:: ‘Walmir Rosário’
Quem disse que traíra tem espinhas?
Walmir Rosário
Ficou bem pra trás o tempo em que preparar uma boa peixada era coisa de “beiradeiro” (pessoa do litoral), acostumado aos diversos tipos e qualidade de peixes e qual a maneira mais correta de prepará-los, se cozido, frito, escabeche, etc.
Mas esse tempo já passou e hoje em todo o Brasil os frutos do mar, peixes aí incluídos, fazem parte dos cardápios de restaurantes de Norte a Sul, Leste a Oeste do País. Em cada região são destacadas as regionalidades, com seus temperos especiais e o toque de cada cozinheiro(a).
Em Minas Gerais não é diferente, ao contrário, as receitas apresentam sabores diferentes e exclusivos, principalmente quando a matéria-prima são os peixes de água doce. Cada um melhor que a outra, diferenciando apenas pelos temperos e tipo de panela (fritura ou cozimento).
Também não é de se admirar, pois Minas Gerais tem as nascentes dos grandes rios brasileiros, a exemplo do São Francisco, Doce, Jequitinhonha, Mucuri, Pardo; Grande e Paranaíba (que formam o Paraná); Piracicaba, somente para ficar nos mais conhecidos e que cortam vários estados brasileiros.
Mas não é propriamente só dos rios que vem um dos peixes, mas das represas, açudes, lagos e lagoas dos grotões mineiros: é a Traíra, (Hoplias sp.) ou Lobó, um peixe carnívoro de água doce da família dos caracídeos.
“Teje preso, seu amarrado!
Walmir Rosário
Lembro-me bem que nos tempos em que ainda criança, a segurança pública era feita com muito esmero, embora os exageros também fossem fecundos. Não era pra menos, pois os tempos eram outros, em que não se falava em direitos humanos. O que valia mesmo era a palavra das autoridades, ou na falta delas, de alguém que detivesse algum poder.
Em matéria de segurança, em Itabuna, os equipamentos eram bem distribuídos. Em cada um dos bairros existia um aparelho da delegacia, com delegado e os chamados “inspetores”, geralmente um funcionário da prefeitura destinado para este fim, ou alguém que tinha a polícia como vocação, vontade essa não realizada.
A autoridade competente em cada um desses bairros era alguém indicado pelo prefeito por ser seu amigo, seu cabo eleitoral, ou alguém com coragem suficiente para meter os meliantes no xadrez. Sim, em cada um desses aparatos existia uma cela, onde eram “enjaulados” aqueles que cometiam qualquer deslises contra a comunidade.
De pequenos furtos, roubos, brigas de ruas, bares e de marido e mulher, tudo era resolvido pelo delegado (chamado de calça curta), com o auxílio do inspetor. A depender do crime praticado, o meliante, pra começo de conversa, tinha que respeitar a autoridade e era submetido a uma sova, que podia ser na “mão grande” ou outros apetrechos mais apropriados, como a uma palmatória, bainha de facão, ou o próprio, batido com a banda ou folha, para que aprendesse a se comportar.
Mas, pelo que pude observar, não era uma profissão – se é que assim pode ser chamada essa obrigação – muito segura, pois tinha lá os seus percalços, que o diga um amigo meu que assumiu esse posto máximo de segurança em Ferradas. Ao receber a voz de prisão do delegado, o bandido que ceifou a vida de um irmão de sangue ameaçou, dizendo de pronto: “Se o delegado está vendo o que fiz com ele, que é meu irmão, pode imaginar o que farei com o senhor quando for solto”. Imediatamente, a voz de prisão se transformou em “esteja solto”. O que facultou o amigo Faruk a desfrutar sua proveitosa aposentadoria.
Amigo do Rei tinha lá suas vantagens
Por Walmir Rosário
Em plena segunda-feira, 7 de Setembro, passei o dia inteirinho que Deus me deu sem sair de casa. Não por falta de vontade de dar uns bordejos pela rua, como costumava fazer até o ano passado, mas devido as incertezas se realmente seria um daqueles feriados de mentirinha, preferi continuar no recôndito do meu lar e, de certa forma, contribuir com os pedidos de fique em casa, feitos pelas nossas autoridades.
Confesso que preferiria ir as ruas para comemorar os 198 anos do início da luta pela sonhada independência do Brasil do jugo da Corte Portuguesa, acenar com uma bandeirinha verde amarela e festejar o garboso desfile da juventude. Mas pesou bastante na minha decisão de ficar recluso não festejar o 7 de Setembro – com S maiúsculo – por um único motivo: não festejei, como faço anualmente, o último 2 de Julho.
Não que eu queira desmerecer a data oficial do 7 de Setembro, comemorada em todo o Brasil e onde mais existam brasileiros. De maneira alguma, pois me considero um patriota de quatro costados. Minha decisão se baseou em não quebrar o rito, a liturgia das celebrações das duas festas, em que em uma data comemoro o ato oficial e em outra a expulsão dos portugueses da Bahia, consequentemente do Brasil.

Os mais afoitos dirão que estou redondamente enganado, pois deveria obedecer a ordem cronológica: primeiro o 7 de Setembro – o de 1922 – e, posteriormente o 2 de Julho – este de 1823 –, quando expulsamos o general Madeira de Melo de nosso torrão natal. Asseguro que essa sequência não tem a menor importância, haja vista que a chamada Independência da Bahia só foi transformada em feriado na Constituição Baiana de 1989.
Ceplac, o fim. Melhor tratar da sucessão
Walmir Rosário
Ao que tudo indica, a paciente está em situação terminal, respirando por aparelhos e todos os medicamentos receitados não conseguem debelar a septicemia; morte na certa, apesar de todos os esforços. A enfermidade que acometeu a Ceplac desse mal de morte vem de muitos anos, e as internações em enfermaria, Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e agora na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não conseguiram salvá-la.
Como diagnosticada anteriormente, o mal era de morte e o tratamento nem sempre obedeceu a frequência recomendada pela equipe médica, seja por culpa própria de não se submeter à terapia, ou pela mendicância do “sistema de saúde”. O roto não pode falar do mal vestido, pois concorreram igualmente para que a paciente chegasse ao quadro irreversível de infecção generalizada.
Muito se debateu sobre a independência ou autonomia administrativa e financeira da Ceplac, que sempre ostentou um nome principesco: Comissão Executiva do Plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira. Passada a primeira fase, a de recuperação financeira, sofre um corte no nome Recuperação, o que não foi suficiente para esconder suas mazelas, que sangram até o presente momento.
E não foi por falta de trabalho – apesar de manter alguns fantasmas e improdutivos –, porque a maioria fez a diferença, transformando uma região que teve sua principal matriz econômica em situação gravosa em rica e produtiva. E a Ceplac de Carlos Brandão e José Haroldo Castro Vieira cuidou não só do cacau, mas da economia como um todo, da cultura, e do social. Bons tempos aqueles!
Hoje, quando falamos em Ceplac temos pouco a comemorar. Há uns dias recebi de um velho colega ceplaqueano um bilhete, via whatsapp que, em tom fúnebre, dizia: “Está acontecendo o que esperávamos quanto ao fechamento total da Ceplac. O superintendente pediu que entrasse em contato contigo [outra pessoa] e te colocasse a par do que está acontecendo”.
Comunicação triste com a partida de seu Gogó de Ouro
Por Walmir Rosário
Elival Vieira dos Santos foi o nome recebido na pia de batismo, mas Ilhéus, a Bahia e o Brasil o conhecia como Saldanha, o Gogó de Ouro, voz que tanto sucesso fez pelas emissoras de rádio, documentários em TV, palanques e reuniões. Foi chamado por Deus na tarde deste sábado (25), sem se despedir dos parentes e amigos. Não deu tempo, o coração falhou e nem esperou a cirurgia marcada para esta segunda-feira (27).
Saldanha completaria 71 anos no próximo dia 8 de agosto próximo e prometia brindar com os amigos a passagem de mais um ano e foi impotente para fazer o tempo parar por uns dias. Desígnio de Deus, com certeza. Ilhéus perde um dos seus filhos ilustres, daqueles que, embora não tenha nascido no solo desta mãe gentil, o é por direito, por Título de Cidadão conferido pela Câmara Municipal.
Conheci Saldanha por volta do final da década de 1970, num dos muitos eventos de comunicação. De logo, nos tornamos mais que conhecidos – amigos. Quando nos encontrávamos passávamos os fatos em revista, e ele, com a gentileza de sempre, fazia questão de elogiar os trabalhos, contava seus planos futuros e sua intenção de entrar na política como parlamentar.
Participar de um evento com Saldanha era certeza de alegria, pois contagiava a todos com os elogios, como se estivesse falando para multidões. Fazia questão que todos ouvissem o seu discurso, mesmo que particular. Sabia, como ninguém, quebrar o “gelo” numa entrevista coletiva, ao pedir a palavra e direcionar uma pergunta para o presidente, governador, senador, deputado ou prefeito.
Antigamente eram só remédios contra verme…
Walmir Rosário
A cada dia que passa nesse complicado calendário do ano da (des)graça de 2020 se torna mais difícil cumprir a sentença dada pelo ainda candidato a presidente Jair Bolsonaro em fazer do nosso país mais Brasil e menos Brasília. São tantos os percalços, as arapucas, artifícios, ciladas e emboscadas armadas para uma parte dos poderosos se manterem no mesmo status quo, que fica difícil enxergar uma luz no fim do túnel.
Faço todo esse escarcéu para simplesmente me referir à ação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agência reguladora que trata de um monte de coisas, inclusive os medicamentos, em proibir a venda do antiparasitário Ivermectina sem receita médica. E o principal argumento é que esse antiparasitário poderá causar uma série de complicações, inclusive a neurotoxidade.
Explicação muito simples. Pra mim, que não ostento nenhuma patente de conhecedor, especialista ou doutor na área de farmacologia ou medicina, minha visão é completamente outra. Na minha burrice científica, essa proibição é apenas um estratagema para proibir o seu uso contra a Covid-19, por compor um kit medicamento com a hidroxicloroquina, cloroquina e azitromicina.
Não perderei meu tempo e dos prezados leitores para debater ciência médica, tema totalmente desconhecido para mim. O que quero tratar são os métodos direcionados apenas e tão somente à ivermectina. Um antiparasitário como centenas deles que se encontram nas prateleiras das farmácias, muitas das vezes nas gôndolas, oferecidos em promoções e descontos espetaculares.
Se pegarmos a bula da ivermectina, por certo nos depararemos com as recomendações de que o uso indevido do remédio pode gerar efeitos colaterais como diarreia, náuseas, anorexia e constipação. Além disso, pode desencadear reações ao Sistema Nervoso Central e consequências na pele com urticária, prurido e erupções. Quem sou eu para discordar dos doutos cientistas?
O que estranho é que medicamentos outros e abundantes nas farmácias para combater o mesmo mal, ou seja, vermes, parasitas, ou sei lá mais o que sejam, não sofreram a mesma censura. Continuam lá gozando das suas prerrogativas de serem escolhidos livremente ou por pela recomendação dos vendedores, que não cansam de exaltar as qualidades medicinas, terminando com a sentença: É tiro e queda, não sobra um!
Como uma Fenix, Itabuna saberá renascer das cinzas
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
De cara, quero me desculpar por escrever sobre um tema que não tenho o menor conhecimento científico, daí espero ganhar o perdão antecipado. É que sou curioso e não posso deixar passar uma oportunidade como essa, na qual a palavra crise é a mais ouvida, rivalizando apenas com a palavra da moda: pandemia do Coronavírus, transformada em sucesso internacional.
Não represento médicos, por não ser formado em medicina; não represento os biólogos, por razões óbvias, mas para facilitar a compreensão, represento a mim mesmo pela quantidade de anos e experiência acumulada. Prometo não dissecar o vírus, pois nem o ex-ministro Mandeta também o sabia, mas preciso falar de vida, as que ficaram no meio do caminho e as que teimam em seguir.
Por ser itabunense por adoção – com Título de Cidadão pregado na parede –, tomo a devida licença para as devidas comparações, mesmo sem ter vivido a famigerada Gripe Espanhola ou outras tais, pois ainda não fazia parte deste mundo. No máximo, acompanhava – por ouvir dizer e, alguns casos conhecer – alguns personagens que morreram de doenças à época incuráveis. Velório, muito choro, enterro e vida que segue.
Lembro-me bem, entretanto, das grandes enchentes, que matavam muitas pessoas e deixavam outras tantas desabrigadas – eram os sem casa, sem mobiliário, sem alimentação. Chamávamos de desabrigados e eram acomodados, ou acolhidos, melhor dizendo, em escolas e demais prédios públicos, até que as águas baixassem e a prefeitura providenciasse novas casas ou terrenos para que trocassem de endereço.
Uma grande comoção! Como tal, a providencial solidariedade se fazia presente em doações das mais diversas, entregues pelos próprios doadores, em visitas engrossadas pelos curiosos. Assim que o rio Cachoeira voltava ao normal, os pescadores voltavam a pescar e vender os peixes, camarões e pitus, o comércio às margens do rio abria as portas, os que se mudaram voltavam às casas que não tinham sido levadas.
Era a hora da reconstrução! E o itabunense – nato ou por adoção – esquecia rapidamente os problemas sofridos e voltava ao trabalho com mais afinco. Para uns, teriam sido os castigos divinos, pois Deus já não suportava a ganância e a luxúria, além de outros tipos de pecados cometidos; outros criticavam a teimosia do homem em querer ser maior que Deus; outros poucos assentiam que se tratava apenas de fenômenos naturais.
Em uma semana – no mais tardar 15 dias – o estoque do comércio reposto, os bancos funcionando, o comércio de cacau e a pecuária a pleno vapor e Itabuna voltava a ser a capital regional do Sul da Bahia. Hoje o rio Cachoeira não representa mais esse perigo pela diminuição das águas que passam no seu leito, engrossado pelos esgotos in natura despejados pelas cidades onde banha.
Mas como miséria pouca é bobagem, atualmente Itabuna sofre de outro mal maior, conhecido como pandemia do Coronavírus, na sua última versão: o Covid-19, que tira as pessoas de suas casas e os transferem para os hospitais e os cemitérios. Se antes as forças da natureza fechava as portas das atividades comerciais com base na área geográfica de sua influência, agora são os governantes numa só canetada.
Se antes a volúpia das águas era quem decidia o prazo, hoje são as leis, decretos e portarias os sentenciadores da permissão a quem deve trabalhar. Pelo que ouvi dizer, o Covid-19 não tem predileção pelo tipo de atividade tal e qual consta nas definições dos códigos tributários, por não ter condições de discernir uma loja de tecidos de um supermercado, um bar e restaurante de um banco, muito menos um escritório de contabilidade de uma farmácia, ou de um pipoqueiro de um posto de combustível.
Por certo a ciência médica nunca ateve seus estudos sobre os efeitos do isolamento de quem tem perfeitas condições de trabalhar, dos que passam fome pelo simples fato de estar proibido de exercer seu labor diário. A ciência também não demonstrou em quais horários o vírus prefere circular. Deveria, portanto, vir a público e esclarecer até onde pesquisou e conseguiu resultados positivos.
Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança. O itabunense sempre soube como se soerguer e não será agora que fugirá à luta de manter Itabuna no mais alto patamar político, econômico e social do cenário baiano, por saber nadar contra a correnteza.
Como na mitologia, se antes Itabuna renascia das águas, como uma fênix renascerá das cinzas.
——————
Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.
Uma amizade verdadeira enverga mas não quebra
Walmir Rosário
Sinceramente, não sei como abordar esse assunto, dada sua complexidade e polêmica que poderá causar nas hostes religiosas, culminando com sentença proferida com base no Código Canônico, me condenando a arder no fogo do inferno. Antes disso ainda poderei receber novos castigos como ser excomungado, o que convenhamos não fica bem para um cristão, mesmo assim não me furtarei a abordar o fato.
É que, por acaso, encontrei o jornalista desocupado Tyrone Perrucho acabrunhando. Logo ele que não esquenta a cabeça por nada, ainda mais depois que desafiou a medicina no trato pós-cirúrgico, vencendo de goleada a peleja. Após uma abordagem cuidadosa para não inflamar os exaltados ânimos, finalmente descobri o motivo da prostração. A razão do estado macambúzio tinha como motivo a falta de atenção dispensada a ele por um velho amigo.
Poucas horas antes, ao acessar o whatsapp, Tyrone dá de cara com uma mensagem postada pelo velho amigo Tolé (Antônio Amorim Tolentino), dando conta das novidades. Assim dizia a missiva: “Já voltei pra praça São Boaventura, agora me encontro longe da zona de pecados de outrora”. Um recado alvissareiro e que prometia uma retumbante comemoração pela casa recém-reformada.
Mas que rapidamente, Tyrone dá continuidade ao que pareceria ser mais um proveitoso e auspicioso bate-papo e, quem sabe, contribuir com o planejamento de uma baita festa, daquelas que promoviam nos mais conceituados botequins canavieirenses. Do outro lado do whatsapp, o amigo Tyrone pergunta: “Que ótimo, quando faremos a inauguração festiva da requalificada mansão?”.
E por falar em saudade, já se foram mais três
Nesses últimos dias o Pai Criador de todas as coisas deste mundo tem chamado para perto de Si uma turma boa, daquelas que já começaram a fazer muita falta aos amigos que deixaram aqui na terra. Toda a nossa amargura se reverterá na eterna – enquanto dure – saudade, pois temos que reconhecer a sabedoria Divina nas sábias escolhas que sempre faz.
Devem ter cumprido suas missões aqui pelo mundo terreno e, quem sabe, chegou a hora de darem uma mãozinha ao Criador na infinita missão de tornar melhor a humanidade, atualmente tão afastada da espiritualidade. Enquanto o materialismo campeia a passos largos, cada um segue caminhos mais que diferentes, antagônicos, em que vale mais a obediência à ideologia sectária, opressiva, que dispõe do homem apenas e tão somente como um objeto de dominação do Estado.
Em menos de um mês perdemos aqui no Sul da Bahia três pessoas que sempre foram além da conta, como o padre João Oiticica (28 de abril), um missionário que levava o nome de Deus aos ilheenses. Problemas renais o tiraram deste mundo e sequer pode receber as últimas homenagens do rebanho que apascentou por anos a fio e que lhe devotavam muito respeito e admiração.

Em pouco mais de duas semanas recebemos com pesar a notícia da morte do Bispo Emérito de Itabuna, Dom Czeslaw Stanula, acometido de pneumonia, Chicungunha e neoplasia da próstata. De origem polonesa, Dom Ceslau (como passou a ser chamado) viveu as dificuldades em sua terra massacrada pela guerra e o domínio comunista e dedicou sua vida a fazer o bem à humanidade.
Em Itabuna, onde chegou em 1997, encontrou parte da diocese desviada de sua finalidade, descuidando das coisas de Deus e privilegiando sobremaneira a política partidária. Com muita sabedoria soube separar o que era de Cesar e o que era de Deus, retomando os ensinamentos de Jesus Cristo, de forma apostólica para promover a salvação do homem.
Figura carismática, Dom Ceslau pacificou ânimos com sua sabedoria. Ao entrevistá-lo, convidei-o para escrever um artigo semanal no jornal Agora, do qual era o editor, sobre assuntos litúrgicos e da Igreja, de forma geral. A cada semana nos brindava com grandes peças sobre a fé, lidos e debatidos pela comunidade católica com grande repercussão no Sul da Bahia.
Muitas das vezes, quando não recebia o e-mail no prazo do fechamento, nos comunicávamos e o encontrávamos em vários países dos diversos continentes pregando missões, embora aqui pouco soubéssemos do conceito internacional que gozava. Nos bate-papos descontraídos, quando eu comentava sobre meus tempos de seminarista capuchinho e que poderia lhe dar trabalho hoje caso tivesse me ordenado, dizia de forma risonha: “Meu filho, Deus é muito sábio e me poupou desse contratempo”.
Nesta terça-feira (19), recebo um telefonema de minha amiga jornalista Maria Antonieta (Tonet) informando da morte do amigo Robson Nascimento, com o diagnóstico de ter contraído o vírus Covid-19. Robson era um daqueles amigos inseparáveis e nos falávamos cerca de três vezes por dia, a última ligação no dia 7 de maio, quando se queixou de uma gripe e tosse – não a seca – que lhe estava causando dores de cabeça.
Recomendei sua transferência para a casa de praia, onde poderia caminhar diariamente nas areias da praia dos Lençóis e fortalecer o corpo e o espírito, notadamente o pulmão, órgão sensível ao vírus. Embora fosse ele que estivesse acamado, manifestava a toda hora os cuidados que eu e minha mulher deveríamos tomar para não ser infectado e recomendava: “Muito cuidado, não saia de casa!”. Outros telefonemas não foram atendidos, pois já se encontrava internado e eu não sabia.
Robson é meu companheiro de lutas jornalísticas desde a década de 1980, quando viajava a Bahia inteira e trazia dezenas de fitas com entrevistas e reportagens para darmos o texto para o jornal Agora. No Correio da Bahia, do qual foi chefe da sucursal de Itabuna, cobríamos o Sul, Extremo Sul e Baixo Sul da Bahia para a publicação diária e o caderno Sul da Bahia, onde fiz reportagens memoráveis, com magníficas fotos dele.
De volta do Paraná e Santa Catarina, fui convidado a elaborar o projeto para transformar o semanal jornal Agora em diário, e Robson foi uma das pessoas que pedi a contratação para a direção comercial. Assim, fortaleceríamos as vendas e a torcida do Botafogo – apenas eu e Joel Filho contra os flamenguistas Kleber Torres, José Adervan e Antônio Lopes.
Edição de fim de semana fechada com mais de 100 páginas, a sexta-feira do Agora se tornou famosa pelo encontro etílico semanal na sala do presidente Adervan – dividida com Robson –, local dos comes e bebes. Abstêmio há anos, Robson participava da farra beliscando um tira-gosto e fazendo o que herdou do pai: tirar fotos, as quais eram imediatamente postadas nas redes sociais.
Por falar em encontros, fico meio ressabiado com nossos almoços promovidos pelo último grande anfitrião de Ilhéus, Carlos Farias Reis, recentemente desfalcado pelo padre João Oiticica, encarregado das orações com os pedidos de que nunca faltassem recursos e vontade de novos convites. Agora, teremos sentiremos a falta do nosso fotógrafo oficial e motorista da vez, dada sua condição de abstêmio.
Rogo a Deus que sensibilize nosso anfitrião Carlos Farias a realizar mais um almoço, desta vez para relembrarmos e homenagearmos os ausentes fisicamente José Adervan, padre João Oiticica, Robson do Nascimento, Moreia, Djalma Eutímio, dentre outros. Prometo que chegarei o mais cedo possível para ajudar a transportar a mesa da diretoria, na qual terei o merecido assento.
O tempo Urge!
Celulares nos presídios
Walmir Rosário
Atualmente é uma coisa banal um cidadão qualquer que utilize um aparelho de telefonia móvel (celular) receber ligações de presidiários tentando lhe extorquir dinheiro sob a alegação de ter sequestrado um parente seu próximo. Muitos ainda caem nesse velho e surrado golpe, diante de tamanha apreensão com um ente querido, mesmo se ele estiver próximo, transferindo dinheiro para a conta dos bandidos.
Mas os golpes (esses, sim, golpes, e não o assim chamado pelos petistas) não se restringem às falsas notícias de sequestro, como as cobranças indevidas, se fazendo passar por representantes de empresas comerciais, bancos e outras instituições. Há astúcia para tudo, principalmente para quem adota o crime como estilo de vida e tem tempo mais que disponível para planejar, de dentro de um presídio.
Mas qual é a falha que existe no sistema penitenciário onde ingressam equipamentos variados, como armamentos, aparelhos celulares e outras tantas comodidades, como aparelhos de TV e som pesado? Até mesmo o ex-governador do Rio de Janeiro, o presidiário Sérgio Cabral, foi flagrado com comidas da alta cozinha, inclusive o famoso caviar russo e champanha francesa.
Não acredito que esses produtos da alta gastronomia foram parar na cela de Sérgio Cabral para alimentar seus costumes e estômago delicado, nas suntuosas festas promovidas pela Confraria do Guardanapo, no velho mundo. Não é apenas uma questão de grã-finagem e sim da corrupção, costume atávico aos que habitam e convivem com os governantes, tidos e havidos com inimputáveis, ou como diria o ex-ministro Magri, incondenáveis.













