Vânia Fagundes

 

Entro em um supermercado o maior e o único climatizado da cidade. Imediatamente me ligo na música que está tocando. Pego um carrinho, mas já não sei se canto, se danço ou se compro.

 

Resolvi fazer as três coisas ao mesmo tempo. Afinal sei quase todas as músicas da MPB dos anos 1980 que estavam rolando na playlist.

 

Não ligo para o que os outros pensem ou achem da situação inusitada, afinal dei férias ao meu juízo, lembram-se?

 

Uma moça olha para mim e ri. Digo para ela que eu estava feliz porque não estava tocando nenhuma música gospel, pois quando eu quero escutar esse estilo musical, passo na igreja (que frequento muito raramente) para escuta-la.

Não sei porque, mas está na moda por aqui em Ipiaú, cidade onde moro, muitos estabelecimentos comerciais tocarem apenas esse estilo. Credo!

Volto a minha atenção para a minha lista de compras que trago nas mãos, ela é relativamente pequena. Toda semana a minha funcionária coloca uma listinha em cima da bancada da cozinha.

Às vezes finjo não vê-la. Hoje eu fiz uma proposta para ela: “o que você acha de comermos dia sim e dia não, assim começaremos uma dieta juntas?”

Ela riu muito, mas não aceitou o que propus, obviamente.

Voltemos para o supermercado onde continuo a dançar e a cantar. Chego na balcão do açougue, confiro mais uma vez o que vem a seguir na tal lista e leio, bacon e “corno”, pelo menos foi o que eu li.

Peço ao atendente: “moço, por favor, me dê 250 gramas de bacon”. E pergunto rindo assim que recebo o que havia pedido: “aqui vende corno?”

Ele me olha com um olhar atravessado e nada responde. Insisto mais uma vez, e mostro a tal lista, e como vejo que ele não vai me responder digo:

-Deve ter bastante, mas não estão à venda, né?