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Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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:: 23/abr/2010 . 11:52

O CLÁSSICO DA MARMELADA


No final do Campeonato Brasileiro do ano passado, Corinthians e Flamengo protagonizaram uma das maiores marmeladas futebol. Para evitar que o São Paulo conquistasse o título pela sétima vez, o “timão” entregou o jogo para o rubro-negro.

Sem nenhuma sutileza, Ronaldo, que ainda exibia restos do maravilhoso futebol de antigamente, simulou uma contusão e saiu de campo no início da partida. Depois, disse na televisão que também se sentia campeão. O goleiro Felipe praticamente deixou a meta numa cobrança de um pênalti inventado pelo juiz e por pouco não comemora o gol com os jogadores do Flamengo.

Como o castigo vem a cavalo e às vezes vem de carro de Fórmula 1, o Corinthians pega justamente o Flamengo logo na primeira fase dos mata-matas da Libertadores.

Na fase de grupos, o time paulista foi o primeiro entre 32 equipes e os cariocas se classificaram na bacia das almas, com o último dos segundo-colocados.

E daí? E daí que vai dar Flamengo.

Só pra castigar a palhaçada bem no ano do Centenário do Corinthians.

Frases que dona Iza não vai ouvir


“Eu não queria matar”.
“Não sei como o revólver disparou”.
“Fiz uma roleta russa”.
“Na hora que eu vi, ela já estava caída”
“Estou arrependido”.
“Meu destino só é a morte”

As frases acima, gravadas pelo jornalista Emilio Gusmão e exibidas em vídeo em seu site na internet, foram ditas por João Leonardo Santos Silva, o Leo, de 20 anos.

Ele é o assassino confesso da comerciante Iza Novaes de Andrade, de 64 anos, que fornecia marmitas em Ilhéus e era uma pessoa muito querida na cidade. O crime chocou e indignou os ilheenses, demonstrando que ainda se choca e se indigna diante da brutalidade, mesmo com a rotina de assassinatos no Sul da Bahia.
Leo teve como parceiro no crime Jailton Neves, o Tom.

A dupla estava em busca de 25 mil reais, que dona Iza supostamente guardava em casa.

Para obrigar a comerciante a dizer onde estava o dinheiro, Leo e Tom resolveram “brincar” de roleta russa, em que existe um único projétil no tambor do revólver e os disparos são feitos aleatoriamente, numa espécie de loteria macabra.

A morte venceu a loteria da vida. Dona Iza está morta.

Inútil o arrependimento de Leo, admitindo-se a hipótese de que seja sincero.

Quem aponta uma arma para a cabeça de uma pessoa indefesa, ainda que com a intenção de assustar e não de matar, tem noção dos riscos que está correndo.

E quem aperta o gatilho, mesmo sem querer como alegou Leo, deixa de ser o assassino em potencial para se tornar um assassino real, que tirou a vida de uma mulher que, aos 64 anos e já aposentada, ainda trabalhava para sobreviver.

O destino de Leo corre menos risco de ser a morte, como ele alega, e mais a liberdade dentro de alguns anos, num sistema judiciário arcaico, de penas reduzidas progressivamente, em que a única condenada de verdade acaba sendo a própria vítima.

A morte de dona Iza, torna-se ainda mais dramática, posto que se Leo disparou o gatilho com a participação de Tom, foram o sobrinho da comerciante, Carlos Rogério de Andrade, e a empregada doméstica dela Neoci Barreto Silva quem repassaram a informação para os bandidos de que haviam 25 mil reais em dinheiro prontos para serem surrupiados e divididos entre os quatro.

Um crime gerado pela cobiça e pela ingratidão.

Com uma câmera ligada diante deles, é possível que o sobrinho e a empregada se declarem igualmente arrependidos, que não era para matar e sim para pegar o dinheiro da tia e da patroa.

Verborragia inútil para dona Iza, mais uma vítima de um mundo à deriva, onde a vida virou, literalmente, uma roleta russa.





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