:: ‘enchentes’
Memórias de um Dinossauro

Os nossos “catarinenses”
As chuvas que provocaram tantos estragos em Itabuna, com inundações, desabamento de residências e centenas de desabrigados, me fizeram lembrar de um pecadilho cometido tres décadas atrás.
O tempo, senhor da razão (e das dores nas costas, dos cabelos brancos e ralos e otras cositas mas) permite essas reminiscências. Até porque, o tal pecadilho que aqui vou revelar em nada altera uma eventual recusa ou um improvável passaporte para o Reino dos Céus.
TV Cabrália, 1992. Santa Catarina enfrentava uma enchente apocalíptica e o Vale do Itajaí foi arrasado pela fúria das águas. A Rede Manchete, da qual a Cabrália era afiliada, fez uma campanha para arrecadar alimentos, remédios, roupas e cobertores para os flagelados.
A Cabrália entrou na campanha e em poucos dias arrecadou toneladas de donativos, que seriam enviados a Santa Catarina.
Uma noite, por volta das 20 horas, entro no estúdio abarrotado de solidariedade, onde mal havia espaço para as câmeras e a mesa do apresentador. De repente, me deu o estalo.
Naquele mesmo ano, moradores da Bananeira e do Gogó da Ema estavam sofrendo com as cheias do Rio Cachoeira. Nada que se comparasse à tragédia de Santa Catarina, mas centenas de famílias perderam seus parcos pertences e muitas estavam desabrigadas.
O raciocínio foi óbvio. Se a gente pedisse donativo pras vítimas das enchentes em Itabuna, é provável que o retorno seria nenhum. Já para os catarinenses, em função da comoção nacional que se criou, mal havia espaço para colocar tantas doações.
Não tive dúvidas. Com a cumplicidade do então Bispo Diocesano de Itabuna, Dom Paulo Lopes de Faria, agora habitando o reino dos céus, uma parte dos donativos foi entregue para uma igreja e dali seguiu para as famílias da Bananeira e do Gogó da Ema.
A outra parte, é bom que se diga, foi entregue aos catarinenses, que sem saber e por linhas tortas, haviam proporcionado um gesto de solidariedade aos itabunenses, irmãos de pátria e de infortúnio.
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PS- Já naquele tempo, nossa gloriosa televisão, no que foi seguida pelo restante da imprensa, dava os primeiros sinais de afeição por números estratosféricos. Não se sabe de onde, tiramos um número de 10 mil desabrigados pelas enchentes em Itabuna e esse número pegou, embora fosse totalmente irreal. Eram, no máximo, mil desabrigados.
Das enchentes para os carnavais antecipados, foi um pulo. Desafiando as leis da física, as avenidas Mario Padre/Aziz Maron passaram a “receber” públicos de até 100 mil pessoas. Por noite!
E, como não poderia deixar de ser, a megalomania numérica foi exportada para as campanhas eleitorais. As caminhadas, especialmente de Geraldo Simões e Fernando Gomes, começavam com modestas 20 mil pessoas na avenida do Cinqüentenário e, à medida em que a campanha ia esquentando, esse número chegava a 50, 60, 70 mil pessoas.
O absurdo (ou o ridículo) só não era maior porque a eleição acontecia antes que os simpatizantes dos candidatos chegassem a 200 mil pessoas e fosse necessário “trazer” gente de Ilhéus e cidades vizinhas, tão estrambólicos eram os números que as assessorias empurravam e a mídia engolia.
Prefeitura de Itabuna intensifica atuação para atender número crescente de desalojados

Após a passagem do temporal que deixou um rastro de destruição e alagamentos em diversos pontos da cidade, as chuvas continuam caindo e por conta disso a Prefeitura Municipal de Itabuna tem intensificado o seu campo de atuação para atender a todas as famílias que se encontram em situação de desalojamento ou mesmo desabrigadas. O prefeito Fernando Gomes irá decretar Situação de Emergência. Equipes da Assistência Social, Defesa Civil e Secretaria de Desenvolvimento Urbano estão de plantão nos bairros onde se encontram em situação mais crítica, como por exemplo, São Roque, Califórnia, Corbiniano Freire, Monte Cristo e Daniel Gomes. Na área da assistência social e saúde, estão sendo distribuídos kits de higiene, alimentação para o dia, disponibilização de abrigos temporários e de testes para detecção da COVID-19.

Visando reduzir os casos de deslizamentos de terra, equipes da Sedur estão colocando lonas em áreas de risco, limpando bueiros, entre outras ações, e a Defesa Civil atendendo as ocorrências via demanda livre da população e também verificando os locais que já apresentam histórico de risco em períodos chuvosos. Vale ressaltar que até o momento 350 pessoas já estão sendo assistidas pela Assistência Social, sendo que este é um número parcial, pois ainda falta cadastrar muitas famílias que preferiram ficar na casa de parentes, o que não isenta a responsabilidade da administração municipal de oferecer os meios necessários para um novo recomeço destas famílias. É possível que aproximadamente 500 famílias estejam desalojadas, incluindo as que se encontram em casas de parentes ou vizinhos. Neste primeiro momento, 20 famílias estão alojadas na Creche Elzo Pinho, 76 na Igreja Católica da Bananeira, 100 no Clube da Nestlé, 18 na Escola Leonor Pacheco, 60 no Núcleo Habitacional da Ceplac, 05 na Sementeira e 05 na Escola Raimundo Jerônimo Machado (Nova Itabuna). De acordo com a Defesa Civil, a previsão para esta semana é de 83 mm de chuva. As chuvas devem ocorrer, em maior parte, durante a madrugada.
Como uma Fenix, Itabuna saberá renascer das cinzas
Walmir Rosário || wallaw2008@outlook.com
De cara, quero me desculpar por escrever sobre um tema que não tenho o menor conhecimento científico, daí espero ganhar o perdão antecipado. É que sou curioso e não posso deixar passar uma oportunidade como essa, na qual a palavra crise é a mais ouvida, rivalizando apenas com a palavra da moda: pandemia do Coronavírus, transformada em sucesso internacional.
Não represento médicos, por não ser formado em medicina; não represento os biólogos, por razões óbvias, mas para facilitar a compreensão, represento a mim mesmo pela quantidade de anos e experiência acumulada. Prometo não dissecar o vírus, pois nem o ex-ministro Mandeta também o sabia, mas preciso falar de vida, as que ficaram no meio do caminho e as que teimam em seguir.
Por ser itabunense por adoção – com Título de Cidadão pregado na parede –, tomo a devida licença para as devidas comparações, mesmo sem ter vivido a famigerada Gripe Espanhola ou outras tais, pois ainda não fazia parte deste mundo. No máximo, acompanhava – por ouvir dizer e, alguns casos conhecer – alguns personagens que morreram de doenças à época incuráveis. Velório, muito choro, enterro e vida que segue.
Lembro-me bem, entretanto, das grandes enchentes, que matavam muitas pessoas e deixavam outras tantas desabrigadas – eram os sem casa, sem mobiliário, sem alimentação. Chamávamos de desabrigados e eram acomodados, ou acolhidos, melhor dizendo, em escolas e demais prédios públicos, até que as águas baixassem e a prefeitura providenciasse novas casas ou terrenos para que trocassem de endereço.
Uma grande comoção! Como tal, a providencial solidariedade se fazia presente em doações das mais diversas, entregues pelos próprios doadores, em visitas engrossadas pelos curiosos. Assim que o rio Cachoeira voltava ao normal, os pescadores voltavam a pescar e vender os peixes, camarões e pitus, o comércio às margens do rio abria as portas, os que se mudaram voltavam às casas que não tinham sido levadas.
Era a hora da reconstrução! E o itabunense – nato ou por adoção – esquecia rapidamente os problemas sofridos e voltava ao trabalho com mais afinco. Para uns, teriam sido os castigos divinos, pois Deus já não suportava a ganância e a luxúria, além de outros tipos de pecados cometidos; outros criticavam a teimosia do homem em querer ser maior que Deus; outros poucos assentiam que se tratava apenas de fenômenos naturais.
Em uma semana – no mais tardar 15 dias – o estoque do comércio reposto, os bancos funcionando, o comércio de cacau e a pecuária a pleno vapor e Itabuna voltava a ser a capital regional do Sul da Bahia. Hoje o rio Cachoeira não representa mais esse perigo pela diminuição das águas que passam no seu leito, engrossado pelos esgotos in natura despejados pelas cidades onde banha.
Mas como miséria pouca é bobagem, atualmente Itabuna sofre de outro mal maior, conhecido como pandemia do Coronavírus, na sua última versão: o Covid-19, que tira as pessoas de suas casas e os transferem para os hospitais e os cemitérios. Se antes as forças da natureza fechava as portas das atividades comerciais com base na área geográfica de sua influência, agora são os governantes numa só canetada.
Se antes a volúpia das águas era quem decidia o prazo, hoje são as leis, decretos e portarias os sentenciadores da permissão a quem deve trabalhar. Pelo que ouvi dizer, o Covid-19 não tem predileção pelo tipo de atividade tal e qual consta nas definições dos códigos tributários, por não ter condições de discernir uma loja de tecidos de um supermercado, um bar e restaurante de um banco, muito menos um escritório de contabilidade de uma farmácia, ou de um pipoqueiro de um posto de combustível.
Por certo a ciência médica nunca ateve seus estudos sobre os efeitos do isolamento de quem tem perfeitas condições de trabalhar, dos que passam fome pelo simples fato de estar proibido de exercer seu labor diário. A ciência também não demonstrou em quais horários o vírus prefere circular. Deveria, portanto, vir a público e esclarecer até onde pesquisou e conseguiu resultados positivos.
Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna, mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os pontos, até que cheguem os tempos de bonança. O itabunense sempre soube como se soerguer e não será agora que fugirá à luta de manter Itabuna no mais alto patamar político, econômico e social do cenário baiano, por saber nadar contra a correnteza.
Como na mitologia, se antes Itabuna renascia das águas, como uma fênix renascerá das cinzas.
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Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de editor do Cia da Notícia.
Força-tarefa atende mais de 300 animais atingidos por rompimento de barragem na Bahia

(foto ilustrativa)
Mais de 300 animais, entre cães, gatos, aves e roedores, atingidos pelo rompimento da barragem de Quati, no município de Pedro Alexandre, no nordeste do Estado, já foram atendidos pela equipe de resgate do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV-BA).
“Ação principal é cuidar das pessoas”, diz Rui em visita ao nordeste do estado

O governador Rui Costa sobrevoou e visitou o nordeste baiano, na manhã deste domingo (14), para acompanhar os trabalhos realizados pelo Corpo de Bombeiros Militar e Defesa Civil, após o rompimento da Barragem do Quati, na cidade de Pedro Alexandre, na última quinta (11), devido às fortes chuvas que caíram na região nos últimos dias. Acompanhado do senador Otto Alencar, Rui também esteve em Coronel João Sá, município que também foi atingido.
“Mais uma vez, vim fazer uma visita à região para acompanhar as medidas que estão sendo tomadas. A ação principal é cuidar das pessoas. Garantir que os moradores afetados sejam alcançados e ajudados, que o alimento chegue para quem está precisando neste momento e que sejam identificadas as pessoas que necessitam ser deslocadas para um alojamento provisório”, afirmou Rui, durante visita a Pedro Alexandre.
Sobre o trabalho preventivo para evitar novas ocorrências como o rompimento da Barragem do Quati, o governador destacou que estão sendo realizadas medidas imediatas para garantir a segurança de outros equipamentos deste tipo. “O tempo aqui está se estabilizando e isso ajuda a diminuir os níveis de água. Nessa região, há milhares de equipamentos como este que rompeu. Alguns chamam de barreiros, outros de passagem d’água. São pequenos pontos de água acumulada, na grande maioria das vezes, construídos e administrados pelos próprios moradores e associações de produtores dos municípios. O Governo do Estado está trabalhando para ajudar a garantir a segurança dessas outras barragens do entorno. Além disso, queremos oferecer capacitação para os moradores que administram essas barragens na região, para que eles possam gerir os equipamentos de forma adequada”.
Rota e Cidade Sol recebem doações para vitimas de enchentes
As empresas Rota Transportes, Cidade Sol e Expresso Brasileiro, integrantes do Grupo Brasileiro, estão participando da campanha Bahia Solidária, coordenada pelas Voluntárias Sociais da Bahia, que arrecada doações para vítimas das chuvas em Coronel João Sá e Pedro Alexandre, no Nordeste da Bahia.
Neste final de semana, todos os pontos de vendas de passagens e encomendas das empresas do Grupo Brasileiro, em todo o Estado, estão recebendo doações da comunidade, como alimentos não perecíveis, produtos de limpeza e higiene pessoal, que serão entregues às famílias desabrigadas.
Como a situação dessas famílias é de extrema urgência, a primeira remessa de doações entregues nas agências será enviada na próxima segunda-feira (15). Os cidadãos que queiram participar da corrente de solidariedade podem deixar sua doação em uma das agências da Rota Transportes, Cidade Sol ou Expresso Brasileiro.
Municípios sulbaianos seguem em alerta por causa das fortes chuvas

Coaraci
As fortes chuvas que vem atingindo a região Sul da Bahia, deixaram até o momento, um saldo de duas pessoas mortas e uma pessoa desaparecida, em Coaraci. Em outras localidades, como Itabuna, Ibicaraí e Itapé, os níveis de água dos rios e córregos elevaram, causando alagamentos e deixando muitas pessoas desabrigadas, principalmente a população ribeirinha. De acordo com informações obtidas pela Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano – Amurc, até o momento, os municípios de Coaraci e Ibicaraí vão decretar situação de emergência.
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Coaraci, foram confirmadas duas mortes e uma pessoa desaparecida desde a noite desta segunda-feira, 3, no distrito, em Itamotinga, que está alagado e deixou muitas pessoas desabrigadas. Ainda de acordo com informações, a prefeitura disponibilizou um ginásio, mas muitas pessoas permaneceram em suas casas ou foram para casa de parentes. Na sede do município aconteceram alagamentos, deslizamentos, levando a equipe da Defesa Civil a elaborarem um decreto de emergência.
Rui Costa visita obras em municípios da região sudoeste

O programa Digaí, Governador! desta semana destaca a presença do governador Rui Costa no interior da Bahia. Em pouco mais de um ano, ele já visitou 88 municípios. Os próximos destinos são Vitória da Conquista e Guanambi, no sudoeste. Diversas ações realizadas pelo Governo do Estado impulsionam o desenvolvimento nesta região, como as obras do Aeroporto de Vitória da Conquista.
“Eu vou completar essa semana 88 cidades visitadas em apenas um ano e um mês, ultrapassando a marca de 110 viagens ao interior, porque algumas cidades eu fui mais de uma vez. Portanto, uma presença bastante grande no interior e eu pretendo manter esse ritmo ao longo dos quatro anos, quem sabe conseguindo visitar todos os municípios em apenas um mandato, o que seria um feito histórico para um governador”, disse Rui.
Além do Aeroporto, na sexta-feira (29), em Vitória da Conquista, o governador visita o Hospital Geral e as obras de construção de uma Unidade de Ponto Atendimento (UPA), que recebe R$ 4,6 milhões em investimentos. Rui participa também da inauguração da Farmácia da Família e da entrega da Praça de Centro de Artes e Esportes Unificados.
Ainda no município, ele vai ao Colégio Estadual Camilo de Jesus Lima, alcançando a marca de 140 unidades escolares visitadas como governador. Para Rui, conversar com estudantes e professores “é uma experiência muito rica e tem me ajudado muito a governar, porque governar, antes de mais nada, é saber ouvir as pessoas. Primeiro, você verifica in loco qual é a realidade, vai ouvir muitas opiniões e sugestões. Isso enriquece seu pensamento na hora que você tem que tomar decisões”.
No sábado (30), o governador segue para Guanambi, onde entrega as chaves da casa própria para 300 famílias, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, e participa da inauguração da Escola Municipal Professor Celito Brito. A agenda na cidade inclui também a assinatura de protocolo de intenções para formação de um consórcio de saúde para a região.
Efeitos das chuvas
As chuvas que atingem a Bahia nas últimas semanas, provocando alagamentos em alguns municípios, também são lembradas por Rui nesta edição do Digaí, Governador!. “Nós vamos buscar minimizar esses transtornos com a assistência, que nós já estamos fazendo. Para Riachão do Jacuípe mesmo já encaminhamos colchões, filtro, água, enfim, todo o material mais emergencial para assistência às famílias. E vamos, com a redução do nível das águas, fazer uma avaliação mais precisa daquelas casas que precisarão de reformas ou serem reconstruídas porque foram destruídas pela chuva”.
O governador destaca que as chuvas foram suficientes para encher os reservatórios e barragens do estado. “Está chovendo muito no norte de Minas (Gerais), chovendo muito ali no oeste, na região do São Francisco. O que é bom para repor os reservatórios do São Francisco e para levar água para a agricultura”.
Rui Costa se reúne com governo federal e prefeitos de cidades atingidas pela chuva
O governador Rui Costa pediu aos prefeitos das cidades baianas atingidas pela chuva que preparem um relatório sobre os estragos do temporal do último fim de semana. Ele também já solicitou uma audiência com o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, e o coordenador da Defesa Civil Nacional para apresentar esses relatórios e definir ações de auxílio.
As informações foram divulgadas pelo governador durante a aula inaugural do Programa Jovem Aprendiz, realizado pelas Voluntárias Sociais da Bahia, nesta segunda-feira (13), no auditório da Fundação Luís Eduardo Magalhães, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.
“Convoquei uma reunião para amanhã, principalmente com os prefeitos de Santo Amaro e Candeias. Também pedi a eles e ao prefeito ACM Neto um relatório da situação, para que a gente possa apresentar ao ministro e ver de que forma vamos ajudar as famílias desabrigadas e as cidades”, disse Rui Costa.















