:: ‘Sul da Bahia’
Irmão Sol, Irmã Lua
Daniel Thame
Ele era trabalhador rural numa fazenda em Canavieiras, cidade que era o limite de seu mundo e para onde ia, todos os finais de semana, fazer a feira, composta de arroz, feijão, farinha, óleo, açúcar, sal e, de vez em quando, jabá, fato e chupa-molho.
Além, é claro, da garrafa de cachaça.
Ela era mulher de um trabalhador rural em Ipiaú, cidade que era o limite de seu mundo e para onde ia, todos os finais de semana, orar no culto na igreja evangélica que lhe oferecia o céu como compensação para a vida dura na terra.
Orava pela saúde do marido, cujo trabalho garantia o sustento da família, e por um futuro melhor para os três filhos.
Se essa fosse a vontade de Deus…
Quando vieram os sinais de que a crise provocada pela vassoura-de-bruxa era pior do que se imaginava, ele foi despedido da fazenda e mudou-se para Camacan, onde conseguiu um emprego de gari na prefeitura.
Como a bruxa não tinha limites e se alastrava por toda a região, o marido dela também perdeu o emprego. Tão logo chegaram a Ubaitaba, para onde se mudaram, ela conseguiu um emprego de doméstica. Meses depois, o marido a abandonou e sumiu no mundo, deixando-a sozinha com três crianças para cuidar.
Quando a prefeitura de Camacan, abalada pela decadência da cidade e com a arrecadação despencando, teve que demitir funcionários, os apadrinhados foram mantidos, ele, pobre gari, perdeu o emprego.
Foi tentar a vida em Itabuna, onde passou a viver de pequenos bicos e morar num barraco no Maria Pinheiro, bairro paupérrimo nas fraldas da periferia da cidade.
Em Ubaitaba, a patroa, empobrecida pela crise, não teve como manter a empregada. Penalizada, ainda deu o dinheiro para a viagem até Itabuna, o máximo aonde aquela pobre mulher poderia ir.
No mesmo bairro Maria Pinheiro, montou um barraco, misto de papelão e restos de madeira, e passou a trabalhar como lavadeira, ganhando o pão com o suor do seu rosto banhando as águas do Rio Cachoeira.
Os dois se cruzaram quando ele voltava do centro da cidade, onde acabara de ganhar 15 reais para limpar um terreno, e ela levava na cabeça uma imensa trouxa de roupas.
Ele se ofereceu para ajudar, ela aceitou.
No barraco, ele aceitou o café ralo que ela ofereceu.
Sorriram, escancarando os poucos dentes daquelas bocas que, na sequência, trocaram o primeiro beijo.
Dias depois, estavam morando juntos, dividindo a mesma cama sob um teto cheio de buracos em que, nas lindas noites de verão, podiam contemplar estrelas, distraídos.
A bruxa, que tantas vidas havia tragado, tantas tragédias pessoais e coletivas havia causado, abençoou aquele encontro mais do que improvável.
Virou, ainda que por linhas tortas, uma fada.
E eles, que nunca tiveram nada, juntaram o pouco que agora tinham e foram felizes para sempre!
——
Conto extraído do livro “Vassoura”- a história que Jorge Amado não viveu pra contar- Editora Via Litterarum
Flicarezinha tem atrações para o público infantojuvenil na Flicaré 2024
A 2ª Edição da Festa Literária de Itacaré, que acontece de 24 a 26 de outubro na Praça São Miguel terá um espaço dedicado ao público infantojuvenil. A Flicarezinha terá atividades como contação de histórias, lançamento de livros, apresentação de escolas, balé, dança, música e o concurso Cabelo Maluco.

O curador da Flicaré, Rafael Gama, destaca que “a Flicarezinha é um espaço importante para despertar o gosto pela literatura e outras manifestações artísticas logo na infância e também para valorizar a rica cultura do Sul da Bahia, contribuindo para o surgimento não apenas de novos leitores, mas também de futuros autores”.
A Flicaré 2024 tem como tema “Do cacau ao chocolate: histórias, leituras e oralituras de Itacaré”.
PROGRAMAÇÃO DA FLICAREZINHA
12ª edição do Festival de Dança Itacaré terá programação com espetáculos brasileiros e estrangeiros
De um quilombo urbano para o mundo: a programação do XII Festival de Dança Itacaré marca a internacionalização do evento, que vai transformar a cidade litorânea no sul da Bahia em palco de uma programação composta por artistas de dança do Brasil e de mais cinco países. O Festival acontece de 28 de outubro a 10 de novembro com acesso gratuito e classificação livre para a maioria das atividades. Além de Itacaré, Ilhéus também será contemplada na programação, sediando parte das atividades. Acesse a programação em www.festivaldedancaitacare.com.br/ANO-XII/

Consolidando a expansão do alcance, o tema deste ano será Expande Expande. A programação contempla artistas de dança brasileiros/as da Bahia, Piauí, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Minas Gerais, e também de países como Argentina, França, Costa do Marfim, Moçambique e Portugal. Durante os 14 dias de Festival, serão promovidas performances, espetáculos, intervenções, exibições de vídeo e oficinas-espetáculo – que são atividades formativas que resultam na construção coletiva de uma apresentação, com participação condicionada à inscrição.
Empresários de Itacaré, participam do maior evento de qualificação profissional para Cerimonialistas do Brasil

Empresários de Itacaré participaram do Workshop Cerimonial Social do Nordeste, maior evento para cerimonialistas em linha reta do Brasil, aconteceu nos dias 21 e 22 de outubro em Recife-PE, chega a sua 12a edição com o tema “Workshops Destinos – As diversidades dos destinos para eventos”. Evento dos mais importantes no seguimento, visa apresentar cenários com focos inspiradores a exemplo de hotéis, praias, cachoeiras, fazendas e diversos espaços.

Itacaré é uma cidade localizada no litoral do sul da Bahia, repleta de belezas naturais, desde mar azul, cachoeiras e trilhas composta pela mata atlântica. Conta ainda com uma rede hoteleira diversificada, pousadas, restaurantes, atrativos culturais e toda estrutura que compõem um cenário perfeito para se tornar uma potência no destination wedding.

O casal de empresários, Lourival Junior e Thiára Novaes, proprietários do Restaurante e casa de eventos Mirantes Marina, estão participando do evento na capital Pernambucana, com objetivo de reciclar e qualificar ainda mais Itacaré, como opção dos casais do Brasil e do Exterior, que já escolhem o Destino para casamentos.
Flicaré 2024 destaca cacau e chocolate na literatura sulbaiana
Festa Literária de Itacaré terá lançamento de livros, música,
artesanato e gastronomia

Será realizada de 24 a 26 de outubro, a 2ª Edição da Festa Literária de Itacaré, que acontece na Praça São Miguel. Este ano, a Flicaré tem como tema “Do cacau ao chocolate: histórias, leituras e oralituras de Itacaré”.
O homenageado da edição é um morador da cidade: Roberto Setúbal, definido pelos organizadores como “um proeminente guardião da memória de Itacaré”. A programação inclui mesas, contações de histórias, lançamentos coletivos e divulgação de autores e obras regionais, apresentações culturais, oficinas, exposição de obras de arte, apresentação musical de artistas locais e regionais, concurso literário entre outras atividades.

A Flicaré, promovida pela Prefeitura de Itacaré através da Secretaria Municipal de Educação, com o apoio do Governo da Bahia, e que tem como curador Rafael Gama, também terá um espaço para o público infanto-juvenil, com a realização da Flicarezinha 2024.

Rafael Gama
Cenário da novela ´Cacau`, exibida pela TVI Portugal e já comercializada para cerca de quinze países europeus, Itacaré é hoje um dos principais destinos turísticos do Brasil e do mundo e agora entra no circuito das festas literárias, que além de incentivarem a leitura, movimentam toda a economia da cidade.
PROGRAMAÇÃO DA FLICARÉ 2024
Itacaré entra na rota de navios de cruzeiro

Navios de cruzeiro vão ancorar na Praia da Concha em Itacaré em ação articulada por João Viana, da Ertour, com a Prefeitura local
O dia 1º de novembro será histórico para o turismo e a economia de Itacaré, quando o município sul-baiano entrará na rota dos navios de cruzeiros de médio porte. Cerca de 150 passageiros vão desembarcar na Praia da Concha neste dia. Quatro dias depois, outro cruzeiro ancora no município com nova leva de turistas, que serão transportados da praia até terra firme por meio de botes.
João Viana, da Ertour Receptivo, define o momento como único para o destino turístico da Costa do Cacau. “Essas visitas marcam o início de uma temporada promissora para o turismo, com grandes expectativas de movimentação econômica e promoção do destino. Estamos ansiosos e preparados para entregar o melhor serviço e receber bem os visitantes”, disse o empresário, considerado parceiro da gestão municipal.
RECEPTIVO
As secretarias de Turismo de Itacaré e da Bahia e a Ertour definem os últimos detalhes para o que definem como receptivo marcante para os turistas. A Prefeitura de Itacaré vai movimentar vários setores de governo para levar a melhor impressão a quem chegará ao destino pelo mar. São tratados detalhes como organização do trânsito, limpeza urbana, equipes de salva-vidas e a mobilização dos comerciantes locais. A Rua da Pituba estará fechada nestes dias para facilitar a circulação dos visitantes.
Educação indígena Pataxó é tema de curta inédito na TVE
O curta-metragem ‘Sementes de saberes Pataxó: educação indígena na Aldeia Kaí’ estreia na tela da TVE nesta segunda-feira (21), às 20h. Abordando a educação pataxó na Aldeia Kaí, terra indígena de Comexatibá, no Extremo Sul da Bahia, o filme traz lideranças e professoras que revelam a importância da criação da Escola Estadual Indígena Kij?txawê Zabelê na comunidade para a manutenção dos saberes, costumes e tradição do Povo Pataxó. O curta também pode ser conferido em horário alternativo na quinta-feira (31), às 20h.

No Sul da Bahia, cacau também é símbolo de resistência

Alex Pantera
O sul da Bahia é uma região marcada por uma história de resistência e preservação cultural, protagonizada por comunidades quilombolas e indígenas que, por séculos, mantiveram vivas suas tradições e modos de vida. Um dos maiores símbolos dessa resistência é o cultivo do cacau, que se entrelaça com a história dessas populações e com a preservação ambiental. Atualmente, estima-se que existam cerca de 2.000 comunidades quilombolas certificadas no Brasil, sendo que aproximadamente 84 delas estão localizadas no estado da Bahia, com uma expressiva presença na região cacaueira. Somado a isso, os povos indígenas, como os Pataxós e Tupinambás, também desempenham um papel crucial na defesa da biodiversidade e da agricultura tradicional.
Essas comunidades têm sido guardiãs do cacau, em especial através de um sistema agroflorestal chamado “cabruca”, onde as árvores de cacau são plantadas sob a sombra da Mata Atlântica. Esse sistema permite a produção de cacau sem a devastação florestal, mantendo mais de 70% da cobertura vegetal original. A área preservada por esse tipo de cultivo na região sul da Bahia cobre aproximadamente 500 mil hectares, formando um verdadeiro cinturão verde em um dos biomas mais ameaçados do mundo. A preservação ambiental promovida pelas práticas quilombolas e indígenas não só protege a biodiversidade local, como também oferece um produto de alta qualidade que tem conquistado o mercado global.
O cacau produzido por essas comunidades tem se destacado no cenário internacional. Dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) apontam que, em 2021, o Brasil produziu cerca de 245 mil toneladas de cacau, com a Bahia sendo responsável por mais de 70% dessa produção. Dentre essa produção, o chamado “cacau fino” ou “cacau gourmet”, majoritariamente cultivado por pequenos produtores e quilombolas, tem alcançado preços até 300% superiores ao cacau comum no mercado internacional. Isso reflete o reconhecimento pela alta qualidade do cacau baiano, especialmente o produzido de forma sustentável e tradicional.
Os prefeitos passam, o Rio Cachoeira fica

Cleber Isaac Filho
O lendário Cachoeira, no sul da Bahia, tem enfrentado sérios problemas com as mudanças climáticas e a ação humana. Nos últimos anos, o rio tem sofrido com secas mais longas, o que afeta o abastecimento de água e a vida aquática. Além disso, temos visto o oposto também: chuvas fortes fora de época que provocam enchentes. As inundações que aconteceram em 2021 e 2022 são um alerta, e há uma preocupação real de que essas enchentes se repitam.
Outro problema é o desmatamento nas margens do rio, que está acelerando a erosão do solo. Isso faz com que o rio fique mais raso por causa do acúmulo de sedimentos, dificultando a navegação e piorando a qualidade da água.
Essas mudanças todas colocam a biodiversidade local em risco, com algumas espécies de peixes já sofrendo bastante. Tudo isso mostra como é urgente agir para evitar que a situação piore, especialmente com o medo de novas enchentes e os impactos diretos que elas trazem para quem vive próximo ao rio.
Diante de todos esses desafios, fica a pergunta: será que os novos prefeitos de Ilhéus e Itabuna, recentemente eleitos, já colocaram essa questão na pauta? Afinal, proteger o Rio Cachoeira e prevenir novas enchentes deveria ser uma prioridade para evitar que a história de 2021 e 2022 se repita.
PF combate crimes de armazenamento e compartilhamento de abuso sexual infantojuvenil no Sul da Bahia
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (17/10), a Operação Material Proibido com o objetivo de combater o armazenamento e distribuição de arquivos, imagens e vídeos com conteúdo relacionado ao abuso sexual infantojuvenil através da internet. Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Ilhéus, Itabuna e Aurelino Leal.
As investigações foram baseadas em um trabalho de inteligência que identificou usuários que utilizam redes sociais, serviços de e-mail e de armazenamento de arquivos para distribuir o conteúdo contendo cenas de abuso via internet.
Com a continuidade das investigações nos inquéritos policiais, após análise pericial do material apreendido e depoimentos dos envolvidos, será apurado a participação de cada um dos investigados nos crimes.













