:: ‘A Mulher do Lobisomem’
Deus vai ao motel
Daniel Thame
Mulher casada, já na maturidade dos 60 anos, apaixonou-se por um homem trinta anos mais novo. O que para ela era paixão, para ele era apenas tesão, porque ela compensava as rugas com um fogo inacreditável na cama.
Quando aquelas trepadas começam a ficar sem graça para ele, já que depois do gozo ela voltava ser apenas uma mulher cheia de rugas, começou a buscar uma saída para cair fora.
Até que numa tarde, enquanto estavam no motel, pareceu que alguém tentava forçar a porta do quarto. Ela se apavorou, pensou que era um assalto e se escondeu no banheiro.
Ele ligou para a portaria e em poucos minutos a secretária esclareceu que era apenas um funcionário levando um champanhe, mas que bateu no quarto errado. Uma chance de ouro que não poderia ser desperdiçada.
Os olhos dela saltavam de pavor:
-Era um assalto mesmo, mas pegaram o ladrão, quando ele estava forçando a porta do nosso quarto.
Para completa a cena, ainda arrematou:
-Isso é um aviso de Deus, porque a gente está fazendo uma coisa errada. Seu marido é um cara legal e não merece isso.
Meio canalha, mas funcionou. Tornaram-se apenas bons amigos e pouco tempo depois, nem isso.
(Conto extraido do livro A Mulher do Lobisomem, Daniel Thame, Editora Via Litterarum)
A Mãe, o Filho e o Carrasco

Daniel Thame
Os olhos tristes e cansados da mãe contemplam o vazio. Um imenso e interminável vazio, formado por rios, florestas, animais selvagens e décadas de espera.
Os olhos tristes e cansados da mãe se enternecem e adquirem um brilho efêmero ao lembrar do menino carinhoso, do adolescente sonhador e do jovem idealista que, recém-formado em Medicina, em vez de salvar vidas, se engajou na luta para ajudar a salvar a nação do câncer de uma ditadura brutal.
Os olhos tristes e cansados da mãe se perdem naquela busca que parece interminável, naquela espera que é meramente esperança, do retorno do filho que para alguns se transformou em mártir de uma batalha perdida e herói de uma causa justa, mas que para ela é apenas um filho cuja ausência rasga o coração.
Os olhos tristes e cansados da mãe, olhos de tantas e infrutíferas buscas no Araguaia, sepultura invisível de seu filho, miram os céus, décadas e décadas de saudade, de uma ferida que insiste em não cicatrizar, como que a procura de um sinal.
Mas até a infinitude dos céus é engolida por aquela mata fechada, com seus fantasmas e mistérios, que devorou filhos, filhas, pais, mães, amigos numa guerrilha ainda não devidamente absorvida pela memória coletiva, travada que foi nos confins do Brasil profundo.
Dos céus, não vêm sinal algum.
Os olhos tristes e cansados da mãe só não perderam a esperança, porque esperança de mãe é como a chama eterna, que nem a dor da perda do filho querido consegue apagar.
Os olhos tristes e cansados da mãe esperam por um fiapo de corpo que seja, um punhado de ossos, que reconstruídos numa história de vida, resgatem a memória de quem foi para nunca mais voltar.
O que a mãe deseja, com seus olhos tristes e cansados, é poder sepultar o que restou do filho.
Para então, descansar em paz, e talvez, se reencontrar com ele numa dimensão que os olhos não alcançam, mas que o amor e a fé de mãe tem certeza de que existe.
—
(Conto publicado no livro ´A Mulher do Lobisomem`, inspirado e João Carlos Haas Sobrinho, uma das vítimas do massacre à Guerrilha do Araguaia, uma das páginas mais brutais da Ditadura Militar no Brasil)
A Mulher Caridosa
Daniel Thame
Os dois amigos chegaram à pensão modesta na cidade do interior paulista no domingo à noite.
Radialistas em início de carreira e, portanto, escalados para as piores coberturas, iriam fazer reportagens sobre um encontro de prefeitos e vereadores.
Tanta atenção para uma baboseira daquelas, que desde todo o sempre serviu de fachada para que os políticos tivessem diversão garantida bancada pelos cofres públicos, só se justificava porque o prefeito era também o dono da rádio onde eles trabalhavam.
O dinheiro contado mal dava para as despesas. “Luxos”, só mesmo algumas doses de “fogo paulista”, uma mistura horrenda de pinga vagabunda com groselha, e uma visitinha ao puteiro local, ainda assim contando com a generosidade de uma moçoila mais em conta, mais rodada e em, digamos, fim de carreira.
Porque as putas que valiam a pena, preferiam prefeitos, vereadores, assessores mais graduados e mesmo os caipiras com aqueles “errrrrrrrrrrrrrrrrrres” intermináveis, mas com dinheiro no bolso.
Daí que, a dona de pensão, uma velhota lá pelos seus 65 anos, viúva contrita, que era um trombolho repugnante na noite de domingo, passou a ser uma pessoa legal na segunda-feira, simpática na terça-feira, agradável na quarta-feira e atraente na quinta-feira.
Na sexta-feira os dois, que eram amigos de dividir um prato de comida, quase estavam saindo no tapa para ver quem iria dormir com a dona da pensão, aquela delícia de mulher.
“A MULHER DO LOBISOMEM” TEM 1ª. REIMPRESSÃO
Editado pela Via Litterarum, o livro “A Mulher do Lobisomem”, de autoria deste blogueiro, está chegando à sua primeira reimpressão. Até então restrito ao eixo Ilhéus-Itabuna, o livro estará disponível em livrarias de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, graças a um trabalho de divulgação do catálogo da Via Litterarum.
‘A Mulher do Lobisomem´, que tem na capa um quadro do pintor primitivista Waldomiro de Deus, traz uma séria de contos abordando o universo feminino com histórias de amor, sexo, justiça social e humor, em textos curtos e de finais surpreendentes.
´A Mulher do Lobisomem´ também, pode ser adquirido também através do telefone 73 9113 1938.
UMA CACHACINHA, UM PURO HABANO E UMA CHOUPANA
Este blog ficará sem atualização nos próximos três dias. O blogueiro, escritor extemporâneo, aproveita o feriado e vai se refugiar numa choupana, sem net e sem celular, e finalizar seu próximo livro, uma homenagem ao centenário de Jorge Amado.
“Vassoura” vai bem obrigado, “A Mulher do Lobisomem” segue na mesma balada e agora é
cuidar da gestação de “Jorge100anosAmado”, contextualização em forma de contos dos principais romances do escritor grapiuna.
Boa notítcia, não necessariamente para a meia dúzia de quatro ou cinco leitores dos meus livros, mas para a uma dúzia de dez ou onze leitores deste blog, poupados que estarão por alguns dias das aleivosias desse velho lobo da imprensa.
Mas eu volto.
Entendam como uma ameaça.
HELENILSON CHAVES E A MULHER DO LOBISOMEM
Se Maomé não vai até A Mulher do Lobisomem, A Mulher do Lobisomem vai até Maomé.
Esse blogueiro e escritor extemporâneo fez questão de levar ao amigo Helenilson Chaves, um exemplar do livro A Mulher do Lobisomem, lançado recentemente.
Helenilson, que se recupera bem de um problema de saúde, é mais do que o empresário visionário e realizador que todos conhecem.
É também uma pessoa culta, papo agradável, apreciador de um bom vinho e um charuto honesto, e um homem que verdadeiramente tem paixão por Itabuna e que, sem fazer alarde, realiza importantes ações sociais, que melhoram a vida de centenas de pessoas em comunidades carentes.
A MULHER DO LOBISOMEM NA MESA DE BAR
Registro com alegria o lançamento do Livro A Mulher do Lobisomem em Ilhéus. O lançamento aconteceu na Barrakitika, espaço cedido por Bruno Susmaga e, a exemplo de Itabuna, pude ver o quanto significa dispor de uma legião de amigos.
Uma mesa de bar, uma cervejinha gelada, uma cachaça honesta, um papo agradável.
Valeu!
A MULHER DO LOBISOMEM SERÁ LANÇADO EM ILHÉUS
O livro A Mulher do Lobisomem será lançado nesta quarta-feira, dia 14, às 18 horas, na Barrakitica, em Ilhéus. Segunda obra literária deste blogueiro, o livro reúne 21 contos que abordam o universo feminino, em histórias de romance, sexo, violência e exclusão social.
A Mulher do Lobisomem, editado pela Via Litterarum, já está disponível na Livraria Nobel, no Shopping Jequitibá/Itabuna. O lançamento do livro em Ilhéus tem o apoio cultural da Barrakatica.
“NASCEU” O FILHO DA MULHER DO LOBISOMEM
Acabo de receber da editora Via Litterarum os primeiros exemplares do livro “A Mulher do Lobisomem”, nova incursão desse jornalista outonal no mundo da literatura.
O livro traz na capa um quadro de Waldomiro de Deus, um dos maiores pintores primitivistas do Brasil.
A sensação é de ver um filho nascendo, lindo e cheio de vida.
Se é realmente bonito, o leitor há de dizer.
O lançamento de “A Mulher do Lobisomem” será nesta quinta-feira, dia 8, às 19 horas, na Livraria Nobel, no Shopping Jequitibá, em Itabuna.




























