:: ‘Beco do Fuxico’
Festa para os 61 anos do ABC da Noite
Nesta sexta-feira, dia 28, Dia da Cidade, o ABC da Noite, o bar mais emblemático de Itabuna, comemora 61 anos de existência. Embora o aniversário coincida com o do município, que completa 113 anos, a festa do ABC da Noite foi marcada para hoje (29), às 11 horas, no Beco do Fuxico.
Como manda a tradição, Alencar Pereira da Silveira, ou simplesmente Caboco Alencar, receberá com batidas de antologia os seus “alunos repetentes”, aqueles que fazem questão de não decorar o ABC para terem motivos de “visitar a escola” todos os dias,
Reduto da boemia itabunense, resquício dos tempos românticos da cidade, o ABC da Noite, patrimônio histórico, cultural desse por ora sofrido rincão grapiuna, reune poetas, políticos, médicos, empresários, bancários, comerciários, etc. etc. e mais etc.. sempre de braços abertos, mas sem muita demora. É mais que um bar, é uma instituição. Por isso mesmo, tem regras (muito) próprias.

O ABC da Noite ficou fechado durante a pandemia e atualmente está abrindo aos sábados, o que é um bálsamo para todas aqueles que acreditam que final de semana sem as batidas do Caboco não é final de semana.
Além do que, é sempre um prazer desfrutar de um bate papo com Caboco, lúcido e bem humorado (há controvérsias) depois de ter cruzado a casa dos 90 anos.
Longa vida ao ABC da Noite, longa vida ao Caboco Alencar.
E brindemos a vida, que ao contrário do motorista e do cobrador, é sim passageira.
Caboco Alencar 92 anos. Vida longa ao Rei do Beco do Fuxico

Hoje, 2 de fevereiro, dia celebrar Iemanjá, também é dia de celebrar uma divindade grapiúna Alencar Pereira da Silva, o Caboco Alencar, que fez do ABC da Noite um símbolo da boêmia de Itabuna e do Beco do Fuxico um patrimônio cultural do Sul da Bahia.
Caboco Alencar chega aos 92 anos produzindo suas batidas de antologia, enquanto seus fiéis aguardam com ansiedade a reabertura do ABC da Noite, fechado inicialmente por conta da pandemia, e que só funcionou excepcionalmente num sábado de outubro de 2022, para matar a saudade e deixar o gostinho de quero mais.

Ao lado da inseparável companheira dona Neusa, Alencar celebra seus 92 ao lado de amigos e familiares, recebendo todo o carinho que lhe é merecido.

Quanto à reabertura do ABC, planos para fazê-lo na Lavagem do Beco do Fuxico e que assim seja.
Longa vida ao Caboco Alencar, Rei do Beco do Fuxico e Senhor das Batidas Inigualáveis e inimitáveis.
Relembre a reportagem produzida pela TV Santa Cruz
Leléu, figura irreverente do Beco do Fuxico

Walmir Rosário
Assim era Leléu: irreverente, contagiante, apaixonado pelo futebol e pelo Flamengo, das bebidas, do Carnaval. Esse comportamento não chamaria a atenção, não fosse pelo seu modo extravagante de viver a mil por hora. Menos quando estava sóbrio, ocasião em que se dedicava ao afazeres domésticos e o trabalho, com muita responsabilidade para quem cuidava das contas a pagar de outras pessoas.
De longe era fácil conhecer o seu estado físico e emocional. Se abstêmio, calmo, cumprimentando todos que passavam com muita distinção, conversando em voz baixa e pasta na mão para cumprir sua tarefa profissional. Foi por muito tempo o homem de confiança do ilustre advogado Victor Midlej, responsável pelo recebimento das contas e os pagamentos em banco, mesmo em tempos de internet.
Se chumbado, envernizado, o seu cumprimento era excêntrico, mirabolante. Assim que avistava um conhecido, um amigo, de longe gritava: “Olha aí que ruma de pesos mortos”. Destilava mais alguns impropérios do seu refinado vocabulário e contava a todos os motivos da euforia, que iria desde a vitória do Flamengo, até o mais simples motivo para uma comemoração em alto estilo.
Para tanto não importava a data, bastava não ter compromissos profissionais. E o seu local de chegada era sempre o Beco do Fuxico, nas três dimensões: Baixo, médio e alto, visitando todos os bares, barbearias, alfaiatarias e lojas. Antes de entrar, em alto som se anunciava: “Pesos mortos”. Alguns o convidavam para tomar mais uma cachaça e ele prontamente aceitava e também se servia da cerveja, sem a menor cerimônia.
Aulas suspensas no ABC da Noite. Agora, só depois das eleições
Walmir Rosário
Do presidente da Academia de Letras, Artes, Música, Birita, Inutilidades, Quimeras, Utopias, Etc., (Alambique), o jornalista Daniel Thame, recebo a fatídica informação. Foi difícil acreditar, mas constatei que era verdade. Após a reabertura do ABC da Noite, recebida com festa em grandioso estilo, a diretoria resolveu dar mais um tempo e cerrar suas duas portas até passar as eleições de 2 de outubro.
A notícia pegou todos de surpresa, já que o professor Caboclo Alencar e sua inseparável companheira, dona Neusa, deliberaram, em sessão extraordinária, a suspensão da prestação dos serviços etílicos na sua sede, no Beco do Fuxico. Mas como não existe nada ruim que não possa piorar, como garante em sua tese o tal de Murphy, num conceito que se transformou em lei sem que fosse aprovada por parlamento algum.
Esse já é o segundo choque sentido pelos boêmios itabunenses, que ficaram órfãos das deliciosas batidas do Caboclo Alencar durante esses anos em que a pandemia resolveu assolar o Brasil e o mundo. A primeira decepção sentida foi a drástica redução nos dias de funcionamento, que caiu do tradicional segunda a sábado, em dois expedientes, e que passaria apenas aos sábados.
Pois bem, se não bastassem os torturantes 30 meses em que esteve fechado, o primeiro decreto editado pelo Caboclo Alencar e dona Neusa, restringiu a abertura, em desconformidade à placa de bronze afixada na parede proclama os horários de abertura e fechamento do régio expediente: De segunda a sexta-feira: das 11 às 12h30min e das 17 às 19 horas; aos sábados, das 11 às 12h30min; sem expediente aos domingos.
ABC da Noite reabre após as eleições
Após o sucesso da reabertura do ABC da Noite (fechado por torturantes 30 meses por conta da pandemia), quando centenas de repetentes e aderentes se reuniram no ponto mais tradicional do Beco do Fuxico, em Itabuna, as portas voltam a se fechar.
Felizmente, dessa vez é por pouco tempo. O ABC da Noite volta a funcionar após as eleições, sempre aos sábados. A decisão foi tomada pelo Caboco Alencar e sua inseparável companheira, dona Neusa, com o objetivo de evitar dissabores nestes tempos sombrios.
Afinal, no espaço mais democrático de Itabuna, o que deve -e vai- prevalecer são os sabores das magistrais batidas que só Alencar sabe fazer.
ABC da Grapiunidade

Caboco Alencar
Ernesto Marques
Quando começou o confinamento, nas conversas com Daniel Thame, logo me preocupei: e o Caboclo? Quem é papa-jaca não tem dúvidas, mas incautos de outras paragens talvez estejam em dúvida se me refiro àquele em cujos pés, na Bahia, se recomenda que desconsolados chorem suas mazelas no centro da Praça 2 de Julho, vulgo Campo Grande.
E, claro, se a preocupação era com a vida, esse Caboclo não é de outro mundo. Não é monumento, como o da praça, mas é uma entidade que se pode resumir em bom baianês como uma autarquia; um patrimônio material e imaterial, também!
Sim, porque tem uma dose de ancestralidade infundida em conhecimento tradicional, personificada numa figura em carne, osso e, sobretudo, alma.
Uma combinação genuinamente baiana, dessas que compõem um personagem idiossincrático, dono de um carisma improvável, capaz de cativar séquitos de seguidos engajados e orgânicos, muito antes das redes sociais.
Muito antes de um tal de Zuckerberg criar o Face, o Caboclo já tinha criado uma rede social poderosa no Planeta Cacau. Aonde! A rede do Caboclo existe é de hooooooje, muito antes até do Orkut! E nunca houve plataforma melhor pra fazer um network em Itabuna.
Eu, forasteiro que venho lá do sertão, na primeira passagem por Itabuna, em 2004, trabalhando numa campanha eleitoral, percebi isso logo na chegada, levado pelo companheiro Rui Correia, o “senador da Bahia livre”, e jamais eleito.
Voltemos a falar da entidade, o Caboclo – a maiúscula, ou caixa alta, como dizem os jornalistas das antigas, não é simples reverência. É respeito à lei que manda grafar substantivos próprios assim. É nome de gente de carne e osso, com nome e sobrenome, também: Caboclo Alencar. Criador e mantenedor do ABC da Noite, uma verdadeira catedral de duas portas estreitas onde se reúnem infiéis de vários credos, partidos, etnias e extratos sociais.
Esse tipo ecumenismo sócio-etílico-religioso só poderia ter como endereço o Beco do Fuxico, logradouro cujo nome oficial nem itabunense conhece. Se você chegar na Avenida Cinquentenário, centro comercial de Itabuna e perguntar onde é a Travessa Adolfo Leite, dificilmente alguém saberá responder. Mas se você estiver em Ilhéus e perguntar onde fica o Beco do Fuxico, com certeza qualquer um vai lhe dizer do Beco, cuja referência certeira é o ABC da Noite, do Caboclo Alencar.
Festa no Beco no Fuxico: Caboco Alencar reabre o ABC da Noite

Depois de dois anos e meio fechado por causa da pandemia, o ABC da Noite, um dos pontos mais tradicionais de Itabuna, reabre suas portas neste sábado, dia 17, com a presença do Caboco Alencar e suas batidas de antologia, entre elas a de pitanga, de sabor inigualável, preparada especialmente para os “repetentes” do ABC da Noite e demais visitantes extemporâneos.
Localizado no Beco do Fuxico, referência da boemia itabunense, o ABC da Noite é ponto de encontro de pessoas que se congraçam em torno de batidas cuja receita é mantida a sete chaves, embaladas pela sabedoria do Caboco Alencar, que, aos 90 anos de idade, se mantém em plena forma.
Durante a pandemia, Alencar trabalhou em regime de ´batida office´, comercializando a produção em casa, o que em nada se compara com saborear a maravilha etílica no balcão ou na calçada do ABC da Noite, prédio tombado pelo Patrimônio Histórico de Itabuna, com todo o mobiliário e ´bebiliário´ incluídos.
A reabertura do ABC da Noite terá show com Nonato Teles, nobilíssimo repetente do Caboco e cantor dos melhores. Devido à expectativa criada em torno de tão aguardado momento, o Beco do Fuxico será fechado ao tráfego de veículos das 10h30min às 13h, no trecho entre a Rua Duque de Caxias e a Avenida do Cinquentenário.
Confraternização marca os 40 anos do Bar de Ithiel
Walmir Rosário
Mesmo com o dia cinzento e as chuvas esparsas, na tarde de sábado (30-10) ninguém arredou o pé do Alto Beco do Fuxico, um dos mais respeitáveis redutos da boemia de Itabuna, na comemoração dos 40 anos de fundação do Bar de Ithiel. O evento superou todas as expectativas e durante sete horas seguidas quase duas centenas de antigos clientes confraternizaram, beberam, comeram e dançaram à vontade.
À noite, no finalzinho da festa, os “velhinhos” ainda encontravam ânimo para agendar um novo encontro, este para comemorar o cinquentenário do Bar de Ithiel, com todos os requintes necessários para uma festa de arromba, expressão bastante usada em anos passados. Aos clientes antigos se juntaram esposas, filhos, amigos, não importando a classificação de idade.
Aos que imaginam que invento ou aumento os fatos acontecidos, de pronto vou avisando que deverei omitir acontecimentos tantos, tendo em vista o clima de euforia reinante, o que peço as devidas desculpas. Mas garanto que desde os dias 28 e 29 de outubro de 2011 (sexta-feira e sábado), por conta da comemoração dos 30 anos, o Alto Beco do Fuxico não sediou uma festa de tamanha responsabilidade e animação.
Para os que não conhecem os frequentadores do Beco do Fuxico nas suas três identificações geográficas – Baixo Beco, Médio Beco e Alto Beco –, em poucas palavras narrarei sua importância no contexto etílico, festivo e de camaradagem. E começo perguntando que bar forma uma numerosa família, reunindo amigos que moram em cidades diferentes, mesmo não mais existindo fisicamente?
O sumiço da Coruja do Pedrão
Walmir Rosário
Pelo que se comentava – a boca miúda –, Pedrão (Pedro Ribeiro) teria desistido de manter o seu estabelecimento aberto no hoje Alto Beco do Fuxico, após ter perdido seu pássaro de estimação, que lhe acompanhava há mais de 20 anos. Era uma coruja supereducada, que não se intrometia na conversa dos clientes, embora prestassem atenção a tudo e a todos com a maior discrição. Uma amiga fiel de Pedrão.
Além de servir à vasta clientela quase todos os tipos de bebidas, Pedrão também oferecia serviço de restaurante, considerado por servir uma das comidas mais deliciosas do centro da cidade, rivalizando, na parte de aves, com as galinhas ensopadas e a molho pardo do ABC da Noite, do Caboclo Alencar. Também era inigualável nas comidas de resistência, como rabadas, fatadas, mocotós, sarapatéis e sobe-e-desce.
Bastava chegar no dia anterior ou logo cedo e sugerir a Pedrão que gostaria de comer o prato de sua predileção que ele se encaminhava à feira livre e adquiria todos os produtos necessários para o almoço ou jantar aprazado. Todos os dias, além da clientela de bebidas e tira-gostos, apareciam alguns senhores da alta sociedade para desfrutar das coisas boas da vida deixada por Deus para satisfazer os homens de boa vontade.













