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Nota de 3 reais

Pesquisas de intenção de votos, faltando mais de um ano para a eleição, servem para alimentar o noticiário e, no máximo, para sinalizar uma tendência que pode se confirmar ou não.
Na prática, tem tanto valor quanto uma nota de três reais ou a palavra de certos políticos.
Daí que, as recentes pesquisas divulgadas sobre a sucessão estadual na Bahia e a sucessão nacional permitem leituras para todas as conveniências.
Na Bahia, a pesquisa Vox Populi aponta um empate técnico entre Jaques Wagner e Paulo Souto no questionamento estimulado e uma liderança tranqüila de Wagner na resposta espontânea.
O candidato do PMDB, Geddel Vieira Lima, aparece em terceiro, ainda longe dos líderes, mas que fatalmente irá se configurar como o fiel da balança.
A ruptura recente -e ainda não devidamente digerida por ambas as partes- entre PT e PMDB torna aparentemente difícil uma composição entre Wagner e Geddel num eventual segundo turno, contra Paulo Souto.
A troca de farpas entre petistas e peemedebistas só faltou incluir a sacrossanta mãezinha no meio, mas isso pode ser creditado ao calor do momento, embora o próprio Geddel, embora sinalize que a tendência é apoiar Wagner caso fique pelo meio do caminho, não chega a fechar totalmente as portas para a dupla DEM-PSDB.
Mantida a polarização Wagner-Paulo Souto, algo absolutamente natural, já que o carlismo embora combalido não pode ser considerado morto, o PMDB de Geddel pode decidir o pleito em favor de um ou de outro. A que preço, só Deus sabe, se é que sabe.
No caso de Wagner, resta aproveitar esse momento de recomposição do governo para imprimir um novo ritmo à administração, agilizando setores que não estavam funcionamento a contento.
O que fica mais fácil a partir da formação de uma base aliada que seja, efetivamente, aliada, com o perdão da necessária redundância.
No plano nacional, a liderança de José Serra aparentemente parece folgada, já que ele tem praticamente o dobro das intenções de votos de Dilma Roussef e Ciro Gomes.
Numa demonstração de que números podem ser lidos ao gosto do freguês, o que parece folga, pode parecer complicação.
Governando o estado mais rico e poderoso do país, saído de eleição presidencial, eleição para prefeito e governador de São Paulo, presença constante na mídia, Serra está num patamar, digamos, modesto para quem sempre despontou como franco favorito à sucessão de Lula.
E Lula, com sua espantosa popularidade, imune a crises econômicos e aos sarneys da vida, terá um peso ainda não devidamente avaliado quando aparecer ao lado de Dilma, apontando-a como sua candidata.
Há ainda o fator Ciro Gomes e o fator Marina Silva, que entram para a categoria do imponderável de toda a eleição.
Isso se Ciro for mesmo candidato a presidente e não a governador de São Paulo, como quer Lula, em mais uma de suas manobras clássicas, em que ao PT só restará reclamar internamente e aplaudir publicamente.
Enfim, eleição e pesquisas são como nuvens: cada vez que a gente olha, estão de um jeito e a imaginação dá asas aos mais variados formatos.
Às vezes, elas se abrem para os raios de sol.
Outras, se convertem em chuvas e trovoadas
Mas, esta aí uma previsão não depende da meteorologia, mas do eleitor.
Pelo sim, pelo não, é de bom alvitre incluir o guarda-chuva nos apetrechos de uso diário.
JABAZINHO MARISQUEIRO
Para quem vai de Itabuna a Salvador via ferryboat, uma dica: vale a pena perder (ou melhor, ganhar) uma hora em Valença e saborear a mariscada do Restaurante da Mara.
É iguaria pra se comer de joelhos, com os mariscos no ponto e o tempero que não interfere no sabor do camarão, caranguejo, lula, siri, lagosta, pitu e do peixe. Tudo preparado pelas mãos talentosas de dona Mara, que há 27 anos toca seu negócio com garbo e brilho. Tanto garbo e brilho que o local é indicado pelo prestigiado Guia Quatro Rodas.
A porção é mais do que generosa e dá tranquilamente pra três pessoas. Como acompanhamento, arroz, pirão e moqueca de banana no dendê. A Bohemia é gelada de dar gosto e a cachacinha de alambique é das mais honestas.
Pra completar, um ambiente simples e agradável e um preço camarada: a mariscada sai por inacreditáveis 40 reais, o que fez até um pão duro renhido como esse blogueiro se dispor a dar uma gorjetinha pra garçonete.
Restaurante da Mara, rua Zeppelin, 99, bairro Tento, Valença (BA). Aos apressados, aceitam-se pedidos pelo fone (77) 3641 6001.
SENHOR DOUTOR LADRÃO

Não sei se o texto é mesmo de Luiz Fernando Veríssimo, como atribuem na net, mas que é genial, isso é:
O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS!!
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.
D- Delegado L – Ladrão
D – Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
L – Não era para mim não. Era para vender.
D – Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
L – Mas eu vendia mais caro.
D – Mais caro?
L – Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram
bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D – Mas eram as mesmas galinhas, safado.
L – Os ovos das minhas eu pintava.
D – Que grande pilantra… (mas já havia um certo respeito no tom do delegado…)
D – Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega…
L – Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar
os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
D – E o que você faz com o lucro do seu negócio?
L – Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas.
Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada.
Depois perguntou:
D – Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
L – Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
D – E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L – Às vezes. Sabe como é.
D – Não sei não, excelência. Me explique.
L – É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa.
O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.
D – O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
L – Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
D – Sim. Mas primário, e com esses antecedentes…
Bom pro coração (e pro bolso deles)

Comer chocolate, pelo menos duas vezes por semana, reduz em um terço o risco de mortalidade cardiovascular quando a pessoa já sofreu ataque cardíaco. A confirmação é de um estudo sueco, que acaba de ser publicado no Journal of Internal Medicine, que comparou os pacientes que consumiam aos que não consumiam o doce. “O chocolate está muito associado a uma redução da mortalidade cardíaca em pessoas – não diabéticas – que tenham sobrevivido a um infarto”, descreve o estudo.
Endividados até o pescoço e ainda sem condições de superar a devastação provocada pela vassoura de bruxa, resta aos produtores de cacau comer muito chocolate. Pelo menos minimiza o risco de um enfarto.
Mas que dá um aperto no coração dá: enquanto a gente se limita a produzir matéria prima, quem ganha dinheiro é quem produz chocolate.
Pra eles, não faz bem apenas para o coração, como também para o bolso.
Dia dos Pais, dias sem Mãe

Gilvan Cleucio de Assis tinha um histórico criminal que o credenciava a passar uma longa temporada atrás das grades.
Entre seus crimes, a hedionda prática de estupro, do qual era especialista. Escolhia a dedo suas vítimas, geralmente mulheres na faixa dos 35 anos, abordadas na saída de shopping centers.
A violência fazia parte de sua maneira de agir. Além de abusar sexualmente de suas vítimas, ainda as agredia.
Mesmo com esse histórico de brutalidade, Gilvan que cumpria pena em Salvador foi liberado para passar o Dia dos Pais em casa. Tudo dentro da lei. Como o mais inocente dos homens que numa data especial recebe o carinho e o reconhecimento de seus filhos.
Mas trajetória de Gilvan não comporta nem amor paternal, nem carinho familiar.
Entre a liberdade provisória de Gilvan e a celebração do Dia dos Pais, havia uma mãe no meio do caminho.
No meio do caminho havia a médica Rita de Cássia Giácomo, que saia de um shopping com a filha de um ano e oito meses. E desafortunadamente cruzou seu destino com o de Gilvan.
O resultado desse encontro em que o criminoso escolhe sua vítima de forma aleatória e não vê limites em sua sanha de violência é por demais conhecido, está em todas as manchetes de jornais, sites, emissoras de radio e de televisão.
Rita de Cássia foi assassinada com requintes de perversidade, certamente por ter resistido à tentativa de violência sexual. Seu corpo foi abandonado num matagal, ao lado da filha, que teve a vida poupada por Gilvan.
A descoberta do autor do crime pela polícia e a revelação que ele saiu da cadeia dias antes, expõe não necessariamente a insanidade de Gilvan Cleucio, mas sim a maneira com que a lei, ao generalizar, beneficia o criminoso e pune o cidadão de bem.
Houvesse um pouco mais de cuidado e alguém com o perfil de Gilvan jamais deixaria a cadeia, a menos que se acredite que um facínora psicopata seja tomado por um súbito surto de bondade, contagiado pelo espírito de Natal.
Ou pelo clima fraternal do Dia das Mães e do Dia dos Pais.
Resultado trágico: um bandido perigoso é liberado para passar o Dia dos Pais com os filhos. E por uma dessas crueldades, acaba privando uma filha do convívio da mãe, de todos os Dias das Mães de sua vida.
Se a lei existe para privilegiar o bandido e punir a vítima, que se mude a lei.
Não é de todo equivocado imaginar que, amparado pela lei, Gilvan ainda ganhe o seu indulto de Natal, porque ainda há quem creia em Papai Noel e ache que todos os criminosos são recuperáveis.
Definitivamente nem todos são.
Para alguns, como Gilvan, é cadeia eterna, ainda que o ideal nesses casos seja a velha e boa lei de Talião.
A única pena que se deve ter em relação a um sujeito desses não é a da compaixão, mas a pena de morte.
Quando a melhor arma é o diálogo
O governador Jaques Wagner está coberto de razão ao condenar, com veemência, o movimento encetado por alguns setores da Polícia Militar, que a pretexto de exigir melhorias salariais e condições adequadas de trabalho, promovem uma espécie de “greve branca”, felizmente sem a adesão total da categoria.
O movimento, embora calcado numa causa justa, é inoportuno, visto que em momento algum o Governo da Bahia se negou a estabelecer um canal de negociação com os policiais militares, promovendo avanços dentro das possibilidades do Estado, tanto na questão salarial como no aumento do efetivo com novas contratações de PMs, a aquisição de viaturas e armamentos e a modernização da estrutura policial.
Não é demais lembrar que, ao assumir o cargo em janeiro de 2007, Wagner encontrou um sistema de segurança público complemente sucateado por quase duas décadas de descaso.
Trata-se de uma área complexa, cujos problemas estruturais não se resolvem num passe de mágica.
Mas é inegável que o Governo da Bahia vem atuando no sentido de dar aos policiais civis e militares um salário digno e melhores condições de trabalho. Afinal, trata-se de uma categoria que arrisca a vida diariamente para garantir a segurança da população.
É inegável também que, ao contrário de governos anteriores, as portas sempre estiveram abertas para o diálogo, sem a necessidade de radicalizar a questão, porque nesse caso o prejudicado não é o governador, mas sim o povo da Bahia.
A Polícia Militar tem responsabilidades das quais não se deve abrir mão, sob pena de se instalar um clima de baderna, um filme que já se viu em 2001, quando uma paralisação ganhou proporções gigantescas e instaurou o caos em todo o estado, com a explosão da violência. Salvador, por exemplo, conviveu com arrastões e no interior as pessoas ficaram trancadas em casa.
Foram dias de terror, medo e insegurança que não podem nem devem ser repetidos. Na época, à posição radical dos policiais, somou-se a intransigência do governo estadual, que eliminou qualquer possibilidade de acordo, pouco se importando para as gravíssimas conseqüências do movimento.
Vale lembrar ainda que, sob o manto das reivindicações, há um mal disfarçado interesse político em desestabilizar o governo, num momento em que a disputa eleitoral, embora distante, passa por momentos efervescentes em função do surgimento de um novo cenário no horizonte.
Óbvio que, num momento desses, em que pese a existência dos bombeiros do bom senso, não faltam os incendiários da insensatez e, porque não, da irresponsabilidade.
E bom senso é justamente o que deve imperar, buscando o entendimento entre o Governo do Estado e os policiais militares, de forma que se possa garantir a presença efetiva da polícia em todos os municípios baianos.
O momento é de serenar os ânimos e utilizar a melhor das armas, que atende pelo singelo e providencial nome de diálogo.
Arma mais eficiente não existe, visto que não fere nem mata, ao contrário, estabelece a paz e a convivência democrática e respeitosa.
Até breve ou até nunca mais?

“O anel que tu me deste era vidro e se quebrou/o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou”.
E cada um mandou o outro plantar batatas, embora deixando um pequeno espaço, exíguo e improvável espaço, para que voltem a dividir a mesma colheita.
A atividade política, como se sabe, está longe parecer uma canção de ninar. Ao contrário, há momentos em que é melhor deixar as crianças bem longe, com seus ouvidos ainda ingênuos.
Mas, como era previsível, a aliança que era de vidro e não de um metal nobre se quebrou. O amor, se é que houve, era pouco e se findou.
Sem a candura dos contos de fada, sem a doce sonoridade das canções de ninar, acabou-se a aliança entre o PT e o PMDB, estratégica para vencer as eleições na Bahia e por fim a duas décadas de domínio carlista, mas que não conseguiu resistir às disputas pelo poder, ao desejo que cada partido tem de comandar a máquina administrativa.
A eleição de Jaques Wagner, nas circunstâncias históricas em que se deu, o colocou como candidato natural a reeleição. Um fato consumado.
Faltou combinar com o PMDB, que apesar de ter ficado com um naco importante -e justo- do governo estadual, nunca de contentou com o papel de coadjuvante.
Ao longo dessa convivência nem sempre harmoniosa, foram inúmeras as vezes em que o cacique peemedebista Geddel Vieira Lima se colocou, pela própria voz ou através de seus aliados, como candidato à sucessão de Wagner. Como se fosse possível haver dois candidatos dentro de um mesmo governo!
Jaques Wagner, republicano e conciliador ao extremo, fez ouvidos de mercador a incontáveis provocações dos peemedebistas, algumas delas resvalando para a baixaria, exemplo de umas pretensas palmadas sugeridas pelo presidente estadual do partido.
Republicano, conciliador, mas não covarde nem insensível, o governador, que não é dado à verborragia, reagiu com dureza, condenou a postura dos pretensos aliados e exigiu uma definição do PMDB: ou ficava no governo, ou saia (entenda-se por “saia”: entregar os cargos).
Depois de tanta provocação, das ocasiões em que se dispôs a sair do barco governista, a postura dura de Wagner só deixava duas alternativas: baixar a guarda e buscar uma composição em que Geddel disputaria o Senado ou entregar os cargos e romper com o PT.
Produziu-se a ruptura anunciada, tão previsível como o nascer e o por do sol.
Produziu-se também uma troca de farpas, uma sucessão de labaredas que os raros bombeiros de lado a lado ainda tentam apagar, ainda acreditando que PT e PMDB possam estar juntos num eventual segundo turno nas eleições governamentais de 2010.
Difícil? Impossível?
Só o tempo dirá.
O tempo, as pesquisas eleitorais, o cenário político em 2010…
O encanto, definitivamente, se quebrou, mas em política quando se acha que já viu tudo, sempre há algo para ver.
E o casa separa, casa de novo, o bate afaga, afaga e bate não são propriamente uma raridade nesse negócio em que vão se os anéis, ficam os dedos e às vezes entrega-se as duas mãos para recuperar os anéis.
Em que nem toda a nudez é castigada e até as mais escandalosas das traições são perdoadas, quando não ignoradas.
NOTA AO POVO BAIANO
Diante da possibilidade de eclosão de movimento entre policiais militares capaz de comprometer a qualidade e a eficiência dos serviços de segurança pública, o Governo da Bahia, através do Comando-Geral da PM vem esclarecer:
1. Foram tomadas todas as medidas necessárias para assegurar a tranqüilidade da população, tanto em Salvador como no interior.
2. O processo de negociação já iniciado somente continuará com a manutenção das atividades regulares.
3. A eventual interrupção dos serviços essenciais de segurança pública caracteriza movimento paredista explicitamente vedado a servidores militares, configurando quebra da hierarquia e da disciplina.
4. O Comando-Geral reafirma sua disposição em favor do diálogo e seu empenho para encontrar soluções que contemplem as necessidades da categoria e estejam ao alcance do Estado.
5. Por fim, o Comando-Geral da Polícia Militar da Bahia conclama todos os policiais militares a permanecerem em suas atividades para proteger a população, cumprindo sua missão constitucional.















