Moreira, aquele do castelo avaliado em 25 milhões de reais não declarado à Receita Federal, que já havia escapado da cassação do mandato, escapou também de qualquer tipo de punição, já que até a sua suspensão temporária foi rejeitada pelo Conselho de Ética (sic).

Na prática, o processo contra ele acabou.
O resultado foi a impunidade.

O encastelado Edmar é acusado de usar a verba de mordomia, perdão verba de representação, de forma irregular, emitindo notas frias para embolsar o dinheiro.

A absolvição de Edmar Moreira não chega a ser uma novidade e nem causa surpresa. O corporativismo costuma ser prática corrente no Congresso Nacional e as cassações só ocorrem em momentos extremos, quando não dá para esconder a sujeira debaixo do colossal tapete onde tantas sujeiras são depositadas.

Moreira escapou da cassação, mas não escapamos de mais um espetáculo de cara de pau, de escárnio e desrespeito, transmitido pelas principais redes de radio e de televisão do país.

Não satisfeito com mais esse conchavo entre compadres que se protegem o deputado Sérgio Moraes, aquele que disse que estava se lixando para a opinião pública, resolveu esculachar.

Disse, em alto e bom som, que o colega Edmar deveria “andar de cabeça erguida” pelo Congresso Nacional e em qualquer lugar que fosse, porque não devia nada para ninguém.

E ainda tripudiou:
-No ano que vem, a gente se reelege e estará de volta em 2011…

Teve mais:
-Eu tenho certeza de que vou me reeleger.

Alguém ai se lembra o que é voto de cabresto?

O que o nobre deputado Sérgio Moraes disse durante o circo da absolvição de Edmar Moreira pode ser traduzido da seguinte maneira: danem-se (a expressão é outra, mas esse é um espaço pudico) a imprensa e a opinião pública, porque na hora da eleição tem um monte de otários que votam na gente e isso é o que importa.

O pior é que Sérgio Moraes está coberto de razão,

Eles podem desviar recursos públicos, embolsar verbas de forma irregular, legislar em causa própria, serem financiados por empreiteiros, industriais, banqueiros, etc., para depois defenderem interesses escusos; e continuarão de cabeça erguida.

Sabem que, além gozarem na plena impunidade, eles sempre voltam.

E voltam porque são eleitos, reeleitos, re-reeleitos

Voltam porque – é forçoso dizer e continuar repetindo porque o tema é recorrente- é o povo (ou seja, nós!) quem os mantêm lá.

É mais ou menos assim: a gente vota de cabeça baixa e eles voltam de cabeça erguida.

Sempre.