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UFSB colabora com curso de identificação de madeiras para capacitação de peritos criminais da Polícia Civil
A Polícia Técnica participou do curso de identificação de madeiras, com o título Apreensão em carga de madeiras, realizada no Laboratório Central de Tecnologia de Produtos Florestais do Centro de Formação em Ciências Florestais (CFCAF). A atividade ocorreu no Campus Jorge Amado da Universidade Federal do Sul da Bahia (CJA/UFSB). Com isso, peritos criminais da Polícia Civil de diversos pontos da Bahia tiveram essa capacitação.

Ministrado pela perita criminal oficial Anna Luiza Garção, da Polícia Científica do Estado de Rondônia, e pela professora Mara Agostini Valle, o curso integrou fundamentos técnicos e científicos essenciais para a análise e reconhecimento de espécies madeireiras, formas de realizar volumetria, análise documental e rastreabilidade de madeira. Essas técnicas e saberes são indispensáveis para o combate à exploração ilegal de madeiras.
Conforme a professora Mara Agostini Valle, os resultados da sua pesquisa de pós-doutorado motivaram a perita Anna Gração a entrar em contato e iniciar a parceria para capacitação de peritos criminais para identificação de madeiras. Além das atividades práticas em laboratório, os participantes também conheceram o herbário, ampliando a compreensão sobre a diversidade vegetal e o suporte à identificação botânica.
UFSB tem política de inclusão de pessoas privadas de liberdade certificada como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil

Haroldo Heleno
A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como uma das iniciativas destacadas de Tecnologia Social em 2026, em reconhecimento ao modelo institucional de inclusão educacional voltado a pessoas privadas de liberdade. A certificação destaca a política desenvolvida pela universidade que articula reserva de vagas, processos administrativos adaptados e estratégias pedagógicas específicas para garantir o acesso e a permanência de estudantes em privação de liberdade no ensino superior.

O chamado Modelo UFSB de Inclusão Educacional de Pessoas Privadas de Liberdade organiza, de forma integrada e reaplicável, todos os procedimentos necessários para que esses estudantes ingressem, matriculem e acompanhem suas atividades acadêmicas, mesmo diante das limitações impostas pelo sistema prisional. Segundo o pró-reitor de Ações Afirmativas da UFSB, Sandro Ferreira, o reconhecimento reforça o caráter inovador das políticas institucionais da universidade.
O acesso de pessoas privadas de liberdade ao ensino superior enfrenta desafios estruturais que vão desde a ausência de conexão com sistemas acadêmicos até a falta de fluxos institucionais entre universidades e unidades prisionais. Diante desse cenário, a UFSB desenvolveu uma metodologia própria que organiza todas as etapas do processo, desde a identificação dos estudantes aptos ao ingresso até o acompanhamento acadêmico contínuo.
Conjunto Penal de Itabuna e Socializa comemoram mais uma aprovação histórica de internos na Universidade Federal do Sul da Bahia
Além da UFSB, que teve 62 aprovados por meio do SISU, outros nove
conquistaram as vagas através do PROUNI em Universidade privada
O Conjunto Penal de Itabuna vive mais um momento histórico em sua missão de reintegrar vidas. A lista de aprovados divulgada pela unidade prisional mostra que 71 internos foram selecionados para o ensino superior na edição de 2026 dos programas Sisu e Prouni. A maior parte das vagas foi conquistada por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu): 62 aprovados cursarão graduações na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em áreas como engenharia ambiental, engenharia florestal, produção cultural, letras e diversos cursos interdisciplinares. Além disso, nove reeducandos foram contemplados com bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) em cursos de gestão financeira, recursos humanos e negócios imobiliários na universidade privada Unopar.
O levantamento revela que a universidade pública mais procurada é a UFSB, que receberá todos os aprovados do Sisu, enquanto as bolsas do Prouni foram ofertadas pela Unopar. Ao todo, os cursos escolhidos abrangem áreas de ciências exatas, humanas e artes, demonstrando um interesse plural dos internos. Esse resultado amplia ainda mais o histórico de vitórias da instituição: em 2024, 74 internos foram aprovados pelo Sisu, sendo 72 na UFSB e 2 na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc); na época, 66 % dos participantes do Enem conseguiram vagas.
Educação e ressocialização no Conjunto Penal de Itabuna.
Pós-graduação da UFSB tem progressos nos resultados preliminares da Avaliação Quadrienal da CAPES
A avaliação quadrienal 2025 dos programas de pós-graduação, feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC), trouxe boas novas para a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Conforme a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPPG), os cursos de doutorado da instituição (PPGES e PPGBiossistemas) mantiveram o conceito 4. Os cursos de mestrado PPGCTA, PPGSAT e PPGCS elevaram seus conceitos, passando de 3 para 4, reunindo-se ao PPGER, que manteve o conceito 4. Esses programas passam a poder submeter propostas de doutorado, pela consistência de qualidade ao longo do quadriênio de avaliação.
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, professor Nadson Ressyê Simões, destaca que esses resultados preliminares refletem o trabalho da comunidade da pós-graduação e o posicionamento institucional no investimento na pós-graduação stricto sensu: “Os resultados refletem o compromisso coletivo com a qualidade acadêmica; a produção técnica e científica relevante; o avanço da inserção social; a interiorização; a extensão da pós-graduação e o compromisso com as ações afirmativas.”
UFSB realiza oficinas de arte em escola do Assentamento Terra Vista integrando pesquisa, ensino e extensão
Nos dias 31 de outubro e 14 de novembro de 2025, estudantes da Licenciatura Interdisciplinar em Artes e suas Tecnologias, do Campus Jorge Amado, realizaram oficinas de artes no Centro Integrado Florestan Fernandes (CIFF), escola municipal localizada no Assentamento Terra Vista, no município de Arataca/BA. As ações envolveram crianças, adolescentes, docentes e gestoras da escola e foram conduzidas pelos estudantes do componente curricular Introdução à Pedagogia das Artes, sob supervisão do professor Fernando Leão. As oficinas incorporaram linguagens diversas — corpo, som, memória, palavra, imagem e território — e se constituíram como espaço de criação, investigação e diálogo entre universidade, escola e comunidade.
A demanda partiu do próprio Assentamento Terra Vista, identificada durante a pesquisa-ação desenvolvida por Fernando Leão em seu estágio de pós-doutorado no Mestrado Profissional em Artes (ProfArtes/UFBA), que desde 2024 acompanha a realidade educativa das escolas do assentamento e dialoga com as pedagogias da Teia dos Povos da Bahia. A partir dessa escuta atenta às necessidades locais, o componente curricular foi estruturado para que as/os estudantes vivenciassem experiências estéticas e metodológicas em sala de aula, culminando na elaboração coletiva das propostas de oficinas.

Com base nessas construções, uma proposta foi apresentada ao Setor de Educação e Cultura do Assentamento Terra Vista, que aprovou e acompanhou integralmente o processo. A gestão do CIFF — diretora e coordenadoras pedagógicas — teve participação fundamental: discutiu as propostas, aprovou os planos de aula, auxiliou na organização logística e acompanhou presencialmente as oficinas junto às crianças e adolescentes. Professores e professoras da escola também estiveram presentes nas atividades, fortalecendo o diálogo pedagógico e ampliando as possibilidades de continuidade no cotidiano escolar.
Pesquisa da UFSB indica que ganhos de vegetação secundária na Mata Atlântica não compensaram perdas de estoque de carbono e áreas de conservação

Heleno Nazário
Uma equipe de cientistas analisou 37 anos de dados sobre a cobertura vegetal da Mata Atlântica e concluiu que a regeneração vegetal ocorrida desde 1985 não é o bastante para compensar as perdas em estoque de carbono e em áreas de conservação. Os resultados apontam para a necessidade de frear o desmatamento de florestas primárias e investir em métodos ativos de restauração de áreas degradadas como complemento à regeneração natural. A pesquisa foi descrita no artigo “Secondary natural vegetation gains in the Atlantic Forest do not offset losses of carbon stocks and conservation of priority areas”, publicada na revista Biological Conservation, e assinada por um time internacional de cientistas, do qual participa o professor Luiz Fernando Silva Magnago, do Centro de Formação em Ciências Agroflorestais (CFCAF/UFSB), no Campus Jorge Amado. O foco da investigação científica foi analisar tendências da cobertura vegetal e seus efeitos em estoques de carbono e áreas de conservação no bioma Mata Atlântica. O trabalho teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Ao todo, o Brasil teve uma perda de 96 milhões de hectares de cobertura vegetal natural em diferentes biomas nos últimos 40 anos. Os dados de mudanças na cobertura de vegetação natural da Mata Atlântica de 1985 a 2021 comprovam o desmatamento de 12,8 milhões de hectares das florestas no período, com aumento na fragmentação e redução do tamanho médio desses fragmentos de matas. De lá até 2021, a vegetação secundária recuperou 8,6 milhões de hectares. O ponto é que 3,8 milhões desses hectares apresentaram o que os pesquisadores chamam de regeneração efêmera: não voltaram a ser áreas florestais. A perda de áreas pioritárias de conservação natural correspondeu a 1,2 milhão de hectares.

Conforme o professor Luiz Fernando Magnago, a pesquisa ganha relevância no contexto da Década da Restauração de Ecossistemas, declarada pela ONU para 2021–2030, que visa recuperar ecossistemas degradados, aumentar o sequestro de carbono e fortalecer a biodiversidade. A Mata Atlântica, por ser um dos biomas mais ameaçados e biodiversos do Brasil, concentra grande parte dos esforços de restauração nacionais. “Nosso estudo mostra que não basta apenas permitir a regeneração secundária; é preciso priorizar a proteção da vegetação primária e monitorar a persistência das áreas regeneradas para que os esforços de restauração realmente beneficiem biodiversidade e clima”, afirma Magnago.
Pesquisadora da UFSB desenvolve modelo computadorizado para identificação de madeiras

Heleno Nazário
A identificação rápida e precisa de madeiras a partir de um modelo computadorizado é um dos resultados de pesquisa de pós-doutorado da professora Mara Agostini Valle, do Centro de Formação em Ciências Agroflorestais (CFCAF) da Universidade Federal do Sul da Bahia. Além desse modelo, a professora Mara também traz do período de estudos no Estados Unidos uma coleção variada de lâminas histológicas de madeiras, reforçando o material de estudos disponível para discentes e um projeto de treinamento para fiscalização ambiental. O estudo realizado pela docente ocorreu ao longo de um ano, com o projeto aprovado com bolsa na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 14/2023 – Apoio a Projetos Internacionais de Pesquisa Científica, Tecnológica e de Inovação.
Mara realizou a pesquisa junto ao Laboratório de Produtos Florestais (Forest Products Laboratory), do Serviço Florestal dos Estados Unidos, em Madison, Wisconsin. Ali, ela contou com a supervisão do pesquisador Alex Charles Wiedenhoeft e a parceria da professora Adriana Costa, da Universidade Estadual do Mississipi, tendo acesso à maior xiloteca do mundo. O projeto desenvolvido foi intitulado Prova de Conceito de um Sistema de Identificação Computadorizada de Madeiras de Espécies Florestais Brasileiras. O objetivo era desenvolver um modelo computadorizado de identificação de espécies de madeiras nativas do Sul da Bahia com auxílio do XyloTron, para utilização em campo e aumentar a capacidade de identificação forense no laboratório. “Essas madeiras são de interesse comercial e algumas ameaçadas de extinção. Com isso, se tem o objetivo de auxiliar os órgãos fiscalizadores no combate a comercialização ilegal de madeiras”, projeta a docente.
“Para fazer uma correta identificação de madeiras é necessário um especialista na área, o que leva anos de treinamento, além de uma xiloteca que contenha as espécies e um laboratório especializado para este fim. Com o desenvolvimento de técnicas computadorizadas, essa identificação é realizada pelo equipamento, no nosso caso, o XyloTron. A vantagem do XyloTron é que este já foi testado em outros países, como EUA, Peru e Gana, com resultados promissores de mais de 95% de acurácia, além de ser o único equipamento que pode ser utilizado em campo, em tempo real”.
Pesquisa aborda a Lei do Superendividamento e a distância entre a realidade social e as medidas de proteção ao consumidor a partir do mínimo existencial
A conta não fecha no final do mês, e os valores a pagar só aumentam, afetando a capacidade de consumo, de interação social e a paz de espírito da pessoa. Esse problema amplo e global que é o superendividamento, bem como o meio que a legislação brasileira propõe para enfrentar essa questão, são abordados no artigo assinado pela professora Cristina Grobério Pazó, que leciona e pesquisa no Centro de Formação em Ciências Humanas e Sociais (CFCHS/UFSB) e pelo egresso do curso de Direito da UFSB e mestrando em Direito pela UFMG, Diego Casimiro. O paper Superendividamento e mínimo existencial: uma avaliação diagnóstica sobre a inconstitucionalidade do Decreto 11.150/2022 e seus impactos na Lei 14.181/2021 foi publicado na revista científica Civilística.

Cristina Pazó
O artigo aponta para um tema urgente: dados do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, do Serasa, de julho de 2024, apontam para aumento de 136 mil consumidores registrados no cadastro de negativação. Com isso, 72,66 milhões de brasileiros estão endividados, o que corresponde a 36% da população brasileira, conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, como os autores indicam no artigo, aumentou o número de pessoas que compram comida parcelada: entre agosto de 2023 e agosto de 2024, esse quantitativo subiu de 6,2% para 7,4% das transações parceladas no setor alimentar. Ou seja, o consumo básico para a sobrevivência vem ficando cada vez mais comprometido.
Os autores ressaltam que inadimplência e consumo são categorias com indicadores atualizados constantemente. Já o superendividamento preocupa por não ter esse monitoramento por órgãos oficiais e também por ser uma temática de discussão recente no país. Por superendividamento se entende “a impossibilidade manifesta de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e vincendas (que vão chegar à data de vencimento), sem comprometer seu mínimo existencial, nos termos da regulamentação”, como informa capítulo VI-A da Lei do Superendividamento (lei federal nº Lei 14.181/2021), que atualizou o artigo 54-A do Código de Defesa do Consumidor.
UFSB abre inscrições para Processo Seletivo para Professor Substituto
A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) abriu inscrições para o Processo Seletivo Simplificado para Professor Substituto para a área de Direito, Ciências Sociais, Interdisciplinar em Humanidades ou Serviço Social. A vaga é para a cidade de Teixeira de Freitas.
As inscrições serão de 29/04 a 08/05, através do Portal Público SIGRH, e tem o valor de R$100,00, sendo possível solicitar a isenção da taxa. A remuneração ultrapassa 9 mil reais. O processo Seletivo ocorrerá a partir do dia 26 de maio, na cidade de Teixeira de Freitas.
Saiba mais em: Processo Seletivo Simplificado para Contratação de Professor Substituto – Edital 04/2025
“A Educação e a Porta de Saída”: livro escrito por internos do Conjunto Penal de Itabuna conta histórias de superação e de esperança
O poder transformador da Educação, num ambiente em que a privação da liberdade significa portas fechadas que nem sempre são reabertas mesmo quando a pena é cumprida, está mudando vidas no Conjunto Penal de Itabuna.
São histórias de superação para pessoas para quem a esperança não passava de um sonho em meio ao pesadelo das celas de uma prisão. Uma mudança de vida e de perspectiva que possibilitou que internos que mal sabiam ler e escrever hoje estejam cursando o ensino superior na Universidade Federal do Sul da Bahia. Mais de 160 internos do CPI já foram aprovados através do Enem/SiSU, sendo que mais de 70 foram efetivamente matriculados, a maioria na UFSB, que acaba de formar uma nova turma.

Histórias que agora são narradas no livro “A Educação e a Porta de Saída”, coordenado por Alex Giostri, Débora Consuelo Neves Queiróz e Rute Praxedes dos Santos Korol. O livro foi escrito por 15 internas e internos do Conjunto Penal, que narram suas histórias de vida, com medos, angústias, alegrias, sonhos e um desejo que é comum a todos: reconquistar a liberdade e reescrever o próprio destino.

A VIDA COMO ELA PODE SER
São depoimentos emocionantes, narrados de forma simples, admitindo erros, mas deixando claro que a Educação pode e será a porta de saída da prisão e a porta de entrada para uma nova vida.












