:: ‘manchas de óleo’
Reunião define ações para combater ressurgimento de manchas de óleo em praias baianas

O reaparecimento de manchas de óleo em praias baianas despertou o alerta das autoridades ambientais do estado. O assunto foi tema de um encontro nesta quinta-feira (14), no Centro Administrativo, em Salvador. Participaram da reunião, o secretário estadual do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Sodré, e representantes do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros Militar, da Secretaria estadual da Saúde e das prefeituras de Cairu, Valença, Jaguaripe, Salvador e Vera Cruz, cidades atingidas.
Na ocasião, foram discutidas ações de enfrentamento a este novo episódio e definido cronograma de trabalho de cada instituição envolvida, como destaca o secretário Eduardo Sodré. “Mobilizamos uma equipe da nossa coordenação de monitoramento para recolhimento do material e possível identificação da origem. Estamos contando com apoio do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Sema, Inema, unindo esforços para recolher esse material corretamente, limpar as praias e dar a destinação adequada ao resíduo recolhido. A gente espera que ao longo da próxima semana consiga finalizar essa atividade”.
O material voltou a aparecer no dia 10 de setembro em praias de Salvador e de outras cidades baianas. Na capital, as ‘pelotas oleosas’ foram encontradas nas praias de Pituaçu; Paciência; Amaralina; Ondina; Jaguaribe; Patamares e Piatã. No interior, foram identificados casos em Cacha Prego, em Vera Cruz; Praia do Garcez e Rio da Dona, ambos no município de Jaguaripe; Praia de Guaibim, em Valença; Morro de São Paulo e Boipeba, em Cairu. A Coordenação de Fiscalização Emergencial e Atendimento à Denúncia identificou as áreas atingidas, constatando as denúncias.
Prefeitura de Ilhéus realiza limpeza das praias e cria canal para população indicar manchas de óleo
A força-tarefa montada pela Prefeitura de Ilhéus, em decorrência do aparecimento de manchas de óleo nas praias, atua em todo o litoral do município. As equipes seguem mobilizadas para recolher os resíduos, realizar a limpeza das áreas afetadas e monitorar a situação, com vistas à mitigação dos impactos ambientais.
A ação é coordenada pelas secretarias de Serviços Urbanos (Secsurb) e de Meio Ambiente (Sema), com apoio da Marinha do Brasil e demais instituições. Na última quinta-feira (13), populares registraram fragmentos de óleo nas praias da Zona Sul, onde foi iniciada a coleta do produto químico. Todo trabalho visa garantir a segurança, tanto de banhistas quanto de espécies da fauna marinha.
“O Município intensificou o monitoramento e os nossos agentes estão mobilizados para recolher todo o rejeito de óleo encontrado nas faixas de areia”, explicou João Aquino, titular da Secsurb.
Viu óleo na praia? Entre em contato conosco – Ao identificar manchas de óleo, a Prefeitura recomenda que a população mantenha distância dos resíduos e entre em contato com a Sema, através do telefone (73) 98899-4570.
Bahia Pesca apresenta novos resultados de análise do pescado
A Bahia Pesca concluiu mais uma rodada de análise dos pescados coletados nas cidades baianas atingidas pela mancha de óleo que afeta o Nordeste. Realizado pelo Laboratório de Estudos do Petróleo (Lepetro), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o estudo indica que 99% dos animais avaliados não estão contaminados com hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) em níveis acima dos adotados pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) como seguros. Os resultados já foram enviados para as agências de vigilância sanitária, que têm competência para se manifestar sobre a segurança do consumo.
Foram analisadas 71 amostras, a exemplo de ostras, caranguejos, siris e pescados, entre os dias entre 24 de outubro e 20 de novembro. As coletas ocorreram em Conde, Jandaíra, Entre Rios, Salvador, Itaparica, Vera Cruz, Camaçari, Belmonte, Porto Seguro, Taperoá, Nilo Peçanha, Canavieiras, Ilhéus, Itacaré, Maraú, Cairu, Valença, Jaguaribe, Igrapiúna, Ituberá, Camamu, Caravelas, Alcobaça, Prado e Santa Cruz Cabrália.
Das 71 amostras, apenas uma apresentou índice de contaminação acima do estabelecido pela Anvisa como seguro. “Uma amostra de camarão coletada em Cairu possui 31 mcg/kg (microgramas por quilo) de HPA carcinogênico. O índice considerado seguro pela Anvisa é de 18 mcg/kg”, explica o técnico da Bahia Pesca Brunno Falcão. “Vale ressaltar que outras 14 amostras
Tartaruga Petra, encontrada coberta de óleo em Ilhéus, é devolvida ao mar
Símbolo de sobrevivência do vazamento de óleo, a tartaruga oliva carinhosamente denominada Petra, foi devolvida ao seu habitat natural no último domingo, 15 de dezembro, em Maraú. Encontrada em outubro coberta de óleo, pelo Grupo de Amigos da Praia (@gap_ilheus), na Praia da Avenida, em Ilhéus, ela recebeu cuidados ao longo de 45 dias até estar totalmente reabilitada para voltar para casa.
O sucesso do resgate de Petra e da limpeza das praias de municípios da Costa do Cacau foi possível boa parte devido às doações de civis. Convidado pelo GAP para a força-tarefa, o Instituto Nossa Ilhéus (@nossailheus) disponibilizou sua conta para receber as doações em dinheiro e auxiliou nas campanhas para conseguir as adesões. Assim, foram recebidos R$ 17.018,69, cuja planilha de prestação de contas está disponível em www.nossailheus.org.br
Manchas de óleo: Governo Federal decreta situação de emergência no litoral Sul da Bahia
Nove cidades do litoral baiano que foram afetadas pelas manchas de óleo tiveram decretos de emergência reconhecidos pelo governo federal nesta sexta-feira (13). Todas as cidades da lista ficam no Baixo Sul e Sul do estado. Constam na lista: Belmonte, Cairu, Camamu, Canavieiras, Igrapiúna, Ilhéus, Itacaré, Itaparica, Ituberá, Maraú, Nilo Peçanha, Taperoá, Una, Uruçuca e Valença.

Não foi informado como as cidades vão ser ajudadas na remoção do material. As manchas de óleo começaram a aparecer no litoral baiano no início de outubro. As primeiras cidades afetadas foram Jandaíra, Conde e Esplanada.
Óleo no Nordeste é pauta da COP-25 na Espanha

Aproveitando a presença de importantes instituições internacionais na COP-25, que ocorre durante toda essa semana em Madri, o secretário estadual do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira denunciou o crime ambiental causado pelo derramamento de óleo no litoral nordestino e o descaso do Governo Federal na resolução desse grave problema, que deixou prejuízos para o ambiente marinho e para a vida econômica dos trabalhadores que vivem da pesca e do marisco.
Após deixar um rastro tóxico por milhares de quilômetros, o óleo chegou às praias da costa baiana no dia 3 de outubro. “Os estuários e manguezais são motivos de grande preocupação ambiental e socioeconômica. Para se ter uma ideia, na Bahia, cerca de 60 mil pessoas tira o sustento direto ou indiretamente dos manguezais. É uma situação muito critica e não dá para entender como a Petrobras, que é referência no mundo em exploração e transporte de petróleo no mar, não tenha expertise e tecnologia para defender os manguezais. Era preciso no mínimo um diálogo para encontrar uma solução que pudesse proteger o meio ambiente”, destacou o secretário.
Até o momento, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e a Defesa Civil encaminharam para os municípios mais de 18 mil equipamentos de proteção individual (EPIs). Pás, carros de mão, peneiras, baldes e sacos plásticos estão entre os itens que foram distribuídos para os 31 municípios atingidos pelas manchas de óleo. As toneladas de óleo das praias também foram recolhidas pelo Estado, que dará uma destinação final aos resíduos coletados.
“Para além dos esforços conjuntos, estado, municípios e sociedade, para a limpeza das praias afetadas e mitigação dos danos, a angústia que acometeu a todos nós se deu pela ausência de informações seguras sobre a origem e quantidade do óleo derramado no litoral do Nordeste. Até hoje, três meses depois, ainda desconhecemos a causa do problema e os responsáveis pelo vazamento de óleo”, lembrou o secretário, que também destacou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados para investigar atos e omissões e apurar responsabilidades.
A Conferência do Clima (COP-25) começou no último dia 2 e segue até a próxima sexta-feira (13). A diretora-geral do Inema, Márcia Telles; o diretor de Recursos Hídricos e Monitoramento do Inema, Eduardo Topázio; e o assessor de Internacionalização da Sema, Pedro Tojo também integram a comitiva baiana.
Manchas de óleo: pescadores de Canavieiras pedem que prefeitura decrete Estado de Emergência

Moradores da área da Reserva Extrativista de Canavieiras, no Sul da Bahia, realizaram hoje caminhada em defesa dos pescadores da região. Eles chamaram a atenção para o impacto causado pelas manchas de óleo no litoral, que também atingiu parte dos manguezais, e afeta não apenas o setor pesqueiro, mas também o comércio e o turismo.

Com o tema “Nós vamos vencer o óleo. Pescador não foge à luta”, os manifestantes percorreram o centro da cidade e solicitaram que a prefeitura decrete Estado de Emergência.

“Pescador depende de mar saudável”, dizia uma das faixas. No final da caminhada, foi entregue um documento à Câmara Municipal, reforçando o pedido do Estado de Emergência.

Com o impacto das manchas de óleo, a pesca diminuiu para menos de 500 quilos mês cada pescador, o que é insuficiente para pagar as despesas e manter a família.
Governo monitora Parque Nacional Marinho de Abrolhos
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no Extremo Sul da Bahia, está praticamente livre das manchas de óleo, e aberto normalmente para turistas e visitantes. Nos últimos dias, foram encontrados e recolhidos apenas pequenos fragmentos. O secretário estadual do Meio Ambiente (Sema), João Carlos Oliveira, fez uma visita ao arquipélago.
A visita foi acompanhada pelo comandante da Marinha e delegado da Capitania dos Portos de Porto Seguro, Júlio Amaral; o chefe do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e analista ambiental do ICMBio, Fernando Repinaldo; o gestor da APA Ponta da Baleia Abrolhos, Guilherme Nunes; e a superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da Sema, Clarissa Amaral.
O arquipélago de Abrolhos vem sendo monitorado por seis navios da Marinha e conta com diversas frentes de trabalho, que envolvem os governos federal, estadual e municipal; pesquisadores; ONGs; e comunidade local.
“A quantidade tem diminuído a cada dia, estamos tirando apenas alguns gramas do resíduo. Temos equipes na parte de limpeza das praias, que cuidam da fauna oleada, contenção e destinação dos resíduos, rondas no mar, vigilância, monitoramento e pesquisa”, explica Fernando Repinaldo, do ICMBio.
A conta negra que chega para todos
Luciano Veiga
Com o avançar dos dias de luta pelo combate ao óleo bruto nos mares e praias do nordeste, os municípios começam a sentir o preço deste desastre ambiental nos três pilares – ambiental, social e econômico. Estes elementos não foram só atingidos pelo mar de óleo que chega as praias, mas também pela falta de uma governança ampliada e articulada dos poderes federativos, em especial da União que atua timidamente em face da extensão e propulsão alcançada pelo petróleo bruto.
Recursos financeiro, pessoal e equipamentos ofertados pelo Governo Federal, são insuficientes para fazer face às necessidades impostas pela chegada do óleo a costa e as praias dos municípios do nordeste, cabendo de forma direta aos municípios arcarem com esta conta. Se não fosse a participação dos voluntários em conjunto com os municípios e os Estados; óleo cru estaria contaminando as nossas praias, manguezais e estuários em maiores proporções.
Se no primeiro momento os voluntários e os municípios agiram, para fazer o primeiro combate, agora cabe a União, através do Ministério do Meio Ambiente, IBAMA, Marinha e Exército, comitês do plano de ação de incidentes com óleo, conjuntamente com os entes federados, Estados e municípios assumirem os seus papéis e responsabilidades de forma integrada e compartilhada para agirem e aprenderem. Este dois elementos, AGIR e APRENDER são essenciais. O preço que ora estamos pagando tem que pelo menos nos servir de aprendizado, conhecimento e expertise. Se um navio fez tanto estrago, imagine estarmos em uma rota de várias embarcações que transporta de tudo, até óleo cru de alta contaminação.
Os voluntários, bravos guerreiros e guerreiras começam literalmente a sentirem na pele o ardor desta luta, que não tem dia e nem prazo certo para acabar. Pescadores e marisqueiros têm os seus produtos rejeitados pelos consumidores, por falta de informações via poder público sobre a qualidade do pescado. E aí cabe ao Dr. Analista Esperto “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo”. Medo! Temos sim desta análise advinda de uma autoridade.













