:: ‘Sul da Bahia’
O dia em que as histórias de Olívia e de Sonia viraram uma só história
Daniel Thame
Se acaso me quiseres/sou dessas mulheres que só dizem sim…
E se tiveres renda/aceito uma prenda/qualquer coisa assim/
Como uma pedra falsa/um sonho de valsa/ou um corte de cetim… (1)
A história de Olívia é clássica. Filha de trabalhadores rurais, morando numa rua de casas paupérrimas em Itapé, engravidou do namorado, que não quis saber de assumir a criança.
O pai, depois de uma surra homérica na “filha vagabunda”, colocou-a para fora de casa.Olívia foi parar na casa da avó em Ibicaraí, teve o filho que também não queria e, seguindo o curso natural da história, virou empregada doméstica, ou “secretária”, esse eufemismo para um trabalho que resistiu ao fim da escravidão.
Ganhava mal, era humilhada pela patroa e ainda tinha que ceder aos desejos sexuais do dono da casa.
É nesse ponto que a história de Olívia vai se cruzar com uma história glamourosa, recheada de lendas e fatos que, embora hoje pareçam fruto de uma alucinação coletiva, foram absoluta e absurdamente verdadeiros.
E eu te farei vaidoso supor/que é o maior/e que me possuis/
Mas na manhã seguinte/não conte até vinte/te afasta de mim/
Pois já não vales nada/és página virada no meu folhetim.(1)
Quando Olívia se cansou da dobradinha ´fodida e mal paga´, uma amiga lhe falou da casa de Sonia.Pronto.Olívia e Sonia agora fazem parte da mesma história, embora a história de Sonia tenha, além de Olívia, patrícias, meires, solanges, thábatas, elianas e tantos outros nomes verdadeiros ou de guerra.
KASARÃO RELAX DRINK´S
Kasarão o que? Ah, o Brega de Sonia. Quem nunca, ao menos uma vez, não ouviu falar de Sonia? A casa espaçosa em estilo colonial no bairro de Fátima, na periferia de Itabuna, é quase um referencial na cidade.Povoa a imaginação das pessoas.
Sonia teve seus 15 minutos de fama ao ser incluída num Globo Repórter sobre a crise na lavoura cacaueira.Na época, a novela Renascer, ambientada no Sul da Bahia, fazia estrondoso sucesso e a repórter Ilze Scamparini produziu um programa onde a crise, uma coisa séria, que afeta milhares de pessoas, mais parecia um romance de Jorge Amado.
Em vez de lideranças da lavoura, sindicalistas e trabalhadores rurais, Ilze mostrou coronéis de mentirinha como Sá Barreto e uma personagem real mas que poderia perfeitamente fazer parte de um script de novela, Sonia, autora de uma frase antológica que reverberou nos lares de milhões de brasileiros: “a crise do cacau está tirando o tesão dos homens”.
Mudanças na Mata Atlântica: publicação demonstra impacto negativo do desmatamento sobre a biodiversidade

Dez anos de pesquisa, dezenas de estudos realizados em rede e um resultado preocupante: o desmatamento tem impulsionado profundas mudanças no funcionamento dos remanescentes de Mata Atlântica. É o que evidencia o artigo científico recentemente publicado pela equipe do projeto Sisbiota, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Biological Conservation, revista científica de grande repercussão internacional.
Atualmente, a Mata Atlântica, devido à destruição por ações humanas, se encontra restrita a remanescentes florestais de diferentes tamanhos e localizados em paisagens desmatadas. A publicação defende que a restauração e o reflorestamento de paisagens são imperativos para manutenção do funcionamento do ecossistema.
Sebrae em Ilhéus realiza missão com produtores do Sul da Bahia para o Connection Terroirs do Brasil

O Sebrae em Ilhéus está empenhado no fortalecimento da Indicação Geográfica do cacau do Sul da Bahia. Entre as ações de apoio e suporte, a instituição está viabilizando a participação de produtores locais no Connection Terroirs do Brasil, evento que promove a conexão entre diferentes setores e busca potencializar negócios do país e do exterior. A missão empresarial possibilitará que os produtores exponham seus produtos em estandes durante o evento, que aconteceu em Gramado de 17 a 21 de maio.
O Connection Terroirs do Brasil é reconhecido por seu compromisso em criar vínculos e experiências entre o turismo e outros setores econômicos, com foco em gerar conexões e explorar novas possibilidades de negócios. A 6ª edição do evento terá enfoque especial nos Terroirs do Brasil, englobando produtos tradicionais de diferentes localidades e com identidades únicas, além de contar com palestrantes internacionais.
Goleiro, uma posição amaldiçoada

Walmir Rosário
Há muito se transformou em verdade todas as estórias contadas sobre o goleiro e a área que ocupa em campo, e nem mais se discute se mito ou verdade, pois já estão encravadas na memória do torcedor. É muito sacrifício para alguma remota chance de reconhecimento desses nem tão gloriosos jogadores, que em uma só partida de futebol podem empreender um voo do céu ao inferno em poucos segundos.
Se realmente é uma posição maldita não posso provar, me faltam argumentos científicos, embora restem aquelas conversas por ouvir dizer, empíricas e bisonhas, cuja a verdade é largamente escamoteada. E a primeira delas é que na área em que o goleiro pisa não nasce grama e chega a ser comparada popularmente com o local em que as éguas fazem xixi. Dizem que queima a grama. Os biólogos e botânicos que expliquem.
Dos grandes goleiros que conhecemos os dissabores passados por eles são terríveis, que o diga o do Vasco da Gama e da Seleção Brasileira da copa de 1950, Barbosa. Pagou um preço altíssimo por uma mercadoria que não recebeu. Outro grande do Fluminense e da seleção canarinha, Castilho, chamado de Leiteria, pediu ao médico para amputar um dedo e continuar jogando futebol. E fez isso com a maior tranquilidade que Deus lhe deu.
Benevides Chocolates lança produtos especiais para o Dia das Mães

O Dia das Mães é uma das datas mais especiais e esperadas do ano. Um momento em que filhos homenageiam aqueles que lhes deram a vida e que são companheiras e apoiadoras em todos os momentos. Um carinho que, entre tantas opções de presentes, pode ser retribuído com um produto igualmente especial: o chocolate de origem do Sul da Bahia.
Para celebrar o Dia das Mães, a Benevides Chocolates, empresa com sede em Itabuna e premiada no Exterior, lançou uma linha exclusiva de produtos, com combinações e opções para que os filhos possam fazer a palavra chocolate também significar “Mãe, eu te amo.

A Cesta Chocolate&Café, uma combinação perfeita como mães e filhos, inclui Benebomb, lançamento da Benevides, capsulas de chocolate para cappuccino, tabletes de chocolate, caixa de bombons, xicara de porcelana e mini mixer para chocolate quente.

Veja o texto completo em
Estudantes da Uesc realizam aula em fábrica de chocolates em fazenda no Sul da Bahia

Alunos da disciplina Teoria Macroeconômica II, do curso de graduação em Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), realizaram uma experiência sensorial com a Dengo Origem – Fazenda de Visitação da Dengo Chocolates.
Essa atividade buscou integrar conceitos de estrutura de mercado e prática a partir de um exemplo concreto. Contou com a participação de 22 alunos, de docentes da Uesc e do prof. Mauro Ferrante, da Universidade de Palermo na Itália. A disciplina é ministrada pela professora Mônica Moura Pires.
Daniel Dantas e Lewanne Barbosa, representantes da Fazenda, apresentaram aos alunos e professores todo o caminho para se obter um cacau de qualidade. Também abordaram características da cadeia do cacau, respeito ao produtor, beneficiamento de um cacau de qualidade, como se faz um chocolate e, por último, houve degustação de chocolates. Na ocasião foram detalhadas as diferenças entre porcentagens de cacau no chocolate, bem como entre um chocolate comercial e um verdadeiro chocolate bean to bar.
Polícia Civil realiza megaoperação no Sul da Bahia contra o trafico de drogas

A neutralização de dois grupos criminosos que rivalizam entre si e são responsáveis por homicídios e o tráfico de drogas, no município de Eunápolis, é o foco da “Operação Rixa”, deflagrada pela Polícia Civil, em cidades do Sul da Bahia, além de Irecê, na manhã desta quarta-feira (3).
Durante as ações, que envolvem centenas de policiais, são cumpridos cerca de 10 mandados de busca e apreensão, dos quais quatro têm cumprimentos em unidades prisionais. Também estão sendo realizadas 14 transferências de internos integrantes de grupos criminosos, para regime disciplinar diferenciado, em decorrência de investigações da Polícia Civil. As transferências são realizadas pelas equipes da Secretarias de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), com o apoio de guarnições da Polícia Militar.
De acordo com o coordenador da 23a Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Eunápolis), delegado Moisés Damasceno, coibir a articulação entre os criminosos dentro e fora dos presídios é um dos principais objetivos das ações. “A disputa por territórios entre integrantes destes grupos, tanto os que estão presos, quanto os que estão em liberdade, é danosa para as comunidades. Estamos coibindo essa prática e qualquer outro tipo de atuação criminosa, nesta região”, pontuou.
Muita água, pouca luz. É a natureza

Walmir Rosário
Já diziam os mais antigos que é impossível lutar contra as coisas divinas, ou da natureza, como queiram. E a cada dia os sinais que recebemos ficam mais visíveis, reais. Somente não vê quem não quer. Mas, ousado como sempre fui, acrescento aqui que o tal do homem contribui bastante para acentuar as catástrofes que nos importunam a cada dia que passamos nesta terra.
Não podemos – nem devemos – desconhecer que usamos a ciência para desenvolver nossa vida, embora fechamos os olhos para em temas que não nos interessam, seja pelo alto custo financeiro, ou por puro descaso. O meio ambiente é o mais desprezado e nos atinge em cheio com as chuvas ou a falta delas. Se chove muito pedimos para parar, se a estiagem é prolongada rezamos para chover.
Desde a semana passada que os cientistas do tempo e clima nos alertavam para as fortes chuvas que se abateriam no sul da Bahia, recomendando cuidados especiais aos moradores ribeirinhos e praianos. E pergunto: fazer o quê? Não sair para pescar e evitar os fortes ventos e o mar revolto, ou não enfrentar as estradas para não dar de cara com as barreiras caídas, são simples precauções.
Mas não temos como evitar a força das águas enchendo e transbordando rios, derrubando casas nos morros, causando enormes prejuízos materiais, notadamente junto aos menos abastados financeiramente. Pior, ainda, são os danos morais sofridos por famílias inteiras ao ter que deixar suas casas e se abrigarem – coletivamente – em escolas, estádios de futebol, além de chorar a perda de seus familiares, mortos nos deslizamentos de terra.
Pesquisa aponta que budiões são indispensáveis para a saúde dos recifes de corais do Brasil

O budião-batata é a espécie mais eficiente em controlar o crescimento de algas nos recifes do Brasil. (Foto: Carlos Hackradt/Projeto Budiões)
Os recifes de corais são um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo. Para garantir a saúde desses ambientes, é fundamental que as algas que crescem sobre eles sejam removidas por peixes herbívoros, como os peixes cirurgiões e budiões. Quando essas algas são consumidas pelos peixes, abrem espaço para que as larvas de coral se estabeleçam e cresçam.
No entanto, nas áreas recifais do Brasil, a diversidade de peixes herbívoros é menor em comparação com os recifes do Caribe. Além disso, várias espécies de peixes herbívoros estão sofrendo com declínios populacionais devido à sobrepesca, incluindo o budião-azul, que figura, desde 2014, na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção.
Um recente estudo realizado por pesquisadores do Projeto Budiões, que, com o patrocínio da Petrobras, atua na pesquisa e educação ambiental para a conservação da espécie, analisou o consumo de algas por cinco espécies de peixes herbívoros em duas áreas (uma protegida e uma desprotegida) no sul da Bahia: o Parque Nacional Marinho de Abrolhos e o Parcel das Paredes. Os cientistas confirmaram que os budiões se alimentam principalmente de pequenas algas filamentosas (conhecidas como “turf”), mas descobriram que dentro da área protegida os budiões consomem uma maior variedade de recursos alimentares do que na área desprotegida, indicando a importância da proteção para a dieta dessas espécies. Além disso, enquanto as espécies de peixes cirurgiões, além de consumir algas, também se alimentam de pequenos camarões e outros crustáceos, os budiões se alimentam quase que exclusivamente de algas, o que os torna indispensáveis para a saúde dos recifes. Eles também entenderam que o budião-batata é a espécie mais eficiente em controlar o crescimento de algas nos recifes.
Povo Pataxó, em “grave e urgente risco”, recebe medida cautelar da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Atendendo ao pedido de um conjunto de organizações, a CIDH solicita ao Estado brasileiro medidas para garantir proteção ao povo Pataxó, alvo de violência contínua e intensa

Povo Pataxó se apresenta na abertura do 19º ATL, em Brasília. Foto: Maiara Dourado/Cimi
Enquanto mais de 5 mil indígenas estabeleciam suas tendas e barracas para a mobilização do 19º Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília (DF), o povo Pataxó recebeu a notícia de que um de seus apelos foi atendido: em meio à escalada de violência que atinge seus territórios e comunidades no extremo sul da Bahia, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) emitiu uma medida cautelar em favor do povo.
Emitida por meio da Resolução 25/2023, em resposta ao pedido feito por um conjunto de organizações, a cautelar solicita que o Estado brasileiro “adote as medidas necessárias para proteger a vida e a integridade pessoal dos membros do povo indígena Pataxó”. Tais medidas, conforme destaca a CIDH, devem levar em consideração a cultura Pataxó e proteger os indígenas “inclusive de atos perpetrados por terceiros”.
A resolução também solicita ao Brasil que coordene as providências adotadas com os membros do povo Pataxó e seus representantes, e que informe a Comissão sobre as ações empreendidas para investigar os fatos que motivaram a denúncia, de modo a “evitar sua repetição” – ou seja, para impedir que uma nova cautelar da CIDH seja necessária.
A solicitação de medidas cautelares à CIDH foi feita por um conjunto de organizações indígenas e da sociedade civil, que incluem a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), a Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais (AATR), o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, a Conectas Direitos Humanos, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Frente Ampla Democrática pelos Direitos Humanos, o Instituto Hori Educação e Cultura, a Justiça Global e a Terra de Direitos.
A medida cautelar refere-se, especificamente, aos Pataxó das Terras Indígenas (TIs) Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal. Na resolução, a CIDH constatou que os indígenas destas áreas estão em “grave e urgente risco de dano irreparável aos seus direitos”.














