:: ‘violencia contra a mulher’
Crimes passionais – Casos de amor: ciúme, desequilíbrio do sistema cerebral ou medo de perder o amado?
Sione Porto
O principal sentimento em um relacionamento afetuoso é o amor. Este desabrocha prima facie, de forma singela, sem nenhum compromisso maior, e vai crescendo na medida do conhecimento entre os enamorados. A transacionalidade é calma, confiante, duradoura, convergente e indispensável à cumplicidade afetiva. A paixão é cega e avassaladora, chega recheada de desejos e impulsos irrefreáveis. Preenche todos os espaços, já nasce desenfreada, senão com outra finalidade a não ser a de promover a integração dos indivíduos plenamente, num determinado momento, simples muitas vezes, exótica, diferente, inimaginável, assim, fascinante por esse motivo.
Enquanto o amor é altruísta, a paixão é pura emoção, mexe com o corpo e a mente, produzindo emoções, algumas vezes negativas. Daí, sobressai o ciúme, cujos elementos motivadores são a ansiedade, a angústia, a desconfiança, o egoísmo, o desejo de posse e o medo de perder o ser amado.
O ser humano ciumento jamais acredita nele mesmo, é escravo dos seus próprios sentimentos conflituosos. Rejeita a si mesmo, não aceita sua forma de agir, insatisfeito consigo mesmo. A baixa estima o transforma em um ser inferior. “É quase um delírio, porque a simples desconfiança da infidelidade se transforma em convicção”. Assim, surgem os delitos passionais. “Prefiro vê-la morta a perdê-la para outro”. A ideia central é que o parceiro é uma propriedade e que lhe pertence.
O mundo está em constante evolução, bem assim os seres humanos, com osseus sentimentos, que precisam acompanhar essas mudanças e a autodeterminação dos parceiros. Quando a constituição do amor organizacional passa por processos de rejeição, complexo de inferioridade, medo, raiva e fúria, pode-se dizer em outros termos que o ser humano está doente física e mentalmente. É o mesmo que lavagem cerebral de um egocentrismo exagerado. Aí, os amigos e a família, que são o eixo central, devem agir para a retomada do controle mental. Ninguém adoece da noite para o dia.O erro social se verifica na ausência da compreensão e aceitação da ajuda. Fingir para si mesmo, para os amigos e para a sociedade que tudo está normal faz parte dos casos, como aqueles que estão enfermos de câncer e fingem que a doença é outra, imaginando-os inatingíveis.
Sintomas que mostram a hora de buscar tratamento: Freud não explicou.
O céu é o limite – teias que aproximam o impenetrável. Multiplicidades de conexões interconectadas –, intimidades relevadas, canto desesperado. O grande erro social, ninguém percebe.
Mundo minimalista – busca da eternidade fotografada no cérebro.
A depender das características do autor, da vítima e da relação entre eles, cerca de um terço dos passionais prefere, após matar, o suicídio – as faces do amor não correspondido – coadjuvante do perdedor, aparência transformada, decadência, ruína, perguntas sem respostas, “simplesmente terminou”.
Gran finale! O quadro patológico acaba em amor e tragédia. Prólogo: crime por paixão.
Nas estratégias de driblar os que todos veem, especialmente o mal da depressão, são incutidos valores de surrealismo em seus comportamentos. “Isso é só uma fase”. Quem dera que fosse. Matar e morrer, ou simplesmente matar, dores físicas, dor no peito, o inferno do ciúme. Um caso de amor, perda e saudade.
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Sione Porto é escritora e ex-titular da Delegacia de Proteção à Mulher em Itabuna
Queixas de violência contra a mulher podem ser registradas em unidade do SAC

Prestar depoimentos e registrar ocorrências, como violência doméstica contra a mulher. Esses são alguns dos nove serviços disponíveis à população na nova unidade da Polícia Civil. O posto, que funciona no SAC Salvador Shopping, tem capacidade para realizar 740 atendimentos por mês. A unidade conta com serviços de registro de ocorrências para o público em geral, mas tem como foco o público feminino, com os serviços de depoimentos on-line pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Também é possível agendar depoimentos para as Delegacias Territoriais da Barra, Pituba e de Camaçari, além da Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur).
O posto, que foi inaugurado em 7 de agosto, em celebração aos 17 anos da Lei Maria da Penha, chega para trazer ainda mais comodidade e discrição aos cidadãos. A delegada-geral da Polícia Civil, Heloísa Campos de Brito, destaca que a iniciativa é um grande reforço na proteção das vítimas de violência doméstica e familiar. “A partir desta união de esforços e expertise do SAC com a Polícia Civil, está sendo implementado um serviço de acolhimento e eficiência, em um ambiente mais acessível para as mulheres”, destacou.
O atendimento é realizado mediante agendamento no SAC Digital. O serviço de registro de ocorrências para o público em geral pode ser realizado de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Já os depoimentos on-line para o público feminino são realizados, inicialmente, às quartas-feiras, no turno vespertino. Para acessar o SAC Digital é só baixar o aplicativo ou através do portal www.sacdigital.ba.gov.br.
Estrutura e privacidade
Governo da Bahia lança campanha ‘Se a gente não fala, a violência não para’ e destaca importância de denunciar casos de violência contra a mulher
“A gente precisa pensar em uma sociedade em que o amor seja a mola propulsora, e não o medo”, disse Thaís Reis, roteirista do filme publicitário que dá nome à campanha ‘Se a gente não fala, a violência não para’, do Governo da Bahia, lançada na quinta-feira (13). Em menção a Bell Hooks no seu livro ‘Tudo sobre o Amor’, ela destaca que a campanha em combate à violência de gênero tem o horizonte de construir uma sociedade do cuidado mútuo, na qual o enfrentamento à violência seja uma responsabilidade de todos. “Essa produção é uma espécie de chamado coletivo”, frisou.

O trabalho de pesquisa para a construção da campanha passou por um mergulho da autora nos estudos feministas, para o entendimento de que a agressão física se apresenta como resultado de uma série de violências que acontecem antes, e que pode levar ao feminicídio. “A violência é só o final. É a última etapa em uma sociedade estruturalmente concebida para que as mulheres sejam subjugadas. Então, vem lá do comecinho, na construção de feminilidade e de masculinidade quando ainda somos crianças”, resgatou Thaís, referindo-se à cultura patriarcal que sustenta as violências de gênero.

A produção mostra um casal socializando com outras pessoas em uma confraternização, onde o homem é descontraído com todos e atencioso com a sua parceira. Após saírem da festa, no entanto, ainda no carro, esse mesmo homem demonstra um comportamento completamente diferente. As agressões seguem no elevador, até chegarem em casa. No final, a cena de viaturas da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros chegando ao prédio dá a entender que a agressão contra a mulher terminou em tragédia. O principal objetivo do filme é chamar atenção de todos para a necessidade de falar sobre a violência contra mulheres e a importância de denunciar os agressores.
Caso Luana: manifestação clama por justiça e combate à violência contra a mulher
O Jardim do Ó, no centro de Itabuna, será palco nesta quinta-feira (05), de uma manifestação em resposta ao crescente número alarmante de feminicídios no Brasil. O ato, previsto para começar a partir das 9 horas, também tem como objetivo homenagear a memória de Luana Santos Brito, brutalmente assassinada na noite do dia 29 de junho. Além de cobrar por justiça, o protesto será uma uma forma é de prestar solidariedade a todas as mulheres vítimas de violência.
Dados assustadores revelam que entre 2017 e 2022, o número de feminicídios aumentou em 37%, refletindo uma triste realidade que exige uma ação enérgica por parte das autoridades e da sociedade como um todo. Diante desse cenário, o movimento feminista tem se mobilizado intensamente para combater essa grave violação dos direitos da mulher e exigir políticas públicas efetivas que enfrentem o problema de frente.
A manifestação contará com a participação ativa da CTB Mulher (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), bem como de diversas outras entidades feministas comprometidas com a luta pelos direitos das mulheres. “A união dessas organizações busca transmitir uma mensagem clara e contundente: não podemos mais tolerar que mulheres percam suas vidas de forma tão brutal e injusta”, diz um dos coordenadores do evento.
Familiares e amigos de Luana Brito também estão se organizando para participar da manifestação.
Andrea Castro repudia atos criminosos contra as mulheres no Sul da Bahia
Nos últimos dias, as cidades de Itabuna e Ilhéus foram abaladas com mais casos de feminicídio que evidencia a urgência de combater a violência contra a mulher. Luana Brito, mulher, mãe e cabeleireira que trabalhava em um salão de beleza em Itabuna, perdeu sua vida, na última quinta-feira (29/06), de forma trágica nas mãos de seu ex-marido, principal suspeito do crime.
A outra vítima foi Jade Horrana Gomes Café, de 27 anos. O crime aconteceu na noite de domingo (2), no bairro Malhado, em Ilhéus. De acordo com a Polícia Civil da cidade, inicialmente o caso é tratado como feminicídio pois o suspeito seria companheiro da vítima.
De acordo com a Policia Civil, em 2023, seis mulheres são mortas por mês na Bahia vítimas de feminicídio. Esses dados trazem à tona novamente a discussão sobre a violência de gênero e a necessidade de fortalecer as campanhas de conscientização e combate à violência contra a mulher. Esses atos demonstram como ainda existem resquícios de uma cultura machista arraigada em nossa sociedade, que coloca em risco a vida de tantas mulheres.
Violência contra a Mulher
Cleide Léria Rodrigues
Olhamos com gratidão para todas as mulheres que nos trouxeram até aqui. Por elas e por todas as mulheres do mundo , uma lembrança do quanto o feminino é especial , importante e transformador para o mundo.
Em homenagem à essas mulheres gostaria de falar sobre algo sério: A Violência Contra Mulher.
Em 2021 , falando apenas em números oficiais, o Brasil registrou um estupro a cada 10 minutos e um feminicídio a cada 7 horas , segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança ( FBSP).
Por isso , mais do que homenagens ,essa data de 08 de março deve ser utilizada em busca de mudanças efetivas , sejam comportamentais ou culturais . E seja feita o ano todo.
A psicologia segue atuando no combate à violência contra a mulher através de ações como quebra de sigilo em casos de violência contra mulher que está no Código de Ética do Profissional Psicólogo
A/O psicóloga /o tem um papel importante nesses casos, além de acolher , orientar e fortalecer a autonomia dessas mulheres , é imprescindível que se faça fazer a comunicação externa às autoridades, em casos de risco de vida.
E aí, vamos juntas nesta luta?
Um grande abraço!
Cleide Léria Rodrigues é Psicóloga – CRP03 18383.
Guarda Civil de Itabuna e Conselho Municipal promovem ações contra a violência de que a mulher é vítima

A campanha dos “21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas” ganhou reforço em Itabuna neste mês com ações conjuntas executadas pela Patrulha Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal, e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Nesta quarta-feira, dia 23, por exemplo, a programação iniciada ontem, dia 21, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, no domingo, continuou com uma roda de conversa na Unidade Básica de Saúde Roberto Santos, no Bairro Santo Antônio. Representantes da Guarda Civil, Câmara de Vereadores, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Associação dos Agentes Comunitários de Saúde fizeram palestras.
A coordenadora da Patrulha Guardiã Maria da Penha, inspetora Núbia Cristina de Oliveira, explicou que a campanha dos “21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Crianças” foi criada em 1992, com o objetivo de promover o debate e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.
Não é admissível qualquer tipo de comportamento violento contra a mulher”, afirma Jerônimo Rodrigues
O candidato a governador do Estado pelo PT, Jerônimo Rodrigues, defendeu o enfrentamento à “mentalidade machista” como forma de combater os crimes contra as mulheres. Em vídeo enviado ao Portal G1, o postulante petista disse que antes de tudo, deve-se punir os agressores. “Não podemos admitir qualquer tipo de comportamento violento contra a mulher. Iremos estimular as denúncias e acolher ainda melhor as vítimas de violência, ampliando o número de unidades policiais especializadas e prestar assistência com atendimento psicológicos, abrigos, assistência financeira e qualificação profissional. Mais autonomia significa mais proteção. Também vamos atuar de forma intensa com campanhas e ações educativas”, defendeu.
Jerônimo lembrou que a Lei Maria da Penha, sancionada pelo presidente Lula em 2006, foi constituída a partir do movimento de mulheres, garantindo punição ao agressor, e na Bahia, programas premiados como a Ronda Maria da Penha tem garantido avanço no combate à violência e proteção às mulheres baianas. “Implantamos 11 delegacias especializadas [DEAM] e criamos, desde 2012, a Secretaria de Políticas para as Mulheres. Somos o único estado que conta com esse tipo de secretaria”, disse o candidato, ao garantir que o seu governo avançará ainda mais no tema.
“Serei um governador de uma sociedade com mais justiça e igualdade, afinal fui criado e educado por mulheres fortes, que me ensinaram que todos nós, independente de gênero ou raça, ou qualquer outra condição, somos merecedores de respeito”, afirmou Jerônimo.
PT estadual e municipal e municipal repudiam violência contra a mulher
O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Santo Estêvão, juntamente com a Secretaria Estadual de Mulheres do PT da Bahia, ficou estarrecido com a morte de Jéssica Regina Macedo do Carmo e seu filho, ainda em gestação, no dia 05 de fevereiro. Jéssica foi casada com George Breu, chefe de gabinete do Governo Municipal.
Dada a cultura machista vigente no sistema patriarcal, as mulheres têm suas vivências marcadas pela violência. Essas circunstâncias atravessam gerações a partir da naturalização e invisibilidade de diversos casos.
Historicamente, no PT, travamos uma luta constante contra o machismo, que utiliza das violências física, psicológica, patrimonial, moral e sexual como iniciativas de coação e controle da vida das mulheres. Deste modo, condenamos todo e qualquer tipo de violência, sobretudo contra as mulheres.
Desde nossa fundação, o PT defende e luta por uma sociedade com igualdade de gênero. Temos uma trajetória de fortalecimento da luta das mulheres e construção efetiva da paridade na participação e decisões dos rumos do partido, como estratégia para enfrentamento ao patriarcado e ao machismo, seja na luta social, seja nas instâncias partidárias.
Mais de três mil mulheres acessam Zap Respeita as Mina em busca de orientações
O Zap Respeita as Mina recebeu 3.114 acessos via whatsapp e webchat nos três primeiros meses de funcionamento (de outubro de 2020 a janeiro de 2021). Os dados estão no último boletim da ferramenta, que utiliza inteligência artificial para gerar informações referentes à violência doméstica e familiar e, ao identificar casos de emergência, direciona a usuária para atendentes em contato com o serviço 190 da Polícia Militar. Para acessar o zap, basta enviar mensagem para o número (71) 3117 – 2815 ou acessar o site www.mulheres.ba.gov.br.
A ferramenta foi lançada pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA), com o apoio da Secretaria de Segurança Pública (SSP), com o objetivo de oferecer mais um canal de atendimento às baianas vítimas de violência no período da pandemia.
O relatório aponta o aumento da utilização do serviço na capital e no interior do estado, mas 70% dos acessos ainda são feitos de Salvador. Apenas 17 municípios baianos originaram acessos ao serviço. As cidades de Lauro de Freitas, Camaçari e Dias D’avila, todas na Região Metropolitana são as cidades com maior frequência de acionamentos, depois da capital onde 101 bairros já foram atendidos.















