:: ‘TV Cabralia’
TV Cabrália, Barbosinha e as “férias coletivas”

Daniel Thame
Gerente de Jornalismo da TV Cabrália durante 13 anos, fui responsável por oferecer oportunidade para o surgimento de grandes profissionais de comunicação, hoje espalhados pela Bahia e pelo Brasil.
Pronto, autoelogio devidamente feito, vamos ao cerne dessas bem traçadas linhas.
Apaixonado por esportes e tendo atuado como repórter nas rádios Iguatemi e Difusora Oeste de Osasco e comentarista nas rádios Clube e Difusora de Itabuna, não resisti em dar as caras na telinha, mesmo com o sotaque paulista cheios de “errrrrrrrres” que não consigo perder nem com quase quatro décadas na Bahia, atuando como comentarista no Programa Cabrália Esportiva, apresentado por Barbosa Filho, o Barbosinha, um dos mais completos profissionais surgidos no Sul da Bahia e que depois foi ser dono de sua própria emissora, a TVI Itabuna, deixando o programa por minha conta.
O fato é que com times profissionais disputando o Campeonato Baiano aos trancos e barrancos, muitas vezes brigando (e quase sempre apanhando) da bola, a gente fazia o programa com muita descontração, a ponto de ter criado um “monstrinho” que secava o Itabuna e que, após uma inesperada vitória do Itabuna sobre o Bahia, foi “assassinado” a pontapés pelos torcedores no Terminal Rodoviário, quando tentava fugir para Sunpolo.
Tudo devidamente filmado e exibido no programa, que tinha uma audiência tão grande que hoje, quase 25 anos depois de ter saído da tevê, algumas pessoas ainda me abordam na rua, lembrando do Cabrália Esportiva.
Já disse aqui que Barbosinha era um profissional completo.
E bota completo nisso.
Tanto é que numa sexta-feira, ao encerrar o programa, ele perpetrou:
-Quero comunicar que a partir de segunda-feira entrarei em férias coletivas e Daniel Thame comandará o programa.
Como eu sabia que não perderia o amigo por causa de uma brincadeira, matei a bola no peito e chutei para o gol, antes do operador encerrar o programa:
-Como Barbosinha faz reportagens, produz, edita e apresenta o programa, são férias coletivas mesmo…
E vamos aos nossos comerciais…
TV Cabrália e a galinha morta que não morreu
Daniel Thame
TV Cabrália, meados da década de 90 do século passado. Programa Cabrália Esportiva, Barbosa Filho na apresentação e eu atacando de comentarista.
Numa quarta-feira à noite, o Itabuna jogaria contra a Jacuipense pelo Campeonato Baiano. O Itabuna dependendo de uma vitória para se classificar, a Jacuipense caindo pelas tabelas.
Em vez de apenas comentar, cai na besteira de fazer graça:
-O Itabuna ganha fácil. Pega uma galinha morta…
O que eu não sabia, e nem tinha como saber, era que a delegação da Jacuipense estava concentrada no Itabuna Palace Hotel. E ainda por cima assistindo ao programa.
Antes da bola rolar, entrevistado pela Rádio Difusora, um dos jogadores da Jacuipense avisa:
-Vamos mostrar pra esse comentarista da televisão quem é galinha morta.
Final de jogo, Jacuipense 3×1 Itabuna.
A galinha estava viva. E eu, feito peixe (ou pato?) morri pela boca.
TV Cabrália e o desabamento que construiu um repórter
Daniel Thame
Durante meus 13 anos no comando do jornalismo da TV Cabrália, de sua fundação em 1987, até o ano 2000, pude contribuir com o surgimento de grandes profissionais para a televisão baiana e- porque não?- brasileira.
Com mais sorte do que talento/juízo, algumas vezes contei com a ajuda do doutor acaso, o que na verdade apenas antecipou o que já era óbvio. O cara era bom, faltava uma oportunidade de colocar no ar.
O cara bom em questão era Eduardo Lins, então um meninote de Buerarema, sobrinho do grande apresentador Linsmar Lins, da TV Aratu.
Colocado na TV Cabrália à pedido do tio, obviamente. Pedido prontamente atendido por Nestor Amazonas, talentoso ao extremo, gênio diria eu, mas no quesito juízo, dava empate técnico comigo.
E já que era na base do QI (Quem Indicou), vai lá ficar como estagiário da produção do Cabrália Esportiva, o que era a mesma coisa que “rapaz, fica aí e não me enche o saco`.
Ah, mas esse trapaceiro chamado destino…
Uma tarde chega a informação do desabamento terrível de um prédio em Jequié, com mortos e feridos. Tragédia das grandes,
Com nenhum repórter na casa, chamei Eduardo e disse:
-Vai lá com o cinegrafista, faz umas entrevistas, pega boas imagens, informações e chegando aqui eu faço o texto pro repórter gravar.
E -aí era Daniel Thame em estado bruto (naqueles tempos, bota bruto nisso!)- falei quase por instinto:
-Já que você tá lá mesmo, grava uma passagem na frente do desabamento…
Rio Grande do Sul, Dom Paulo, TV Cabrália e os nossos ´catarinenses`

Daniel Thame
A tragédia do Rio Grande do Sul, que deixou dezenas de vítimas fatais e milhares de desabrigados e está fazendo com que o Brasil se mobilize numa emocionante corrente de solidariedade, me fez lembrar de um pecadilho cometido três décadas atrás.
O tempo, senhor da razão (e das dores nas costas, dos cabelos brancos e ralos e otras cositas mas) permite essas reminiscências. Até porque, o tal pecadilho que aqui vou revelar em nada altera uma eventual recusa ou um improvável passaporte para o Reino dos Céus.
TV Cabrália, 1992. Como ocorre agora com o Rio Grande do Sul, Santa Catarina enfrentava uma enchente apocalíptica e o Vale do Itajaí foi arrasado pela fúria das águas. A Rede Manchete, da qual a Cabrália era afiliada, fez uma campanha para arrecadar alimentos, remédios, roupas e cobertores para os flagelados.
A TV Cabrália entrou na campanha e em poucos dias arrecadou toneladas de donativos, que seriam enviados a Santa Catarina.
Uma noite, por volta das 20 horas, entro no estúdio abarrotado de solidariedade, onde mal havia espaço para as câmeras e a mesa do apresentador.
De repente, me deu o estalo.
Naquele mesmo ano, moradores da Bananeira e do Gogó da Ema, bairros paupérrimos da periferia de Itabuna, estavam sofrendo com as cheias do Rio Cachoeira. Nada que se comparasse à tragédia de Santa Catarina, mas centenas de famílias perderam seus parcos pertences e muitas estavam desabrigadas.
O raciocínio foi óbvio.
Se a gente pedisse donativo pras vítimas das enchentes em Itabuna, é provável que o retorno seria quase nenhum. Já para os catarinenses, em função da comoção nacional que se criou, mal havia espaço para colocar tantas doações.
Veio o estalo.
E com a cumplicidade do então Bispo Diocesano de Itabuna, Dom Paulo Lopes de Faria (esse sim, com certeza, já habitando o Reino dos Céus), a quem consultei sobre a minha intenção, uma parte dos donativos foi entregue para uma Igreja Católica e dali para as famílias da Bananeira e do Gogó da Ema.
A outra parte, é bom que se diga, seguiu para os catarinenses, que sem saber e por linhas tortas, proporcionaram um gesto de solidariedade aos itabunenses, irmãos de pátria e de infortúnio.
(Em tempo: antes de partir para o Céu dos Homens Bons e Justos, Dom Paulo foi meu parceiro em outra aventura: impedir que a Policia Militar de ACM, com sua conhecida ´gentileza´, invadisse a sede do MST em Itabuna para ´acariciar´ os sem-terras. Mas isso é outra história…)
No ar, a TV Cabrália
No ar, a TV Cabrália
Daniel Thame

O mês era dezembro e o ano era 1987.
Em Itabuna, todas as cores no ar anunciavam a chegada de uma nova estação. Não era o verão.
Quem chegava -e lá se vão 36 anos- era a TV Cabrália, primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste, não apenas uma repetidora da programação da Rede Manchete, a quem era afiliada.
Mas uma emissora com programação própria, vida própria e, principalmente, com a alma do Sul da Bahia.
A chegada de TV Cabrália, como era de se esperar, gerou expectativa e euforia, numa civilização orgulhosa de seu fruto de ouro e de ter forjado o próprio desenvolvimento.
O fruto de ouro, dois anos depois, perderia seu brilho, esplendor e pujança por conta de uma doença com poderes de bruxa malvada.
A TV Cabrália, símbolo daquele tempo, atravessou sobressaltos, mas resistiu ao apocalipse econômico e social que as bruxarias provocaram, fez história. E que história.
Começou como afiliada da Rede Manchete, depois SBT e, adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus, passou pela fugaz Rede Familia, teve uma incipiente fase na Rede Mulher e hoje integra a Rede Record.
É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo destas quase quatro décadas, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.

Gestada pelo espírito empreendedor do Dr. Luiz Viana Neto e que ganhou forma nas mãos do visionário Nestor Amazonas, a TV Cabrália, além de acompanhar os principais acontecimentos e se envolver nas grandes causas sulbaianas nestes 36 anos, foi uma espécie de escola de profissionais de televisão, profissão até então inexistente por essas plagas amadianas e/ou pragas vassorianas, com o perdão do trocadilho irresistível.
Vilma Medina, Mauricio Maron, Claudia Barthel, Selma Aguiar, Paula Maciel, Eduardo Lins, Roger Sarmento, Napoleão Fernandez, Madalena Braga, Andrea Silva, Adriana Quadros, Valdenor Ferreira, Renata Smith, Delza Schaun, Iruman Contreiras, Junior Patente, Ramiro Aquino, Paulo Lavinsky, Cícero Dantas, Jota Borges, Roger Sarmento, Barbosa Filho, Adriana Dantas, Tom Ribeiro, Carlos Barbosa, Auriana Bacelar.
Uma seleção do melhor jornalismo, em qualidade e comprometimento com a profissão.
No comercial, Rui Carvalho , os saudosos Rogélio Duran e Carlos Hellstrom; Cristine Ribeiro.
Gente que fez história neste que é um momento histórico para as telecomunicações baianas.
36 anos neste dezembro de 2023. E que venham os 50, os 75, os 100 anos dessa TV Cabrália que é e sempre será o nosso primeiro amor.
(*) Daniel Thame, paulista de Osasco, radicado há 30 anos em Itabuna, foi gerente de jornalismo da TV Cabrália desde a sua fundação em 1987 até o ano 2000. É também o primeiro funcionário registrado da emissora, o que não é muita coisa, mas também é muita coisa.
Jornalista para sempre!
Abril de 1977. Lá se vão 46 anos desde que o menino tímido e inseguro adentrou no jornal A Região, em Osasco, com um texto escrito a mão e foi recebido pelo dono do jornal, João Macedo de Oliveira. Não era o dono, acho que era um anjo, que me contratou na hora, talvez por bondade, talvez porque ali houvesse se dado a Epifania.
Naquela tarde chuvosa (como esquecer o tempo, tanto tempo depois?) me transformei no que já era desde os séculos e séculos amem. Jornalista. A Região, Diário de Osasco, O Batente (meu primeiro flerte com a imprensa de esquerda), Radio Iguatemi, Radio Difusora Oeste, Cidade Revista, esta ultima um projeto visionário com João Palma e Celso Villari, abatida por um cruzado. No caso o Plano Cruzado.
Em 1987, Alah sabe bem os motivos, o Sul da Bahia. Parecia um salto no escuro. Era a Luz. Por 13 anos, a TV Cabrália, pela intuição de Nestor Amazonas, e A Região (o mesmo nome outro anjo, que fingia ser demônio, mas era anjo), Manuel Leal. Minhas razões de viver e no caso de A Região, quase de morrer. Coberturas internacionais em Cuba e na Itália, reportagens memoráveis nos 500 ano do Brasil, a descoberta da fraude no Vestibular da Uesc, tráfico de crianças, a inacreditável história de Ferreirinha e Yolanda, o tráfico de crianças, a máfia dos cartões de crédito, um inesquecível programa especial nos 80 anos de Jorge Amado, e uma locomotiva com centenas de vagões de outras histórias.
O diretor de jornalismo que se transformou em Faculdade de Jornalismo. F..-se a modéstia!
Cansado de guerra, mas não de luta, o mergulho na assessoria de imprensa. Primeiro, Prefeitura de Itabuna, depois os Governos de Wagner Rui, Jerînimo. Esquerda volver. O indescritível prazer de fazer o que gosta com algo que se identifica.
Impossível resumir 47 anos de jornalismo num texto tão curto.
Daria um livro, que a propósito escrevi cinco, mas isso é outra história.
Combati o bom combate, evitei os atalhos para seguir o caminho muitas vezes tortuoso, mas que eu acreditava (e acredito!) ser o mais correto.
O futuro?
Nesses sombrios tempos onde o futuro pode se encerrar nos próximos segundos, reitero o que já escrevi uma vez, parafraseando um certo Tiradentes:
-Se mil vidas eu tivesse, em mil vidas seria jornalista…
Claudia Barthel estréia na TV Jovem Pan
A apresentadora Claudia Barthel está de volta à televisão. Ela é uma das âncoras do programa Headline News, na TV Jovem Pan, ao lado de Daniel Caniato.
O programa, com noticiário variado mas com foco principal na cobertura política, vai ao ar de segunda a sexta das 13 às 15 horas. “A televisão é minha grande paixão e estou muito feliz em voltar ao ar, num programa dinâmico, com um formato muito interessante”, disse a apresentadora ao Blog do Thame.
Revelada na TV Cabrália, Claudia Barthel passou pelas tevês Santa Cruz, RBS TV, Globo, TVE, Manchete, RedeTV e Band News.
Com várias coberturas no Brasil e no Exterior, Claudia Barthel, catarinense de nascimento e grapiuna de coração, tem uma grande ligação com o Sul da Bahia e, sempre que a agenda profissional permite, visita Ilhéus e Itacaré.
TV Cabrália, 33 anos
A TV Cabrália completa 33 anos neste sábado, dia 12;. Primeira emissora regional do Norte Nordeste, foi um marco na historia da comunicação grapiuna.
Neste vídeo, produzido por estudantes de jornalismo da Unime, na celebração dos 30 anos da emissora conto um pouco da história da TV Cabralia de quem fui o primeiro diretor de jornalismo, cargo que ocupei por 13 anos, contribuindo para revelar grandes nomes da televisão baiana e porque não brasileira, graças ao grande mestre Nestor Amazonas, a quem a região ainda deve o merecido reconhecimento.
Veja o depoimento a partir do minuto 11;35


















