Associação dos Índios Tupinambás da Serra do Padeiro-Nota de Esclarecimento
Nota de esclarecimento nós, da Associação dos Índios Tupinambás da Serra do Padeiro (AITSP), da Cooperativa Agropecuária Tupinambá Boiadeiro Indígena (CATUBOI), da Associação Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro do Tronco Barbosa (AISEPATROBA) e da comunidade Tupinambá de Serra do Padeiro como um todo, manifestamos publicamente nosso repúdio aos recentes ataques da imprensa local contra nosso povo, assim como nossa preocupação com relação ao risco de vida de nossas lideranças, mais particularmente do cacique Babau, Rosilvado Ferreira da Silva e dos seus irmãos.
Esclarecemos que o conflito ocorrido na região entre a noite de quinta-feira (7 de julho) e sexta-feira (8 de julho), que deixou feridos e um morto, aconteceu fora da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, onde se situa nossa aldeia. Os fatos tiveram lugar em um acampamento do Movimento de Luta pela Terra (MLT), em uma área conhecida como Alojamento 4, localizada a oito quilômetros de distância de nossa aldeia, em um antigo conjunto de fazendas conhecido como Unacau. Trata-se de uma área extensa, dividida atualmente em várias partes: uma delas foi destinada à posse de famílias do MLT e outra faz parte da terra indígena. Ao contrário do que sustentam matérias noticiando o ataque, ressaltamos que nunca existiram conflitos entre indígenas da nossa comunidade e os integrantes desse acampamento, e que não houve qualquer participação de membros da aldeia nesses acontecimentos.
Pelo contrário: mantemos relações amistosas com os acampados e nossa comunidade vem amparando as famílias dessa localidade, inclusive acolhendo seus filhos no Colégio Estadual Indígena Tupinambá Serra do Padeiro (CEITSP). A aldeia Tupinambá Serra do Padeiro, como indicado, localiza-se na Terra Indígena Tupinambá de Olivença, mais especificamente entre os municípios de Buerarema, Ilhéus, São José da Vitória e Una, no sul da Bahia.
Devido à não conclusão do processo demarcatório da terra indígena, iniciado em 2004, somos constantemente perseguidos e ameaçados de morte por grupos contrários à demarcação. Nesse sentido, as recentes acusações e inverdades da mídia, o incentivo à violência e as ameaças contra nossa comunidade em blogs, redes sociais, programas de rádio e outros continuam buscando desacreditar nosso povo face à opinião pública, desorganizar a comunidade, desencorajar a mobilização indígena e criar um cenário propício à eliminação de algumas das principais lideranças tupinambá, notadamente o cacique Babau e membros de sua família. Ao tempo que nos solidarizamos com os militantes do MLT, cobramos que as autoridades garantam nossa proteção, que os jornalistas se pautem por preceitos éticos e pelo compromisso com a verdade no exercício de sua função, e que a demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença seja concluída com urgência, pois só isso poderá garantir, em definitivo, a segurança de nossa comunidade. Permanecemos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.
Agnaldo Francisco dos Santos – Presidente da AITSP
Jéssica Silva de Quadros – Presidente da CATUBO













