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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: 20/jul/2009 . 14:45

GARRINCHA TOCA PARA ROMARIO


Garrincha, o anjo torto de pernas tortas e alma de passarinho, foi um gênio com a bola nas pés e um desastre na vida fora dos gramados.

Em campo, entortava adversários, dava passes espetaculares que transformavam atacantes apenas esforçados em artilheiros mortíferos e reinava absoluto na ponte direita.

Garrincha, com Pelé machucado e fora de combate, ganhou sozinho a Copa do Mundo de 62, disputada no Chile, onde além de dribles desconcertantes e passes precisos, fez improváveis gols de falta e de cabeça.

Cabeça era justamente o que faltava a Garrincha fora dos gramados. Colecionou mulheres e filhos que dariam para encher um harém e uma creche e tinha uma paixão compulsiva pela cachaça. Era clinicamente um alcoólatra, situação que se agravou depois que sua magia se esvaiu, as pernas não obedeciam aos desejos do cérebro e ele virou uma sombra de si mesmo, despertando compaixão quando tentava ser Garrincha e era apenas um Mané.

No auge dessa via crucis rumo ao abismo, Garrincha chegou a jogar, ou simular qualquer coisa remotamente parecida com isso, em Itabuna, quando fazia uma série de exibições por times mambembes pelo Norte/Nordeste. Estava financeiramente quebrado e consumido pelo álcool.

O anjo dos gramados havia se transformado num fantasma.
Garrincha driblou Deus e o mundo nos gramados, mas não driblou o destino de sua vida.
Morreu numa noite solitária, os órgãos vitais dilacerados por hectolitros de bebida, na mais absoluta miséria.

Romário, baixinho, favelado e rebelde, driblou a pobreza que o destino lhe reservava, com gols, muitos gols.

Senhor absoluto da pequena área, faro infalível para balançar as redes, foi astro inquestionável no Vasco da Gama, no Barcelona, no Flamengo e de novo no Vasco da Gama. Beirando os 40 anos, conseguiu ser a proeza de ser artilheiro do Campeonato Brasileiro e, incluindo até partidas de pebolim, pelas suas contas chegou aos mil gols,

Estatísticas mais sérias, apontam que ele passou dos 950 gols, o que de qualquer maneira é muita coisa.

Romário, jogando numa Seleção Brasileira retrancada e sem nenhum fora de série, além dele próprio, ganhou praticamente sozinho a Copa do Mundo de 94, disputada nos Estados Unidos. Seus gols, incluindo um improvável de cabeça nas semifinais, contra a Suécia, foram decisivos para a conquista do tetra.

Cabeça parece ser o que anda faltando a Romário. Como Garrincha ele é pródigo em colecionar mulheres e gerar filhos. A diferença é que não bebe uma gota de álcool. Mas, como seu colega de pernas tortas, é um desastre em administrar o dinheiro que o talento com a bola gerou.

Situação que culminou, semana passada, com uma prisão por conta do não pagamento da pensão relativa aos dois filhos de seu primeiro casamento e de uma lamentável exposição na mídia, coroada por uma constrangedora reportagem de quase 10 minutos no Fantástico, programa dominical da Rede Globo, emissora que tantas vezes o bajulou e que forçou, sem sucesso, sua convocação para a Copa de 2002.

Para os amantes do futebol, é triste ver ídolos como Garrincha e Romário serem lembrados não pela magia e genialidade, mas pela decadência, como anjos caídos e não como deuses da bola, eternos pela magia que produziram, elevando em arte essa paixão planetária que é o futebol.


PRORROGAÇÃO

Aos que ainda não leram, este blogueiro recomenda o livro “Estrela Solitária”, biografia de Garrincha escrita de forma brilhante por Ruy Castro.

O livro, que chegou a ser proibido a pedido da família do ex-jogador , mostra um Garrincha que poucos conhecem e que, como poucos, subiu ao mais alto dos cumes, chamado Fortuna, e desceu ao mais profundo dos vales, chamado Miséria.

Um Garrincha humano demasiadamente humano, como diria Nietzsche, que ao contrário do que alguns podem imaginar, não era nenhum ponta alemão descadeirado pelos dribles do maior ponta direita que o mundo já viu jogar.





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