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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

janeiro 2026
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:: ‘Nestor Amazonas’

TV Cabrália, 38 anos. A imagem do Sul da Bahia

Com o produtor Luiz Henrique, o repórter Mauricio Maron, Jaques Wagner e o cinegrafista Sebastião Ribeiro. Carnaval de Itabuna,. inicio dos anos 2000.

Com o produtor Luiz Henrique, o repórter Mauricio Maron, Jaques Wagner e o cinegrafista Sebastião Ribeiro. Carnaval de Itabuna,. inicio dos anos 2000. El tiempo pasa…

 

A TV Cabrália completou 38 anos  nesta sexta, 12 de dezembro.

Primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste, com sede em Itabuna, Sul da Bahia, a TV Cabrália foi um divisor de águas na comunicação regional.

Nestor Amazonas hoje em São Paulo, foi o alquimista que gestou uma tevê ~unica em seu tempo

Nestor Amazonas hoje em Aracaju, foi o alquimista que gestou uma tevê  única em seu tempo

Programas como o Cabrália Bom Dia, Jornal do Meio Dia, Repórter Regional, Cabrália Esportiva e Cabrália Rural durante mais de uma década valorizaram a programação regional, um marco na filosofia da emissora criada por Luiz Viana Neto e Henrique Marquez e gestada na genialidade ainda não devidamente reconhecida de Nestor Amazonas.

Este blogueiro, ex-jornalista em atividade e escritor extemporâneo, orgulha-se de ter sido o primeiro funcionário registrado pela TV Cabrália, onde ocupou o cargo de gerente de Jornalismo por 13 anos, até mergulhar nas aventuras e desventuras da assessoria política, em sucessivos governados do PT nas esferas municipal, estadual e federal.

Orgulho, entre outras coisas, de ter modestamente contribuído para o surgimento de profissionais como  Claudia Barthel, Mauricio Maron, Vilma Medina, Adriana Quadros, Eduardo Lins, Madalena Braga, Andrea Silva, Renata Smith, Roger Sarmento, Paulo Lawinsky. Delza Schaun, Rita Santana, Dirceu Góes, Paula Maciel e Patricia Abreu , que com seu talento romperam as fronteiras regionais. (Perdão se esqueci alguém e provavelmente esqueci, 35 anos não são 34 dias, quando se está se  cruzou a barreira dos 65 anos de idade e quase   50 anos  na estrada do jornalismo)

Alvíssaras ao nosso primeiro e eterno amor!

Nestor Amazonas, o cinegrafista e o pitú

 

Daniel Thame

dt chapeuComeço da TV Cabrália. 1988. Tempo em que as equipes de reportagem corriam atrás da notícia sem preocupação em economizar na gasolina ou na diária do repórter, do cinegrafista, do auxiliar e do motorista.

Hoje, a equipe se limita ao repórter e ao cara que acumula as funções de motorista/cinegrafista. Em alguns casos é a  “equipe de um só”.

Voltando à Cabrália. A equipe saiu para fazer uma matéria em Ubaitaba e aproveitou para fazer outra reportagem sobre a situação precária da rodovia Ubatã-Ipiaú. Duas boas reportagens, veiculadas nos telejornais da emissora.

Até aí, nada demais. Boas reportagens eram marca da Cabrália, uma espécie de pré-faculdade de Comunicação no Sul da Bahia, tamanho o número de profissionais que formou. O problema foi a conta do almoço, que incluiu até pitú.

nestorNestor Amazonas,  o mentor da TV Cabrália,  um dos mais completos profissionais de tevê do país, era um cara legal, mas não era dado a exageros, porque a emissora tinha dono e dono não costuma rasgar dinheiro.

Quando Nestor foi questionar a despesa, o cinegrafista esperneou:

-Ô Nestor, qualé? Eu tô acostumado a comer bem na minha casa!

Nestor encerrou o assunto:

-Vou almoçar hoje na sua casa. Se tiver pitú, a tevê paga essa conta. Se não tiver, você paga.

Desnecessário dizer quem teve o salário desfalcado no final do mês.

 

 

 

A TV Cabrália e a ´fumaça preta´ (Habbemus Cannabis!)

 

 

Daniel Thame

Essa história de fumaça preta e fumaça branca para a escolha do novo Papa me fez lembrar de uma história nos primórdios da TV Cabralia, comandada por Nestor Amazonas, lá pelo final dos anos 80.

Um cinegrafista e seu auxiliar, cujos nomes não vêm ao caso, foram vistos à noite na torre da emissora, em Itabuna, expelindo uma inconfundível fumacinha de aroma igualmente inconfundível.

Nestor não era fiscal do Ibama, mas ao saber que estavam ´queimando mato` no horário de trabalho (bons tempos em que as tevês locais tinham duas equipes de reportagem pela manhã, duas a tarde e uma à noite),  e chamou os dois à sua sala. Bastava confirmar e o máximo que receberiam era uma bronca.

Mas ambos negaram e ainda se disseram indignados com aquela acusação injusta.

Nestor Amazonas, a quem a comunicação sulbaiana ainda  deve o merecido reconhecimento, não era dado a lero lero. Foi direto ao ponto:

-Se vocês não estavam fumando maconha tarde da noite na torre da tevê, então estavam trocando c…

E perguntou, didaticamente:

-Vocês preferem sair dessa sala como viados ou como maconheiros?

Ambos optaram pela fumaça preta.

E habbemus cannabis!

TV Cabrália, ´Faculdade de Comunicação` e a moça do posto de gasolina

Daniel Thame

 

Quando a  TV Cabrália,  primeira televisão do interior do Norte-Nordeste foi implantada em 1987 em Itabuna,  no Sul da Bahia, não havia faculdade de comunicação fora de Salvador.

 

E como gestor que deu vida a essa aventura épica,  Nestor Amazonas, a quem essa região desmemoriada  ainda deve o merecido reconhecimento,  queria trabalhar profissionais de fora,  a opção foi contar com mão de obra local.

 

Que mão de obra local, cara pálida, se a emissora, como se disse, era pioneira.

A primeira loucura-sana de Nestor foi me colocar como Gerente de Jornalismo, responsável entre outras coisas para montar a equipe de repórteres e apresentadores.

 

Jornalista com boa formação em mídia impressa e rádio,  expertise de vida moldada por uma década de mochileiro nas quebradas de nuestra América, mas conhecimento de televisão, zero, zero, zero!

O fato que é, na base da intuição (e também fazendo muita merda, até que um dia Nestor decretou que a cota de merda estava encerrada),  ao longo de uns sete a oito anos, acabei formando uma geração talentosa de profissionais de tevê, que se espalharam por Salvador, Feira de Santana, Conquista, Juazeiro, Santa Catarina, Rio de Janeiro e  São Paulo.

As tevês baianas Aratu, Itapoan e Rede Bahia se fartaram de contratar repórteres e apresentadores da Cabrália, sem que a gente pudesse desfrutar esses talentos por mais tempo.

Por esses acasos do destino e porque (como diria de novo el viejo Nestor, o que me faltava de talento sobrava de capacidade de trabalho, algo do tipo ´burrito, pero cumplidor`), acabei me tornando o que hoje a idade permite dizer sem  ser cabotino, a primeira ´faculdade de comunicação´  destas Terras do Sem Fim.

 

Citei Jorge Amado, mas o fato que levou a esse bolodório todo é digno do realismo mágico de Gabriel Garcia Marquez.

 

Põe no ar:

 

Estava eu numa das ilhas de edição (um trambolho pré-histórico comparado à tecnologia de hoje) preparando as matérias do Jornal do Meio Dia, quando minha atenção é desviada para a ilha de edição ao lado, em que aparecia a imagem de uma moça gravando o sorteio de vales-gasolina, devidamente paramentada com o uniforme do Posto Universal.

 

(Antes que me acusem de um merchan descaradinho, eu nem dirijo e o  isqueiro pra acender meus Cohibas é a gás).

 

Volta pra ilha de edição. Esqueci as matérias, fui pra outra ilha, a da moça do posto, e me bastaram três minutos.

Me dirigi ao estúdio com uma única folha do script do jornal, e diante de uma equipe que não entendeu nada, mandei parar a gravação do sorteio, coloquei a folha no teleprompter (uma máquina com umas letras imensas, onde os apresentadores leem as noticias), pedi pra moça (essa sem entender menos ainda) sentar na mesa de apresentação do telejornal  e assim que eu desse o comando lá da ilha de edição, lesse a nota.

 

Leu uma, leu duas e nem precisou ler três vezes.

 

Voltei ao estúdio e  ainda sem saber o nome dela, decretei:

 

-Moça, avisa o dono do posto pra ele arrumar outra pessoa pra fazer o sorteio de gasolina. Você começa a trabalhar com a gente amanhã.

 

A Nestor Amazonas eu disse apenas: “acabo de descobrir uma daquelas apresentadoras que vão fazer história”.

Nestor foi menos retórico:

-Contrata.

Com uma semana, a agora ex-moça do posto já estava apresentando o jornal do Meio Dia, depois dividiu comigo e com Eduardo Lins (esse é outra história ´gaboniana´) uma experiência fantástica chamada Jornal da Semana, espécie de precursor e primo pobre do Mosaico Baiano, passou pela TV Santa Cruz e foi brilhar na Rede Globo e na Rede Manchete, depois Rede TV, Jovem Pan , onde, nas idas de uma de minhas filhas, Hannah Thame, para especializações em Medicina Veterinária, não apenas a recebia em sua casa (eu a chamo de Mãe de Adotiva de Hannah em Sunpolo), como quando a apresentava ao pessoal das tevês sempre repetia a mesma história: “essa menina é filha do rapaz que me tirou do sorteio do posto e me transformou em profissional de televisão…

 

O nome dessa moça, hoje dedicada a viagens esotéricas mundo afora mas sem se afastar   das comunicações, atende pelo nome de Cláudia Barthel.

 

Dona de um talento que não cabe nem na maior das telas e uma virtude rara nessa máquina de egos chamada televisão: gratidão.

 

No caso aqui, o grato sou eu!

 

E vamos aos nossos comerciais…

 

Luiz Viana Neto, TV Cabralia e um ´repirror´ em Ilhéus

dr luizDaniel Thame

dthameTV Cabrália, metade da década de 1990. Depois de implantar e consolidar a emissora como a imagem e a voz do Sul da Bahia, Nestor Amazonas partiu para encarar novos desafios. Ramiro Aquino ocupava a superintendência e eu comandava o departamento de Jornalismo.

 

A liberdade que o dono da emissora, o Dr. Luiz Viana Neto, que já partiu para a Eternidade, nos dava era tamanha que perdia-se o anunciante, tipo prefeitura ou supermercado, porque uma matéria-denuncia ia ao ar, para desespero do departamento comercial, então comandado por Rui Carvalho, hoje boss da RCM, uma das melhores agências de publicidade da Bahia.

 

No espectro político, a TV era quase um apêndice do PT e dos sindicatos, numa época em que PT e sindicatos não eram propriamente bem digeridos.

 

Mas o Dr. Luiz sabia disso e nunca partiu dele um único ato de censura.

 

Até um belo dia (sempre chega o belo dia,  e quase sempre prenuncio de tempestade), o Dr. Luiz convida Ramiro e a  mim para um ´rapirror´ no Hotel Jardim Atlântico, então o mais luxuoso de Ilhéus.

 

Uisque vai, uísque vem (eu odeio uísque, adoro é uma cachacinha, mas não ia fazer desfeita ao doutor Luiz), desce um camarão aqui, um peixinho ali. “Como vai a família?”, “O cacau ainda tem futuro?”, “O Rio Cachoeira está muito poluído?” e outras amenidades.

 

E  eu discretamente olho pra Ramiro como quem diz: “O Dr. Luiz não chamou a gente aqui pra comer e beber do bom e do melhor,  nem pra esse lenga-lenga”.

 

Não chamou  mesmo. Lá pelas tantas, as sutilezas foram jogadas ao mar.

 

Sem elevar o tom de voz, o Dr. Luiz se vira para mim e diz:

 

-Eu sei como você toca o Jornalismo da TV e  respeito suas posições políticas. Mas eu sou de direita e se você quiser continuar fazendo esse tipo de jornalismo compre uma televisão pra você.

 

Comprar uma televisão? Só se fosse um aparelho nas Casas Bahia (olha o jabazinho aí!) e ainda assim a perder de vista no  crediário.

 

Sejamos justos a esse extraordinário ser humano, que nem era tão de direita assim, mas um democrata conciliador que convivia bem com todas as tendências políticas.

 

O Dr. Luiz produziu uma frase de efeito, porque se dono ele era e as orientações eram claras, não foram poucas as vezes que essas ordens foram solenemente ignoradas e em vez de punição, recebi outra frase de efeito:

 

-Você tem um sério problema auditivo, só escuta o que é conveniente.

Em tempo: a TV Cabrália foi um divisor de águas na comunicação regional, mas até hoje o Dr. Luiz Viana Neto não teve o devido reconhecimento nessas quase plagas grapiunas.

 

Se eu tivesse comprado uma televisão…

Todas as cores no ar (Porra!!!!!!)

 

Nestor Amazonas foi o alquimista que gestou uma tevê única em seu tempo

Daniel Thame

 “Todas as cores no ar

Para anunciar uma nova estação…

Na vibração da Manchete o espaço

é da gente, uma nova emoção.

Sinta a cor da energia,

que se irradia na nova estação…

Chegou, chegou, chegou… a TV que você queria…

TV Cabrália – a imagem do Sul da Bahia.”

 

Todas as cores estavam mesmo no ar, anunciando uma nova estação. O Sul da Bahia ainda vivia os tempos em que nas duas pontas do arco-íris havia um pote de ouro, em forma de um fruto dourado, capaz de produzir riquezas inimagináveis e até desafiar a geografia, fazendo com que o Sul da Bahia fosse, na prática, uma espécie de enclave Rio/São Paulo, um oásis em meio ao Nordeste empobrecido e atrasado.

Era a Civilização Cacaueira, abençoada por um deus dourado chamado Cacau.

Estávamos no final dos anos 80, 1987 para ser mais preciso, e já havia uma bruxa à espreita e poucos se deram conta disso. E ela viria tão forte e tão intensa que em meros cinco anos o Sul da Bahia se renderia a Geografia e seria recolocado, a  fórceps, no Mapa do Nordeste.

O deus não era tão divino assim, posto que sucumbiu a uma bruxaria que dizimou frutos, fortunas, vidas, empregos. Mas, isso é outro história, embora num certo momento vá se fundir e delinear uma história que começa com um sonoro:

“Porra!!!!!!!!”.

A TV Cabrália, a imagem do Sul da Bahia, estava no ar.

37 anos depois, o grito de Nestor Amazonas, naquele distante e inesquecível 12 de dezembro de 1987, ainda deve ecoar pelos corredores da TV Cabrália.

Certo, nossa história começa antes desse grito, mas ele significa o alivio de enfim, poder dizer que todas as cores estavam no ar.

—-

(trecho de abertura do livro sobre os 37 anos da TV Cabrália,  que comecei a escrever e que só esse trapaceiro chamado de destino, que me deu a chance de ser protagonista nesse história, sabe se vai ser concluído. Mas, escrito ou não, esse é uma história que ninguém apaga)

PS-Em boa hora, a TV Cabrália está resgatando  a história de todos os seus pioneiros, incluindo esse ex-jornalista em atividade e primeiro funcionário da emissora, recém saído do ´freezer´onde foi hibernado sabe-se porque.

Mas falta o  devido reconhecimento, não apenas da TV Cabrália, mas do Sul da Bahia a Nestor Amazonas, o gênio da lâmpada que moldou e criou a televisão grapiúna.

Foi num Carnaval que passou (e não põe a mãe na praça!)

dt

A TV Cabrália ainda não tinha completado três meses quando Nestor Amazonas (a quem o Sul da Bahia, repito pela 1000000ª. vez, ainda deve o devido reconhecimento) decidiu fazer a transmissão ao vivo do Carnaval de Itabuna, na época ainda concentrado na Praça Adami..

Era um desafio e tanto, mas pra Nestor,  desafio era algo do tipo “vão lá e façam essa porra”, ainda que a gente estivesse  engatinhando no negócio de televisão e nem a mínima idéia  do que era “essa porra”, uma  transmissão ao vivo, em média oito horas por noite, quatro noites de folia.

Escalado para ancorar a transmissão, Barbosa Filho, talento intuitivo e hoje bem sucedido empresário de tevê, comandando a TV Itabuna,  foi instalado numa cabine em frente ao palco.

Na base da empolgação de quem estava fascinado com a novidade de trabalhar em televisão, tocamos a transmissão numa boa, até porque carnaval não é lá o reinado da serenidade e certos exageros são permitidos  e/ou nem notados.

Mas, reconheço,  dois desses exageros, merecem entrar  para os anais da televisão.

No primeiro, Barbosa, tomado pela empolgação diante de uma grande multidão, perpetrou:

-Cerca de 100 mil pessoas lotam o trecho de 5 quilômetros da Avenida Cinquentário  entre a Praça Camacan e a Praça Adami.

Problema 1: o trecho em questão tem meros 500 metros, se tanto.

Problema 2:  100 mil pessoas, ainda que coubessem num espaço tão exíguo (se alguém usar o termo exíguo em televisão merece demissão sumária), representavam quase 70% da população de Itabuna à época.

A segunda barrigada vai na conta desse dinossauro que ora vos escreve. Mesmo vendo pelo circuito interno de tevê  que a Praça Adami estava  com pouca gente e não havia nenhum trio elétrico tocando, pedi pro apresentador que estava no estúdio chamar o link ao vivo e perguntar qual era a atração naquele momento.

Pego de surpresa, Barbosa só conseguiu responder:

-Como não tem banda tocando, a grande atração aqui é a equipe da TV Cabrália.

Era mesmo, mas Nestor, que  acompanhava a transmissão de sua sala, parece não ter concordado, pegou o telefone e me disse com a sutileza costumeira.

-Diz ao Barbosinha que a grande atração na praça deve ser a mãe dele. Ou a sua, que coordena essa porra e não viu a praça vazia.

Claro que eu não disse, até porque de atração já bastava a equipe da TV Cabrália. E o bestalhão aqui teria que incluir a própria genitora também.

(Abre parêntese: Barbosa não tinha como saber, mas fez escola: nos anos seguintes, nas caminhadas eleitorais, não era raro se divulgarem números do tipo 50 mil, 70 mil, 100 mil pessoas e fosse a campanha um pouco mais demorada, era arriscado ter mais militante do que eleitor, algo como 200 mil, 250 mil pessoas na Cinquentenário. Fecha parênteses).

A TV Cabrália é hoje um retrato amarelado na parede da memória, que as vezes retorna ao vivo em lapsos de saudade.

Que passa, como tudo é passageiro.

Menos o motorista e o cobrador…

TV Cabrália e o desabamento que construiu um repórter

eduardo lins (1)

Daniel Thame

Durante meus 13 anos no comando do jornalismo da TV Cabrália, de sua fundação em 1987, até o ano 2000, pude contribuir com o surgimento de grandes profissionais para a televisão baiana e- porque não?- brasileira.

 

Com mais sorte do que talento/juízo, algumas vezes contei com a ajuda do doutor acaso, o que na verdade apenas antecipou o que já era óbvio. O cara era bom, faltava uma oportunidade de colocar no ar.

 

O cara bom em questão era Eduardo Lins, então um  meninote de Buerarema, sobrinho do grande apresentador Linsmar Lins, da TV Aratu.

Colocado na TV Cabrália à pedido do tio, obviamente. Pedido prontamente atendido por Nestor Amazonas, talentoso ao extremo, gênio diria eu, mas no quesito juízo, dava empate técnico comigo.

E já que era na base do QI (Quem Indicou), vai lá ficar como estagiário da produção do Cabrália Esportiva, o que era a mesma coisa que “rapaz, fica aí e não me enche o saco`.

Ah, mas esse trapaceiro chamado destino…

Uma tarde chega a informação do desabamento terrível de um prédio em Jequié, com mortos e feridos. Tragédia das grandes,

Com nenhum repórter na casa, chamei Eduardo e disse:

-Vai lá com o cinegrafista, faz umas entrevistas, pega boas imagens, informações e chegando aqui eu faço o texto pro repórter gravar.

E  -aí era Daniel Thame em estado bruto (naqueles tempos, bota bruto nisso!)-  falei quase por instinto:

-Já que você tá lá mesmo, grava uma passagem na frente do desabamento…

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Meu porto seguro

Nestor Amazonas

Todo fim de ano, uma sensação estranha me incomoda…a de que deveria estar em outro lugar, não importa onde esteja naquele momento.

No meu caso sempre imagino/desejo sentir o prazer de um lento e calmo mergulho no fim da tarde, no Porto da Barra, em Salvador, tendo o sol poente por testemunha.

Tem locais que se instalam dentro da alma da gente e nós, viajantes eternos em terras alheias, permitimos que uma geografia se aposse da nossa história.

Mesmo nascido no Recife, ter passado por Fortaleza, João Pessoa, Feira de Santana e ter sido adotado por Aracaju, flertei com Ilhéus, fui amante do Rio (antes do caos), casei-me com São Paulo, mas é em Salvador, no Porto da Barra, tal qual um novo e imodesto Tomé de Souza, que ancoro meus navios.
Finco minha bandeira na areia e contemplo o horizonte que se entende além da Baía de Todos os Santos.

Não importa onde esteja, todo ano, na minha mente, docemente mergulho nas águas mais amorosas e sensuais que conheço, puro prazer do corpo.

Longe de tudo, navego na memória submersa da distância e do tempo, mergulho de corpo e alma no meu Porto Eterno, da Barra.
Saudades.

 

 

No ar, a TV Cabrália

No ar, a TV Cabrália

Daniel Thame

 

Dt w6newsO mês era dezembro e o ano era 1987.

Em Itabuna, todas as cores no ar anunciavam a chegada de uma nova estação. Não era o verão.

Quem chegava -e lá se vão 36 anos- era a TV Cabrália, primeira emissora de televisão do interior do Norte/Nordeste, não apenas uma repetidora da programação da Rede Manchete, a quem era afiliada.

Mas uma emissora com programação própria, vida própria e, principalmente, com a alma do Sul da Bahia.

A chegada de TV Cabrália, como era de se esperar, gerou expectativa e euforia, numa civilização orgulhosa de seu fruto de ouro e de ter forjado o próprio desenvolvimento.

O fruto de ouro, dois anos depois, perderia seu brilho, esplendor e pujança por conta de uma doença com poderes de bruxa malvada.

A TV Cabrália, símbolo daquele tempo, atravessou sobressaltos, mas resistiu ao apocalipse econômico e social  que as bruxarias provocaram, fez história. E que história.

Começou como afiliada da Rede Manchete, depois SBT e, adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus, passou pela  fugaz  Rede Familia, teve uma incipiente fase na Rede Mulher e hoje integra a Rede Record.

É possível dizer que mudou sem mudar, porque ao longo destas quase quatro décadas, continua sendo o que sempre se propôs a ser: uma televisão com a cara e as cores do Sul da Bahia, com uma profunda identidade regional.

Gestada pelo espírito empreendedor do Dr. Luiz Viana Neto e que ganhou forma nas mãos do visionário Nestor Amazonas, a TV Cabrália, além de acompanhar os principais acontecimentos e se envolver nas grandes causas sulbaianas nestes 36 anos, foi uma espécie de escola de profissionais de televisão, profissão até então inexistente por essas plagas amadianas e/ou pragas vassorianas, com o perdão do trocadilho irresistível.

 

Vilma Medina, Mauricio Maron, Claudia Barthel,  Selma Aguiar,  Paula Maciel, Eduardo Lins, Roger Sarmento, Napoleão Fernandez, Madalena Braga, Andrea Silva, Adriana Quadros, Valdenor Ferreira, Renata Smith,  Delza Schaun, Iruman Contreiras, Junior Patente, Ramiro Aquino, Paulo Lavinsky, Cícero Dantas, Jota Borges, Roger Sarmento, Barbosa Filho,  Adriana Dantas, Tom Ribeiro, Carlos Barbosa,  Auriana Bacelar.

 

Uma seleção do melhor jornalismo, em qualidade e comprometimento com a profissão.

No comercial, Rui Carvalho , os saudosos  Rogélio Duran e Carlos Hellstrom;  Cristine Ribeiro.

Gente que fez história neste que é um momento histórico para as telecomunicações baianas.

36 anos neste dezembro de 2023. E que venham os 50, os 75, os 100 anos dessa TV Cabrália que é e sempre será o nosso primeiro amor.

 

(*) Daniel Thame, paulista de Osasco, radicado há 30 anos em Itabuna, foi gerente de jornalismo da TV Cabrália  desde a sua fundação em 1987 até o ano 2000. É também o primeiro funcionário registrado da emissora, o que não é muita coisa, mas também é muita coisa.

 





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