:: ‘“Literatura’
Adroaldo Almeida e sua inovação literária

Eduardo Duarte
Escrevo este texto a partir de uma inspiração singular que me surge em meio ao resgaste de algumas leituras já familiares, mas que, ainda assim, insistem em revigorar, em mim, a espirituosidade inerente a elas. Desta vez, justifico-me a partir da obra As migalhas dos dias, do escritor e estimado amigo, Adroaldo Almeida – o grande artista do Médio Sudoeste Baiano, com acentuada ênfase – e intencional pleonasmo – no artigo definido masculino.
Ler qualquer obra de Adroaldo Almeida é sempre uma satisfação ao espírito humano, pois a sua literatura é competente o suficiente para abarcar a árdua missão de se desdobrar sobre a complexa condição de existir, e o seu mundo é amplo, porque o seu cerne é um tema caríssimo à humanidade: o amor – não aquele hollywoodiano, mas o que está tanto nas atenções e nas gentilezas do nosso dia a dia quanto no esforço inconsciente pelo outrem.
No Jornal Dimensão, que, semanalmente, condimenta os nossos lares, agora temos a aprazível oportunidade de conhecer os microcontos contidos na supracitada obra do referido autor, onde o leitor deste rico periódico, para além da letra fria da informação, encontra a palavra sensível de uma literatura humanista e, em larga medida, inovadora. Saliento a característica inovadora, pois, até então, no Médio Sudoeste Baiano, eu desconhecia algum autor que escrevesse essa surpresa literária chamada microconto. Adroaldo, na irrequieta escrita de um literato que faz da vanguarda um imperativo, trouxe-nos esta grata novidade, à qual peço uma atenção especial aos qualificados leitores deste jornal.
Mazé Torquato e Rafael Belo: “Troca-se míssil por poesia”
“Troca-se míssil por poesia” é o quarto livro de poesia do poeta, escritor, jornalista e palestrante Rafael Belo, campo-grandense, Mato Grosso do Sul, de coração.

Rafael foi diretor-geral da TV O Estado Play e comandou o podcast Poesia Pra Sentir. Ele é membro da UBE (União Brasileira de Escritores – MS), da Academia de Letras do Brasil de Campo Grande (ALB-CG), da PEN Internacional e do Coletivo Tarja Preta.
Além disso, é Doutor Honoris Causa e condecorado com a Medalha Zumbi dos Palmares.

Nesta conversa com Mazé Torquato Chotil, em Paris, ele fala sobre sua obra.
Assista:
Como escrever longe de seu país?

Muitos escritores vivem longe de seus países de origem nesse mundo globalizado. Autores brasileiros estão em Portugal, na França e em tantos outros países da Europa e do mundo.

Como viver longe de sua pátria influencia — ou não — a forma de escrever? Assista ao bate papo com Deise Ramos, Eliana Bueno-Ribeiro, Leonardo Tonus, Marco Guimarães e Mazé Torquato Chotil.

Assista:
Flicaré 2024 destaca cacau e chocolate na literatura sulbaiana
Festa Literária de Itacaré terá lançamento de livros, música,
artesanato e gastronomia

Será realizada de 24 a 26 de outubro, a 2ª Edição da Festa Literária de Itacaré, que acontece na Praça São Miguel. Este ano, a Flicaré tem como tema “Do cacau ao chocolate: histórias, leituras e oralituras de Itacaré”.
O homenageado da edição é um morador da cidade: Roberto Setúbal, definido pelos organizadores como “um proeminente guardião da memória de Itacaré”. A programação inclui mesas, contações de histórias, lançamentos coletivos e divulgação de autores e obras regionais, apresentações culturais, oficinas, exposição de obras de arte, apresentação musical de artistas locais e regionais, concurso literário entre outras atividades.

A Flicaré, promovida pela Prefeitura de Itacaré através da Secretaria Municipal de Educação, com o apoio do Governo da Bahia, e que tem como curador Rafael Gama, também terá um espaço para o público infanto-juvenil, com a realização da Flicarezinha 2024.

Rafael Gama
Cenário da novela ´Cacau`, exibida pela TVI Portugal e já comercializada para cerca de quinze países europeus, Itacaré é hoje um dos principais destinos turísticos do Brasil e do mundo e agora entra no circuito das festas literárias, que além de incentivarem a leitura, movimentam toda a economia da cidade.
PROGRAMAÇÃO DA FLICARÉ 2024
Mas afinal, escrever é profissão?
Muito além de um dom natural ou um hobby, a arte de escrever traz
seus desafios e recompensas para o mercado de trabalho

Nos corredores da literatura e das artes criativas, a escrita muitas vezes é vista mais como um dom natural do que como uma profissão concreta. No entanto, a escrita é, sem dúvida, uma carreira legítima e desafiadora, exigindo não só talento, mas também disciplina, prática e conhecimento técnico. Escrever pode começar com uma inclinação natural para as palavras, mas para se transformar em uma carreira profissional é necessário muito mais.
A escritora pernambucana Patrícia Tenório, largou uma carreira na tecnologia e nos números para se dedicar à literatura e ao mundo das palavras. Ela que se formou em Ciências da Computação pela Unicap, acabou se apaixonando pela literatura após administrar uma livraria e conviver diariamente com o universo das letras. Hoje, ela se dedica integralmente à profissão de escritora e possui mais de 30 obras escritas.
Patricia discorre um pouco sobre como fazer essa paixão que atrai milhares de brasileiros, se tornarem profissões. “Escritores profissionais passam anos aperfeiçoando suas habilidades, estudando estilos, técnicas narrativas, gramática e estrutura. A formação acadêmica, seja em cursos de escrita ou literatura, também desempenha um papel fundamental na preparação de escritores para o mercado de trabalho. Durante meu processo de conhecimento a literatura e ao mundo mágico da escrita entendi através das palavras, que os escritores têm o poder e o dever de informar, inspirar e transformar a sociedade. Ser escritor exige dedicação, criatividade e paixão.”
Mazé Torquato entrevista Marilza de Mello Foucher

Em entrevista a Mazé Torquato, na França, Marilza de Mello Foucher, jornalista e autora, fala sobre Fragmentos de Tempos Vividos de sua trajetória da Boca do Acre, passando por Manaus e Paris onde chegou para fazer um doutorado em economia em 1979. Terminou ficando na capital francesa, trabalhando para uma ONG de Cooperação Internacional para o desenvolvimento.

Na entrevista ela fala ainda de Quase-Poemas, título sugerido por seu primo, o poeta Thiago de Mello. Também escreveu Contos Inventados da Vovó: Histórias de Janaina e En Jouant Avec La Résonance des Motes.
Assista:
Circulação Profundanças Mulheres em Diálogo: programação gratuita discute mulher, literatura e mercado editorial brasileiro
“Aos 12 anos, minha patroa rasgou o meu caderno de poemas. Mas continuei escrevendo e publiquei pela primeira vez em Profundanças.” A história de Celeste Barros inspirou a criação do circuito editorial. O projeto vai ganhar site próprio, promover rodas de conversa e oficinas gratuitas.
A programação da Circulação Profundanças – Mulheres em Diálogo celebra os oito anos do circuito editoral Profundanças que, em três antologias elaboradas de forma completamente colaborativa, já publicou poemas de 51 escritoras, em sua maioria nordestinas e inéditas. Assim, entre maio e agosto, serão realizadas rodas de conversa e oficinas gratuitas que terão como foco a participação de escritoras e fotógrafas que atuam na terceira edição do livro.
As ações promovidas pelo circuito buscam mitigar a desigualdade de gênero que ainda caracteriza o campo editorial e literário brasileiro. Uma pesquisa realizada pela professora da Universidade de Brasília, Regina Dalcastagnè, publicada em 2012 no livro “Literatura brasileira contemporânea: um território contestado”, revela que, entre 1990 e 2004, 72% dos romances brasileiros publicados pelas maiores editoras brasileiras tiveram autoria de homens. É por isso que, buscando consolidar e ampliar cada vez mais escritos de mulheres, Profundanças também ganha site próprio, www.profundancas.com, onde é possível que leitoras/es acessem gratuitamente todas as antologias que compõem o projeto, além de poderem navegar por histórias que permeiam as publicações.
Mulher e literatura na programação
Milton Santos: um intelectual com passagem no Sul da Bahia
Efson Lima
Milton Santos não é ilheense de nascimento. Nem precisaria ser, pois, Ilhéus sendo uma cidade mãe acolhe com carinho. O geógrafo é de Brotas de Macaúbas, interior da Bahia. Milton Santos morou na Princesinha do Sul e alcançou o mundo seja fisicamente seja intelectualmente. Ele possui um vasto currículo, inúmeros livros publicados, entre eles: “Por uma outra Globalização” e recebeu diversas distinções de doctor honoris causa. Gigante para a Geografia e para o mundo das letras. Foi um pesquisador viajante, engajado e comprometido com um mundo melhor, promoveu teoria e vivenciou a prática.
O intelectual Milton Santos se tornou bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1948 e se doutorou em Geografia pela Université de Strasbourg na França em 1958. Fez prova viva da interdisciplinaridade, quando essa corrente era pouco conhecida. Milton Santos já doutor se colocava à disposição para fundar a Academia de Letras de Ilhéus, carinhosamente chamada de ALI. Na Academia de Letras de Ilhéus, Milton Santos ocupou a cadeira n.° 35, cujo patrono é Simões Filho. Atualmente, a cadeira é ocupada pela Senhora Maria Schaun, uma das mentes brilhantes do sul da Bahia. Ela foi responsável por acompanhar diversas produções de livros da nossa gente grapiúna através da Editus e, atualmente, secretaria a formação de diversos jovens via o Prodema/UESC.
Ainda em Ilhéus, Milton Santos lecionou no Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne, famoso IME, lugar responsável por instrumentalizar a formação de centenas de pessoas da região. Um patrimônio da educação no Estado da Bahia. Milton Santos aproveitou sua incursão na região para vivenciar uma realidade territorial urbana e rural, certamente, pode constatar o cacau como a principal fonte de renda do período na região. E mais que isto, como todo intelectual costuma fazer, foi registrando as vivências e aprendizagens, sintetizando e oportunizando novas reflexões. Não sem razão o primeiro livro de Milton Santos teve por objeto a Bahia, cujo título é “O povoamento da Bahia: suas causas econômicas.” Milton Santos foi correspondente do jornal “A Tarde” na zona cacaueira do Estado da Bahia entre 1949- 1953.
Registra-se que Milton Santos chegou a Ilhéus nos fins dos anos quarenta, certamente, após sua formação universitária. A vocação de Milton Santos estava na área do ensino e após retornar para Salvador, ele foi lecionar na Universidade Católica de Salvador no período de 1956-1960, posteriormente, em 1961 ingressou na Universidade Federal da Bahia.
Gumercindo Rocha Dórea, o editor ilheense mais importante na história da ficção científica no Brasil
Nas academias de letras, após o ingresso da pessoa para a confraria, a imortalidade é uma palavra – chave. O fenômeno vai se confirmando com a morte de cada um dos participantes, pois, a morte não confere fim a obra dessas pessoas que se imortalizam pela força da escrita, das artes plásticas, música, dança e dos saberes científicos. A imagem do acadêmico se perpetua para além do nosso tempo. A imortalidade física, do corpo, foi objeto de desejo entre diversas civilizações. Ela impulsionou o surgimento da química, desenvolveu técnicas de preservação dos corpos. Se a imortalidade física não pode ser uma constante entre os humanos, a imortalidade simbólica continua a toda prova, ela se confirma com a literatura, a música, o cinema, a arquitetura, a ciência entre tantas outras áreas da produção humana.
Tenho pesquisado sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI) desde 2016. Alguns membros da ALI se notabilizaram no cenário nacional e internacional, outros de feição menos popular, entretanto, com enorme contribuição, mesmo que não recebam o devido tratamento em suas terras. Os motivos são diversos: alguns destes por estarem afastados da sua pátria regional, outros por não estarem sob nossos olhares. Afinal, reza a lenda que santo de casa não faz milagre.
Entre esses que fogem a nossa cabeça, podemos registrar Gumercindo Dorea, falecido em dia 21 de fevereiro de 2021. Ele era um dos membros mais velhos da Academia de Letras de Ilhéus, tinha 96 anos; ocupava a cadeira de n.º 40. Aparentemente desconhecido em sua terra, foi editor de celebridades nacionais. Talvez, sua postura de viés conservador, como apontou Sérgio Mattos, tenha colocado – o em um patamar de menor prestígio (não somos democráticos): “é um dos mais importantes editores nacionais, apesar de ser relegado e contestado devido às suas ligações com o integralismo”.
O editor Gumercindo Rocha Dorea contribuiu para o lançamento dos primeiros livros de autores consagrados na atualidade a exemplo de Rubem Fonseca, Nélida Piñon, Fausto Cunha, Gerardo Melo Mourão, Astrid Cabral e Marcos Santarrita. Ele foi fundador da GDR, uma editora pioneira na edição de livros de ficção científica no país.
No sul da Bahia, pouco repercutiu sobre a morte de Gumercindo Dorea, mas observei registro na revista “Isto É”, “Horo do Povo” Publishnews, “Folha de São Paulo”, Estadão, nos jornais de Minas Gerais e da Paraíba, portal Uol entre outros tantos canais de notícias. A ex – presidente da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon, em sua rede social, lembrou do seu editor: “Devo tanto a ele. Apostou em mim sem hesitação, com honradez, elegância moral”.
O escritor Sérgio Mattos exemplifica a importância de Gumercindo Dorea para vários escritores baianos ao lembrar das publicações empreendidas pelo editor, independentemente, de ideologias: Vasconcelos Maia, Castro Alves, Oleone Coelho Fontes, Ildásio Tavares, Ivan Dórea Soares, Sérgio Mattos, Jorge Medauar, Wilson Lins, Maria da Conceição Paranhos, José Haroldo Castro Vieira, Adonias Filho, Fernando Hupsel de Oliveira, Telmo Padilha, Cyro de Matos, Rubem Nogueira, Raymundo Schaun, Euclides Neto, Fernando Sales e Claudio Veiga. Sem dúvida, foram publicados com ele muitos notáveis baianos.
Coube à professora Maria Luiza Heine fazer o discurso da Sessão da Saudade da Academia de Letras de Ilhéus, ele foi seu primeiro editor. Por coincidência da vida, o presente articulista do Diário de Ilhéus vai suceder o editor Gumercindo Dorea, na cadeia n.º 40, na Academia de Letras de Ilhéus, a partir do dia 22 de abril do corrente ano.
As pessoas não morrem, elas permanecem vivas, no mínimo, nas memórias dos familiares e amigos. Outras além de permanecerem vivas no seio familiar, entram para a eternidade pelos feitos que fizeram em favor da coletividade. As letras, a ciência, as artes…agradecem. Gumercindo Dórea foi um dos gigantes da pátria ilheense e o editor mais importante na história da ficção científica no Brasil, conforme aponta a Science Fiction Encyclopedia.
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Efson Lima – doutor, mestre e bacharel em direito/UFBA. Escritor. Membro da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL) e eleito para Academia de Letras de Ilhéus. Professor universitário e advogado.
















