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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

março 2026
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:: ‘mudanças climáticas’

A tragédia do Sul e os imensos desafios das cidades brasileiras frente às mudanças climáticas

Joana Angélica Guimarães 

Os alagamentos no Rio Grande do Sul estão fazendo o país acordar para uma realidade que já se mostrava óbvia há muito. Nos últimos 10 anos, mais de 90% dos municípios brasileiros foram atingidos por desastres naturais como inundações, deslizamentos, alagamentos e enxurradas.

De acordo com a Confederação Nacional de Municípios, 5.199 municípios fizeram registro de emergência e, em muitos casos estado de calamidade pública. Esses desastres afetaram a vida de mais de 4,2 milhões de pessoas, que tiveram de abandonar as próprias casas, gerando prejuízos de quase R$ 30 bilhões, além das muitas vidas que foram perdidas nesses eventos.

A ocorrência cada vez mais frequente e com maior grau de impacto desses eventos está associada aos problemas ambientais causados pelo aumento cada vez maior da população urbana e aos efeitos das mudanças climáticas.

Grandes cidades em meio às mudanças climáticas

Do ponto de vista de aumento da população urbana, o mundo já passou a marca de 50% de pessoas que moram nas cidades. O Relatório Mundial das Cidades, publicado pelo ONU-Habitat, aponta que população mundial será 68% urbana até 2050.

No Brasil, o percentual de pessoas que vivem na zona urbana chegou a 84,72% de acordo com o censo de 2022. Os problemas gerados são a falta de planejamento dessas cidades, que se refletem em uma demanda não satisfeita por serviços básicos como água, esgotos e lixo.

Do ponto de vista das mudanças climáticas, ao longo do século XX, a concentração de CO2, o principal gás de efeito estufa na atmosfera, aumentou cerca de 1/3 se comparada ao século XIX. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), a temperatura média global subiu cerca de 0,7ºC no século passado e há uma previsão de que poderá subir até mais 5ºC no decorrer do presente século.

Os especialistas concordam que, associados a essas mudanças climáticas, estão o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos, como inundações e secas, o aumento de epidemias, o aumento do nível do mar e crises na produção de alimentos, que afetarão desigualmente as diversas partes do globo, com prejuízo principalmente das regiões mais pobres.

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Seagri publica portaria do Plano ABC + Bahia para adaptação às mudanças climáticas na agropecuária

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) do Estado da Bahia publicou, no Diário Oficial da última quarta-feira (13), a Portaria nº 013/2024, instituindo o Plano ABC+ Bahia, (veja). A medida visa impulsionar o desenvolvimento sustentável da agropecuária baiana, priorizando a mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O lançamento oficial do Plano ABC+ Bahia está marcado para ocorrer durante a Bahia Farm Show, entre os dias 11 e 15 de junho, na cidade de Luiz Eduardo Magalhães, região Oeste do estado.

 

“Através desta portaria, estabelecemos metas ambiciosas para a recuperação de áreas degradadas, adoção de sistemas sustentáveis de produção e uso de tecnologias inovadoras. O Governo do Estado assume o compromisso com o futuro sustentável da agropecuária baiana, no combate aos efeitos das mudanças climáticas”, enfatizou o Secretário da Agricultura, Wallison Torres.

 

O Plano ABC+, também conhecido como “Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária, com vistas ao Desenvolvimento Sustentável, Plano de Agricultura de Baixo Carbono”, é uma iniciativa estratégica do Governo do Estado da Bahia, em articulação com instituições do setor público e privado, sendo coordenada pela Seagri. Seu objetivo é enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas no setor agropecuário. Vigente no período de 2020 a 2030, busca consolidar práticas agrícolas resilientes, produtivas e ambientalmente responsáveis, fundamentadas em pesquisas científicas.

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Fim do mundo em banho maria

André Maynart

 

Numa manhã de abril, você, leitor, acorda. São 7 horas da manhã de um dia de outono. O clima do dia anterior foi agradável: não passou dos 25 graus, com uma pancada de chuva. Tão agradável que você não ligou o ventilador. Mas hoje não é o despertador que lhe acorda, e sim o suor que encharca suas roupas, a certeza de que suas veias são tubos de vapor, um ar de sauna por toda a casa, um calor impressionante! Você pula o café e toma o que deveria ser um banho gelado, e a água sai tão quente que arde a sua pele. Depois de alguns minutos em que beira o desmaio, você coloca as roupas e vê a previsão do tempo: 50 graus! Às 7 da manhã!

Os portais de notícia anunciam: Aconteceu o aquecimento global. Depois de anos sendo anunciada, a mudança climática realmente veio e, a partir de hoje, os dias serão escaldantes, as solas dos sapatos se derreterão, se poderão fritar ovos na calçada, os animais morrerão e a extinção humana acontecerá. Alguns dizem que ouviram 7 trombetas ao acordar.

Não é um armagedom que os líderes mundiais advertem que vai ocorrer, mas a impressão que dá, ao falar em um evento devastador e irrevogável, é que tudo irá ocorrer num período curto de cataclismo. Não culpo os governos e ONGs por essa impressão, até porque é difícil não apresentar como se apresenta o Juízo Final o maior candidato ao apocalipse. Mas é um prato cheio pros conspiracionistas apontarem a incongruência entre os alertas climáticos e a presença de um mundo vivível – como pode existir um aquecimento global se não estamos nos arrastando, derretidos como gosmas, pelas ruas? Mas olhe só, ainda temos inverno! O clima ainda esfria! A Terra ainda é habitável! O verão ainda acaba!

Por mais que seja necessário transmitir a urgência da crise ambiental, essa abordagem tem uma desvantagem clara: pessoas comuns ouvem, vêem e lêem sobre um tal aquecimento global, que, em toda sua iminência e potencial catastrófico, não chega nunca. Ainda faz frio no inverno, ainda faz um calor aceitável no verão. Ninguém vê, ouve, cheira, consegue tocar num aquecimento global. E, quando elas lêem sobre as mil e uma medidas que devem ser tomadas para evitá-lo – meu Deus, eu tenho que me desfazer do meu carro? Não posso tomar banho por mais de 5 minutos? -, as respostas que elas encontram ou é a ignorância voluntária ou é o conspiracionismo.

É como a fábula do sapo na panela de água fervente: a água vai esquentando, esquentando e não se percebe. A ebulição da água, o dia do cataclisma ainda não chegou. E essa água quentinha continua agradável.

Enquanto ondas de calor vão varrendo o globo, não hesitam em mostrar que, surpreendentemente, já houve outras ondas de calor no passado. Enquanto as secas assolam o mundo, eles falam que secas não são nada novo. Enquanto tragédias acontecem, como as inundações no Paquistão – um terço do país esteve inundado! – e no sul da Bahia ano passado, e as chuvas no litoral norte de São Paulo recentemente, consideram insensíveis e politicamente motivadas qualquer menção à tal mudança climática. Como se pode falar dela em frente a essas tragédias? O que tem a ver a mudança do clima com um fenômeno climático?

O desastre sobre o qual tanto se fala já começou. Não como a vinda de um meteoro seguido de rápida extinção, mas como se o mundo estivesse sendo cozido em banho maria. Passar essa mensagem e apontar os indícios é muito mais difícil que falar em tom profético sobre o fim iminente.
Ah! E, na fábula, o sapo acaba morrendo.

 

 





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