:: 10/set/2010 . 14:35
"SEU" GENTIL

Conheci “seu” Gentil lá pelos idos do começo dos anos 80 do século passado.
Era o período da mobilização pelas Diretas Já e eu passava férias em Potiraguá, cidade nos limites da Região Cacaueira da Bahia.
Na época “seu” Gentil era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o que não era pouca coisa em tempos semi-coronelistas.
É não é que cismamos de fazer ali em Potiraguá um comício pelas Diretas Já. Cismamos e fomos à luta.
Arrumamos um carro de som e saímos convocando o povo de Potiraguá e da vizinha Itarantim. A idéia ganhou corpo, atraiu outras pessoas e fizemos um grande comício, que contou com as presenças de lideranças da época, como Raul Ferraz e Pedral Sampaio, então um ícone de esquerda, que depois se bandeou para os braços de ACM e sumiu melancolicamente da vida pública.
Durante o comício, aconteceu algo inusitado: o prefeito mandou cortar a energia da praça, que estava lotada.
Não tive dúvidas: pedi que o pessoal acendesse os isqueiros e dessa maneira levamos o comício até o fim, num clima emocionante. O espírito da democracia que a gente ia respirando após tantos anos de ditadura contagiou a praça.
Logo depois, “Seu” Gentil fundou o PT de Potiraguá e até hoje continua na luta, desafiando a idade com aquela gana dos que acham que é possível fazer um mundo melhor, que o sonho é, sim, possível.
No último domingo, durante a visita de Jaques Wagner a Potiraguá, reencontrei e abracei “seu” Gentil, agora presidente de honra do PT local, mas acima de tudo um militante do partido que se confunde com sua própria vida.
Foi como um passeio no tempo, pra reforçar a convicção de que é compensador seguir o caminho que as vezes é mais longo e mais cheio de obstáculos, mas é o caminho que faz a gente acreditar que vale, valeu e valerá a pena caminhar.
INDEPENDÊNCIA E MORTES

O feriadão da Independência do Brasil terminou de forma trágica para quatro pessoas, vítimas dessas máquinas de matar em que se transformaram as estradas brasileiras.
Quatro mortos e quase duas dezenas de feridos.
Entre os mortos, uma mulher grávida.
Esse foi o saldo dos trinta acidentes nas rodovias federais e estaduais que cortam o Sul da Bahia.
Na maioria dos acidentes, a inconfundível marca da imprudência, do desrespeito às leis do trânsito.
Excesso de velocidade, ultrapassagens em locais de risco e consumo de álcool compõe o cardápio que resulta num saldo alarmante mortes, que ceifa vidas que ainda nem viram a luz do mundo, como no caso do bebê ainda em gestação.
A cada final de semana, a cada feriado prolongado, as cenas se repetem nas rodovias brasileiras: carros e corpos destroçados, choro, dor e lamentação.
Vidas perdidas para sempre.
Parece que de nada adiantam as campanhas educativas, porque mesmo conscientes dos riscos a que se expõem e expõem outras pessoas, motoristas continuam cometendo as maiores barbaridades ao volante.
Um dos casos emblemáticos é o trecho nas proximidades de Arataca e Camacan, na BR 101 no Sul da Bahia. Até as pedras e as árvores que margeiam a rodovia sabem que aquele trecho é altamente perigoso, o que exige cuidados redobrados dos motoristas.
Ainda assim, dos 30 acidentes registrados pelas policias rodoviárias estadual e federal, oito deles aconteceram justamente naquele trecho.
Como apenas orientar e educar não basta (e isso está comprovado pelas estatísticas) é necessário que se aja com rigor, se for o caso cassando definitivamente a carteira de habilitação dos maus motoristas, daqueles que usam o carro como uma arma mortífera.
É preciso que esses criminosos (não há outra expressão para defini-los) sejam banidos das rodovias, para que as pessoas que respeitam as leis de trânsito não fiquem expostas aos riscos que hoje transformam qualquer viagem numa aventura de alto risco.
Chega de tanto sangue nas estradas brasileiras.
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