:: mar/2010
UM CLICK NO MUNDO DO TRÁFICO

Eis um retrato de como a bandidagem deita e rola em Itabuna:
Um fotógrafo profissional teve sua casa arrombada num bairro da periferia da cidade, enquanto estava viajando.
O ladrão roubou o objeto de valor que encontrou, uma máquina digital, avaliada em dois mil reais.
O fotógrafo não precisou ser detetive para descobrir que a máquina fora trocada por cinco pedras de crack.
Procurou o traficante, pediu a máquina de volta e esta em princípio relutou. Sob a ameaça do fotografo, de que chamaria a polícia, foi oferecida uma solução, digamos, negociada.
O fotógrafo pagou os 50 reais referentes ao valor das pedras de crack, recebeu seu instrumento de trabalho de volta e vida que segue.
Contra ou a favor

Sempre que converso com meus companheiros de profissão sobre liberdade de opinião ou jornalista escrever o que bem entende no veículo de comunicação em que trabalha, me vem à memória uma historinha ocorrida nos tempos em que jornal era feito na linotipo e revisor, a exemplo de juizes de futebol, tinha duas mães, visto que quando achavam um erro, era preciso compor a linha inteira da página no chumbão.
Pois bem, a tarde seguia modorrenta naquele diário da cidadezinha do interior, quando, o jornalista, sem assunto para escrever o editorial do dia seguinte, perguntou ao dono do jornal se ele tinha alguma idéia.
Mais preocupado com o parto da bezerra, o que é até pertinente em se tratando de um jornal de cidade interiorana, o sujeito respondeu:
-Escreve aí sobre Jesus Cristo…
E o jornalista, sem titubear:
-Contra ou a favor, chefe?
PRA LÁ DE MARRAKESH

Realizando um cruzeiro marítimo que inclui paradas em ilhas paradisíacas do Mar Mediterrâneo e escalas em países do Norte da África e da Europa, a professora Miralva Moitinho curte inolvidáveis férias, ao lado de seu companheiro e meu amigo Kiko.
Na foto, Miralva aparece numa rua de Casablanca, no Marrocos, ao lado de uma figuraça local.
O retorno do casal está previsto para a semana que vem, via Roma, a Cidade Eterna.
Como diria o imortal Ibrahim Sued, sorry periferia, que cavalo não sobe escada, mas degusta um jabazinho maneiro, regado ao velho Jack e a uns puros habanos…kkkkkkkkkkkkkk
O CIRCO DA NOTÍCIA
Embora não existam as chamadas provas irrefutáveis, parece não haver dúvidas de que Alexandre Nardoni e Ana Jatobá foram os responsáveis pela morte da menina Isabella, num crime que chocou o Brasil.
Isabella, aos 5 anos de idade, foi vítima de uma seqüência de monstruosidades, que incluíram espancamento, esganadura e jogada para a morte, atirada que foi da janela do sexto andar do apartamento onde passava os finais de semana com o pai e a madrasta.
Apesar das negativas do casal, que apontam a existência de uma terceira pessoa no local do crime, tese totalmente descartada pela perícia técnica, a polícia e a justiça concluíram que Alexandre Nardoni e Ana Jatobá foram, inquestionavelmente, os assassinos da pequena Isabela.
Num júri que catalisou as atenções do Brasil, os jurados concluíram pela culpa do casal. Alexandre foi condenado a 31 anos de prisão e Ana Jatobá a 26 anos.
Fez-se, enfim, Justiça!
O julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Jatobá, entretanto, lança luz sobre outra questão: a espetacularização da tragédia e como pessoas simples se dignam -e até brigam- para fazer parte de um enredo com o qual não tem a mais remota ligação.
Gente que passa dias e dias à porta do Fórum, à espera de ser captado por uma câmera de televisão, um microfone ou uma máquina fotográfica.
Explora-se, à exaustão, a mãe, familiares e amigos, amplificando uma dor que, por si só, já é difícil de administrar. A patuléia quer lágrimas e a mídia, de olho na audiência, faz brotarem as lágrimas.
É preciso gente se indignando, socando os carros em que os réus eram transportados e isso uma câmera ligada ou um clique disparado produzem com a maior facilidade.
Arma-se, em torno do julgamento, um verdadeiro circo da notícia, que vai além do resultado final e permanece pelos dias seguintes, sugando-se todas as gotas do infortúnio que ceifou a vida da pequena Isabella e perpassou uma cicatriz no coração e na alma de sua mãe.
Dos programas matutinos e vespertinos de variedades e banalidades aos respeitáveis (?) telejornais noturnos, passando pelos programas policiais, dos jornais populares a publicações sérias (?), das rádios aos sites, todos querem um naco da tragédia, ainda que à custa do mais deslavado sensacionalismo.
Encerrado o júri, que Isabella descanse em paz, que sua mãe encontre na justiça feita o conforto para uma perda irreparável e que Alexandre Nardoni e Ana Jatobá paguem pela barbaridade que perpetraram.
Quanto ao Circo da Notícia, a lona foi temporariamente desmontada, à espera do próximo crime bombástico, ou do próximo espetáculo, o que infelizmente dá no mesmo.
De volta para o futuro

Em alguns momentos ao longo do século passado, com o cacau gerando riquezas que ultrapassavam a barreira do bilhão de reais em safras maravilhosas, teve-se a nítida impressão de que o Sul da Bahia havia encontrado o seu destino glorioso, o seu futuro promissor.
Crises cíclicas, visão equivocada de que aquela riqueza duraria para sempre e uma doença devastadora que atende pelo nome quase obsceno de vassoura-de-bruxa, entre outros fatores, fizeram com que esse futuro nunca chegasse.
Ao contrário, nas últimas duas décadas, o Sul da Bahia mergulhou num abismo que parecia não ter fim, com uma queda de cerca de 90% na produção de cacau.
Emblematicamente, chegou-se ao ponto em que, de exportadora, a região passou de importadora de cacau.
A esse período critico, somou-se o descaso das autoridades e o esfacelamento das instituições que deveria estar apta para, ao menos, minimizar os impactos dessa crise, como a Ceplac.
Produziu-se, então, uma tragédia de proporções bíblicas, que só não teve conseqüências ainda mais graves (como se isso fosse possível), graças ao espírito empreendedor de alguns empresários e produtores, que não esmoreceram e mantiveram a esperança, a custa de trabalho e abnegação.
Eis que, mesmo sem a recuperação de seu principal produto, que jamais poderá ser o único, o Sul da Bahia passa a contar com expectativas concretas de, enfim, abrir as portas para o futuro, com geração de emprego e renda, qualidade de vida e oportunidades para todos.
É nesse contexto que se encaixa a inauguração de uma base de distribuição do Gasoduto da Petrobrás e na seqüência a implantação da Ferrovia Oeste-Leste, do Porto Sul, do Aeroporto Internacional de Ilhéus e de uma Zona de Processamento de Exportações no Sul da Bahia.
O gasoduto, que começa a distribuir gás natural a partir de hoje, deverá atrair novos empreendimentos e permitir o tão sonhado processo de industrialização, que impacta toda uma rede de comércio, prestação de serviços, saúde, educação, lazer, etc. Um processo que a ferrovia, o porto e o aeroporto irão consolidar.
Trata-se de ações concretas e não daquelas promessas eleitoreiras das quais tanto nos acostumamos. E trata-se, também, de um novo momento, que não pode ser desprezados e cujas oportunidades devem ser aproveitadas.
Pode-se dizer, sem qualquer exagero, que hoje começa uma espécie de entrada naquele futuro que um dia pareceu tão próximo, depois ficou exageradamente distante e que, de novo, está ao alcance das mãos.
Agora é trabalhar, e muito, para transformar oportunidade em realidade.
Que não é apenas uma rima, mas também é uma solução.
Crônica de um rio que pede socorro

José Bastos não foi apenas um dos principais personagens da história centenária de Itabuna e nem é somente o nome de uma praça no centro da cidade.
Foi, também, um poeta talentoso, que ao lado de Telmo Padilha e Valdelice Pinheiro, rendeu em prosa e verso uma homenagem a um rio:
“Do Cachoeira escutando os bravios rumores/Como a Iara gentil destas águas profundas!/Oh! Como sou feliz e me sinto orgulhoso/ De um dia ter nascido em seu seio faustoso/Sob o esplendor de um céu de beleza tão rara”.
De José Bastos e, um pouco mais recentemente, de Telmo e Valdelice pode se dizer que, além da paixão desmesurada por Itabuna, viveram num tempo de bravios rumores, iaras gentis e águas profundas de um rio que transbordava vida, inspirava poetas, alimentava as pessoas com seus peixes fartos e garantia o sustento de lavadeiras e areeiros.
Um rio que, lá se vai um vai um século, testemunhou caudaloso e silente (aqui, justas referências a Telmo Padilha e Valdelice Pinheiro) o nascimento de uma cidade, Itabuna, como décadas antes testemunhara o surgimento de uma vida, Tabocas, brotada às suas margens generosas.
Não é de todo exagerado dizer que a Itabuna metrópole, cidade de braços abertos, espírito empreendedor pairando sobre ela e que a despeito de eventuais crises cíclicas não para de se desenvolver, é filha desse rio, que serpenteia entre matas, divide/une as duas partes da cidade e segue seu caminho ao encontro da imensidão do mar.
Filha ingrata, diga se de passagem!
Ao longo das últimas três décadas, com o acentuado e desordenado crescimento de Itabuna, o Rio Cachoeira vem passando por um processo de deterioração que praticamente o transformou num imenso e fétido canal de esgotos. No trecho urbano de Itabuna, as matas deram lugar ao lixo.
Esse misto da falta de responsabilidade dos órgãos públicos e da falta de consciência da população transformou o antigo rio vivo, num rio quase morto, a implorar por um socorro que não vem.
Se nos tempos centenários a cidade precisou do rio para nascer, agora é o rio quem precisa da cidade para não morrer.
Enquanto ainda há tempo de evitar que ele morra…
Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água, esse bem precioso para a vida, é preciso que se olhe para o Rio Cachoeira, patrimônio que a centenária Itabuna insiste em maltratar.
Não com o olhar de piedade ou de indiferença, mas com o olhar, e principalmente com o compromisso, de quem sabe que é preciso agir agora para salvar o Rio Cachoeira.
O nosso rio.
Bola Murcha, Boa Cheia

Dois jogos, um empate suado em casa contra o Madre de Deus, que ainda perdeu um pênalti, e uma sapecada de 4×1 do Ipitanga no campo do adversário. Apenas um pontinho ganho e a lanterna do chamado “Quadrangular da Morte”.
Assim, o Itabuna caminha célere para o cemitério da Segunda Divisão do Campeonato Baiano em 2011.
A matemática ainda aponta o caminho da salvação: três vitórias e um empate nos quatro jogos que restam podem garantir o Dragão Sem Fogo na Primeira Divisão.
Mas, pelo futebol que o time (não) vem jogando, essa possibilidade começa a entrar para a categoria milagre, ir para a conta do imponderável que costuma ocorrer de vez em quando nesse esporte que fascina justamente por desafiar a lógica.
Convenhamos: o Itabuna está fazendo um esforço sobre-humano para cair, mesmo disputando esse quadrangular macabro com sumidades como Ipitanga, Madre de Deus e Colo Colo.
O time ilheense, com uma vitória e uma derrota, pelo menos respira, enquanto o “ex-quadrão” itabunense dá seus últimos suspiros.
Para ampliar o sofrimento dos torcedores de Itabuna e Ilhéus, as duas equipes se enfrentam nesta semana, em dois jogos que podem significar a queda de um e a salvação de outro.
Ou a desgraça de ambos, em caso de dois empates, a depender dos resultados das partidas entre Ipitanga e Madre de Deus.
O fato é que ao Itabuna só resta acreditar que, embora raros, milagres existem.
E. se não for pedir demais, jogar um pouquinho de futebol que seja, para facilitar um pouco a tarefa do santo milagreiro escalado para a missão quase impossível.
BOLA CHEIA
Da bola murcha para a bola cheia: nesse pântano que é o futebol brasileiro, salvo apenas por alguns lampejos do jovem e ainda não devidamente testado time do Santos, é um bálsamo poder assistir, pela ESPN, os jogos do Barcelona da Espanha.
O time espanhol resgatou o futebol-arte e transforma seus jogos em espetáculos capitaneados pelo argentino Lionel Messi, um talento à altura de seu compatriota Diego Maradona e de gênios brasileiros como Zico, Falcão e Rivelino.
O Barcelona de hoje é o time que mais se aproxima daquele memorável Santos dos anos 60, que encantou o mundo com Pelé, Pepe, Coutinho e Cia.
Tá bom, Messi não é nem nunca será um Pelé.
Mas Pelé não conta, posta que veio de outra galáxia.
SOB NOVA DIREÇÃO

De forma discreta, a Unime Itabuna, que já foi FacSul e acabou adquirida pelo Grupo Iuni Educacional está mudando de mãos mais uma vez.
Quem assume o controle da faculdade itabunense é o Grupo Pitágoras, que está absorvendo todas as unidades do Iuni no Brasil.
O negócio vinha sendo gestado há pelo menos três meses e se consumou em março, embora ainda necessite de confirmação oficial.
Foi num carnaval que passou
No dia 26 de março, Lula vem a Itabuna inaugurar o gasoduto da Petrobrás e a base de distribuição de distribuição da Bahigás.
Há exatos oito anos, Lula desembarcou na cidade, a convite do amigo Geraldo Simões, para curtir o carnaval antecipado.
Vinha de três derrotas seguidas na disputa para a presidência da república e iria tentar pela quarta vez. Tentou, ganhou, ganhou de novo e se transformou no presidente mais popular na história do Brasil.
Naquele carnaval que passou, quando tudo ainda era esperança, um Lula brincalhão e acessível a todos tomou suas cachacinhas e fumou bons charutos cubanos, dos quais boas e generosas doses e alguns puros foram degustados na companhia deste blogueiro.
A foto, que guardo com carinho nos meus alfarrábios, foi tirada no camarote da prefeitura, momentos antes de uma coletiva à imprensa.
Na conversa eu pedia (ou implorava) para compartilhar o estoque especial de habanos que Lula recebia diretamente de Fidel.
Sem a colaboração de Lula, tive que continuar utilizando expedientes que, nessa Cuba de Fidelito e Rauzito, me tornariam sério candidato ao paredón.
LULA EM ITABUNA E ILHÉUS DIA 26
Está confirmada a visita do presidente Lula a Itabuna e Ilhéus, no próximo dia 26 de março, sexta-feira. Acompanhado da ministra Dilma Roussef e do governador Jaques Wagner, Lula chega a Itabuna às 11 horas, para o início das operações do Gasoduto Sudeste/Nordeste – GASENE, com a instalação de uma base de distribuição de gás natural.
Às 15 horas, Lula, Dilma e Wagber estarão em Ilhéus, onde participam da Crimônia de Abertura do Edital para Licitação da Ferrovia Leste/Oeste e da assinatura de contratos do Programa Minha Casa Minha Vida














