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Os excluídos têm o poder de excluir

Nos últimos anos, o Grito dos Excluídos fez parte das comemorações do 7 de Setembro, uma espécie de contraponto ao ufanismo da celebração da Independência do Brasil.
O Grito dos Excluídos, apropriadamente realizado após o desfile oficial, como a delimitar a barreira que separa o Brazil dos ricos do Brasil dos pobres, sempre abordou temáticas que alertavam para a necessidade de romper o enorme fosso das desigualdades sociais, além de denunciar as mazelas da classe política, que quase sempre se preocupa mais com a própria independência.
Independência financeira, per supuesto!
Este ano, a exemplo do que ocorreu no ano passado, não irá desfilar no 7 de Setembro, mas isso não quer dizer que deixará de ir às ruas.
Ao contrário, a Comissão Pastoral da Terra, o Conselho Indigenista Missionário e as Comunidades Eclesiais de Base, além de outras entidades comunitárias, estão unidas numa campanha da mais alta relevância e que tem tudo a ver com o momento atual.
Trata-se de uma imensa mobilização popular para banir os candidatos envolvidos em irregularidades, os chamados “ficha-suja”, da vida política.
A mobilização, que acontece em todo o Brasil, tem o objetivo de coletar 1,3 milhão de assinaturas, necessárias para a apresentação de um Projeto de Lei de iniciativa popular, que declare inelegíveis os políticos envolvidos em corrupção.
A campanha também busca conscientizar a população a não eleger ou reeleger políticos que usam os cargos apenas se locupletar.
Diante do lamaçal em que se transformou a atividade política do Brasil, dos seguidos exemplos de irregularidades dados pelo Senado e pelo Congresso Nacional, além de alguns setores do Executivo, a campanha é mais do que necessária.
Nos últimos meses, às práticas escusas, somaram-se o escárnio e o deboche, como se tudo fosse permitido diante da passividade popular, da quase certeza de que eles podem fazer tudo, porque sempre se mantém infinitamente no poder.
A maneira de evitar que isso aconteça é justamente usar não apenas a lei, porque eles sempre dão um jeitinho de driblá-la, mas essa arma infalível chamada voto.
Para dar um grito de independência desses maus políticos, o povo brasileiro, essa imensa legião de excluídos deve se conscientizar de que tem não apenas o direito, mas também o dever de excluir da política essa gente que tem folha corrida em vez de currículo.
Em Itabuna, os postos de coleta de assinaturas ficam instalados até o dia 7 de Setembro, nas praças Adami, Olinto Leone e Camacã.
Assinemos, pois!
Um pouco de futebol, pelo amor de Deus
No seu livro “Futebol ao sol e à sombra”, uma deliciosa crônica sobre a história do esporte mais popular do planeta, que atrai a paixão de bilhões de pessoas, o escritor uruguaio Eduardo Galeando (autor da célebre obra “As veias abertas da América Latina”), relembra os craques do passado, os times de antologia, faz um ´passeio´ pelas Copas do Mundo e revela seu desencanto atual com a falta de magia e de talentos.
A certa altura, Galeano diz que de transformou numa espécie de ´pedinte´, a perambular pelos estádios de futebol mundo afora, implorando por um drible, um passe preciso, um golaço daqueles que desafiam os pulmões dos narradores.
É uma alegoria perfeita para o estágio de um tipo de futebol em que o talento foi substituído pela correria, em que prevalecem os esquemas táticos e 0x0 é comemorado como goleada.
O livro de Galeano vem a propósito por conta do jogo deste final de semana entre Argentina e Brasil, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.
Desde que o futebol rompeu as barreiras da elite inglesa e chegou à São Paulo e às margens do Rio Prata, brasileiros e argentinos deram ao esporte bretão o status de arte.
De seus campos de várzea brotaram gênios da estirpe de um Di Stéfano, um Nestor Rossi, um Pedernera, um Freidenreich, um Didi, um Zizinho, um Domingos da Guia.
Brotou um semi-deus chamado Diego Armando Maradona.
Brotou um deus chamado Pelé.
Desde os tempos imemoriais, Brasil e Argentina são sinônimos de bom futebol, de toque refinado, passes milimétricos e gols espetaculares.
Como o gol de Pelé na Copa de 58, deixando o zagueiro do País de Gales tonto com um chapéu espetacular e tocando suavemente para as redes.
Ou o gol de Maradona na Copa de 86, driblando o time inteiro da Inglaterra, o juiz, os bandeirinhas e parte da torcida, antes de fazer a bola beijar as redes como o amante beija a amada.
Se os tempos são outros, se os craques escasseiam e vivamos ´zapeando´ os canais de televisão, jogo após jogo, a procura de algo que remotamente lembre futebol, Brasil e Argentina, mesmo sem a magia de outrora, nos oferece essa chance rara.
Não que estejam recheados de craques, mas ainda assim estão acima de média da mediocridade futebolística mundial.
E ainda vestem camisas míticas, que rememoram um passado glorioso, cinco títulos mundiais do Brasil, dois da Argentina.
Na Argentina há um Messi com lampejos de Maradona, espécie de gênio fora de seu tempo, porque insiste em driblar, fazer gols espetaculares.
No Brasil, nenhum fenômeno, mas jogadores capazes de produzir momentos de brilho, como Kaká e, quem sabe, Robinho e o redivivo Adriano.
Por isso tudo, fica a expectativa de que Brasil e Argentina, se optarem pelo jogo e não pela provocação e pancadaria nos ofereçam essa iguaria rara, chamada futebol-arte.
Matarão a nossa fome ou contribuirão para nos deixar ainda mais esqueléticos nessa paixão pelo futebol, que virou regime forçado?
DEUS E O DIABO NA TERRA DO PRÉ-SAL

O que poderia ser (e é) a melhor notícia dos últimos anos para os brasileiros, com a descoberta e exploração de imensas reservas de petróleo na camada conhecida como Pré-Sal, está se transformando numa inacreditável queda de braço, que tem como pano de fundo o interesse eleitoral. Mais precisamente, as eleições presidenciais de 2010.
A exploração do Pré-Sal, que insere o Brasil como um dos maiores produtores de petróleo do planeta, irá gerar recursos que, se aplicados como deseja o presidente Lula, contribuirão para reduzir as desigualdades sociais num país que, a despeito dos avanços dos últimos anos, tem gente que vive dentro de padrões europeus e norte-americanos e gente que sobrevive em condições africanas.
A exploração dessa riqueza deveria ser motivo de orgulho, unir o país e fazer, ainda que momentaneamente, com se esqueçam diferenças político-partidárias, que tantos danos vêm causando ao desenvolvimento do Brasil.
Deveria, mas não é motivo de orgulho, muito menos de união.
Ocorre justamente o contrário.
Como o início da exploração de petróleo depende de regulamentação e o processo passa necessariamente pelo Congresso Nacional, trava-se uma disputa em que o que menos interessa são os benefícios gerados pela extração das reservas localizadas no mar territorial brasileiro.
E o que mais interessa é a eleição de 2010.
Entra em cena, de novo, a dupla DEM-PSDB (este com seu apêndice, o PPS), disposta a emperrar a aprovação da regulamentação, por considerar o processo apressado e a proposta enviada pelo governo exageradamente nacionalista.
Nada a estranhar para quem entregou a Vale do Rio Doce, as empresas da telefonia, as companhias de eletricidade, tudo a preço camarada e ainda com financiamento público.
Mas, não é apenas isso.
Democratas, tucanos e seus penduricalhos partidários temem que o Pré-Sal traga dividendos eleitorais ao presidente Lula e por extensão à sua ungida para sucedê-lo, a ministra Dilma Roussef. Que, além de petróleo, jorrem votos em profusão, capazes de manter o PT mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Daí que é melhor deixar o petróleo quietinho nas profundezas do oceano, adiando sua exploração para 2011, 2012, quem sabe não apenas pela brasileira Petrobrás, mas também por empresas estrangeiras, que o tal neoliberalismo, que muitas vezes não apenas rima mas também se confunde com entreguismo, existe é para isso mesmo.
Dane-se que os excluídos continuem excluídos, que a saúde e a educação continuem capengando, já que a se preservar a proposta de Lula, parte dos recursos gerados pelo Pré-Sal serão carreados para esses setores.
O que importa é a política, sempre a política, naquilo que ela tem de pior.
Dane-se, também, o povo brasileiro, que acaba sendo a vítima dessa batalha entre Deus e o Diabo na Terra do Pré-Sal.
OLHA O BICICLETABANDIDO AÍ, GENTE!

Para o bem e para o mal, Itabuna é mesmo uma cidade que surpreende.
E não é que os motobandidos, que aterrorizam cidade com seus assaltos em série, criaram uma subcategoria, os bicicletabandidos.
No início da tarde desta terça feira (1) um ciclista, simulando estar com um revolver sob a camisa, tentou roubar o celular de um cidadão numa rua próxima à avenida Amélia Amado, centro da cidade.
A vítima percebeu que a “arma” era apenas dedo indicador do meliante pé de chinelo, reagiu e botou o sujeito pra correr.
A regra, entretanto, é não reagir.
A vida vale bem mais do que um celular.
ENCONTROS, DESENCONTROS, 2010

Afinal de contas, a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, teve ou não teve uma reunião a portas fechadas com a ministra Dilma Roussef, em que a pré-candidata a presidenta da república pelo PT teria pedido, de forma enviesada, para que uma apuração contra a família Sarney fosse amaciada?
Durante semanas, o encontro que Lina jura ter havido e Dilma garante nunca ter existido, esse tema ocupou o centro do noticiário nacional, ganhou incontáveis minutos no Jornal Nacional, da Rede Globo, além de generosos espaços nos principais jornais e revistas do país.
O cidadão médio, mesmo sem entender direito o que estava ocorrendo, ficou com a impressão de que Dilma havia cometido um delito da maior gravidade, ainda mais que nele estava embutido o sobrenome Sarney, este sim plenamente reconhecido como o que há de pior na política brasileira.
Por associação, se Dilma tem alguma ligação com Sarney é porque na tal reunião cuja existência até agora ninguém provou ter existido, alguma coisa errada a ministra propôs.
Uma exposição negativa de quase um mês nos veículos de comunicação não é pouca coisa, principalmente se for levado em conta que estamos há menos de um ano do início da campanha presidencial e que Dilma é a única ameaça concreta ao governador de São Paulo, José Serra, do PSDB, que parece gozar da preferência dos donos da chamada grande mídia.
E o que está ocorrendo?
Passado o foguetório, a pirotecnia, começam a surgir indícios de que a história contada por Lina Vieira, que serviu de combustível para alimentar o fogaréu contra Dilma, pode mesmo não ser verdadeira, como aliás tem insistido a ministra desde o inicio, sem que tenham lhe dado, ao menos, o benefício da dúvida.
E o que vai ocorrer?
Num passe de mágica, feito o estrago desejado, o assunto vai perder importância até desaparecer do noticiário, sem que se faça o necessário reparo aos estragos causados à imagem da ministra.
Mas, quem é que está interessado em reparar estragos se o interesse foi justamente atingir a eventual candidatura de Dilma, mesmo que à custa de uma história em que não há uma prova cabal que a sustente?
Não foi a primeira e nem será a última vez que se recorre a um “factóide”, que se dá uma dimensão infinitamente superior ao fato em si, com o objetivo de influenciar a opinião pública.
Muitos ainda devem se lembrar do “Escândalo do Dossiê”, em que a exibição das fotos de uma aparente montanha de dinheiro às vésperas do 1º. turno das eleições presidenciais, após uma semana de exploração de um tema menor, levou o pleito ao 2º. turno, onde ao contrário do desejado pelos senhores da mídia, não houve manipulação que impedisse o massacre de Lula sobre Alckmin.
Sinal de que o povo pode até assimilar certas práticas, incluindo o lamaçal da política, como normal (o que é lamentável, frise-se), mas não é bobo.
No frigir dos ovos, o imbróglio Dilma Roussef-Lina Vieira é mais um exemplo midiático da célebre Batalha de Itararé, aquela que não houve.
Haverá outras.
Não deu certo em 2002, falhou de novo em 2006.
Entre encontros e desencontros, o foco agora é 2010.
O jogo é bruto, senhoras e senhores!
BARBEIRAGEM OU ARMAÇÃO?
Essa batida de Nelsinho Piquet contra o muro, no GP de Cingapura do ano passado, pode se converter de um dos maiores escândalos da história da Fórmula 1.
Há uma investigação em curso para apurar se o acidente foi proposital, com o objetivo de provocar a bandeira amarela e beneficiar Fernando Alonso, companheiro de
Nelsinho na equipe Renault.
Olhando as imagens, parece coisa de barbeiro. Mas num esporte que envolve milhões de euros, nem tudo é o que parece.
LADRÃO CAVALHEIRO

Na madrugada de domingo para segunda-feira, uma moradora do Pontalzinho em Itabuna teve seu carro arrombado por um ladrão. O sujeito quebrou o vidro do veículo da porta da frente e levou o que dava pra levar.
Qual a novidade? Esse tipo de ocorrência acontece às centenas em Itabuna.
A novidade é que o ladrão em questão teve, digamos, fair play.
Como estava chovendo, o meliante tratou de proteger o vidro quebrado com um pedaço de plástico, pra evitar que molhasse o interior do carro.
Se soubesse que a dona era mulher, muito provavelmente teria deixado uma rosa com cartão de agradecimento.
Não ria.
Eu, você, qualquer um pode ser a próxima vítima. E nem todo ladrão é tão cavalheiro assim.
PROCURA-SE UM FUTEBOL DESAPARECIDO

Depois de encontrar o “desaparecido” cantor Belchior no Uruguai, a equipe do Fantástico está diante de outro desafio: localizar o futebol de Ronaldinho Gaúcho.
Aquele futebol vistoso, de dribles curtos, passes precisos e gols geniais foi visto pela ultima vez em 2005, no Estádio Camp Nou, em Barcelona.
De lá para cá, seja pelo Milan, seja pela Seleção Brasileira, apenas Ronaldinho Gaucho tem entrado em campo. Seu futebol, não.
Conseguirão os intrépidos repórteres do Fantástico encontrar o futebol de Ronaldinho Gaúcho?














