A MULHER DA CAIXA DE CHICLETES

Vez por outra somos surpreendidos por notícias dando conta de que pessoas que cometeram pequenos delitos, cuja punição poderia ser transformada em prestação de serviços comunitários, permanecem encarceradas, como se fossem marginais de altíssima periculosidade.
A mais recente, e não necessariamente a última, demonstração de que a justiça nem sempre é justa envolve uma mulher de Sete Lagoas (Minas Gerais) que está presa desde 2007 por ter furtado caixas de chicletes de um supermercado. As caixas somavam juntas o “estratosférico” valor de R$ 98,80.
A mulher vai completar três anos na cadeia e um pedido de habeas corpus acaba de ser negado por Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) .
O fato de que a mais alta corte da justiça brasileira tenha que julgar um delito menor já é por si só um absurdo.
Absurdo maior é o ministro negar a soltura de uma pessoa presa por ter roubado caixas de chicletes, ainda que o magistrado tenha agido estritamente dentro da lei.
A lei, ora a lei!
Ela, que deveria ser igual para todos, é extremamente rigorosa com os ladrões de galinha (e de chicletes) e inacreditavelmente flexível com os que cometem grandes golpes, sejam eles mega-empresários, banqueiros ou políticos.
Casos dessa flexibilidade existem aos montes. Os chamados “tubarões” quando são presos, passam pouco tempo na cadeia, porque sempre aparece um proverbial habeas corpus que garante a liberdade e a impunidade.
Tudo dentro da lei, porque sempre existe uma filigrana, uma brechinha que permite aos grandes ladrões (porque na prática eles são isso mesmo, ladrões) evitarem o dissabor de uma temporada atrás das grades.
A lei, ora a lei!
Ágil para quem dispõe de bons advogados e de prestígio (ou das duas coisas juntas) ela é lenta para os pobres coitados que dependem da assistência judiciária gratuita e tem seus processos caminhando, quando caminham, a passos de tartaruga em meio à burocracia da justiça.
O que para os afortunados leva dias, ou às vezes poucas horas, para os desvalidos pode demorar anos.
No caso da mulher da caixa de chicletes, Marco Aurélio Melo baseou sua decisão de negar o pedido de hábeas corpus baseado no entendimento de que não se tratou de um furto famélico, ou seja, ela não roubou para saciar a fome.
Deveria valer também para aqueles que, ao saquear cofres públicos e aplicar grandes golpes no sistema financeiro (sempre absorvidos pelo governo), saciam a própria gula e condenam à fome milhares, milhões de pessoas que poderiam ser beneficiadas com os recursos desviados.
Mas, ai já entramos no campo da subjetividade.
Na frieza da lei, a mulher da caixa de chicletes e outros tantos ladrões de galinha vão continuar mofando atrás das grades, pelo fato de terem sido presos em flagrante delito.
Como é difícil pegar um larápio VIP com a mão na grana e a boca no cofre, eles continuarão respondendo os processos em liberdade, de recurso em recurso, até o julgamento final, que pode acontecer no Dia de São Nunca.
Nossa Justiça não é apenas cega, como também pode ser surda e muda.
TAPE OS OUVIDOS E FECHE OS OLHOS
De acordo com notícia publicada no jornal Folha de São Paulo, o Ibope realizará no final do mês uma pesquisa para testar pelo menos cinco candidatos do PT à sucessão de Lula. O objetivo é indicar qual deles, numa eventual impossibilidade da candidatura de Dilma Roussef por conta de sua doença, reúne maiores condições de enfrentar o favorito José Serra, do PSDB.
Entre os nomes que serão colocados para avaliação está o do governador da Bahia, Jaques Wagner.
Não é a primeira vez que o nome de Wagner aparece como provável candidato a suceder Lula. Sua atuação serena e segura no auge da crise do mensalão, que quase afunda Lula e produziu estragos no PT, lhe deu dimensão nacional, a ponto do próprio presidente ter tentado demovê-lo da disputa pelo governo baiano, que se apresentava como uma espécie de missão impossível, para ajudá-lo na reeleição.
Wagner decidiu mostrar que a missão era possível, impôs uma derrota histórica ao carlismo e catapultou seu nome como liderança nacional, candidato de primeira linha à sucessão de Lula. A opção petista por Dilma Roussef, a candidata de maior visibilidade, tirou Wagne dos holofotes nacionais, pelo menos em nível de eleição presidencial, para onde ele retorna agora por conta a enfermidade da ministra chave da Casa Civil e “mãe” do PAC.
Péssima hora!
A reinserção de Jaques Wagner na disputa presidencial, ainda que seja uma hipótese remota, visto que Lula tem repetido que a candidata do PT é Dilma e ponto final, se dá num momento em que o governador convive com uma das crises políticas cíclicas, provocadas pelo PMDB, que pela enésima vez ameaça lançar candidatura própria ao governo baiano.
No caso, a candidatura do ministro da Integração Nacional. Geddel Vieira Lima. Bem ao seu estilo, Geddel não diz que é candidato; Nem que não é. Mas seu partido diz que quer lançar um candidato. E Geddel diz que é homem de partido e vai seguir o que o partido determinar. Um craque no jogo de palavras e na dissimulação.
Colocar Wagner na sucessão presidencial, mesmo que seja apenas em hipótese, é embolar a sucessão baiana, alimentar a gula do PMDB pelo Palácio de Ondina e instalar a insegurança entre os aliados (notadamente os que não estavam juntos na histórica eleição de 2006).
Não acrescenta nada no plano nacional, porque tudo indica que a candidata do PT será mesmo Dilma (ou o próprio Lula, não se descarte essa possibilidade) e ainda embaralha o jogo no plano estadual, justamente no momento em que Wagner, favorito em todas as pesquisas de intenção de voto, precisa focar os rumos de seu governo, que tem inúmeros acertos e avanços que devem ser realçados e mostrados à população; reafirmar sua candidatura e cobrar uma definição do que os peemedebistas querem da vida.
De mais a mais, pode fazer muito bem para o ego ser lembrado como um potencial candidato à sucessão de Lula.
Mas, foi justamente o ego e uma avaliação completamente equivocada que levaram Waldir Pires a cometer aquele que foi seguramente o seu pior erro político.
Waldir entregou o governo da Bahia, conquistado igualmente após uma vitória histórica sobre o carlismo, nas mãos do PMDB e foi se aventurar (ou melhor, desventurar) na barca furada como vice de Ulisses Guimarães.
Com a saída de Waldir, ACM voltou ainda mais forte, dominou a Bahia por mais duas décadas até ser derrotado por Jaques Wagner.
ACM morreu, mas o carlismo e suas adaptações mal disfarçadas não.
A sereia canta. É de bom alvitre tapar os ouvidos.
E abrir os olhos…
CAIXA DE SURPRESAS
A Caixa Econômica Federal se jacta de ser um “banco social”.
Faz sentido: está socializando a exploração.
A CEF cobre taxa até de quem faz um reles saque no caixa eletrônico, sem contar as cobranças, que resvalam para o constrangimento, de mutuários que atrasam, mesmo que seja por alguns dias, o pagamento do financiamento do imóvel.
ACHEI UM FILÓSOFO NA BEIRA DA ESTRADA

No trecho entre Itororó e Firmino Alves da rodovia BA 415, um artista anônimo tascou uma frase de Friedrich Nietzsche num pedaço de rocha.
A citação do filósofo alemão foi colocada às margens da rodovia e passa praticamente despercebida. Não deveria.
Correr não é preciso. Refletir sobre a real dimensão do ser humano diante do mundo, é.
Ou deveria ser.
Filosofei. Mal, mas filosofei…
SEM QUERER QUERENDO

Na medida em que aumentam as incertezas em relação à maneira como a ministra Dilma Roussef, principal candidata do PT à presidência da República em 2010, vai suportar os efeitos do tratamento contra um câncer, crescem as especulações em torno de uma medida casuística que proporcionaria a Lula a chance de disputar um terceiro mandato consecutivo.
Além da movimentação de bastidores, dá-se como certo que o deputado federal Jackson Barreto vai apresentar uma proposta que viabilize a re-reeleição, muito provavelmente um plebiscito, em que a população decidiria se Lula pode ou não disputar a eleição no ano que vem.
Enquanto Dilma seguia firme e forte como a “mãe” do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC, percorrendo o Brasil de cima a baixo ao lado de Lula, com chances de vitória em 2010, a despeito do favoritismo de José Serra, a tese da re-reeleição, que não é nova, estava hibernando.
O próprio Lula foi o primeiro a descartar a proposta e lideranças do PT sempre fizeram questão de manter distância do assunto, deixando a incumbência para deputados obscuros de partidos nanicos.
Jackson Barreto, entretanto, pode não ser do primeiro time do Congresso Nacional, mas seu partido, o PMDB, está longe de ser nanico. Ao contrário, possui a maior bancada na Câmara e no Senado e será uma espécie de fiel da balança na sucessão presidencial. Jackson Barreto não está falando em nome do partido, mas não seria idiota a ponte de apresentar uma proposta de tamanho potencial político se ela não tivesse a chance de seguir adiante.
Com as incertezas em torno do nome de Dilma e sem que o PT tenha um “plano B”, os holofotes se voltam para Lula.
O presidente e o partido podem até fazer jogo de cena, como se nada tivessem a ver com isso. Mas, em sã consciência, ser houver a possibilidade da re-reeleição porque não tentá-la?
Ou será que o PT e seus aliados mais fiéis estão dispostos a passar o apetitoso bolo para os tucanos degustarem?
Casuísmo ou não, a proposta fatalmente teria respaldo popular.
Lula, a despeito de crise que virou de ponta cabeça a economia mundial, desfruta de um prestígio que beira o sobrenatural junto aos brasileiros, especialmente as classes C e D, as primeiras beneficiadas pelo crédito fácil e as segundas pelos generosos programas de transferência de renda, com o Bolsa Família. E são eles que decidem um eventual plebiscito e depois decidem também a eleição.
A oposição, PSDB e DEM à frente, sabe que com Lula no páreo, o favoritismo de Serra esfarela. A política é muito dinâmica, o que se diz e/ou escreve hoje pode não valer nada amanhã, mas mantida a tendência atual, Lula seria imbatível.
O tema re-reeleição, portanto, deve deixar de ser tratado como uma excentricidade ou delírio de alguns lunáticos e entrar na ordem do dia.
O PT pode até perder a mãe (do PAC), mas pelo jeito não vai perder a chance de emplacar o pai (dos pobres) mais uma vez, se assim o Congresso Nacional permitir e o povo quiser.
No melhor estilo Chavez ,perdão Chaves: sem querer querendo…
COCÓRICÓ
O Governo da Bahia está recuperando um trecho de cerca de 60 quilômetros na estrada que liga Itororó a Potiraguá.
A rodovia é um importante elo de ligação do Sudoeste e Oeste do estado, além de Goiás, Tocantins e Brasília, com a região turística de Porto Seguro.
A exemplo das demais estradas que são sendo recuperadas, a pavimentação é de primeiríssima qualidade.
Sabem quantas placas existem, indicando que a obra é do Governo da Bahia?
A resposta é: NENHUMA PLACA.
É a tal da “síndrome da pata”. Bota um baita ovo, mas como não faz barulho, ninguém fica sabendo.
Já as galinhas passadas, botavam uns ovinhos que nem eram de ouro.
Mas faziam um barulho danado…
TRISTES MANHÃS DE DOMINGO

Domingo, 11 horas da manhã. Dia tranqüilo no bairro São Caetano, em Itabuna, antes que os bares comecem a lotar e dar vida ao local.
Numa rua igualmente tranqüila, um grupo formado por cerca de cinco meninos fuma crack na frente dos moradores. Passam de mão em mão o inconfundível cachimbo improvisado. Numa outra esquina, são três meninos deitados no chão, se drogando.
A idade dos menos varia entre 8 e 12 anos. Apenas um deles, com jeito de líder da turma, aparenta ter uns 16 anos.
Estão todos descalços, com roupas rasgadas, o olhar perdido, transpirando revolta.
Abordado por um morador sobre o uso da droga, um dos meninos responde secamente:
-Ô tio, fodidos como nós vive, só chapado mesmo.
E lá foi a turma de meninos drogados, batendo de porta em porta, pedindo comida, uma roupa velha. Com o jeito ameaçador de quem não tem nem tem o direito de ser criança e para quem a vida não faz qualquer sentido.
Os meninos do São Caetano são os meninos do Santo Antonio, do Conceição, do Pontalzinho, do Califórnia, do centro da cidade.
De Itabuna, de Ilhéus. Meninos do Brasil.
São milhares, talvez milhões. Lançados à própria sorte.
Sem casa e sem família.
Sem saúde, sem escola, sem lazer.
Sem futuro.
Para esses meninos, não basta a repressão policial, o encaminhamento para os centros de recuperação que na maioria das vezes não recuperam e se tornam um curso avançado para o mundo do crime.
Não basta, também, localizar e prender os traficantes que vendem drogas abertamente, uma das razões para a assustadora escalada do crack, antes reduzida à capital paulista e que se espalhou para todo o Brasil, nas grandes médias e pequenas cidades, em todas as classes sociais.
O que esses meninos necessitam é de políticas públicas eficientes que os tirem das ruas.
Emprego para seus pais, direito a habitação, escola, atividades culturais e esportivas.
Coisas que para esses menores excluídos não passam de abstração, delírio.
Nossos políticos, inebriados e entorpecidos pela droga do poder, deveriam abrir os olhos (ou sair do torpor) e dar atenção a essa legião de meninos sem futuro, a perambular por ruas e praças.
Não dá para pensar num país com justiça social enquanto houver crianças que trocam o brinquedo pela droga e, num segundo e inevitável estágio, pelas armas, espreitando a morte prematura e inevitável em cada esquina.
Impossível não se comover com o infortúnio desses meninos e meninas que poderiam ser nossos filhos, afundados na drogas em tristes manhãs de domingo e em todos os dias da semana.
Mas, de comoção é o que eles menos precisam.
Eles precisam é de ação.
Que rima com educação, com inclusão.
E que rima também, mas não deveria, com omissão!
PULA, NÃO PULA
O português assistia ao lado de um amigo uma reportagem na televisão em que um rapaz ameaçava pular do alto do prédio. Ai o amigo falou:
-Quer apostar que ele pula?
O português topou:
-Pois eu aposto que ele não pula…
Pula, não pula, pula, não pula. O rapaz finalmente pula e se arrebenta todo no chão.
Sem reclamar, o portuga pagou a aposta. Mas o amigo, meio sem graça, não aceitou o dinheiro:
-Vou ser sincero, eu já tinha visto essa reportagem antes e sabia que o cara iria pular…
E o gajo:
-Nada disso, pode ficar com o dinheiro. Eu também tinha visto essa reportagem e achei que o rapaz não teria coragem de se atirar de novo.
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Na política baiana, o PT se comporta como o português da piada. Já viu o final do filme, mas aposta que dessa vez será diferente…
EU BEBO SIM…E VOU JOGANDO
A imprensa paulista, patrulheira que só ela, não dá folga.
Começam a aparecer nos sites fotos de Ronaldo tomando todas e com aquela inconfundível cara de bebum.
A cachaçada aconteceu na festa de comemoração do título paulista, conquistado pelo Corinthians, com a inestimável colaboração de Ronaldo e seus gols decisivos.
Quer dizer então que o cara é dado como acabado para o futebol, mera jogada de marketing (inclusive por este blogueiro), volta a jogar uma barbaridade, é campeão pelo time mais popular de São Paulo e não pode nem tomar umas?
Ronaldo pode até cantar:
“E bebo sim, e estou jogando pra c…Tem gente que não bebe e não joga p…nenhuma” (hic)
















