:: 8/fev/2026 . 16:55
Crônica de Domingo, Coleção Milagres que vivi 6: A Jaca

Paloma Amado
A primeira árvore plantada por meus pais na casa do Rio Vermelho foi uma jaqueira, era indispensável garantir a presença na casa da fruta preferida, a das fazendas de cacau, a que não podia faltar no café da manhã do coronel João Amado, meu avô. Hoje é uma grande árvore, sempre deu muitos frutos e neste fevereiro de 2026 está carregada de alto a baixo.
Carybé, meu dindo, ia lá para casa papear. Chegava pedindo: Zelhusca, me dá um bloco de papel. Um bloco inteiro? Mamãe provocava o compadre para se divertir, farta de saber que ele deixaria o bloco cheio de desenhos engraçados. Papai virado em jaca foi um dos que compunha a série Jorge Fruta!
Mamãe se mudara, a casa estava fechada há alguns anos, tentávamos fazer dela um museu, quando veio do México meu amigo Carlos Castro e sua mulher Teresa. Fã de papai, queria conhecer onde morara. Fui com eles. Na porta encontrei duas moças que tentavam convencer o vigia a deixar dar só uma espiadinha. A senhora deu sorte, dona, a filha do homem tá vindo aí, se ela deixar…
Deixei, é claro, e entramos os cinco na casa vazia, triste da falta dos seus donos. O dia estava ensolarado, aproveitamos para caminhar pelo jardim, relembrando histórias. De repente, Carlos me perguntou que árvore era aquela, imensa, com frutos enormes. Tentei explicar a jaqueira e sua jaca, mas empaquei sobre o gosto. Gosto de quê? De jaca, ora, gosto forte, único, a pessoa ou adora ou detesta. E ainda tem os tipos, pode ser dura, pode ser mole… Não parece com nada, só provando.
Saímos para sentar no banco da mangueira, onde as cinzas de papai alimentavam as frutas.
“O nosso país é soberano”, diz Lula nos 46 anos do PT

A capital baiana foi escolhida pela legenda para sediar o aniversário de 46 anos do partido, reforçando o compromisso com as políticas sociais e com a democracia (foto Bruno Gonzaga)
O Partido dos Trabalhadores da Bahia realizou uma grande festa, neste sábado (7), em celebração aos 46 anos da legenda, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro aconteceu no Trapiche Barnabé e reuniu toda a militância do partido, dirigentes de todo o país, parlamentares e as principais lideranças da legenda, se encerrando com um show do Cortejo Afro.
Em seu discurso, Lula reforçou o compromisso com a democracia que acompanha a história do partido desde sua fundação. “O nosso país é um país soberano. A gente quer trabalhar com todo mundo, mas a gente não quer dono, não quer voltar a ser colonizado. Nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar”, afirmou.

Além do presidente, lideranças participaram do ato político e cultural, como o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o Ministro da Casa Civil Rui Costa, a Ministra da Cultura Margareth Menezes, o Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social Sidônio Palmeira, o presidente do PT Edinho Silva e o presidente estadual do PT Bahia Tássio Brito.
O presidente do partido, Edinho Silva, exaltou a capacidade de diálogo do PT com todos os partidos que “ajudam a construir o Brasil e um governo simbólico para a América Latina e para o mundo”; e elogiou o trabalho feito pelo governador da Bahia. “Nestes dias em que estive na Bahia, tive a oportunidade de conhecer projetos do governo do estado e dizer a Jerônimo: você é motivo de orgulho para o nosso partido, você nos honra enquanto governador do PT por tudo que tem feito de transformação na vida de todos os baianos, dando continuidade aos legados que nossos companheiros Rui Costa e Jaques Wagner construíram em solo baiano”.

Tássio Brito, presidente do PT Bahia | Foto de Bruno Gonzaga
Tássio Brito, presidente estadual da legenda na Bahia, destacou as conquistas históricas do projeto político do PT ao longo de sua história. “É uma alegria muito grande pro PT da Bahia receber companheiros de todo o Brasil para celebrar os 46 anos dessa construção coletiva, simbolizada na pessoa que é a maior liderança política já produzida pela classe trabalhadora, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senhor é o nosso condutor em todos os momentos desde a fundação. Foi o senhor o responsável por entrar no governo em 2003 e mudar a realidade do Brasil, da Bahia e do Nordeste”.
O bloqueio imperialista contra Cuba e seus instrumentos maléficos
Jorge Lezcano Pérez
Em 12 de março de 2026, fará 30 anos que o presidente dos EUA, William Clinton, sancionou a Lei Helms-Burton, eufemisticamente intitulada “Lei da Liberdade e Solidariedade Democrática de Cuba”, que nosso povo apropriadamente chamou de “Lei da Escravidão”.
Uma breve análise dos danos econômicos, comerciais e financeiros que a guerra travada pelos Estados Unidos em todos esses setores desde os primeiros anos da Revolução causou a Cuba demonstra que, muito antes da aprovação da Lei Helms-Burton, a extrema-direita americana já havia concebido que essa lei levaria, na esfera jurídica, à anexação de Cuba.
Vamos examinar algumas informações contextuais.
Ricardo Alarcón de Quesada, em seu livro *Bloqueio: Guerra Econômica dos Estados Unidos contra Cuba*, afirma que: “Em setembro de 1961, o Presidente dos Estados Unidos assinou a Lei de 1961, que o autorizava a estabelecer e manter um embargo total a todo o comércio entre Cuba e os Estados Unidos. Em fevereiro de 1962, o governo americano ampliou o bloqueio contra Cuba sob a autoridade legal da seção 620(a) da Lei de Ajuda Externa de 1961, somando-se a todas as medidas impostas desde 1959.”
“De então até 1998, os custos do bloqueio foram estimados em não menos que 67 bilhões de dólares.” Hoje, segundo um relatório apresentado pelo Ministro das Relações Exteriores de Cuba em setembro de 2025, sabemos que o custo do bloqueio até o momento atingiu 170,677 bilhões de dólares.
Sabemos também, por meio de documentos oficiais da administração dos EUA, que de 1961 a 2025, não houve um único ano em que o governo dos EUA não tenha aprovado uma lei, proclamação, memorando, regulamento ou decisão de seus departamentos federais que tenha afetado seriamente a economia cubana.
Por essas razões, para entender a Lei Helms-Burton e seus verdadeiros objetivos, é necessário considerar, ainda que brevemente, algumas passagens da história dos planos de anexação dos EUA contra Cuba.
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