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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

abril 2026
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:: ‘Paulo Nogueira’

O incrível processo de acovardamento dos jornalistas brasileiros

Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

jornalistasOs jornalistas brasileiros estão acovardados. Falo dos profissionais, não dos donos.

Isso ficou dramaticamente claro num texto do (bom) colunista da Folha Bernardo Mello Franco.

Franco tratava de Jucá. Mais especificamente, da infame conversa gravada na qual Jucá dizia que era preciso “estancar a sangria”.

Franco dizia, essencialmente, que era mais que tempo de Jucá explicar o que quis dizer com aquelas palavras.

Certo. Mas ao mesmo tempo errado. Completamente errado.

Franco na verdade deveria olhar para o espelho e reconhecer: já é mais que tempo de a mídia cobrar satisfações.

Ele mesmo. Tem uma alta posição em Brasília, a mesma cidade onde vive Jucá.

Por que nunca Franco questionou Jucá? É claro que ele seria atendido pelo senador caso o procurasse. Poderia ser por telefone mesmo.

Mas não.

Os jornalistas estão com medo de fazer perguntas das quais seus patrões podem não gostar.

É esta a lógica para que repórter nenhum tenha perguntado a Moro, por exemplo, se ele não se constrangia em aparecer fraternalmente ao lado de Aécio numa festa.

Moro teve que enfrentar essa questão nos Estados Unidos, depois de uma palestra que fez na universidade Columbia.

E no entanto era a pergunta mais óbvia que qualquer jornalista deveria fazer a Moro depois que a foto amoral veio a público.

O jornalismo combativo morreu. Em seu lugar está o jornalismo medroso, intimidado, acuado.

Os donos das empresas jornalísticas não precisam nem dar ordens para suas redações. Elas se comportam submissamente sem que ninguém tenha que pedir.

Diante desse panorama desolador, palmas para os jornalistas Raymundo Costa e Daniel Rittner, do Valor. Os dois fizeram jornalismo decente numa entrevista com Moreira Franco, e o resultado é que o entrevistado se descontrolou. Não estava preparado para nada que não fosse amigável.

Perguntas duras para autoridades não estão no roteiro dos jornalistas depois da queda de Dilma.

A senadora Gleisi usou uma imagem boa para comparar o comportamento dos senadores na sabatina de Fachin e na de Moraes. Os leões daquela ocasião agiram agora como gatinhos.

Vale para os jornalistas. Os leões da Era Dilma são os gatinhos da Era Temer.

Como involuntariamente mostrou Bernardo Mello Franco, sequer ocorre a eles a possibilidade de colocar os entrevistados contra a parede.

Temer está tecnicamente morto depois das inconfidências de Jucá

UM CADÁVER POLÍTICO NO PLANATO

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

trio

Temer e Jucá com Delfim: rindo do quê?

O governo Temer, que já vinha se arrastando, está agora tecnicamente morto.

Não há salvação possível depois que veio a público, pela Folha, uma conversa entre o ministro Romero Jucá e um investigado na Lava Jato.

A conversa, numa linha, confirma o que já se sabia sobre o golpe: uma mulher honesta foi derrubada por homens corruptos.

A diferença, agora, é que isto foi claramente exposto por Jucá, um dos articuladores do impeachment e espécie de primeiro ministro de Temer.

O objetivo jamais foi combater a corrupção. Foi, sim, preservar corruptos como o próprio Jucá e tantos outros.

Não sobra ninguém da conversa. Temer, por exemplo, foi definido como “homem do Cunha”.

Em sua superior mediocridade, Temer passou uma vida inteira como como um figurante. Só foi notado pelos brasileiros quando apareceu com uma mulher que poderia ser sua neta. Agora, ele se consagra como o “homem do Cunha”.

Jucá cita também o Supremo como parte da trama. Afirma que esteve com vários ministros do STF para discutir o golpe.

Não os cita. Mas você pode deduzir facilmente que juízes militantes como Gilmar Mendes e Dias Toffoli falaram com Jucá.

Gilmar jamais fez questão de esconder sua militância. Numa cena infame, apareceu às vésperas do impeachment numa fotografia ao lado de Serra, e sequer ficou vermelho. Para ele, ficou natural ser um político desvairado com toga.

Nunca mais você verá uma sessão do STF da mesma forma, isto é certo. Aqueles senhores (e senhoras) circunspectos e com capas ridículas parecerão um bando de golpistas.

Rosa Weber há dias intimou Dilma a dizer por que ela anda chamando o golpe de golpe. Dilma pode entregar a Rosa uma cópia da conversa de Jucá.

Aécio também é citado na conversa: “Todo mundo conhece o esquema do PSDB.” Menos a mídia, talvez, que jamais tratou decentemente do assunto.

Isso permite ainda hoje a velhos demagogos como FHC, Serra e Aécio posarem de homens acima de qualquer suspeita e falarem de corrupção como se fosse alguma coisa da qual estivessem imaculadamente distantes.

A mídia também está lá na conversa gravada. Os barões da imprensa, está registrado, tinham todo o interesse em tirar Dilma.

Nenhuma novidade, mais uma vez. Colocar um presidente amigo, como Temer, daria às grandes empresas jornalísticas livre acesso ao dinheiro público, por meio de publicidade oficial, empréstimos do BNDES e outras mamatas que fizeram a fortuna bilionária dos Marinhos, dos Civitas e dos Frias.

A Folha, que participou ativamente da trama que derrubou Dilma, parece ter dado um golpe de mestre com esta história.

Enquanto a Globo descaradamente passou a praticar um jornalismo chapa branca, a Folha tenta mostrar que não tem rabo preso com ninguém, como disse seu marketing durante muitos anos.

É uma espécie de retorno aos últimos tempos da ditadura, quando a Folha pregava as diretas já e a Globo continuava a defender os militares.

Como a Globo vai-se sair dessa – se é que vai – é uma incógnita.

Quem, definitivamente, não tem como se livrar das consequências das inconfidências de Jucá é Temer, o Breve.





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