Daniel Thame

Mulher casada, já na maturidade dos 60 anos, apaixonou-se por um homem trinta anos mais novo. O que para ela era paixão, para ele era apenas tesão, porque ela compensava as rugas com um fogo inacreditável na cama.

Quando aquelas trepadas começam a ficar sem graça para ele, já que depois do gozo ela voltava ser apenas uma mulher cheia de rugas, começou a buscar uma saída para cair fora.

Até que numa tarde, enquanto estavam no motel, pareceu que alguém tentava forçar a porta do quarto. Ela se apavorou, pensou que era um assalto e se escondeu no banheiro.

Ele ligou para a portaria e em poucos minutos a secretária esclareceu que era apenas um funcionário levando um champanhe, mas que bateu no quarto errado. Uma chance de ouro que não poderia ser desperdiçada.

Os olhos dela saltavam de pavor:

-Era um assalto mesmo, mas pegaram o ladrão, quando ele estava forçando a porta do nosso quarto.

Para completa a cena, ainda arrematou:

-Isso é um aviso de Deus, porque a gente está fazendo uma coisa errada. Seu marido é um cara legal e não merece isso.

Meio canalha, mas funcionou. Tornaram-se apenas bons amigos e pouco tempo depois, nem isso.

(Conto extraido do livro A Mulher do Lobisomem, Daniel Thame, Editora Via Litterarum)