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livros do thame




Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

abril 2026
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:: ‘Roseli Arrudha’

poema

Sócrates e o cálice de cicuta
Kant e a demência, insana e bruta.
Heráclito pai da dialética, o obscuro desvairado
Aristóteles banido de Atenas, filósofo amaldiçoado.
Giordano Bruno ardendo nas chamas da fogueira
Maquiavel lambendo botas, vida traiçoeira.
Pessoa, morre solitário, garrafas de vinho à mão
Florbela, suicida-se de tanto amor pelo irmão.
Descartes, metódico,escondia-se do mundo
Hobbes vítima de um medo medonho, profundo.
Mayakóvsky não suportou o peso da revolução
Mário de Sá-Carneiro o peso do coração.
Schopenhauer,depressão no grau mais alto
Deleuze joga-se da janela estalando no asfalto.
O desassossego bate à porta
abrir ou não abrir, o que de fato importa?
É preciso força e coragem para entender
a essência desta rápida passagem que é viver.
Ai como é linda a eterna infância
e como vive feliz o ser com a sua ignorância!

—-

Roseli Arrudha

Os tigres do esgoto

Roseli Arrudha 

roseli arrudhaO Brasil foi o maior território escravagista do Ocidente, com quase 5 milhões de africanos escravizados. A mão de obra escrava foi utilizada em larga escala, alguns escravos apelidados de “tigres” eram os responsáveis pela coleta e despejo da urina e fezes dos moradores das cidades e essa prática durou cerca de 300 anos.  Durante esse longo período da história, a maior parte das casas brasileiras não contava com banheiros, água corrente ou algum outro tipo de instalação sanitária, as pessoas faziam as necessidades em “penicos” que ficavam sob as camas até a manhã seguinte, quando eram esvaziados em grandes tonéis que comportavam todos os dejetos dos moradores da casa. Esses tonéis eram carregados nas costas pelos escravos, que os levavam até o mar ou a algum rio e por lá os despejavam. Parte do conteúdo, que continha ureia e amônia escorriam dos tonéis e deixava marcas brancas sobre a pele negra, parecidas com listras, daí surgiu o apelido em tom pejorativo de “tigres” ou “tigrados”.

 

tigresSegundo alguns historiadores em algumas regiões do Brasil havia escravos ‘tigres’ até o final do século 19, principalmente pela falta de interesse do poder público na implantação de sistemas de tratamento de esgoto. Muita coisa não mudou, da década de 1950 até o final do século passado, o investimento em saneamento básico no Brasil ocorreu pontualmente em alguns períodos específicos e atualmente, em pleno século XXI, várias cidades brasileiras litorâneas estão totalmente poluídas e ainda existem  inúmeros locais sem nenhum tipo de tratamento de esgoto.

 

 

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que 15 mil mortes e 350 mil internações ocorrem anualmente em decorrência da falta de saneamento básico. De acordo com as pesquisas 104 milhões de pessoas (quase a metade da população) não têm acesso à coleta de esgoto e 35 milhões de brasileiros não têm água potável, ou seja, metade da população brasileira vive literalmente “na merda”. Apesar dos números alarmantes para um país que busca desenvolvimento, o mais incrível é que as pessoas não têm consciência da gravidade do problema e não reivindicam seus direitos.

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Heranças

Roseli Arrudha

ros

Trago em mim perdidas guerras
chão adubado a carne e sangue supliciados
um cenário imenso manchado de esquecimento
na quietude parda e sofrida das serras.
Venho de um lugar modesto
Santo Antonio braço dado com Iansã
dizem que por ter esse sorriso franco
que não sou pura, que não presto
que o meu sangue é preto e branco
que sou mameluca nunca donzela
que ainda tenho o pé na senzala
que sou muambeira da favela.
Eu que trago substância exótica
na congada das primas lavadeiras
na reza das avós tupis
inicio aqui ventura das ladeiras
olhos no céu, alma no chão
e para o vosso entretenimento
ofereço os doces frutos mestiços
colhidos dessa árvore que eu sou
e a melodia do samba irmão
lamento doloroso da minha raça equilibrista.
Não é fácil não ser de lá e nem de cá
desde antanho sobre a cor da minha pele
combatem escravos e reis
e se ergo os punhos nativos em luta
erguem-se algemas estrangeiras em minhas leis.
Eu venho de uma terra de despossuídos
venho de um lugar modesto
e dizem que por ser o que eu sou
que sou miscigenada
que não presto
contudo, se eu me imundo
é de vossas heranças.

——

(poema do livro “Eu que sou o que sou, a vós absolvo”, lançamento 21 de setembro de 2018 em Lisboa, Portugal)

Sem cura

Roseli Arrudha

roseli arrudha

O que às vezes me magoa

é o pensamento caído

como um trinado

entristecido

como uma asa curta

que não voa.

E quase sem perceber

caio à míngua

levada por esse desespero

secreto

de querer encontrar

um vocábulo completo

para uma dor que

não chega-me à língua.

Vendo o martírio

das criaturas

não encontro calma

e talvez seja esse o meu

maior defeito

a consciência de que o

mundo anda doente do peito

e sem cura agoniza dentro

da minha alma.

Escritora paulista lança livro de poesias em Lisboa e Berlim

roseli arrudhaA escritora paulista  Roseli Arrudha estará nas   feiras do livro de Lisboa e Berlim, além de um evento literário na Itália, a convite da ZL Editora, do Rio de Janeiro, e aproveitará a temporada na Europa para promover o pré-lançamento de seu primeiro livro de poesias, “A Lyra do Sol”.

Com dois romances publicados, Roseli tem conquistado vários prêmios em concursos de poesia desde 2011. “A poesia sempre fez parte da minha produção literária. No entanto, foram os prêmios que venho conquistando que me motivaram a publicar uma obra”, diz ela, que é autora de Nathye, o Senhor das Quatro Direções, premiado pela Academia de Letras de Goiás Velho como o melhor romance histórico de 2014.

No Salão do Livro de Berlim,  Roseli marca presença nos dias 19 e 20 deste mês.a poeta declamará alguns dos poemas de seu livro inédito e também participa de uma mesa redonda ao lado de escritores de outros países. Entre os temas que serão debatidos estão sustentabilidade e literatura na era digital.

A participação no Salão do Livro de Lisboa está programada para os dias 24 e 25. Roseli marcam presença na segunda edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, e em um sarau na Casa do Fado, que reunirá, além de poetas e escritores, grandes nomes do fado português.

Presidente vitalícia da ALB, respondendo pelo núcleo de Rio Preto, Roseli ainda comandará o Encontro Internacional de Poetas e Escritores. O evento será promovido pela ABL no Palácio do Infantado, na cidade portuguesa de Samora Correia.

Na oportunidade, serão diplomados três membros correspondentes da Acadêmica de Letras do Brasil no exterior: os escritores Karl Borg (Portugal), Ramiro Manuel Rendas (França) e José Carlos Gil (Espanha).





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