:: ‘Ailton Krenak’
Jornada Pedagógica da rede estadual é iniciada com foco na educação sustentável e inovação e terá conferência de Ailton Krenak

Ailton Krenak (foto Analene Ferreira)
C0meçou nesta segunda-feira (3), em toda a Bahia, a Jornada Pedagógica 2025, promovida pela Secretaria da Educação do Estado (SEC). Com o tema “Educação sustentável, inovadora e que cuida das aprendizagens”, o evento reúne, até o dia 7 de fevereiro, professores, gestores e comunidade escolar para planejar o ano letivo 2025 e discutir o futuro da Educação na rede estadual. Na quarta-feira (4), às 8h30, o ativista indígena, escritor e imortal da Academia de Letras do Brasil, Ailton Krenak, fará a conferência de abertura, com transmissão, ao vivo, pelo YouTube da SEC (https://www.youtube.com/

(Foto Memo Soul)
Ailton Krenak lança livro “Kuján e os meninos sabidos” na Festa Literária de Ilhéus
O filósofo e ativista Ailton Krenak apresentou seu novo livro, Kuján e os meninos sabidos, em dois encontros com o público da sétima Festa Literária de Ilhéus (FLI), nesta quinta-feira (14), no Centro de Convenções. De manhã, às crianças; e à noite, na roda de conversa A natureza do tempo presente. Escrita em parceria com a escritora e atriz Rita Carelli, a obra recupera a história da criação do mundo, segundo a tradição dos Krenak, povo originário da região norte de Minas Gerais.

“Os meninos sabidos são dois menininhos mágicos. Na maioria das nossas histórias antigas, os nossos outros povos também, os guarani, até os yanomami, eu observei que todos os nosso mitos de origem têm menininhos sabidos. E os menininhos sabidos, coincidentemente, costumam ser gêmeos. Esses gêmeos sabidos estão na origem dessa tal de humanidade”, iniciou Ailton Krenak.

Na história, Roti e Cati notaram que os parentes Krenak iriam fazer uma grande festa no terreiro da aldeia e saíram juntos com os adultos para caçar. Quando os caçadores já tinham pegado vários bichos e estavam com os balaios cheios, apareceu um tamanduá.
Um indígena na Academia Brasileira de Letras: Ailton Krenak

Efson Lima
A eleição de Ailton Krenak para compor o quadro da Academia Brasileira de Letras (ABL) não é só uma vitória individual, mas também sintetiza o desejo coletivo do Brasil diverso e que tem como desafio respeitar os povos originários. A notícia da escolha do poeta indígena, ambientalista e filósofo para a cadeira n,º 05, da ABL, também é simbólica em razão de um país que discute o marco temporal para a demarcação de terras indígenas e quilombolas, cuja tese vitoriosa no STF abriu uma aparente crise institucional com o Congresso Nacional.
A vitória de Ailton Krenak para a Casa de Machado de Assis é histórica, pois, 523 anos após à chegada dos portugueses as terras brasis, verifica-se a aprovação de um indígena para o salão mais prestigiado da cultura nacional, cuja instituição tem no seu estatuto fundante defender a língua nacional. Portanto, acolher um representante dos povos originários é aparentemente um pequeno passo ( certamente histórico), mas, representa um triunfo para que a língua brasileira não possa ser compreendida somente pelo viés do “português europeu”, mas de uma construção coletiva de indígenas, negros e de uma sociedade plural com diferentes contextos sociais no Brasil profundo.

Não é fácil conviver em uma academia de letras, afinal, trata-se de um ambiente que parece ser destinado ao conservadorismo e, aumenta, quando o intelectual está diante da centenária ABL, por sinal, a mais prestigiada instituição brasileira da cultura nacional. E assim cada morte de um imortal e cada processo eleitoral para ocupar a vaga aberta, redundantemente, ocupam páginas de jornais, grades de televisões e rádios. As redes sociais rapidamente são tomadas por mensagens de saudades em relação aos que falecem ou de comentários em face da nova escolha. De todo modo, o imortal Ailton Krenak chegará com algumas experimentações, pois, a Academia de Letras de Minas Gerais já tinha o elevado à condição de imortal em março de 2023.
O filósofo é autor de uma trilogia composta por “ Ideias para adiar o Fim do Mundo”, A vida não é útil” e o “Futuro Ancestral”, cujas obras refletem sobre os ensinamentos indígenas e a relação com a natureza. De forma acessível e com linguagem linear o intelectual contribuiu para impulsionar as cosmogonias indígenas no Brasil.

O primeiro indígena a ingressar na ABL, Ailton Krenak, levará muitos desafios, entretanto, ele honrará a memória de milhões de indígenas exterminados em terras brasileiras e estará a enaltecer milhares de indígenas vivos que lutam diariamente pela proteção de seus territórios, a preservação ambiental, a valorização de suas respetivas identidades e da cultura, assim como a segurança alimentar: não podemos nos esquecer das imagens dos yanomamis famintos e em péssimas condições de saúde que alcançavam os nossos olhares.
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