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“A cara da campanha não é a do Lula, é a do Fernando Haddad”, diz Jaques Wagner

Reportagem de Catia Seabra e Marina Dias na Folha de S.Paulo informa que, escalado para comandar as articulações políticas do segundo turno em torno de Fernando Haddad (PT), o senador eleito pela Bahia, Jaques Wagner, afirmou que a partir de agora a campanha deve ter a cara do candidato e não a do ex-presidente Lula, seu padrinho político.
“É ele [Haddad] quem comanda a campanha. A cara da campanha não é a do Lula, é a cara dele”, afirmou Jaques após reunião nesta segunda (8) em São Paulo, de acordo com a publicação.
“Haddad chegou ao segundo turno como o substituto de Lula, agora o Haddad do segundo turno é o Haddad”, completou, completa a Folha.
Angelo Coronel, diz que “time unido” vence eleições
O candidato ao Senado na Coligação Mais Trabalho por Toda Bahia, Angelo Coronel, disse hoje (02.10), em entrevista a Mário Kertesz, na Rádio Metrópole, que a força eleitoral de Rui Costa está no fato de que ele comanda um time unido. “Nós trabalhamos politicamente como um grupo unido, por isso somos fortes e aprovados pelo eleitor, sob o comando do governador Rui Costa, com Haddad, Otto Alencar, João Leão e Jaques Wagner. Quero dizer publicamente que, sem esse grupo, não teria forças para disputar o Senado. A nossa vitória, com os votos dos baianos, será a vitória de um time unido, que segue unido”, agradeceu Angelo Coronel, que estava acompanhado do seu candidato a suplente, Davidson Magalhães.
O candidato do PSD ao Senado disse que não teme a inveja, quando Kertesz perguntou se a cirurgia de emergência, a que Coronel se submeteu, não foi “a energia negativa de aves de agouro”. “Sou católico, acredito em Deus e poucas pessoas não gostam de mim. E a todos eles eu perdôo, porque a mágoa não é coisa boa. Tenho uma armadura divina contra a inveja e a intriga”, disse Coronel.
“Wagner está consolidado com uma das vagas ao Senado, por ter sido um grande governador, e estou seguindo nesse vácuo para que meu nome se torne conhecido de todos os baianos. Nunca fui governador e não sou cantor gospel”, cutucou o candidato pessedista.
Lula: “Só o voto do povo pode salvar o Brasil”
Lula, no Jornal do Brasil
O Brasil está muito perto de decidir, mais uma vez, pelo voto soberano do povo, entre dois projetos de país: o que promove o desenvolvimento com inclusão social e aquele em que a visão de desenvolvimento econômico é sempre para tornar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. O primeiro projeto foi aprovado pela maioria nas quatro últimas eleições presidenciais. O segundo foi imposto por um golpe parlamentar e midiático travestido de impeachment.
Esta é a verdadeira disputa nas eleições de 7 de outubro. Foi por essa razão que meu nome cresceu nas pesquisas, pois o povo compreendeu que o modelo imposto pelo golpe está errado e precisa mudar. Cassaram minha candidatura, de forma arbitrária, para impedir a livre expressão popular. Mas é também pela existência de dois projetos em disputa que a candidatura de Fernando Haddad vem crescendo, na medida em que vai sendo identificada com nossas ideias.
Com alguma perplexidade, mas sem grande surpresa, vejo lideranças políticas e analistas da imprensa dizerem que o Brasil estaria dividido entre dois polos ideológicos. E que o país deveria buscar uma opção “de centro”, como se a opção pelo PT fosse “extremista”. Além de falsa e, em certos casos, hipócrita, é uma leitura oportunista, que visa confundir o eleitor e falsear o que está realmente em jogo.
Desde a fundação, em 1980, o PT polarizou, sim: contra a fome, a miséria, a injustiça social, a desigualdade, o atraso, o desemprego, o latifúndio, o preconceito, a discriminação, a submissão do país às oligarquias, ao capital financeiro e aos interesses estrangeiros. Foi lutando nesse campo, ao lado do povo, da democracia e dos interesses nacionais, que nos credenciamos a governar o país pelo voto; jamais pelo golpe.
O povo brasileiro não tem nenhuma dúvida sobre de que lado o PT sempre esteve, seja na oposição ou seja nos anos em que governamos o país. A sociedade não tem nenhuma dúvida quanto ao compromisso do PT com a democracia. Nascemos lutando por ela, quando a ditadura impunha a tortura, o arrocho dos salários e a perseguição aos trabalhadores. Fomos às ruas pelas diretas e fizemos a Constituinte avançar. Governamos com diálogo e participação social, num ambiente de paz.
A força eleitoral do PT está lastreada nessa trajetória de compromisso com o povo, a democracia e o Brasil; nas transformações que realizamos para superar a fome e a miséria, para oferecer oportunidades a quem nunca as teve, para provar que é possível governar para todos e não apenas para uma parcela de privilegiados, promovendo a maior ascensão social de todos os tempos, o maior crescimento econômico em décadas e a soberania do país.
Foi o povo que nos trouxe até aqui, apesar de todas as perseguições, para que se possa reverter o golpe e retomar o caminho da esperança nestas eleições. Se fecharam as portas à minha candidatura, abrimos outra com Fernando Haddad. É o povo que põe em xeque o projeto ultraliberal, e isso não estava no cálculo dos golpistas.
São eles o outro polo nestas eleições, qualquer que seja o nome de seu candidato, inclusive aquele que não ousam dizer. Já atenderam pelo nome de Aécio Neves, esse mesmo que hoje querem esconder. Tentaram um animador de auditório, um justiceiro e um aventureiro; restou-lhes um candidato sem votos. O nome deles poderá vir a ser o da serpente fascista, chocada no ninho do ódio, da violência e da mentira.
Foram eles que criaram essa ameaça à democracia e à civilização. Assumam a responsabilidade pelo que fizeram contra o povo, contra os trabalhadores, a democracia e a soberania nacional. Mas não venham pregar uma alternativa eleitoral “ao centro”, como se não fossem os responsáveis, em conluio com a Rede Globo, pelo despertar da barbárie. Escrevo este artigo para o “Jornal do Brasil” porque é um veículo que vem praticando a democracia e a pluralidade.
Quem flerta com a barbárie cultiva o extremismo. Quem luta contra ela nada tem de extremista. Tem compromisso com o povo, com o país e com a civilização. Na disputa entre civilização e barbárie, deve-se escolher um lado. Não dá pra ficar em cima do muro.
Em outubro teremos a oportunidade de resgatar a democracia outra vez, encerrando um dos períodos mais vergonhosos da história e dos mais sofridos para a nossa gente. Estou seguro de que estaremos juntos a todos os que lutaram pela conquista da democracia a duras penas e com grande sacrifício. E estaremos juntos às mulheres que não aceitam a submissão, aos negros, indígenas e a todos e todas que sofreram ao longo de séculos a discriminação e o preconceito.
Estaremos juntos, todos os que, independentemente de diferenças políticas e trajetórias distintas, têm sensibilidade social e convicções democráticas.
Será uma batalha difícil, como poucas. Mas estou certo de que a democracia será vitoriosa. De minha parte, estarei onde sempre estive: ao lado do povo, sem ilusões nem vacilações. Com amor pelo Brasil e compromisso com o povo, a paz, a democracia e a justiça social.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Ex-presidente da República e presidente de honra do Partido dos Trabalhadores
Vitória e derrota
Janio de Freitas, na Folha
A preocupação com a possibilidade de que militares oponham as armas ao voto encobre, mas não enfraquece, outra possibilidade negativa.
O juiz e os procuradores da Lava Jato, o tribunal federal da região Sul (o TRF-4), o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo já ganharam parte do seu confronto com a maioria do eleitorado, mas as pesquisas comprovam que há dificuldade para ir além. Lula ficou excluído das eleições, no entanto o PT e seu candidato mais do que sobrevivem. Meia vitória é, no mínimo, meia derrota.
Aquelas forças, que já foram chamadas de partido da justiça ou do Judiciário, há semanas mantêm-se como espectadoras. Não é um silêncio confiável, até por não terem experimentado sequer uma derrota nos seus quatro anos, e não se sabe como a receberiam agora. Ou como recebem a perspectiva de tê-la.
Comparados os anos recentes de militares e do sistema judicial, não é na caserna que se encontram motivos maiores de temer pelo estado democrático de direito. Os avanços sobre poderes do Legislativo e do Executivo, os abusos de poder contrários aos direitos civis, ilegalidades variadas contra os direitos humanos —a transgressão da ordem institucional, portanto— estão reconhecidos nas práticas do Judiciário e da Procuradoria da República.
Em tais condições, seria pouco mais do que corriqueiro o surgimento, nos dez dias que nos separam das eleições, de um petardo proveniente de juiz ou procurador para perturbar a disputa eleitoral, na hierarquia a que chegou.
Guitarras e fuzis
Jorge Portugal
Foi assim que eu vi as duas fotografias nas redes sociais – Bolsonaro na cama de um hospital encenando empunhar um fuzil, e Haddad fazendo um solo de guitarra, em êxtase – deu um estalo: O Brasil sempre adorou se dividir em blocos, torcidas e… Fla e Flu, Ba e Vi, coxinhas e mortadelas, e agora sugiro uma polaridade mais universal: guitarras e fuzis.
A guitarra me traz as melhores lembranças das minhas passagens, sendo a primeira aquela de Woodstock, quando Jimmy Hendrix, o maior guitarrista de todos os tempos, executou o hino nacional norte-americano, distorcido, e simulando sons de bombas jogadas sobre as cabeças dos norte-vietnamitas.Momento que deveria ganhar o Prêmio Nobel da Paz daquele ano; fuzis me recordam “aquele garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones” e, quando de sua guitarra se separou foi morto na guerra do Vietnã por “um instrumento que sempre dá a mesma nota rá-tá-tá-tá”. Guitarras me trazem a imagem de George Harrison solando “Somithing”, nos Beatles e “My sweet Lord”, já em brilhante voo individual; fuzis me trazem a recordação do assassinato do poeta Victor Jara no Estádio Nacional do Chile.Guitarras progressivas do Pink Floyd, do Yes; do ACDC, do Nirvana; baiana de Armandinho tocando “Brasileirinho” ou Zanzibar, para os meus mais belos sonhos de juventude baiana; Fuzis também que pairavam como uma espada de Dâmocles- metaforicamente e não – sobre a minha cabeça de jovem poeta e músico na clandestinidade das minhas lutas santamarenses.
O período Lula foi pura guitarra. Solos alucinados para as cotas universitárias, para o Minha casa, Minha vida, para o salário mínimo real, para a agricultura familiar, para a política externa soberana, para o pré-sal. FHC e Temer foram fuzis disparados na Vale do Rio Doce e na legislação trabalhista de Vargas.
Haddad, Ciro e Boulos são guitarras; Bolsonaro é fuzil barulhento; Alkmin, fuzil silencioso marca Opus Dei. Super mortal. Marina já foi guitarra, hoje rendida ao fuzil.
E você?














