:: fev/2017
Trio Armandinho, Dodô e Osmar faz a alegria da pipoca
“Pra quê corda? Se a pipoca tá com a corda toda”. Literalmente, a música de trabalho da banda Armandinho, Dodô e Osmar virou realidade no circuito Barra-Ondina no início da noite deste domingo (26). A família de músicos com muita tradição e dezenas de carnavais fez a festa do folião pipoca com o trio sem cordas comandado pelos irmãos Macêdo e apoiado pelo Governo do Estado.
Com experiência de mais de cinco décadas de Carnaval ao lado dos irmãos Betinho, Aroldo e André, Armandinho não esconde a alegria de estar mais um ano fazendo a festa de uma forma democrática. “Temos esse conceito desde o tempo de Dodô e Osmar, que começaram com a fubica, numa festa que era para todos. Nós acreditamos nesse Carnaval democrático. O espaço é para todo mundo. Esse é um momento de prestigiar a nossa cultura, a nossa história. Isso é importante e deve permanecer”, disse o mestre da guitarra baiana.
O irmão e também guitarrista Aroldo Macêdo ressalta a importância do apoio do Governo do Estado para manter viva a ideia da folia aberta a todos os públicos. “Se não houver o apoio do Governo do Estado, o apoio público, fica muito difícil tocar para o folião. Há dez anos temos esse incentivo do Governo e isso é fundamental. A cada vez que nosso grupo desfila, mostramos toda a história da criação do trio elétrico, dessa festa baiana, com um repertório desde 1950, passando por Dodô, Osmar, Moraes Moreira, Caetano Veloso, Gilberto Gil. Pessoas que ajudaram a construir a música do Carnaval. E o Carnaval é isso. É Pipoca. É para o povo”, disse o músico.
Ainda na concentração, o público já entrou no clima com o clássico “Chame Gente” e a folia continuou com sucessos da banda como “Pombo Correio”, “Chão da praça”, “Zanzibar” e a mais nova “Pra que corda”.
Carnaval em Serra Grande arrasta multidão
Com festas carnavalescas acontecendo em várias localidades da região, Serra Grande não deixou por menos e arrastou uma multidão no 1º dia do Folia da Gente, carnaval promovido pela Prefeitura de Uruçuca.
Nesse sábado, 25, a abertura da festa contou com a entrega da chave da cidade ao Rei Momo, uma tradição em todo o país, e muita música. Stillo Groovado, prata da casa, foi a primeira banda a se apresentar.
No repertório muito pancadão com direito a dupla de dançarinos que incendiaram a galera. Umas das atrações mais esperadas da festa, o grupo Tsunami manteve a animação e no finalzinho do show ainda entregou axés antigos e novos, a exemplo de Saulo, e o reggae do veterano Edson Gomes. Já Mauricio Bahia, outro artista da terra a se apresentar no palco do Folia da Gente, embalou os corações apaixonados com canções românticas e Marlon Bahia e seu suingue fechou a noite em grande estilo.
Empresários chineses interessados em investir na Bahia participam do Carnaval com Rui
O governador Rui Costa recebe uma comitiva formada por 15 executivos chineses que estão na Bahia interessados em investir em empreendimentos baianos. Segundo Rui, eles aproveitam a viagem à Bahia para conhecer o Carnaval de Salvador. “Eles fizeram questão de participar do Carnaval”, ressaltou o governador. A comitiva já percorreu uma extensa área da Bahia, acompanhado do embaixador chinês no Brasil, desde o oeste baiano até o sul da Bahia, em Ilhéus, trecho em que está sendo construída a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
Grupos empresariais chineses mostraram interesse em investir na Fiol quando o governador Rui Costa visitou a China, no ano passado, e apresentou os projetos de investimento baianos.
De acordo com o governador, que deu essas informações durante sua passagem neste domingo, no Campo Grande, a visita dos chineses à festa baiana também é uma oportunidade para divulgar o maior Carnaval de rua do Planeta. Após passar pelo Campo Grande, Rui acompanha, ainda hoje, o desfile dos Filhos de Gandhy e segue para o circuito Barra-Ondina.
Ouvidoria Geral do Estado em esquema de plantão durante Carnaval
Durante o Carnaval, os cidadãos podem registrar reclamações, sugestões, denúncias, elogios ou solicitar informações sobre a atuação do Estado e a prestação dos serviços públicos na Ouvidoria Geral do Estado da Bahia, que está de plantão especial de atendimento pelo 0800-284-0011, Whatsaap (71) 99911.7631 e www.ouvidoria.ba.gov.br.
De sexta-feira (24) até a terça-feira (28), a Central de Atendimento funcionará das 12h às 18h. Neste período, o 0800-284-0011 receberá ligações realizadas por celulares. Outras formas de contato são por meio do aplicativo TAG, do Twitter @ouvidoriageral ou na Fan Page no Facebook.com/ouvidoriageral.
O poder do cacau
Katya Delimbeuf, no blog expresso.sapo
Diz a sabedoria popular que o chocolate é o melhor antidepressivo. E todos conhecemos pessoas “viciadas” em chocolate. A verdade é que o cacau é um alimento com elevados benefícios para a saúde. O único senão é que isto se aplica apenas ao chocolate negro com mais de 70% de cacau, e não ao chocolate de leite ou ao branco, que são sucedâneos com adição de leite e de açúcar.
Não é de agora que se conhecem os benefícios do chocolate. Napoleão Bonaparte comia um pedaço sempre que precisava de um reforço de energia. Do ponto de vista nutricional, o cacau tem tantos benefícios que é considerado nutracêutico, ou seja, um produto nutricional com valor terapêutico. Prova disso é que é usado em alguns tratamentos, inclusive na luta contra o cancro. Vamos por partes.
Classificado como “superalimento”, a semente de cacau ocupa um destacadíssimo primeiro lugar numa tabela comparativa de alimentos ricos em antioxidantes (medido em valores ORAC — Capacidade de Absorção de Radicais Livres — por 100 gramas), à frente do açaí e do chocolate negro. Para se ter uma noção dos valores, a semente de cacau regista 26 mil ORAC, seguida do açaí com 18.500 e do chocolate negro com 13.120. Porque é os antioxidantes são tão importantes? “Quando há oxidação no nosso organismo, produzimos radicais livres, que por sua vez dão origem a processos de reação em cadeia, o que pode levar ao dano das células que se deveriam renovar e no final, conduzir à morte”, explica Paula Mouta, naturopata, nutricionista funcional e membro do Cell-Wellbeing Senior Medical Advisory Board. “Os alimentos de grande poder antioxidante possuem uma molécula que inibe a oxidação das outras moléculas”.
Isto não é novo para Paula Mouta, que desde 2014 recebe pacientes de cancro da mama, cujo tratamento passa pelo cacau. Ela esclarece: “Os flavonoides do cacau atuam na recuperação das células cancerígenas. Os alcaloides dos grãos de cacau têm um efeito estimulante no cérebro, que auxilia na prevenção das doenças degenerativas.” Além disso, “quando se tem cancro, precisamos de reduzir ou eliminar por completo o consumo de açúcar. Como este é um vício quase comparável às drogas pesadas, é difícil obter resultados imediatos”, continua a naturopata de 52 anos. “Ao recomendar o consumo de 2 a 3 vezes por dia de um quadrado de cacau acima dos 70%, conseguimos modificar os comportamentos e gerar uma substituição saudável. Quando comemos chocolate amargo, estamos a ingerir uma percentagem elevada de fibra natural concentrada. Essa fibra é aliada no combate às doenças do intestino, como é o caso do cancro do cólon”.
A naturopatia enquanto “prática de saúde integral”, que olha para o ser como um todo, encaixa-se no campo da epigenética, a herança transmitida de pais para filhos através das experiências, e não só do ADN. O que isto vem dizer é que “no nosso biótipo nem tudo está programado — e atos como a alimentação, o exercício físico e o comportamento podem influenciar a maneira como os nossos genes se organizam”. O mesmo é dizer que “a alimentação pode ser o medicamento mais poderoso para reduzir o risco de doenças”. Cuidar-se, através do que come e do seu estilo de vida, pode ser a melhor política de saúde.
Privacidade em tempos de Redes Sociais: (im)possibilidade – Final
Débora Spagnol
Muitos desconhecem que os dados que compartilham nas redes são utilizados para gerar publicidade. Outros tantos se lembram da privacidade somente quando sofrem alguma violação que lhe traga prejuízo material ou moral.
Embora possa se admitir uma certa preocupação dos usuários quanto à proteção dos dados lançados nas redes, grandes empresas como Google e Facebook não fornecem a transparência necessária sobre o destino, como obter mais informações ou apagar os dados, quando já não interessa a manutenção do serviço. Sendo o princípio da transparência um direito previsto no Código de Defesa do Consumidor (1), não poderia ser considerado como opção, mas sim um dever das empresas. Outro aspecto diz respeito à legislação: as empresas não buscam se adequar às normais e leis de cada país em que atuam, preferindo manter a política de privacidade americana, o que dificulta ainda mais o acesso do usuário a essas informações.
Nossa legislação, por sua vez, não colabora para que as informações dos usuários das redes sociais sejam preservadas, porque na prática não existem normas que regulamentem a contento a coleta e o tratamento dos dados pessoais.
É relevante o volume de dados que essas empresas obtêm todos os dias: o Facebook registra em seu sistema 4,5 bilhões de curtidas e tem 76 milhões de brasileiros usuários; o Google percorre 20 bilhões de sites diariamente, a fim de manter o buscador atualizado e o Gmail (correio eletrônico que possui a maior quantidade de usuários no mundo), recebe mensalmente em torno 287,9 milhões de visitantes, passando à frente dos concorrentes Hotmail e Yahoo.
Só pelo volume de usuários seria natural esperar o bom uso de seus dados – o que na realidade não se confirma. Além da utilização abusiva das informações dos usuários pelas empresas mantenedoras dos endereços eletrônicos, o próprio governo brasileiro se utiliza (de forma arbitrária) dessas informações espontaneamente fornecidas. Neste sentido, o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14) (4), ao mesmo tempo em que mantém a vigilância do Estado sobre os dados de serviços on-line, representa uma ameaça à democracia e aos direitos fundamentais, na medida em que facilita o acesso dos dados pelas autoridades administrativas.
Antônio, Ruy e Coló
José Nazal
Em Ilhéus há duas antigas praças, muito próximas, margeando a avenida beira-mar, onde tudo acontece, denominada de Soares Lopes. São as praças dedicadas a dois ilustres baianos, o poeta Castro Alves e o jurista Ruy Barbosa.
Um velho frequentador das praças, o bancário Coló, apreciador de uma boa pinga e fumante inveterado, era apaixonado pelo “Poeta dos Escravos” e adversário número um do “Águia de Haia”. Coló, no auge do seu ‘’porre”, era o mensageiro, o pombo correio que levava e trazia os recados entre os bustos dos ilustres homenageados. Na maioria, recados desaforados.
Coló morava mais próximo da praça de Antônio, nome pelo qual ele se dirigia ao ídolo e amigo íntimo, o poeta baiano Antônio Frederico Castro Alves. Diante do busto deste, bradava em alto e bom som: “Antônio, vim lhe dizer que o tal do Ruy desafiou você. Acabou de me dizer que encontrou erros de português em seus versos! Vim aqui te dizer isso e pedir permissão para voltar lá e dizer uns desaforos a ele. Tá pensando o quê, o tal jurista? Que é mais importante que você? Vou lá e volto já”.
Partia Coló, calmamente e num equilíbrio perfeito, com a solenidade que apenas os bêbados têm para a praça de Ruy. Lá chegando, desancava o jurista com o recado que trazia a resposta de Castro Alves. Depois do recado, a depender do que ouvia nos resmungos de Ruy, passava a xingá-lo com todos os impropérios que conhecia.
Assisti a essas cenas diversas vezes. Quem não viu tem o direito de acreditar. Sabe o que penso? O mesmo que pensava o humorista Chico Anysio. Tem gente que morre e ao invés de tristeza devíamos sentir pena. Gente? como Antônio, Ruy, Coló e outros figuras folclóricas não deviam morrer nunca!
*José Nazal é vice-prefeito de Ilhéus e um apaixonado pela história da cidade e de seus personagens.












