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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: 9/jul/2009 . 8:42

OS GORDOS E OS MAGROS

É claro que o deputado federal baiano José Carlos Araujo, que vem a ser presidente do Conselho de Ética, estava fazendo um gracejo quase inocente quando comentou que os trabalhos no Congresso Nacional teriam que ser mais amenos por conta da ressaca dos festejos juninos. “Acho que até engordei uns quilinhos”, brincou o parlamentar, se referindo à profusão de comidas e bebidas típicas que marcam essa festa genuinamente nordestina.

Daí, parece despropositada a reação do jornalista Ricardo Boechat, que durante a programação da Band News, referindo-se ao comentário feito por Araujo, perpetrou ao microfone que os deputados brasileiros são um “bando de cafajestes que se reúnem para fazer cafajestadas”. Fez mais: ao mesmo tempo em que disse que não se referia especificamente contra o Congresso Nacional, comparou de maneira enviesada aquela nobre Casa de Leis (às vezes não tão nobre assim) a uma penitenciária e um prostíbulo.

É de se supor que Boechat tenha visto na afirmação do parlamentar uma espécie de escárnio e reagiu com uma espécie de ira santa, traduzindo um sentimento de indignação que toma conta dos brasileiros, não necessariamente pela barriguinha proeminente do deputado que queria uma afrouxada na agenda parlamentar. Certamente, foi uma reação contra a extrema gula com que políticos de todos os matizes e seus protegidos avançam sobre os cofres públicos e com a voracidade com que assumem cargos apenas pelo parentesco e/ou influência, recebendo salários astronômicos, muitas vezes sem comparecer ao local de trabalho (sic), enquanto a patuléia se equilibra no salário mínimo para pagar as contas.

Quando consegue pagá-las.

Os quilinhos a mais que o deputado ganhou nos festejos juninos, uma comemoração incompreensível para as regiões Sul/Sudoeste/Centro Oeste do Brasil, onde a data não tem nenhum significado especial, são uma coisa menor diante do tamanho e da quantidade de escândalos que brotam diariamente, sempre tendo como atores principais os políticos, essa espécie surgida desde os primórdios da civilização para defender os interesses do povo, mas que, depois de eleita, parece ter uma predileção incontrolável para defender os próprios interesses.

Por conta dessa gula, eles ficam cada vez mais gordinhos, no sentido figurado da palavra, enquanto que milhões e milhões de brasileiros, permanecem magrinhos, no sentido literal da expressão, vitimas que são da fome e da exclusão social.

Afinal, o “Bolsa Saque aos Cofres Públicos” sempre dá um jeito de tirar um naco substancial do “Bolsa Família”, produzindo a elite política gordinha e a plebe magricela.

É a chamada relação de causa e efeito.

Não é bom para a democracia quando começa a imperar o senso comum de que nossos políticos são “bando de cafajestes que se reúnem para fazer cafajestadas”.

Mas é o risco que se corre quando muitos sofrem de barriga vazia e uns poucos reclamam de barriga cheia.





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