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NO LOMBO DA MÃE

Enquanto nos supermercados do Centro-Sul do Brasil o preço da carne bovina cai, por conta da redução das exportações, e um quilo de contra filé e alcatra é vendido até por 11 reais; em Itabuna a vaquinha pode não ser sagrada, mas continua valendo ouro.
Num supermercado do centro da cidade, o quilo da alcatra e do contra filé custa R$ 14,90.
Ao ser questionado sobre o preço tão alto, em comparação com outros estados, açougueiro preferiu fazer graça:
-Vai ver que é porque a redução ainda não chegou aqui.
Certamente está vindo no lombo de uma vaca manca, mais devagar que o Rubinho Barrichelo…
Alô, alô Marciano, aqui quem fala é do Senado
Um Marciano que decidisse que era hora de estabelecer contato com os terráqueos e aleatoriamente escolhesse Brasília para pousar e, mais aleatoriamente ainda, aterrissasse com sua nave brilhante no plenário do Senado na tarde/noite de quarta-feira, certamente ficaria sem entender que povo é esse, que entre outras excentricidades habita um planeta chamado Terra, mas cuja superfície é majoritariamente composta de água.
O Marciano se recusaria a acreditar no que esta presenciando.
Na tribuna do Senado, estava um senhor de idade avançada, com fartos bigodes negros escandalosamente tingidos.
O plenário, como uma arena romana, dividia-se entre os que desejavam seus despojos e os que defendiam sua pele com unhas, dentes e todas as armas disponíveis.
Circo talvez caísse melhor que arena.
No picadeiro, perdão, na tribuna, aquele senhor de postura sóbria, olhar compungido, parecia a encarnação do bem em sua irrefreável luta contra o mal.
Gestos teatrais, se defendia de uma série de acusações, tais como desvio de recursos, favorecimento de um de seus netos na intermediação de empréstimos consignados, obtenção de emprego público para o namorado de uma de suas netas, recebimento ilegal de auxílio moradia, sonegação de impostos, autorização de atos secretos que encobriam todos os tipos de irregularidades, etc., etc.
Negava tudo, jurava ser o baluarte da ética e da moralidade, lembrava sua folha corrida, perdão de novo, sua biografia impoluta.
E se dizia vitima de uma clamorosa, insidiosa e sistemática campanha de perseguição da mídia.
Se as câmeras de televisão e as lentes das máquinas fotográficas focassem mais amiúde no rosto daquele senhor, talvez captassem uma lágrima fortuita, tamanho o seu desamparo.
Incrédulo e ainda anônimo em sua nave, posto que continuava invisível para os mortais comuns, o Marciano não conseguia entender como alguém poderia fazer tanto mal àquele velhinho, atacar uma pessoa de postura cavalheiresca, um fidalgo.
E essa tal de mídia, então!
O Marciano ainda não compreendera bem o sentido da palavra, mas se estava causando tão mal àquele pobre senhor, não deveria ser lá coisa que preste.
Não estivesse em missão de paz, sacaria de seu arsenal capaz de transformar as armas atômicas em brinquedinho de criança, e aniquilaria a mídia, para que aquele senhor fosse poupado de tantos dissabores.
O Marciano só ficou um pouco mais tranqüilo, certamente porque além de desconhecer o que significa mídia também desconhece o significado da palavra impunidade, quando o velhinho bigodudo foi absolvido de algumas das muitas coisas que (injustamente, acredita piamente o ET) lhe imputam.
Não fosse isso e, penalizado com as agruras daquele quase mártir, o Marciano, antes de decidir adiar por alguns milênios o contato não tão imediato assim com os terráqueos, embarcaria o velho senhor em sua nave, onde ele desfrutaria da paz eterna, longe dos seus algozes e perseguidores.
Não faria mal nenhum se levasse junto Renan Calheiros, Fernando Collor de Mello, Wellington Salgado, Edmar Moreira e mais alguns outros.
O risco seria o planeta vermelho ficar ainda mais vermelho do que já é.
De vergonha, obviamente.
Atire a primeira pedra
(lute contra você mesma)
Laiala Paiva dos Santos tem 20 anos e é mãe de um menino de um ano e três meses.
Mal completou o primeiro grau, não sabe o que é emprego fixo e mora numa casa paupérrima no bairro da Califórnia, nas bordas da inchada e empobrecida periferia de Itabuna.
Laiala é mais uma entre milhares de moças que conheceram a maternidade antes mesmo de romper a adolescência e que não conhecem outro caminho que não o da exclusão social.
É uma dessas pobres coitadas condenadas ao anonimato de uma vida sofrida e sem perspectivas.
Ou era.
O que tira Laiala do anonimato é a luta que trava contra ela mesma. Uma luta inglória e ingrata, em que ela se agarra a qualquer chance para vencer.
Jovem, pouco instruída, sem emprego, mãe precoce, Laiala foi apresentada há quatro anos a um pedacinho de pedra branca que lhe oferecia uma espécie de anestesia para todos os seus males. Um bálsamo para suas dores. Um alívio para suas angústias.
A primeira pedra que, por mais que tente, Laiala nunca esqueceu.
Por que, depois da primeira, veio a segunda, veio a terceira, vieram a quarta, a quinta, a sexta…
Vieram infinitas pedras, porque a atual exige sempre a próxima e a próxima vai exigir mais outra, numa roda do vício que não para de girar.
Se a primeira pedra foi de graça, as demais teriam que se pagas.
Mas, pobre, sem instrução e ainda por cima com as marcas das pedras pelo corpo, como conseguir emprego, não para alimentar o filho, mas o vício?
Óbvio ululante: Laiala saltou da exclusão para a marginalidade.
Começou a cometer pequenos furtos, passou pelos arrombamentos e chegou aos assaltos a estabelecimentos comerciais.
E talvez tivesse chegado ainda mais longe na escala do crime, não tivesse sido presa após assaltar uma loja no centro de Itabuna.
Uma viciada em drogas, presa por assalto não chega a ser nenhuma novidade.
Mas, a história de Laiala embute sim uma novidade.
Ela reconhece os horrores do crack, a tal pedra que oferece o paraíso e entrega o inferno, e hoje luta para sair do vício e voltar à vida.
Num desabafo dolorido, Laiala declarou que prefere ficar presa, para não voltar às ruas e usar drogas.
“Não quero que meu filho cresça me vendo assim”, afirmou a jovem.
Nem que seu filho, empurrado na mesma vala comum da falta de oportunidades, um dia encare a primeira pedra como um portal da felicidade.
Laiala Paiva dos Santos.
Decididamente, não é o caso de mantê-la presa.
Nem de atirar a primeira pedra.
E sim de oferecer a mão para ajudá-la a vencer essa luta contra ela mesma.
O BANCO TODO (NO) SEU

Um cliente do Banco do Brasil que não recebeu a fatura do cartão de crédito resolveu fazer o pagamento após conferir o valor do débito no caixa eletrônico.
E daí? Devem estar se perguntando meus quatro ou cinco leitores (como eu sou otimista!).
Daí que, mesmo existindo um débito, o caixa eletrônico do BB se recusa a receber o pagamento, apontando que não existe débito algum.
Antes que alguém pense que se trata de promoção ou caridade bancária, eu explico.
É que o Banco do Brasil concede SEM QUE VOCÊ PEÇA OU ACEITE a oportunidade de só pagar o valor da fatura daqui a seis meses.
Claro que com juros, correção monetária e ´otras taxitas más`.
Desta forma, o cliente tenta pagar, mas não consegue.
O jeito é enfrentar duas horas de espera para ser atendido por um funcionário do banco, mais meia hora para que ele entenda o que está acontecendo e consiga que você pague o que deve.
Não sem antes tentar lhe empurrar um seguro de vida, um plano de previdência privada, uma aplicação num fundo de investimento e por aí vai.
Agora é assim: devo, não nego, pago quando o banco deixar.
Inacreditável, mas verdadeiro. Irritantemente verdadeiro.
AS VOVOZINHAS E OS LOBOS MAUS
Em Itabuna, Maria Anésia da Silva, de 68 anos, foi presa num bairro da periferia. Na casa dela, a polícia encontrou 30 pedras de crack embaladas para consumo e outras dez pedras grandes, que seriam quebradas e transformadas em pequenos pedaços.
Os policiais chegaram à casa da anciã após uma denuncia anônima. Maria Anésia foi presa em flagrante em companhia de Reginaldo Eduardo Paixão, que já cumpriu pena por assassinato e estava em liberdade condicional.
Sem ter como negar a posse das drogas, a mulher foi encaminhada ao Complexo Policial, onde permanece detida.
Não será a prisão de dona Maria que impedirá a escalada da venda de crack e outras drogas, diretamente associadas ao vertiginoso aumento dos índices de criminalidade em Itabuna.
Dona Maria sai de cena e entra em cana, mas é quase certo que será imediatamente substituída, dada a profusão de gente disposta a enfrentar os riscos desse mercado de lucro aparentemente fácil.
Em São Paulo, uma mulher de 58 anos foi presa na estação rodoviária, quando tentativa embarcar para o Rio de Janeiro. Questionada pela polícia sobre o teor da bagagem volumosa, ela respondeu que transportava livros.
Os policiais não acreditaram e quando abriram a mala da mulher encontraram um verdadeiro arsenal: quase duas mil balas para armas de grosso calibre, escopetas, metralhadoras e fuzis.
Descobriu-se então que a munição, suficiente para uma pequena guerra, seria destinada a traficantes do Rio de Janeiro, que travam uma grande guerra pelo controle do lucrativo mercado de drogas.
Como é praxe nesses casos, a mulher disse que foi contratada por alguém que ela não conhecia e que entregaria a bagagem a uma pessoa que ela igualmente desconhece. Iria receber uma quantia em dinheiro pelo serviço e missão cumprida.
Deu azar de ser pega pela polícia, não cumpriu a missão e ainda vai passar uma temporada na cadeia,
Com certeza será substituída por outra, mais outra e mais outra, nesse mercado de gente humana que parece ilimitado.
É difícil imaginar porque duas senhoras na faixa dos sessenta anos, que deveriam estar aproveitando os prazeres da aposentadoria e/ou curtindo os netos, estão militando no mundo do crime, envolvidas com tráfico de armas e de munições e de drogas.
Pensando bem, não é tão difícil assim.
A vovozinha vendedora de pedras de crack e a vovozinha que transporta munições para traficantes não estão nesse fogo cruzado por opção, mas por necessidade.
É a luta pela sobrevivência.
Numa adaptação mal feita (e infeliz) para a vida real do célebre conto de Chapeuzinho Vermelho, as vovozinhas de hoje são devoradas por lobos maus muito mais cruéis.
O lobo mau do abandono, o lobo mau da falta de oportunidades, o lobo mau da exclusão social.
Lobos maus a devorar crianças, adultos e velhinhas inocentes ou nem tanto, mas inegavelmente vítimas.
Histórias reais, sem o encanto dos contos infantis e nem o charme da graciosa (e bobinha) Chapeuzinho Vermelho para evitar o final infeliz.
SODOMA, GOMORRA E CAMORRA

O Congresso Nacional brasileiro a cada dia se parece mais com Sodoma e Gomorra, as célebres cidades bíblicas em que todas as perversões e todas as depravações eram permitidas.
Até que Deus se cansou e, num dia especialmente mau humorado, despejou sua santa ira sobre os pecadores inveterados, reduzindo a todos a pó e a sal.
Como uma versão moderna e ampliada de Sodoma e Gomorra, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados, são palcos dos mais diversos pecados, que vão do nepotismo ao desvio de recursos públicos, passando pela contratação de empresas fantasmas, farra com passagens aéreas, empréstimos camaradas, recebimento de verbas ilegais e uma ´fila de etcéteras´.
No momento, o presidente do Senado, José Sarney, se apresenta como uma espécie de compêndio de desvios de conduta, capazes de transformar os moradores de Sodoma e Gomorra não em pacotes ou saches de sal, mas em anjos querubins, puros e castos.
Sarney, é bom que se diga, não é uma ´avis rara´ na fauna política. Há muitos outros de sua estirpe, alguns expostos momentaneamente aos holofotes, outros agindo na penumbra.
E quase todos desfrutando da sacrossanta impunidade.
É nessa imensa Sodoma e Gomorra que surge a versão brasileira da Camorra, o que pode até ser uma rima, mas nem de longe é uma solução.
A Camorra e as demais máfias brotadas na Itália e espalhadas mundo afora, tem alguns códigos de honra que as tornam temidas e perigosas a quem ousa enfrentá-la.
O seu nada ortodoxo ´modus operandi´ inclui a chantagem e a intimidação, tanto para suas operações quando para a proteção de seus membros. Romper a Omertà equivale a assinar um estado de óbito.
E é justamente esse espírito digno da Máfia que impera no Senado, por conta da agonia de José Sarney na presidência da Casa (da Mãe Joana?), a cada dia a alvejado por uma nova denuncia. A execração de Sarney coincide com a entrada em cena da tropa de choque de seu partido, o PMDB, antigo bastião de resistência à Ditadura Militar, mas que com a redemocratização do Brasil tornou um ícone do fisiologismo e do apego aos cargos públicos e suas vantagens.
Com a maior desenvoltura, a tropa de choque comandada por esse baluarte que atende pelo nome de Renan Calheiros, vem distribuindo ameaças a todos os que ousam pedir a cabeça de José Sarney, no melhor estilo ´se ele cair, cai um monte de gente junto”, com a mensagem subliminar: “a gente sabe os podres de todo mundo”.
Salvo um ou outro imune os pecadilhos e ao espírito de corpo, a tática vem funcionando. Quase sempre funciona nesse, perdão, surubão da indecência em que se transformou a atividade política.
Fato é que, neste misto de Sodoma e Gomorra com pitadas de Camorra, caso Deus tivesse um novo acesso de divina fúria e despejasse castigo idêntico ao Congresso Nacional, a produção brasileira de sal seria quintuplicada.
O produto em questão, como a piada, seria de má qualidade, reconhecemos.
Em sendo assim, melhor que esperar pelo improvável castigo divino e por uma ainda mais improvável punição para os maus políticos, é usar uma arma menos letal, porém eficiente: o voto.
A não renovação do mandato, essa sim, é o verdadeiro inferno para quem se acostumou aos céus da mordomia e do vale tudo.
Alguns iriam preferir virar sal.
JOGO DE GOLFE

Moisés, Jesus e um velhinho estavam jogando golfe.
Moisés deu sua tacada e a bolinha caiu no lago. Ele foi lá, separou as águas e deu outra tacada. A bolinha caiu a 10 centímetros do buraco.
Jesus deu a tacada. A bolinha caiu no lago. Ele foi lá, andou sobre as águas e deu outra tacada. A bolinha caiu a 5 centímetros do buraco.
Foi a vez do velhinho dar a tacada. A bolinha caiu no lago. Um peixe soprou a bolinha que foi parar no bico de um passarinho que voava sobre o lago. Veio uma águia e bicou o passarinho que soltou a bolinha, que caiu na grama. Aí veio um coelho que rolou com a bolinha e ela foi cair justamente dentro do buraco.
Aí, Moisés não se conteve:
-Pô, Jesus, jogar golfe com o seu Pai é fogo!!!!!!

















