:: ‘Notícias’
PROGRAMA DE ÍNDIO
Esquentou de novo o clima na área que a FUNAI, num relatório preliminar, reconhece pertencer aos índios tupinambás e que abrange parte dos municípios de Una, Ilhéus e Buerarema. Na manhã de quarta-feira, um grupo que se apresenta como tupinambás invadiu seis fazendas em Una. De acordo com trabalhadores rurais, os invasores estavam armados com espingardas, facões, flechas e lanças.
Foram invadidas as fazendas Boa Sorte, Santa Helena, Vencedora, Bom Sossego e Três Riachos. O caso está sendo apurado pela Polícia Federal.
As invasões revelam que por trás da aparente calmaria, instalou-se um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento.
“Interesse Nacional”

Há quase cinco décadas, Cuba sofre um implacável embargo comercial imposto pelos Estados Unidos.
O embargo se torna ainda mais perverso quando e é extensivo a nações que mantém relações comerciais com os EUA, o que significa que o país que se atrever a fazer negócios com Cuba corre o risco de fechar mercado para os seus produtos na principal potência do planeta.
O embargo foi imposto em 1963 sob o pretexto de que ao dar à revolução que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista um caráter socialista Fidel Castro expropriou propriedades e empresas norte-americanas na ilha.
Na prática, foi uma resposta à ousadia dos cubanos em optar pelo sua autodeterminação, fazendo com que a ilha caribenha deixasse de ser um misto de bordel e cassino dos Estados Unidos, refugio de milionários e mafiosos.
Fracassadas as tentativas de derrubar Fidel Castro, malograda a invasão da Baia dos Porcos, optou-se pelo estrangulamento econômico de Cuba, prejudicando milhões de pessoas submetidas a todos os tipos de privações, incluindo o acesso a medicamentos e e tecnologia.
Enquanto existiu o Bloco Soviético, os impactos do bloqueio não foram tão danosos. Cuba negociava com a URSS, a Alemanha Oriental e a Tchecoslováquia, que hoje nem existem mais como nações. A URSS se esfarelou, as Alemanhas se unificaram e tchecos e eslovacos formaram seus próprios países.
A queda do muro de Berlim e a débâcle dos países socialistas empurrou Cuba a uma crise sem precedentes, fazendo com que Fidel adotasse o chamado “período especial”, com racionamento de energia e de alimentos.
Os cubanos resistiram, preferindo manter a cabeça erguida a voltar a ser um satélite dos EUA.
O fim da Guerra Fria tornou o embargo a Cuba sem sentido.
Que ameaça poderia oferecer uma ilhota de meros 15 milhões de habitantes, com dificuldades para oferecer até os serviços básicos, diante a um gigante econômico e militar?
Ameaça nenhuma, mas o embargo foi mantido.
Meio século de asfixia.
Um crime lesa-humanidade, a que o chamado mundo civilizado fecha os olhos.
A eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, dono de uma trajetória de vida impar e espírito democrático, acendeu a esperança de que o embargo que já não faz mais sentido seria encerrado. Obama chegou a ensaiar medidas, ainda insípidas, para estreitar as relações entre os dois países.
Mera ilusão. Uma de Lei de Comércio com o Inimigo, que proíbe o comércio entre os Estados Unidos e qualquer nação considerada uma ameaça foi prorrogada por mais um ano por Obama.
A Lei é renovada anualmente e o presidente dos EUA acaba de renová-la até setembro de 2010.
“Interesse nacional” foi a justificativa para manter a lei que por tabela mantém o cruel e perverso embargo Cuba.
O gigante, numa desmedida e desproporcional exibição de força, insiste em esmagar o anão inofensivo e fragilizado.
E Barack Obama, que foi eleito sob a perspectiva da construção de um mundo menos tirano e desigual, que só pode virar realidade se houver cooperação dos EUA, demonstrou que em termos de política externa, vale mesmo é a lei da submissão.
E quem não se submeter, que pague o preço.
O GIGANTE E O ANÃO

Rubens Barrichelo, o Rubinho, sempre foi uma espécie de patinho feio entre os pilotos brasileiros que se aventuraram pela Fórmula 1, quando não o bobo da corte, alvo de todo tipo de piada, algumas engraçadas, outras infames.
Rubinho nunca teve a genialidade e o carisma de Airton Senna, a eficiência de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, nem a técnica apurada de Felipe Massa.
Quando correu pela Ferrari, teve como primeiro piloto ninguém menos do que Michael Schumacher, fenômeno inquestionável da categoria. Não bastasse isso, em nome do jogo de equipe várias vezes foi obrigado a ceder sua posição ao alemão, numa delas a poucos metros da linha de chegada.
O máximo que consegui foi o vice-campeonato da Fórmula 1, o que na cultura brasileira significa ser o último.
Estava no ocaso da carreira, quase se aposentou no final do ano passado, mas ganhou um carro surpreendentemente competitivo e eis que, depois de um início de temporada titubeante e algumas trapalhadas dele e da equipe, ganhou as duas ultimas corridas em Valência e em Monza.
Faltando quatro provas para acabar o campeonato, está na briga pelo título, com chances reais de vencer o Mundial.
Rubinho, enfim, calou seus detratores e mostrou se que não é um gênio, também não é o barbeiro destrambelhado que têm dificuldades até para dirigir um fusquinha.
Como jogador de futebol, Dunga sempre foi coadjuvante em meio a protagonistas como Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo e Careca, apenas para citar os craques de sua geração.
Ganhou uma Copa do Mundo com uma seleção que não deixou saudades e perdeu outras duas. Na de 1990, na Itália, o futebol feio fez surgir a “era Dunga”. O sucesso indiscutível como jogador, mesmo um jogador mais de transpiração do que de inspiração, nunca teve o reconhecimento que ele deve ter esperado da mídia e da torcida.
Ao levantar a Copa de 1994 nos Estados Unidos, um momento máximo na vida de qualquer jogador, em vez de comemorar, proferiu uma série de palavrões para uma audiência planetária.
Dunga assumiu a Seleção sem nunca ter treinado um time. Foi criticado pela imprensa, enxovalhado pela torcida, mas fez de um grupo quase desmoralizado uma equipe vencedora.
Ganhou a Copa América, a Copa das Confederações, classificou a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo com quatro rodadas de antecedência.
Dunga, enfim, calou seus detratores. O coro de “burro” foi substituído pelos aplausos, o reconhecimento. Pode não ser um Telê Santana (que por sinal não ganhou nenhuma Copa do Mundo) ou um Felipão, mas não é nenhum zé mané, incapaz de dirigir até um time de casados contra solteiros.
As semelhanças entre Rubinho e Dunga acabam aí.
Rubinho, mesmo nos piores momentos a nas brincadeiras mais absurdas, nunca deixou de sorrir, de tratar bem as pessoas, de ser aquele sujeito bacana, que faz a gente torcer por ele.
Dunga, eternamente mal humorado e incapaz de sorrir até nos momentos de celebração, é a imagem do ressentimento, que às vezes faz a gente torcer contra a Seleção.
Rubinho é o gigante, que cresce até quando se apequena.
Dunga é o anão, que se apequena até quando se torna grande.
CAMINHO DE BRASILIA

Ninguém punido, a pior das vilãs se fingindo de santa para escapar da cadeia, e todo mundo se dando bem no final, depois de um festival de mentiras, golpes e falcatruas.
Cá pra nós, do jeito que foi ao ar, o último capítulo de Caminho das Índias bem que poderia ter sido ambientado no Congresso Nacional.
Are baba!
TEMPO, TEMPO, TEMPO

No mesmo dia em que os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram devastados por fortes temporais, incluindo os temíveis tornados, e São Paulo, a maior metrópole brasileira virou um inferno por conta das chuvas torrenciais; fenômenos idênticos se repetiram em várias partes do planeta.
Na Argentina, no México, nos Estados Unidos, na Turquia e no Cambodja, lá nos confins da Ásia, as chuvas torrenciais trouxeram destruição e mortes em larga escala.
Será apenas coincidência que isso tenha acontecido num único dia, em praticamente todos os continentes?
A resposta, muito provavelmente, é: não!
O clima parece ter enlouquecido.
Talvez seja injusto atribuir a loucura à Mãe Natureza. Mais justo é atribuir a loucura ao homem, esse predador de si mesmo, em sua sanha destruidora e sua completa falta de compromisso com o meio-ambiente.
A natureza apenas está reagindo a séculos de agressão, que se agravaram nas últimas décadas, com a destruição das matas, a poluição do ar, o assoreamento dos rios.
Nesse sentido, a imagem do Rio Tietê, que corta a Grande São Paulo, com seu leito transbordando lixos e esgotos é emblemática.
Em vez de peixes e de vida, montanhas de lixo e dejetos. Um rio morto, em nome do progresso, que pode até gerar riquezas, mas nem sempre gera bem estar.
Saímos do Rio Tietê e vamos para a Amazônia, o chamado pulmão do mundo, onde a destruição atinge níveis alarmantes. Árvores são derrubadas às milhares e o que era mata se transforma em pastagem.
Explora-se o planeta de maneira suicida, como se os recursos naturais fossem inesgotáveis. Como se não houvesse gerações futuras, que necessitarão desses mesmos recursos para sobreviver.
Exaurida, a natureza reage, com essas mudanças abruptas de clima.
Furacões, tufões, ciclones, tornados, tempestades tropicais, terremotos, maremotos e tsunamis. Não são apenas fenômenos naturais como alguns querem fazer crer.
É uma relação de causa e efeito.
O homem agride, a natureza responde.
Pode nem ser necessariamente uma resposta violenta a tanta exploração, mas sim um pedido de socorro.
Como se a natureza estivesse dando um sinal de alerta.
Um aviso de que é preciso repensar o planeta enquanto ainda é tempo.
Por que, se a destruição continuar nesse ritmo, não é preciso ser meteorologista para prever tempo sujeito a chuvas e trovoadas.
No sentido literal e no sentido figurado.
Novela da vida (ir)real

São 20;45 minutos numa sala de aula de uma faculdade em Itabuna. Os alunos estão impacientes. Nada a ver com a complexidade do assunto abordado ou com a prova difícil na próxima aula.
A impaciência é em função do início da novela, que está nos capítulos finais. Na impossibilidade de se chegar em casa, a televisão da cantina será proverbial.
O mocinho da novela, que morreu mas não morreu na explosão de um trem, após descobrir que seu filho não era seu filho, vai continuar com a mocinha sofredora, que começou a novela amando um intocável e depois se tocou que o melhor era amar alguém que poderia tocá-la todos os dias?
A vilã da novela, tão má quanto bonitinha, vai pagar pelos seus incontáveis crimes ou dará um jeitinho de se safar da cadeia para aplicar novos golpes?
O empresário que também morreu mas não morreu para poder fugir para Dubai e ficar com a grana que desviou da empresa da família e depois se arrependeu, receberá o perdão dos que lesou?
São 13;30 minutos num restaurante de Cruz das Almas. Um grupo de cinco pessoas, todos servidores do estado, almoça e conversa animadamente. O assunto não é a greve dos professores nem a explosão de violência em Salvador.
É o final da novela.
A professorinha frágil abrirá mão de uma pós-graduação na Inglaterra para se casar com o namorado esquizofrênico, que acredita que Michael Jackson está vivo, que um time do Rio de Janeiro será campeão brasileiro de 2010 e que Sarney é vítima de perseguição da imprensa?
O empresário que morreu mas não morreu para poder ficar com a grana que desviou da empresa da família e depois se arrependeu, receberá o perdão dos que lesou?
São 16;15 minutos num posto de gasolina nas proximidades de Gandu. O frentista discute acaloradamente com o gerente. Nada a ver com as obras de recuperação da rodovia BR 101 ou com os caminhoneiros que insistem em arriscar a própria vida e a vida dos outros tomando “bolinha” para esticar a jornada de trabalho.
De novo, o assunto é o final da novela.
O guarda de trânsito corno que perdoou a mulher fogosa, que não vale nada, mas ele gosta, continuará tendo dificuldades em passar pela porta e usar boné?
Que destino terão as criancinhas que passaram a novela toda fazendo aquela dancinha ridícula? Irão se apresentar na “Dança dos Famosinhos” no Domingão do Faustão ou serão atiradas nas águas sagradas do Rio Ganges, aonde em vez de irem para o brejo as vacas tomam banho?
Situações como as registradas em Itabuna, Cruz das Almas e Gandu se repetem em todas as partes do País, como se os personagens da novela fizessem parte da vida cotidiana cada um de nós.
Os bons são amados, os vilões são odiados e o final feliz, com casamentos, criancinhas nascendo e beijos apaixonados, é ansiosamente aguardado.
Enquanto isso no núcleo pobre da vida real os pobres continuam morando em bairros sem infra-estrutura, com transporte, educação e saúde precários, correndo atrás de empregos improváveis.
No núcleo rico, os ricos continuam desfrutando as delícias de serem ricos, mesmo que á custa da pobreza do núcleo pobre.
No núcleo marginal, os marginais impõem a lei do terror, o tráfico manda e desmanda e a polícia não passa nem perto, tão desaparelhada que está.
E no núcleo político, os políticos continuam legislando em benefício próprio, desfrutam de mordomias que o núcleo pobre nem sonha em desfrutar e surfando nas ondas da impunidade, pois sabem que sempre terão um final feliz.
Mas, cá pra nós, quem é que está preocupado com a novela da vida real, com tantos caminhos e descaminhos (das índias) da novela da vida irreal?
FIM
O VINHO, A AGUA E O CACAU

“Nos Alpes Italianos existia um pequeno vilarejo que se dedicava ao cultivo de uvas para produção de vinho.
Uma vez por ano, acontecia uma grande festa para comemorar o sucesso da colheita.
A tradição exigia que nessa festa cada morador do vilarejo trouxesse uma garrafa do seu melhor vinho, para colocar dentro de um grande barril, que ficava na praça central.
Um dos moradores pensou: ´porque deverei levar uma garrafa do meu mais puro vinho? Levarei água, pois no meio de tanto vinho o meu não fará falta´.
Assim pensou e assim fez.
Conforme o costume, em determinado momento, todos se reuniram na praça, cada um com sua caneca para provar aquele vinho, cuja fama se estendia muito além das fronteiras do país.
Contudo, ao abrir a torneira, um absoluto silêncio tomou conta da multidão. Do barril saiu… água!
´A ausência da minha parte de vinho não fará falta´, foi o pensamento de cada um dos produtores…
Muitas vezes somos conduzidos a pensar: ´tantas pessoas existem neste mundo! Se eu não fizer a minha parte, isto não terá importância´.
E vamos todos beber água em todas as festas e não o bom vinho.”
Substitua-se “vinho” por “cacau” e a historinha acima, muito popular na Itália, tem tudo a ver com o nosso individualismo crônico, tão ou mais danoso do que a vassoura-de-bruxa.
Estamos propensos a achar que a responsabilidade é sempre dos outros e esperar de braços cruzados por uma solução para uma crise que já dura duas décadas.
Culpa-se o governo, culpa-se o clima, culpa-se o efeito estufa, culpa-se a alta ou a queda do dólar, mas falta justamente aquela força motriz, aquela união de esforços capaz de virar o jogo, aquele espírito empreendedor que em décadas passadas fez brotar uma civilização única.
Para que colocar o nosso esforço em prol de coletivo, se é mais cômodo esperar que os outros lutem, reivindiquem, trabalhem?.
O problema é que quando a maioria pensa dessa forma, a minoria abnegada é insuficiente para produzir a mudança necessária.
Em vez de uma lavoura de cacau fortalecida, com industrialização de matéria prima, projetos de diversificação e obras de infra-estrutura, nos resta a estagnação econômica.
Projetos importantes, que produzirão resultados a médio e longos prazos, a exemplo do PAC do Cacau, o Porto Sul e a Ferrovia Oeste-Leste, capazes de gerar um novo e duradouro ciclo econômico, são combatidos, como se em vez de progresso e bem-estar social, fossem nos trazer o apocalipse.
O que seria motivo de união gera cisão, por conta de interesses menores, disputas paroquiais ou questões políticas.
Foi-se o tempo em que era possível transformar água em vinho.
Ao que se sabe isso ocorreu apenas uma vez e seu Autor era dado a milagres, como fazer paralítico andar, cego enxergar, morto ressuscitar.
Hoje, o nome do milagre é trabalho, união, solidariedade, empreendedorismo.
Sem os quais não haverá colheita dos frutos e talvez um dia não haja nem água para beber, quanto mais o vinho para celebrar.
NEM SÓ O JUIZ ERA LADRÃO
Essa aconteceu num jogo da 3a. Divisão da Espanha.
O juiz apitava a partida quando o serviço de alto-falante do estádio anunciou que
haviam arrombado um veículo no estacionamento.
Quando deram a marca do veículo e a placa, não é que o carro era do juiz!
Resultado: o jogo ficou paralisado até que o juiz prestasse queixa à polícia, mas o ladrão escafedeu-se com o celular e outros de sua excelência.
Terá o meliante cem anos de perdão?
LAGOA ENCANTADA. E ABANDONADA!
Se a Lagoa Encantada estivesse localizada na Europa, EUA ou mesmo numa região do Sul/Sudeste do Brasil certamente seria um grande pólo de turismo sustentável, gerando emprego em renda.
Em Ilhéus, em que pese a impressionante beleza natural, com seu espelho d´água de mais de seis quilômetros quadrados, a mata exuberante, cachoeiras de tirar o fôlego e uma fauna e flora excepcionais, a Lagoa Encantada é um exemplo da falta de visão para a atividade turística.
A estrada que dá acesso ao vilarejo de pescadores está de dar pena, impedindo o fluxo turístico e desencorajando investimentos na melhoria da estrutura de comércio, hotelaria e serviços.
Mesmo assim, quem desafia a estrada horrorosa, sai reconfortado e encantado com um dos lugares mais belos desta Bahia de incontáveis belezas.
Uma pena que um paraíso desses esteja fora do roteiro turístico de brasileiros e estrangeiros.

















