“Marco ponta, seu puliça…”

Início da década de 80, do século passado. Aos vinte e poucos anos, integrava a briosa equipe de esportes da Rádio Difusora, em Osasco (SP), como repórter de campo.
Rebelde sem causa, comecei a inventar de ir além das minhas funções, imiscuindo no trabalho do narrador, do comentarista e da produção.
Em bom português: enchendo o saco e criando caso com a equipe toda.
Até que o dono da rádio me chama e conta a seguinte historinha:
“Um dia a polícia resolveu dar uma batida na zona (puteiro em paulistês, brega em baianês) de uma cidadezinha local.
Mulheres de um lado, homens de outro.
A profissão delas, desnecessário perguntar. Então as nobres otoridades legitimamente constituídas passaram a perguntar a profissão dos homens.
-Engenheiro, disse um
-Contador, disse outro
-Professor, disse mais outro
-Bancário, disse um outro
-Agricultor, disse outro
E fiquemos por aqui, antes que isso vire um Guia de Profissões.
Ah, faltou mais um:
-Marco ponta esquerda, disse o baixinho atarracado
-Que c…. (c… é o equivalente a porra em baianês) é isso de marco ponta esquerda?, Perguntou o policial, antes de dar um corretivo no sujeito (naquele tempo polícia perguntava antes de meter porrada, porque corretivo é só eufemismo).
Ao que o baixinho respondeu, todo cioso de suas funções:
-Eu sou lateral direito do time da cidade, portanto seu puliça, eu marco ponta esquerda.
Rebelde com causa aos 63 anos, às vezes é preciso aprender com lições jamais aprendidas.
Marcar ponta e ponto final!












