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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

março 2026
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:: ‘Telmo Padilha’

Itabuna presta homenagem ao poeta Telmo Padilha

Walmir Rosário

 

Ainda em tempo Itabuna sai do rol dos inadimplentes ao prestar uma justa homenagem ao poeta itabunense Telmo Fontes Padilha. Dívida antiga, mas que começa a ser honrada, do jeito que merece o “poetinha”, como carinhosamente o chamávamos. Um intelectual que gostava do povo, de sua cidade e que muito contribuiu para a arte e cultura.

Nesta quinta-feira (26), finalmente, foi inaugurado o Palco da Poesia, com um mosaico de 150 poetas de Itabuna, e a peça central é uma escultura concebida e executada pelo escultor Diovane Tavares, homenageando o poeta Telmo Padilha. A obra foi construída numa parceria entre o Clube do Poeta (que administrará a área) e a Prefeitura de Itabuna, na Orla do Berilo, um dois points da boemia itabunense, com a presença da família do poeta.

Telmo Padilha

Nascido em Ferradas (antigo distrito e hoje bairro de Itabuna) em 05 de maio de 1930, Telmo Padilha nos deixou em 17 de julho de 1997, num trágico acidente na BR-101, entre Buerarema e Itabuna. Nesses 67 anos fez acontecer como pessoa, menino, gente grande, poeta, jornalista, um amigo daqueles que gostamos do fundo do peito. E a recíproca era verdadeira, com toda a sua elegante simplicidade.

Apesar de nos deixar drasticamente, continuou sendo aquela figura inesquecível, sempre a nos brindar com sua poesia, sua prosa, textos jornalísticos irretocáveis, de tamanha elegância e graça, como exaltava Onaldo Xavier. Não sei se cabe aqui ressaltar que em Telmo Padilha a vida e a arte eram uma só, sem imitações.

Tomo a cumplicidade de Onaldo Xavier para expor o que disse no Prefácio de Canto de Amor e Ódio a Itabuna: “A poesia de Telmo é seu retrato por inteiro e ele poetizava para todo o mundo, e sua terra, como um eterno poema, não poderia ser esquecida. No poema de abertura, tal qual um épico camoniano, o autor discorre em momentos belíssimos, coroados com sentimentos diversos de amor, alegria, beleza, raiva, incompreensão e compaixão sobre sua cidade, como a querer prestar contas com ela…”, ressaltou.

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Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha – imortais pela poética, construtores de sonhos

Efson Lima

efson limaConfesso-lhes que, uma parte significativa dos escritores sul baianos, não tive a oportunidade de conhece-los fisicamente.  Mas o destino, sempre ele,  reservou algum grau de proximidade com os escritores nascidos no Litoral Sul. Ainda na minha adolescência, os jornais regionais, geralmente em face dos aniversários de Ilhéus e Itabuna, faziam cadernos especiais comemorativos. Neles estavam a história, a economia, os dados sobre a população, traziam também os aspectos sociais, literários…

As prefeituras locais colaboravam. Lembro-me dos 90 anos de Itabuna. Não sei onde conseguiram tantos temas,  mais o Jornal Agora estava recheado de cadernos. Ousadia pura de José Adervan. O Diário de Ilhéus com seu caderno de 28 de junho provocava. Era um recado ao Agora para o dia 28 de julho. Não me pergunte qual era o melhor. Não quero confusão. Só sei que havia uma forte valorização da cultura regional, da memória. Aos poucos formos perdendo. Assim, vamos desconhecendo os construtores da nossa gente, os que desbravaram nossas terras… Mas, logo em seguida, exigimos dos jovens que conheçam a nossa História. Eles não vão, pois, a eles negamos a história e o conhecimento de sua realidade.

valdeliceOs jornais locais possibilitavam leituras sobre Jorge Amado, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos, Odilon Pinto, Valdelice Pinheiro, Telmo Padilha…No meu caso, na escola, fui tendo meu percurso adocicado com os livros… fui saindo da escuridão e, agora, tinha meu imaginário sendo levado às obras. Um namoro à primeira vista, que permanece. Tínhamos também o vestibular da UESC, aquele que nos submetia a dois tipos de provas. Além das objetivas, uma redação e uma prova sobre os livros de literatura, quase sempre no cardápio tinha um escritor regional. Lembro-me de “Vinte Poemas do Rio” de Cyro de Mattos. No Instituto Nossa Senhora da Piedade, o professor Ramayana Vargens nos ensinava a “gabaritar”, dava-nos uma aula magna a cada dia. A Universidade buscava cumprir com o seu papel. Certa vez, a prova discursiva de história questionava-nos sobre o patrimônio regional. Lembrei de Anarleide Menezes, que diuturnamente tem empreendido esforços para preservar o patrimônio da região.

Agora, voltando para Valdelice Pinheiro e Telmo Padilha, podemos considerar que foram imortalizados pela poética e pelos sonhos que construíam ações. Nesta semana, com o fim das inscrições para o projeto Bardos Baianos – Litoral Sul, sob a organização de Ivan Almeida e publicação pela Cogito Editora, fui forçado a definir qual poeta homenagearíamos na Antologia. Foi difícil a escolha. Fiquei ansioso e joguei para o pleno, fomos na direção de Valdelice Pinheiro. Dois grandes poetas regionais. Valdelice poetisa por excelência, além de  filósofa e professora. Telmo Padilha é um poeta com inserção em outros gêneros. Ambos, cada um ao seu modo, guardiões de bons sentimentos e responsáveis por semearem sentidos a uma geração.

telmoA poetisa Valdelice Pinheiro faleceu em 1992, a UESC produziu estudos sobre a professora Universitária, por sinal, uma das responsáveis por colaborar na implantação da Faculdade de Filosofia de Itabuna, que mais tarde se somaria a outras para formar a FESPI e, posteriormente, UESC.  Já Telmo Padilha faleceu  no ano de 1997 em um acidente de carro.  Consolidava ao tempo sua carreira de poeta  e com caráter nacional. Foi integrante da Academia de Letras de Ilhéus a convite de Adonias Filho. Telmo Padilha além de escritor foi um ativista cultural, movimentou a produção literária sul baiana. Valdelice Pinheiro estará conosco na Antologia Bardos Baianos – Litoral Sul. Telmo Padilha estará nos meus ensaios sobre a Academia de Letras de Ilhéus. Preservar a memória é um caminho para não sermos colonizados mais uma vez.

Com o processo de construção da Antologia Litoral Sul, fomos observando o quanto as terras sul baianas produzem poetas, escritores. Não é novidade. Adonias Filho já externalizava. Li pela primeira vez  essa assertiva no Diário de Ilhéus a partir dos textos da professora Maria Luiza Heine. Mas para isso, precisamos democratizar esses espaços. Precisamos estimular a escrita. Criar concursos literários. As instituições podem fomentar. Há espaços.

bardos

Cobramos muito e fazemos pouco. Enredos, imaginações e bons textos não faltam nas cabeças de nossos jovens.  Os equipamentos públicos precisam encontrar mecanismos de democratização do fazer literário. Eu consegui furar o bloqueio, mas quantos conseguem?  Até quando vamos contar com o destino? Os jovens não conhecem a História, não leem. Verdade. É verdade também que pouco faço para eles conhecerem e lerem as Histórias e suas histórias com estórias. Então, é difícil se apropriar daquilo que nego. Depois reclamo dos políticos que escolhem.

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Efson Lima escreve nas horas não vagas do dia. Doutor em direito/UFBA. Professor universitário.

 

 

Natureza Morta

rio morto

Telmo Padilha

Cachoeira

Valdelice Pinheiro

Rio

Cyro de Matos

Vivo

Conceição Portela

Natureza

Valter Moreira

Água

Poetas/Pintores

De um rio vivo

Rio de Itabuna

Rio de nossas vidas

Rio de tantas vidas

Rio morto

Sem poesia

Sem arte

Rio sem vida

Morremos todos

Um pouco

Junto com o rio

Que morre aos poucos





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