:: set/2010
Cacareco, Tião e Tiririca

Poderia ser a escalação do ataque de um timinho mulambento de uma cidade poeirenta do interior do Brasil, desses que perdem até para o time dos postes.
Ou então um trio musical semi-anônimo, que defende uns trocados se apresentando em cirquinhos mambembes. em vilarejos que nem aparecem no mapa.
Não é.
Cacareco foi um rinoceronte do zoológico de São Paulo que lá pelos idos de 1959 ficou famoso ao receber uma votação espantosa para deputado federal. Teve votos suficientes para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Tião foi um macaco do zoológico do Rio de Janeiro, que por conta de uma brincadeira da turma do jornal de humor Casseta Popular (que depois deu origem à turma do Casseta & Planeta), obteve cerca de 400 mil votos e quase foi “eleito” prefeito do Rio de Janeiro em 1988.

Tiririca, bem Tiririca dispensa apresentações. Com seu impagável bordão “Pior do que ta não fica, vote Tiririca”, tornou-se uma das estrelas da campanha eleitoral de 2010. Projeções indicam que baterá na casa dos 900 mil votos e poderá sair das urnas como o deputado federal mais votado do país.
Assim como Cacareco e Tião, Tiririca significa o voto de protesto, uma espécie de resposta sacana do eleitor contra as sacanagens da política. Ou alguém que tenha mais do que dois neurônios vai votar em Tiririca por acreditar que ele será um bom deputado federal, ainda que hipoteticamente possa vir a sê-lo?
A diferença em relação ao rinoceronte Cacareco e ao macaco Tião, é que o palhaço Tiririca não apenas tomará posse, como sua votação ainda vai levar um monte de candidatos de seu partido, gente que de boba não tem nada, para Brasília.
Cacareco e Tião são do tempo da votação em papel. Seus votos eram considerados nulos, quase uma brincadeira inocente. Tiririca é um produto da era da urna eletrônica. Vai ganhar e botar o terno de posse, mesmo mantendo o nariz e a pose de palhaço, a rir de si mesmo e ao mesmo tempo rir de todos nós.
Numa relação de causa e efeito (não seria causa e defeito?), quanto mais a política se transforma num lamaçal, mais o eleitor fica propenso a optar pelo circo, ora mui bem representado por sua excelência o nobre Tiririca.
Ao se deixar de lado a discussão dos projetos para o país e multiplicar-se o festival de baixarias que contaminou essa reta final da eleição, cria-se o terreno fértil para a proliferação dos tiriricas, porque pior do que tá, quase sempre fica.
Quem é mesmo o palhaço?
EXCLUSIVO: DILMA ENGANOU ESPERMATOZÓIDES !!!!!

A cada dia surgem coisas aterradoras envolvendo Dilma Roussef.
Este blogueiro descobriu que para chegar primeiro ao óvulo da mãe e fecundar, Dilma enganou seus companheiros espermatozóides, dizendo que seu pai estava apenas se masturbando (isso aqui é um blog de respeito, pouparemos a expressão popular) e fazendo-os titubear no meio do caminho.
A Folha de São Paulo está apurando a denuncia e colocou um repórter para ouvir um ex-PTmatozóide que está de saco cheio e resolveu contar tudo.
Essa porra ainda vai render.
PELOTÃO DE FUZILAMENTO
Na busca desesperada pela “bala de prata” capaz de ferir de morte a candidata Dilma Roussef e beneficiar seu candidato preferido, o demo-tucano José Serra, a mídia pistoleira decidiu ampliar o arsenal de denuncias, atirando para todos os lados e deixando de lado qualquer tipo de prurido.
Já não há preocupação e dar um certo verniz de imparcialidade no processo eleitoral.
Diante da imensa vantagem obtida por Dilma sobre Serra, confirmada por todas as pesquisas de intenção de voto e da possibilidade concreta de que a eleição seja decidida já no primeiro turno, os ´barões da mídia´, TV Globo, Veja e Folha de São Paulo à frente do pelotão, transformaram seus veículos no apêndice da campanha tucana, com uma virulência que às vezes nem a propaganda do candidato se atreve a reverberar.
O modus operandi da trinca é protocolar: a Veja dá a manchete de capa na sexta-feira, o Jornal Nacional, com a ´dupla 45` Willian Bonner-Fátima Bernardes tendo orgasmos televisivos, repercute no sábado e a Folha de São Paulo, que se diz um jornal a serviço do Brasil (sic) mas se coloca a serviço do Serra, mantém o tiroteio nos dias seguintes, sempre com o apoio logístico do JN.
O script só desafina quando Willian e Fátima tem que ler as pesquisas do DataFolha e do Ibope, em que Dilma se mantém na dianteira, apesar do tiroteio. A cara do casalzinho é de que, naquela noite, nem o viagrinha da emissora outrora dona da opinião pública resolveu.
Mas, eles não desistem e não vão desistir.
Os próximos dias serão lixo puro, baixaria sem limites.
Não importa que tenham como base para suas denuncias o depoimento de bandidos, não importa que se force a barra para associar Dilma às denuncias sem provas de corrupção, não importa que transformem meras hipóteses em verdade absoluta.
O que importa agora é alvejar Dilma e, pelo menos, levar a eleição para o 2º. turno, onde uma nova rodada de vilanias que jogaria ainda mais lama nesse lodaçal em que parte de mídia mergulhou, numa performance vergonhosa, como nunca se viu em eleições recentes nesse país.
Um engajamento amplo, total e irrestrito a uma candidatura, confrontando a vontade popular como se o povo ainda fosse bobo.
Não é mais.
Nem bobo, nem subserviente, nem idiota.
A mídia pistoleira, cega e ensandecida, corre o risco de acabar no ´paredón´.
E ser vítima dos próprios tiros.
EXCLUSIVO: DILMA CHUTOU A PRÓPRIA MÃE E ROUBOU MERENDA DE COLEGA DE ESCOLA
A Folha de São Paulo enviou um repórter a Porto Alegre e desencavou a denuncia de que, entre 1991 e 2003, quando Dilma foi secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, ela teria favorecido uma empresa gaúcha.
A Folha, sempre preocupada com a ética, a lisura e imparcialidade, pediu o desarquivamento de um processo do Tribunal de Contas para trazer à luz mais uma denuncia com o claro objetivo de atingir a candidatura petista.
Tudo bem, a própria Folha do Serra, perdão de São Paulo, informa lá no final do texto que o Tribunal arquivou a denuncia, mas isso é o de menos.
Dilma já era “perigosa” quando nem sonhava em ser ministra de Lula, muito menos candidata a presidenta e muito menos ainda favoritíssima para derrotar o queridinho de Otavinho Frias, o menino-prodígio que comanda a ex-Folha.
Contribuição à mídia pistoleira: este blogueiro soube de fonte segura que quando estava fazendo o curso primário, Dilma confiscou (roubou, no linguajar golpista) a merenda de uma coleguinha. E que botou cola na cadeira de um coleguinha, que ficou com a bundinha colada até ser salvo pelo professor, um tal de Zé.
Há indícios também de que, ainda em gestação, Dilminha teria dado vários chutes na barriga da mãe, a ponto de produzir ferimentos na mulher.
Isso é grave tem que ser apurado!
Seria pra rir mesmo, não estivéssemos diante de uma nojeira sem limites, que como é de praxe numa democracia, terá a resposta no dia 3 de outubro, quando o povo colocará essa mídia golpista no lugar que lhe cabe: a lata do lixo.
VACINA ANTI-GOLPE

Passadas as eleições presidenciais -qualquer que seja o resultado- é preciso repensar o papel da mídia no Brasil.
O que está em curso, de maneira clara e inquestionável, é uma tentativa de golpe comandada pela TV Globo, com o inestimável apoio da revista Veja e do jornal Folha de São Paulo, com o objetivo de interferir naquele que parece ser o desejo da maioria da população: a eleição de Dilma Roussef.
Denuncias de corrupção, sejam elas envolvendo pessoas do PT, do PSDB, do DEM ou do partido do Tiririca, devem ser apuradas e os responsáveis punidos com rigor.
Mas o que estamos assistindo, de novo, é uma parte da grande imprensa (ô nome mais ridículo) fazendo o jogo sujo e mergulhando no lamaçal para tentar salvar o seu candidato predileto.
Isso o Brasil não pode mais.
Cem anos de solidão
Noventa e oito de prisão, quase um século atrás das grades. Essa foi a pena imposta a José Américo Reis Filho, ex-diretor da base da Petrobrás em Itabuna. Ele é acusado de ser o mandante do banho de sangue que ficou conhecido como “a chacina de Itajuipe”, quando cinco pessoas foram brutalmente assassinadas. município, numa fazenda daquele pequeno município.
Geilza Silva Santos, Ediane Duarte de Souza e Leidilaura da Paz Santos foram mortas a tiros e facadas. As crianças José Américo Junior, de 5 anos, e Pedro Henrique dos Santos Cruz, de 3 anos, foram estranguladas a jogadas num reservatório de água.
As investigações apontaram José Américo com o mandante da barbárie, executada por Anderson Gonçalves dos Reis e Alex de Paula, ambos já condenados a 100 anos de prisão cada um.
O que torna o crime ainda mais brutal é que Ediane Duarte era amante de José Américo e Junior era filho do casal. A relação estava em crise e ele resolveu optar por uma solução que, tempos depois, tornou-se nacionalmente conhecida ao ser adotada, ao que se suspeita, pelo goleiro Bruno, do Flamengo: eliminar, no sentido literal, aquilo que julgava ser um incômodo em sua vida.
Levou junto outras quatro vidas, incluindo a do próprio filho, um menino de apenas 5 anos.
José Américo foi condenado por um placar apertado (4×3) e a defesa vai recorrer, mas a sensação que se tem é de que foi feita Justiça.
Houve crime, tem que haver castigo.
Treino é treino, jogo é jogo e Messi é a luz
Fluminense x Corinthians foi exaustivamente anunciado como o ´jogo do ano` (alguém já se deu ao trabalho de conferir quantos ´jogos do ano` temos todos os anos?), espécie de decisão antecipada do Campeonato Brasileiro.
Um confronto entre as melhores equipes do campeonato, os melhores ataques, os jogadores mais talentosos, os craques em nível de seleção.
Enfim, uma daquelas partidas de antologia, um show de futebol.
Quanta diferença entre a presunção e a realidade!
Fluminense x Corinthians, o jogo dos líderes de um dos principais campeonatos do planeta, foi uma daquelas partidas em que a emissora responsável pela transmissão tem dificuldades até de selecionar os melhores momentos.
O ´jogo do ano` foi um retrato do estágio atual do futebol brasileiro e sua síndrome de guerreiros. Marcado, disputado palmo a palmo, concentrado no meio-campo, com raríssimos lances de emoção e nenhum lance de genialidade.
O Corinthians se defendeu como pode e atacou quando deu.
O Fluminense se defendeu menos do que pode e atacou menos do que devia.
Resultado: 2×1 para o Corinthians, liderança dividida e, no frigir dos ovos, mais um joguinho insosso, sonolento.
Para quem preferiu virar a tabela de cabeça para baixo e ver o jogo entre Grêmio Prudente e Flamengo, que flertam com o rebaixamento, viu um show de horror, que só valeu para os rubro-negros por conta da virada no final, que afundou o time paulista e fez os cariocas respirarem.
Enquanto isso, lá do outro lado do Atlântico, o futebol surgiu em todo o seu esplendor, no jogo mágico do Barcelona.
O passeio em cima dos gregos no Panatinaikos, atônitos diante do baile em que foram postos para dançar involuntariamente, foi uma daquelas coisas que resgatam a beleza do jogo, que fazem valer a pena assistir e apreciar.
Era jogo, parecia treino, mas na verdade foi uma obra-prima, comandada por Leonel Messi, esse fora de série que com a camisa do Barcelona resgata a melhor tradição de um futebol jogado com talento, arte e genialidade.
Messi é a luz nas trevas do mundo da bola.
ESTRELA CADENTE E SOLITÁRIA
A campanha eleitoral entra nas semanas finais e na Bahia, a se confirmar o que apontam as pesquisas de intenção de voto, Jaques Wagner deverá reeleger-se governador já no 1º. turno.
A cada vez mais provável vitória de Wagner (em eleição, é de bom alvitre esperar a abertura das urnas) confirmará uma situação que parecia impensável até quatro anos atrás: o encolhimento impressionante de um grupo que durante parte da segunda metade do século passado e o início deste século comandou a Bahia com mão de ferro, estendendo seus tentáculos para todas as áreas do estado, da polícia à economia, passando pelo comando quase absoluto das comunicações.
A reeleição de Jaques Wagner não se constituirá numa surpresa, em função dos avanços verificados nestes quatro anos, ainda que haja um imenso caminho a ser percorrido e setores que carecem de maiores investimentos, a exemplo da segurança pública.
A surpresa é a maneira como o candidato que representa o grupo outrora poderoso, denominado de “carlismo” por conta de seu mentor, executor e mandatário, Antonio Carlos Magalhães; vem encolhendo ao longo da campanha.
Paulo Souto, o ungido pelo carlismo para retomar o poder na Bahia, chegou à estar na frente ou empatado com Wagner em pesquisas de intenção de votos realizadas em 2009.
A partir do momento em que Wagner entrou em curva ascendente, Souto fez o caminho inverso e desceu vertiginosamente a ladeira da preferência do eleitorado.
Não se trata aqui de uma queda, mas um verdadeiro tombo. Souto, que já transitou na casa dos 35% das intenções de voto, hoje patina nos 15 pontos percentuais e pode ser ultrapassado por Geddel Vieira Lima, o candidato do PMDB, que parecia ter entrado na campanha apenas para fazer um contraponto entre Wagner e Souto e acomodar-se num honroso terceiro lugar.
Chama ainda mais atenção a adesão em massa de prefeitos antes ligados a ACM (e a quem nem se atreviam a contestar) rumo ao barco seguro de Jaques Wagner, deixando Paulo Souto, governador da Bahia em duas oportunidades, como uma espécie de estrela cadente e cada vez mais solitária.
Poucos são os aliados fiéis, aqueles que vão até o final, mesmo diante da débâcle inevitável.
O ocaso de Paulo Souto e do grupo que ele ora representa é uma lição tão óbvia quanto necessária de ser repetida: todo poder é passageiro, efêmero, por mais que pareça duradouro, eterno até.
Uma lição que vale para todos.
CEM ANOS DE INDIFERENÇA

A Fundação Cultural de Ilhéus, em parceria com instituições públicas e privadas, está se mobilizando para comemorar em 2012 os 100 anos de nascimento de Jorge Amado, um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos.
O projeto inclui a realização de palestras, oficinas de leitura, seminários, peças de teatro, produção de documentários e a completa revitalização da casa onde Jorge Amado morou na infância e juventude e escreveu seu primeiro romance, “O País do Carnaval”. O local deverá ser transformado num museu multimídia, com acesso digital a fotos e obras do escritor.
A homenagem dos ilheenses faz justiça um escritor que levou Ilhéus e a Região Cacaueira para os quatro cantos do planeta, com uma obra centrada basicamente no cacau.
A cidade onde o Jorge Amado passou parte da infância e da adolescência foi cenário para obras primas como Terras do Sem Fim, Gabriela Cravo e Canela e Tocaia Grande, entre outros, que foram traduzidos para dezenas de idiomas e até hoje atraem as atenções para a Região Cacaueira, especialmente para Ilhéus.
O potencial turístico e cultural que o nome de Jorge Amado representa ainda não foi devidamente explorado, mas ao menos a cidade se esforça para manter viva a memória do escritor e promove a permanente divulgação de sua obra.
Ilhéus e Jorge Amado parecem nomes indissociáveis, tão ligados que estão entre si.
Enquanto isso, na cidade onde Jorge Amado nasceu, a memória do escritor é solenemente ignorada.
Itabuna foi o berço de Jorge Amado, mas isso parece ter pouca ou nenhuma importância. Tentativas esporádicas de resgatar a memória do escritor não têm obtido resultados práticos. Justiça se faça: o problema não é apenas das autoridades: ao contrário dos ilheenses, os itabunenses não estão nem aí para Jorge Amado.
Diz a lenda que Amado sempre se identificou mais com Ilhéus, sempre esnobou Itabuna.
Só no final da vida, quando completou 80 anos é que, numa célebre entrevista à TV Cabrália, ele assumiu, sem tergiversar, que havia nascido em Itabuna. Até então, quando perguntando sobre o assunto, respondia com evasivas do tipo “sou um menino grapiuna”.
Mas, nem isso justifica a omissão, o descaso com que Itabuna trata seu filho mais ilustre.
Jorge Amado é um patrimônio do Sul da Bahia, um ícone da literatura mundial.
Um nome a ser saudado, lembrado, venerado.
Por enquanto, esse é um mérito a ser reconhecido nos ilheenses


















