:: mar/2010
IL SOLE MIO

Neste final de semana, o casal Kiko e Miralva, ele publicitário, ela gerente da Direc 7, inicia uma viagem que inclui um cruzeiro com escalas no Marrocos, Espanha e ilhas do Mediterrâneo e um passeio pela Itália, com visitas a Milão, Verona, Florença, Veneza e Roma.
Viagem mais do que merecida, uma lua de mel para a dupla de enamorados.
PS- Pronto, já garanti a garrafa de Jack Daniels e uma pataca de Cohibas legítimos, que no free shop navio saem baratinhos.
Brincadeira, gente. 20 ou 30 dólares dólares não chegam a abalar o combalido orçamento desse blogueiro. E o velho Jack é tão bom quanto uma cachacinha, vale o desembolso.
Vassoura no forno

Está saindo do forno o primeiro (e, espero, único) livro de autoria deste blogueiro e quase ex-jornalista em atividade.
Trata-se de “Vassoura”, uma série de contos e micro-contos, todos tendo como pano de fundo a vassoura-de-bruxa e seu impacto no cotidiano das pessoas, numa obra de ficção sobre uma tragédia de proporções bíblicas.
O livro deve ser lançado em abril e em breve começo a romaria aos amigos da imprensa, para a devida divulgação.
Nada que mude a história da literatura baiana e mundial, mas “Vassoura”, editado pela Via Litterarum, é um livro gostoso de se ler, disso não tenho dúvidas.
SÍNDROME DE GOEBBELS
Bastou Dilma encostar em Serra e a mídia golpista, sempre a postos, entrar em ação, com mais um escândslo envolvendo o PT.
O modus operandi não muda: a Veja denuncia em manchete de capa, a Globo repercute no Jornal Nacional; e a Folha, Estadão e o Globo requentam o assunto durante vários dias, sempre contando com a inestimável colaboração de um promotor louquinho pelos holofotes.
A propósito, o video sobre Veja, disponível no youtube, dispensa comentários.
A morte é uma criança

Um estudo recente mostrou Itabuna como campeã nacional nas estatísticas de violência e falta de perspectivas para os jovens.
Um título inglório, embora alguns ainda tentem, ao sabor da conveniência, brigar com os números.
E, o que dizer então, quando esses números são reverberados pelos fatos?
Fato 1: Cleiton de Jesus Santos, 16 anos, estudante. Usuário de drogas e com passagem por um centro de recuperação de adolescentes em conflito com a lei. De acordo com os vizinhos, cometia pequenos furtos para manter o vício.
Na noite de segunda feira, ele estava na calçada de uma escola pública do bairro Maria Pinheiro, na periferia de Itabuna, quando foi alvejado com seis tiros, que lhe atingiram a cabeça, o peito, as costas e os braços. Um autêntico fuzilamento.
A polícia trabalha com suas hipóteses: dívidas com traficante ou vingança de alguma vítima de furto.
Os estudantes que presenciaram o homicídio renderam-se à lei do silêncio.
Fato 2: Matheus Domingos de Jesus, 15 anos, estudante. Apesar da idade, era considerado um garoto violento e violento, que impunha medo aos moradores, do bairro onde morava, Ferradas, também na periferia de Itabuna.
A própria mãe de Matheus admite que ele tinha fascinação por armas de fogo.
Seu currículo incluía duas passagens pela polícia, uma por porte ilegal de arma e outra por ameaçar um professor dentro da sala de aula.
Na madrugada de quinta-feira, Matheus estava na porta de casa quando foi atingindo com três tiros no tórax, peito e nas costas. Uma execução sumária, sem qualquer chance de reação.
Testemunhas? Se durante o dia e o início da noite ninguém vê nada, nas madrugadas a cegueira é total.
Em situação normal, Cleiton nos seus 16 anos e Matheus nos seus 15 anos, deveriam estar estudando, sonhando com o vestibular e com um bom emprego, para tocar uma vida decente..
Nas condições anormais, em que a exclusão social joga nossos meninos e meninas para o mundo das drogas e o mundo das drogas joga esses meninos e meninas na roda viva do crime e, não raro da morte violenta, Cleiton e Matheus nem conseguem romper e barreira da adolescência.
A expectativa de vida se transforma em expectativa de morte, que se cumpre com uma precocidade e uma freqüência assustadoras.
Diante de mortes como as de Cleiton e de Matheus, é tolice questionar o título de um campeonato macabro, em que em vez de gols e vitórias se computam mortes e agressões.
É necessário, sim (e o tema aqui tem se tornado recorrente, de tanto que insistimos nisso) que se adotem políticas públicas de inclusão social que ofereçam uma alternativa concreta ao caminho das drogas e da criminalidade.
Na verdade, é o único caminho possível, sem o qual os cleitons e matheus continuarão tombando nos descaminhados da vida.
E da morte.
Canção do Adeus

Colo Colo: 11 jogos, 3 vitórias, 1 empate e 7 derrotas. 14 gols marcados e 25 sofridos. Último colocado do seu grupo.
Itabuna: 11 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 8 derrotas. 7 gols marcados e 16 sofridos. Último colocado do seu grupo.
Esse é o melancólico saldo da participação das duas equipes sulbaianas no Campeonato Baiano de 2010. Mesmo faltando uma rodada para o encerramento da fase de classificação, ambos já estão condenados ao “Torneio da Morte”, que terá quatro equipes lutando não pelo glorioso (nem tanto, nem tanto!) título de campeão, mas para não despencar à mambembe 2ª. Divisão.
Colo Colo e Itabuna, rescaldo de uma rivalidade que hoje nem faz tanto sentido, afundaram abraçados, para desespero de torcedores apaixonados, que costumam lotar o Estádio Mario Pessoa e o Estádio Luiz Viana Filho, na eterna ilusão de que o titulo baiano não é apenas miragem, mas algo possível.
Em 2010, bastaram algumas rodadas para que essa conquista se configurasse como algo absolutamente impossível.
Dessa vez, não houve milagre nem arrancada para a classificação na reta final.
Salvo o triunfo ilusório (e, percebeu-se logo depois, acidental) do Itabuna sobre o Vitória, os dois times regionais amargaram derrotas e goleadas, algumas delas para times ´marca bufa`, numa competição que tem mais desnível técnico do que propriamente nível técnico.
Precisa ser ruim, mas muito ruim mesmo, para conseguir ficar na lanterna num campeonato que tem galinhas mortas do tipo Feirense, Bahia de Feira, Ipitanga e Camaçari.
Colo Colo e Itabuna, irmanados na desgraça, seguiram regiamente a cartilha que leva ao fracasso: trocaram de técnico como certos políticos trocam de partido, montaram, desmontaram e remontaram o elenco ao sabor dos resultados.
Nota zero em planejamento.
Dentro de campo, foi a pasmaceira que se viu, a cada jogo um mergulho rumo ao abismo.
A conquista do título, para Colo Colo e Itabuna foi apenas uma breve ilusão.
Agora é juntar os cacos, arrancar forças do fundo da alma e lutar pela única coisa que lhes resta: salvar a honra e evitar a queda para a Segunda Divisão, essa sombria zona de ninguém.
Na atual conjuntura, é melhor a Canção do Adeus do que a Marcha Fúnebre.
A estrela sobe

Quando Lula tirou da cartola o nome da ministra Dilma Roussef para sucedê-lo na presidência da República, muita gente, inclusive dentro do próprio PT, torceu o nariz.
Parecia um capricho de Lula ou uma jogada do tipo lançar uma candidata para perder e depois voltar nos braços do povo em 2014.
Afinal, que chance teria uma ministra importante, mas desconhecida pela população e que nunca disputou uma eleição diante do tucano José Serra, governador de São Paulo e com várias eleições no currículo?
A resposta parecia óbvia: nenhuma.
As primeiras pesquisas pareciam corroborar a tese da candidata fadada a perder. A vantagem de Serra se mostrava estratosférica, a ponto de poder liquidar a fatura já no primeiro turno.
Seria, enfim, um passeio.
Não será.
Da cartola de Lula saiu não um coelho, desses que ele pretende assar em sua chácara nos finais de semana quando deixar o cargo, mas uma candidata competitiva, com chances reais de ganhar a eleição.
Dilma foi subindo, Serra patinando e eis que a ultima pesquisa DataFolha mostra uma vantagem de apenas quatro pontos percentuais do tucano em relação à petista.
É uma situação de empate técnico, isso faltando sete meses para a eleição.
Ainda que não se possa mensurar o patamar que Dilma pode atingir e a capacidade real de transferência de votos de Lula, é inegável que o apoio do presidente mais popular da história do Brasil pode fazer com ela se torne a primeira mulher a governar o país.
Numa espécie de eleição plebiscitária, que Lula pretende realçar e da qual os tucanos querem fugir como o diabo foge da cruz e alguns políticos em Brasilia fogem de uma câmera, Dilma pode ganhar de Serra, pelo comparativo Lula x FHC, que na percepção popular é francamente favorável ao petista.
Por enquanto, a jogada de Lula tem se mostrado digna de um craque da política. Mas, ainda haverá muito jogo pela frente e o resultado só será conhecido em outubro.
A estrela sobe. As urnas dirão se irá brilhar mais quatro anos.
Dormindo acordado

A placa acima, do site Kibeloco, me lembra um episódio dos primórdios da TV Cabrália, lá pelos idos de 1988.
A gente fazia a transmissão ao vivo do Carnaval de Itabuna direto da praça Adami (naquele tempo o carnaval ainda não era antecipado e nem na Beira Rio), quando lá pelas tantas da madrugada o apresentador (pouparei o nome do companheiro) perpetrou:
-Estamos transmitindo em plena madrugada, mas se você estiver dormindo, fique tranqüilo que amanhã no Jornal do Meio Dia a gente passa os melhores momentos.
E quem dormindo estava, satisfeito ficou por não perder nada dos festejos momescos.
Crime e castigo

A decretação da prisão preventiva do secretário de Governo da Prefeitura de Porto Seguro, Edésio Lima, sinaliza de forma claríssima que os crimes de mando na Bahia começam a fazer parte de um passado que só não é desejável esquecer porque ainda existem casos emblemáticos a serem esclarecidos.
Edésio Lima, que teve a prisão solicitada pelo delegado Evy Paternostro e acatada pelo juiz da Vara Crime Roberto Freitas Júnior, é acusado de ser o mandante do assassinato dos professores Álvaro Henrique Santos e Elisney Pereira, diretores da API/Sindicato Seguro. Também tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça os policiais militares Sandoval Barbosa dos Santos, Geraldo Silva de Almeida e Joilson Rodrigues Barbosa, apontados como responsáveis pela execução do crime.
Álvaro e Elisney foram assassinados em setembro de 2009, quando lideravam uma intensa campanha salarial no município. Eles foram emboscados numa área rural do município. Na sequência, foi assassinado o motorista do secretário, Antônio Carlos Santos, crime que a polícia suspeitou ter sido “queima de arquivo”. As suspeitas contra Edésio Lima se ampliaram durante as investigações e se fortaleceram com a tentativa de homicídio contra uma testemunha-chave do caso, que levou 12 tiros, mas sobreviveu e está sob proteção policial.
A morte dos professores teve repercussão estadual e mobilizou Porto Seguro, que se uniu cobrando a punição dos responsáveis pelos crimes. Como as investigações correram em segredo de justiça, muitos chegaram a temer que o caso fosse descambar para a vala da impunidade.
Felizmente, não foi o que ocorreu. As secretarias estaduais de Segurança Pública e de Justiça e Direitos Humanos se empenharam na apuração, deixando claro que se houve crime, haverá o castigo, sempre respaldado na lei.
Edésio e os policias militares, acusados formalmente pelas mortes dos professores Álvaro e Elisney, do motorista Antonio Carlos e da tentativa de assassinato da testemunha, terão todo o direito de se defender.
Comprovada a culpa, irão pagar pelos bárbaros crimes que cometeram.
A Bahia que desejamos não comporta mais que pessoas que lutam pelos seus direitos e pelos direitos de seus companheiros de profissão sejam silenciadas pela truculência de quem não aceita contestações ou opiniões divergentes.
Os tempos são de diálogo e não de chicote.
De respeito às manifestações democráticas e não de tiros e de pancadarias.
Quem não entendeu e/ou não se adaptou a esses novos tempos, que pague pelos erros que cometeu, seja ele de que partido for e qual a condição financeira de que disponha.
A impunidade, essa mancha vergonhosa que nos acompanhou durante décadas, definitivamente não combina com a Bahia de hoje e a Bahia que se constrói para o futuro.
A Fantástica Fábrica de Charutos
No final de semana fiz um pit stop em Cruz das Almas, no Recôncavo Baiano, para reforçar meu estoque regulador de charutos.
Os puros do Recôncavo podem não ser páreo diante dos inigualáveis cubanos, mas não fazem feio, ao contrário, são de excelente qualidade, com um preço que não abala o estoque regulador da conta bancária.
Visitei e me abasteci na fábrica Velame, tocada pelo pai, seu Denis, e pelo filho, Alan. Uma fabriquinha modesta, mas honesta, que fornece charutos para as grandes fábricas, fornecedoras de charutos para o Brasil e o Exterior.
Quem apreciar um bom charuto ou uma cigarrilha e estiver trafegando pela BR 101, vale a pena dar uma paradinha em Cruz das Almas e conferir.
A fábrica Velame fica na rua J. B. da Fonseca, 235, centro. O fone é (75) 3621-2479.
Fundação Nacional dos Insensatos
A culpa pelo conflito entre supostos índios tupinambás e pequenos produtores rurais, que se instalou na região da Serra do Padeiro em Buerarema e ameaça se estender a áreas rurais de Ilhéus e Una pode ser debitada única e exclusivamente na FUNAI, a Fundação Nacional do Índio.
Que, no caso em questão, pode ser chamada da Fundação Nacional dos Insensatos.
A partir de um inacreditável relatório elaborado por técnicos da FUNAI, conferindo aos tupinambás uma extensa área de 35 mil hectares nos três municípios sulbaianos, o que era apenas reivindicação se transformou numa espécie de lei, pelo menos para os supostos índios;
O relatório não tem poderes para tanto, é passível de contestação e ainda precisa passar por várias etapas até que passe a valer ou não, mas serviu como salvo-conduto para que propriedades rurais sejam invadidas, saqueadas, destruídas e que seus moradores, a esmagadora maioria composta por agricultores familiares, sejam ameaçados e agredidos.
Para os tupinambás (ou os que dizem pertencer a essa etnia, já que existem denuncias de cadastramento de índios em Buerarema e cidades vizinhas), a área de 35 mil hectares lhes pertence e ponto final.
E, em sendo assim, se a área lhes pertence, os atuais ocupantes que tratem de escafeder-se, caso contrário serão expulsos, se necessário com o uso da pressão, como vêm ocorrendo na Serra do Padeiro.
A barafunda criada pela FUNAI, além da dimensão da área que ela sugere ser demarcada, não avaliou que os pequenos produtores ocupam essas terras há várias gerações e de lá tiram o seu sustento. Não podem ser simplesmente arrancados de lá, como quem arranca uma erva daninha ou como se fossem usurpadores, o que efetivamente não são.
Nada disso foi levado em conta pelos burocratas insensatos da FUNAI, que de seus gabinetes refrigerados em Brasília, assistem à distância as conseqüências do relatório que perpetraram.
Que os indígenas, pilhados e explorados desde que Pedro Álvares Cabral descobriu nos trópicos um porto seguro, precisam ter seus direitos preservados é fora de discussão. Isso vale também para os legítimos descentes dos tupinambás. A reparação, portanto, é justa e necessária.
Mas, o que não se pode é, em nome de se fazer justiça com algumas centenas de índios, se cometer uma injustiça com milhares de pequenos produtores rurais.
O bom senso que faltou à FUNAI deve prevalecer entre as autoridades responsáveis pela manutenção da ordem, antes que o que ainda é escaramuça de parte a parte se transforme numa guerra sangrenta.
Uma guerra que infelizmente já começou e que precisa parar imediatamente.
Porque, se ela se intensificar, as conseqüências são mais do que previsíveis.
Violentamente previsíveis.






















