:: ‘auto-ajuda’
Contexto presente do coronavírus: a perda da privacidade do seu corpo

Basia Piechocinska

Estou escrevendo este artigo porque há um perigo. Neste momento estamos no meio de uma tempestade e por isso pode ser difícil ter uma visão clara do que está acontecendo. Quero que o número maior de pessoas tenha acesso a estas informações tratando de um contexto mais amplo, analisando o que está acontecendo nos tempos do coronoavírus, para poder refletir e tomar as medidas que achar adequadas.
Vamos lá. Neste momento estamos no meio de uma crise mundial e há muito medo. Toda vez que há medo a nossa visão fica menos ampla. O nosso enfoque é a imanente sobrevivência e fica difícil visualizar perspectivas e contextos maiores. Os pensamentos iniciais são do tipo “Aonde consigo alcool para me proteger? Não tenho máscara! A ajuda do governo já entrou? Como vou sobreviver sem meu emprego?” etc. As reações de quem está com medo são previsíveis e como o enfoque da maioria é segurança fica mais fácil direcionar os pensamentos e a ações as pessoas.
Um exemplo do passado – 9/11

Dia 11 de setembro no ano 2001 houve os ataques às Torres Gêmeas em Nova Iorque. Isso gerou uma crise e muito medo, sobretudo nos Estados Unidos. Os canais informativos nos Estados Unidos, todos os dias mostravam barómetros de quanto medo precisava ter naquele dia. E realmente gerou-se muito medo que teve como enfoque “os terroristas”.
Por causa disso foi possível passar uma nova lei, chamada “The Patriot Act”, que tirou os direitos civis da população. A promessa do governo era que assim o governo ia poder proteger os cidadãos dos terroristas. E foi isso o que aconteceu? As pessoas condenadas, usando esta nova lei, foram os terroristas?
Não. A lei foi usada sobretudo para aprisionar os denunciantes, os “whistleblowers”, e grupos como veganos (como por exemplo membros de um grupo chamado SHAC 7 por postar vídeos de abuso de animais cometidos pela empresa Huntingdon Life Science). Geralmente a lei foi usada quando uns ativistas estavam tendo sucessos na campania de ativismo.
Para explicar o contexto do que está acontecendo agora vamos usar um exemplo do passado para tudo ficar mais palpável.
Será que os direitos serão tirados só em situações extremas, como situações de críse e depois em outros momentos os cidadãos vão de novo usufruir dos direitos? Pelo contrário. No ano 2013 Edward Snowden, um “whistleblower”, demostrou que estamos sendo vigiados em forma massiva e que nossos direitos de privacidade estão sendo tirados.
Então, vemos como uma situação de crise foi usada para revogar os direitos das pessoas para em vez de os restabelecer num futuro pacifico abusar deles e revogar ainda mais do que se mostrava.
Se o apego é a causa do sofrimento, precisamos desapegar?
Basia Piechocinska
Nestes tempos de pandemia, ouve-se como as pessoas no Ocidente estão desesperadamente exclamando “O não! Tudo está mudando agora!”. Ao mesmo tempo, os budistas exclamam com alívio “Ah, sim! Tudo muda!”. Entender que tudo muda é um dos fundamentos do budismo, e quanto mais cedo você conseguir alcançá-lo, melhor equipado estará para superar o sofrimento.
Uma das grandes filosofias e religiões do este, o Budismo, tem como objetivo de liberar-nos do sofrimento. O caminho é pelo desapego porque de acordo com os antigos ensinamento o sofrimento surge quando nos apegamos a algo. Quando nos apegamos a outra pessoa e ela desaparece da nossa vida sofremos. Quando nos apegamos a alguma imagem e percebemos que não somos mais aqueles sofremos. Quando nos apegamos a alguma idéia e lutamos por ela muitas vezes acabamos sofrendo.
A sabedoria Budista nos fala que tudo muda. Este é um principio básico do universo. E se tudo muda significa que tudo ao que nos apegaremos um dia mudará, e terminaremos sofrendo.
Mas não é só o fato de ver o que gostamos terminar. Não é só a perda que gera o desconforto. O próprio apego, o agarramento em si imediatamente vem acompanhado do sofrimento. Se você prestar atenção vai perceber que agarrar e reter qualquer coisa requer uma certa tensão. Isso é obviamente certo quando se trata de prender coisas físicas, aonde os músculos precisam trabalhar, mas também enquanto ao emocional. Partes do seu corpo vão tensionar quando você agarrar emocionalmente algum sentimento. Quando você tensionar vai perder a liberdade e abertura. Não vai mais permitir a mudança acontecer. Em vez disso vai criar resistência. A resistência é uma forma de combater o presente, não aceitar o momento e sofrer por isso.
Se aceitamos a perspectiva que o agarramento, o apego, é a fonte do sofrimento, como podemos nos desapegar?
Uma das técnicas é ficar sensível para reconhecer o apego e aprender a solta-lo. Para praticar este caminho normalmente se aconselha viver uma vida ética, por que a falta de ética nos deixa endurecidos e menos sensíveis. A meditação também ajuda tanto no aumento da sensibilidade quanto no desapego.
A desigualdade virtual
Eulina Lavigne
Ando reflexiva e preocupada com os fatos que se apresentam. Tudo é muito novo para todos, estamos muito mexidos com o que vivenciamos e escutamos no nosso dia a dia. Sei que estamos buscando soluções e, é importante que sejam bastante pensadas, repensadas e estejamos atentos para um aspecto de fundamental importância que é a inclusão.
Infelizmente, somos um país, ainda, de muitas exclusões.
Aqueles que são meus leitores sabem, que moro na zona rural, onde graças a Deus tenho a natureza dentro e fora de mim. Sei que muitos, e eu também, acreditam ser um privilégio, principalmente em tempos de pandemia.
Eu quero acreditar que em muitos aspectos é um privilégio e em outros não. Nosso acesso à cidade ainda é bastante precário, toda semana pelo menos, de meio a um dia, ficamos sem luz e portanto, sem acesso à informação e ao mundo (às vezes acho ótimo e às vezes é entediante). A internet em tempos de pandemia é mais que um caos, sem contar que a grande parte da comunidade que mora no entorno está ainda, sem acesso à internet ou apenas por meio do celular.

Agora pensem, se tudo vai girar em torno da internet o que irá acontecer, em um país com 40% da sua população analfabeta, incluindo os analfabetos funcionais? Com quase 30% sem qualquer acesso à internet? E um tanto com pouco acesso? Pois pacote de internet no celular dificilmente atenderá as demandas que estão por vir?
Participei de um encontro, virtual, sobre as alternativas para a educação sem internet, e juro que pensei que estavam falando de outro país. Diante da “falta de opções” vamos retroagir, voltar para os velhos programas de educação na TV. E como ficam os deficientes auditivos, visuais, autistas e por aí vai? Como ficam aqueles que possuem pais sem condições de ajudar os filhos em suas tarefas escolares, porque também deixaram de ter acesso à educação?
Se o apego é a causa do sofrimento, precisamos desapegar?
Basia Piechocinska
Uma das grandes filosofias e religiões do este, o Budismo, tem como objetivo de liberar-nos do sofrimento. O caminho é pelo desapego porque de acordo com os antigos ensinamento o sofrimento surge quando nos apegamos a algo. Quando nos apegamos a outra pessoa e ela desaparece da nossa vida sofremos. Quando nos apegamos a alguma imagem e percebemos que não somos mais aqueles sofremos. Quando nos apegamos a alguma idéia e lutamos por ela muitas vezes acabamos sofrendo.
A sabedoria Budista nos fala que tudo muda. Este é um principio básico do universo. E se tudo muda significa que tudo ao que nos apegaremos um dia mudará, e terminaremos sofrendo.
Mas não é só o fato de ver o que gostamos terminar. Não é só a perda que gera o desconforto. O próprio apego, o agarramento em si imediatamente vem acompanhado do sofrimento. Se você prestar atenção vai perceber que agarrar e reter qualquer coisa requer uma certa tensão. Isso é obviamente certo quando se trata de prender coisas físicas, aonde os músculos precisam trabalhar, mas também enquanto ao emocional. Partes do seu corpo vão tensionar quando você agarrar emocionalmente algum sentimento. Quando você tensionar vai perder a liberdade e abertura. Não vai mais permitir a mudança acontecer. Em vez disso vai criar resistência. A resistência é uma forma de combater o presente, não aceitar o momento e sofrer por isso.
Se aceitamos a perspectiva que o agarramento, o apego, é a fonte do sofrimento, como podemos nos desapegar?
Uma das técnicas é ficar sensível para reconhecer o apego e aprender a solta-lo. Para praticar este caminho normalmente se aconselha viver uma vida ética, por que a falta de ética nos deixa endurecidos e menos sensíveis. A meditação também ajuda tanto no aumento da sensibilidade quanto no desapego.
Mas existe alguma outra forma de não cair no sofrimento do apego? E se, em vez de aprender a soltar o apego a gente encontrar uma forma para se liberar do desejo do apego?
Imagine se você estivesse tão cheio/a, repleto/a de amor e felicidade que não sentisse nenhuma falta. Se toda sua felicidade fosse gerada por dentro não precisaria de nada exterior para ficar feliz. Não precisaria agarrar-se às coisa, pessoas, relacionamentos, acontecimentos. Sua felicidade seria incondicional.
Este é o caminho da filosofia de “começar por se sentir bem e fazer da inspiração”, em vez de fazer para preencher uma falta na esperança de depois ficar bem. Reconhecendo que somos sempre nos a gerarmos as nossas emoções abrimos para a possibilidade de aprender a faze-lo deliberadamente. É o caminho do mestre do foco, aonde o foco vira um superpoder e fica no que desejamos e não diverge pelo ruim. O que não gostamos fica um ponto apreciado de expansão que usamos como um trampolim que nos eleva claramente para cima, na direção da nossa aspiração.
Propositalmente escolhendo o melhor sentimento que conseguimos sentir no mome
As nossas vocações
Eulina Lavigne
A palavra Vocação vem do Latim VOCATIO. Que significa “um chamamento”, de VOCATUS, “pessoa chamada”.
Vocação é aquilo que chama a nossa Alma e diz: vem, vem fazer o que você veio fazer, com prazer, com alegria! Vem cumprir a sua missão na Terra! E independente do que seja, a gente se sente feliz e revigorado a cada dia . É uma verdadeira diversão.
Acredito que, ao longo dos anos da nossa existência, podemos desenvolver várias habilidades e competências para ampliar as possibilidades de atuar no mundo e se manter presente.
Por outro lado, sinto que apenas desenvolver novas habilidades e competências não é o suficiente quando estão desassociadas das nossas reais vocações, e podem gerar acomodação e impedimento para que a expressão do nosso ser se manifeste de forma íntegra.
E fico a pensar que se assim é com o ser humano, assim também deve ser com a nossa Grande Mãe Terra. Cada pedacinho dela, de acordo com as suas condições geográficas, climáticas, humanas e tantas outras, revela uma vocação que será expressa, na sua integridade, na medida em que quem nela reside a respeita e a honra.
Honrar a Terra, em toda a sua dimensão, é honrar cada parte dela e respeitar as suas vocações.
Você já se perguntou qual é a vocação do local em que habita? Você já observou se ele está em harmonia com a sua missão de existência?
Se ainda não fez isto passe a observar, e inclua na sua observação a percepção sobre o que vem acontecendo nos lugares que são invadidos por vocações que não lhes cabem.
Observe a resposta da Mãe Terra, por mais dolorosa e dura que seja, às manifestações ilícitas de nós homens para com ela. As invasões, a implantação de projetos fora das vocações do local. O sofrimento que isto vem causando às pessoas que habitam no local e que também buscam cumprir a sua missão tal qual o seu lugar e as pessoas que desempenham papeis fora das suas vocações no local.
O desafio de estar presente
Eulina Lavigne
O maior presente que recebemos dos nossos pais é a VIDA. E a vida é uma grande jornada. Antes mesmo de chegarmos ao mundo, o nosso corpo registra tantas emoções vivenciadas pelos pais que, se Roberto Carlos soubesse, faria uma canção sobre isso.
Recentemente, pesquisas realizadas pela universidade de Emory University School of Medicine nos EUA, constataram a possibilidade de existir uma herança epigenética transgeracional, que revela que o ambiente pode afetar os gens de um indivíduo e pode ser trasmitido aos seus herdeiros antes mesmo de chegarem ao mundo.
Nos assustamos com tanta luz, com uma mão estranha que nos puxa para o mundo e, por vezes, com um tapa no bumbum. Apesar do desejo de ficar naquele espaço quentinho e aconchegante, quem sabe com medo dos desafios que nos aguarda, precisamos ser resgatados. E a vida nos convida para estarmos presentes.
Presentes? Como assim? Nem pensar! Esse mundo me assusta! Me retirando de um conforto, me batendo, me puxando. Muita gente me olhando, me pegando, comentando sobre mim. Nossa! Quero tomar o trem de volta.
Fico a imaginar se esse seria ou será o diálogo das nossas células antes mesmo de nascermos, ao vivenciarem tantos eventos que estimulam a sair de cena ao invés de estarmos presentes. Além disso, podem existir eventos de ambientes conflituosos, brigas, discussões, drogas, que envolvem o nosso sistema familiar e dão continuidade a esse desejo interno do “vamos fugir por aí, baby”.
Tudo isso nos faz acreditar que a presença é algo que incomoda muito ao invés de perceber que estar presente é um GRANDE PRESENTE!
Nossas Memórias
Eulina Lavigne
A semana passada vimos as nossas memórias serem completamente apagadas. Uma lástima perceber a nossa desonra ao nosso passado, a todos aqueles que pertenceram a nossa história como se nada fossem e significassem. Foi deveras um descaso com a nossa cultura.
A queima dos acervos localizados no Museu Nacional do Rio de Janeiro é a simbolização concreta da nossa incapacidade de preservar o nosso patrimônio cultural. Um verdadeiro convite para refletirmos o quanto preservamos, também, as nossas relações, tudo o que construímos e conquistamos.
Fiquei deveras triste olhando aquela cena em uma tela de televisão. E fiquei a me questionar como eu fui incapaz de conhecer aquele espaço aos 57 anos? E porque eu não me empenhei em ir e levar os meus filhos para que conhecessem a nossa história?
E quantos além de mim também não foram e não levaram os filhos. E a resposta está posta às nossas vistas, para que a lástima e a indignação não sirvam apenas para nos vitimarmos de um fato onde todos somos algozes e responsáveis. Precisamos perceber a parte que nos toca neste latifúndio.
O quanto olho para a minha história e a reverencio do jeito que ela foi? E este fato também fará parte da nossa história. Eu um dia estarei visitando, revendo e pensando que foi o que restou do pouco da história que um dia os meus filhos e netos saberão. Ou não.
Eu só SOU com VOCÊ!
Eulina Lavigne
Esta semana trago a frase de Martin Luther King para refletirmos um pouco.
“Todas as pessoas estão presas numa mesma teia inescapável de mutualidades, entrelaçadas num único tecido do destino. O que quer que afete a um diretamente, afeta a todos indiretamente. Eu nunca posso ser o que deveria ser até que você seja o que deve ser. E você nunca poderá ser o que deve ser até que eu seja o que devo ser.”
Esse texto nos convida a repensar a nossa forma de estar na vida e a nos perguntar qual é o meu propósito e a serviço de quem me coloco à disposição. Nos chama para percebermos que somos uma rede e se um nó se desfaz, se aperta ou se afrouxa, vai reverberar sobre mim e sobre você.
Recentemente vivenciamos isto com a paralisação dos caminhoneiros e, infelizmente, muitos não se deram conta disso.
O que presenciamos foi uma corrida aos supermercados e postos de gasolina para auto-abastecimento, muitas vezes sem necessidade, alimentando o paradigma da escassez onde aprendi com o finado Oswaldo de Oliveira, que se materializa quando assim pensamos: não tem pra todo mundo. Se não tem pra todo mundo temos medo de que falte. Se temos medo de que falte, competimos para criar estoques. Quando criamos estoques, retiramos de circulação, diminuindo o fluxo. Quando diminuímos o fluxo, aumentamos o custo de transição. Quando aumentamos o fluxo de transição, excluímos aqueles que não podem pagar. E se excluímos aqueles que não podem pagar, a profecia se auto-realiza, ou seja, não tem pra todo mundo.
Um pé (calçado) na bunda do pessimismo
Sessão gotas de sabedoria (ou, um pouco de auto-ajuda não faz mal a ninguém):
O dono de uma loja de calçados mandou um funcionário a uma pequena cidade, para avaliar a possibilidade de abrir uma filial.
No dia seguinte, o funcionário manda um email pro chefe, dizendo o seguinte:
-Aqui a gente não vai vender nem um par de chinelos. Nessa cidade, todo mundo anda descalço.
Em busca de uma segunda opinião (feito o sujeito que repete o exame de próstata umas 200 vezes para evitar dúvidas), o chefe manda outro funcionário à mesma cidade.
No dia seguinte, recebe o email:
-Chefe, a gente vai vender sapatos pra caramba. Nessa cidade, só tem gente descalça.
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